A solução é privatizar os Bombeiros, mas antes as autoridades têm de reduzir os impostos, que já consomem 148 dias do trabalho de cada contribuinte. Por ano.

Carlos Newton

Nos Estados Unidos, que é a nossa Matrix, os cidadãos costumam se vangloriar de seus direitos e se dizem “contribuintes”. Aqui na Filial Brasil, infelizmente não existe esse costume, não há uma maior conscientização a respeito da importância de ser contribuinte. Raramente se vê uma manifestação nesse sentido, embora todos saibam que o excesso de impostos é uma das sete pragas brasileiras.

Na década de 70, por exemplo, o contribuinte precisava trabalhar apenas 76 dias apenas para pagar impostos. Em 2007, quando foi criado o Dia Nacional do Contribuinte, a data de 25 de maio foi escolhida porque era uma espécie de marco. Calcula-se que, em média, o contribuinte brasileiro trabalhava 145 dias por ano exclusivamente para pagar impostos. Só depois de 25 de maio é que o brasileiro passava a trabalhar para si.

Ou seja, em quatro décadas, dobrou-se a carga tributária, passando a exigir-se também o dobro do trabalho e de riquezas para financiar o Estado. Em 2010 a voracidade do Leão e dos outros predadores fiscais passou a consumir, em média, 148 dias de cada brasileiro contribuinte. 

É claro que nenhum contribuinte se importaria, caso esse esforço extraordinário para pagar tributos revertesse em benefício da cidadania. Mas que nada, todos estão conscientes de que a arrecadação não está sendo investida adequadamente. Os serviços públicos – saúde, educação e segurança – continuam negligenciados e mal remunerados.

Vemos agora o esforço da mobilização dos bombeiros e policiais militares, em busca de um piso salarial condizente, e têm como resposta é a humilhação e o desprezo das autoridades, que não souberam entender um desabafo coletivo, uma manifestação pacífica que reunia mulheres e crianças.

Agora, se aproxima a Copa do Mundo, e também sabemos que os impostos não foram utilizados para melhorar a infraestrutura dos aeroportos, rodovias, portos e sistemas de transporte. De repente, a solução é privatizar e terceirizar. Ora, então que se privatize logo o Corpo de Bombeiros e as forças de segurança, que se privatize também todo o resto, inclusive as Forças Armadas, que não aceitarão que os sargentos da PM recebam mais do que os militares de carreira, e têm com toda razão. Que se privatize então as próprias Forças Armadas. Mas, em compensação, que nossos impostos sejam reduzido a padrões civilizados e que o contribuinte não seja considerado pela autoridades apenas com um otário a mais.

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ELETROBRÁS NOVAMENTE EM GREVE

Os funcionários do sistema Eletrobras estão hoje novamente em greve, por reajustes salariais. A paralisação desta vez será de 48 horas (a anterior, mês passado, foi de 24 horas).

No Rio, a grande manifestação hoje será diante do prédio da Eletrobras, onde os funcionários pretendem fazer “o enterro simbólico” do atual presidente da holding, José da Costa, que se recusa a negociar com os representantes dos grevistas.

Em 1º de junho, houve reunião em Brasília com o chefe do gabinete do Ministério de Minas e Energia, que afirmou ainda estarem em andamento as negociações. Mas o presidente da Eletrobrás agiu por conta própria e até agora não recebeu os dirigentes sindicais dos eletricitários.

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