A segunda posse de Obama, o primeiro negro eleito e reeleito presidente. Haverá outro? Quando? Não surge ninguém.

Helio Fernandes

Quando a Suprema Corte, em 1964 (aqui começava mais um golpe) acabou com a discriminação nos ônibus escolares e em 1965 expandiu essa libertação para os transportes coletivos, principalmente o metrô, os negros começavam a ascensão política.

Praticamente 100 anos antes, na campanha presidencial de 1860 (que liquidaria sua vida em 1865), Lincoln aprofundava ou começava para valer a luta contra a escravidão. O Norte dos EUA já havia praticamente libertado os escravos, mas existia a crueldade do Sul, racista, burro e preconceituoso.

A Europa, seguindo no progresso avassalador da Revolução Industrial de 1780 na Inglaterra, que multiplicou por 3 a produção, compreendeu que precisava de consumidores. Esses consumidores estavam dentro de casa, foram liberados não por generosidade, mas por inteligência.

A maior guerra civil do mundo ocidental começou antes da posse de Lincoln, continuou nos 4 anos do seu governo, só durou 1 mês do seu segundo governo, foi assassinado no Teatro Ford, quando assistia uma peça com a mulher, Mary Todd. Quase não havia seguranças, levou dois tiros na nuca. O assassino pulou para o palco, não escapou porque torceu o tornozelo, levou uma semana para ser preso.

OUTRA VISÃO DE LINCOLN,
A DIVISÃO ELEITORAL DO PAÍS

Em plena campanha de 1860, o candidato do Partido Republicano já havia percebido aquilo que se tornou lugar comum: “Um terço dos americanos votava nos Republicanos, outro terço nos Democratas, e outro terço decide a eleição”. Lincoln decidiu modificar essa realidade e fundar um terceiro partido.

Foi surpreendente, inédito e revolucionário: convidou para vice na sua chapa Andrew Johnson, governador do Tennessee, mas Democrata. Foi aceito por causa da tradição e do direito do candidato indicar seu vice. Mas do partido adversário? Lincoln explicou que pretendia fundar o terceiro partido, não teve tempo por causa da guerra e do assassinato.

Andrew Johnson assumiu com a morte de Lincoln, sofreu processo de impeachment, que começou com a posse. Como diziam que não era “nem Democrata nem Republicano”, quase foi derrubado. Ganhou por 1 voto de diferença, governou 4 anos, e foi jogado para o ostracismo.

Theodore Roosevelt (tio do próprio) assumiu em 1901 com o assassinato do presidente McKinley. Ficou até 1908 (reeleito em 2004), não quis mais. Em 1912, quis voltar, o Democrata e o Republicano já tinham candidato. Fundou o Partido Popular (PP). Não ganhou, mas ficou em segundo, perdendo para os Democratas (Woodrow Wilson), mas vencendo os Republicanos.

A SEGUNDA POSSE DO NEGRO OBAMA

Os “pais fundadores” da Constituição tinham preocupação por golpes políticos, mas não acreditavam em assassinatos, que aconteceram várias vezes. Hoje, nos arredores da Casa Branca, em toda a Avenida Pensilvania (onde fica o palácio presidencial e a Blair House, onde se hospedam convidados, incluindo este repórter em dezembro de 1955, quando viajei com Juscelino) e até bem longe. Falam em 20 mil policiais fardados, fora todo o resto.

E O PRÓXIMO NEGRO?

Ao contrário do que alguém disse aqui mesmo, não fiquei contra Obama em nenhum momento, na primeira e segunda eleição. E por causa dessa tremenda divisão popular, política e eleitoral, Obama não pôde fazer mais. Poderá a partir de agora e até 2016? Difícil concluir, mais difícil ainda analisar. Mas de qualquer maneira entrará na História. Não vai alterar o número dos 5 presidentes estadistas, mas será lembrado para sempre.

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PS – Haverá outro negro na Casa Branca? Não vejo nenhum no horizonte, ninguém nos quadros partidários, Republicano ou Democrata.

PS2 – Todos os órgãos de comunicação do mundo inteiro informam e comentam: “Obama toma posse com os Estados Unidos totalmente divididos”. Enquanto não compreenderem que Lincoln via muito à frente e o terceiro partido é indispensável, a divisão continuará.

PS3 – Existe o voto livre (sem partido), que houve no Brasil até 1934. O que adianta? Quando muito, tem 1 ou 2 por cento dos votos. Em 424 deputados (congressistas) só 1 é eleito pelo chamado voto independente.

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