À sombra do passado, a esquerda tenta ressuscitar os showmícios

Resultado de imagem para REFORMA POLITICA CHARGES

Charge do Sinovaldo (Jornal VS)

José Casado
O Globo

Três partidos foram ao Supremo Tribunal Federal pedir música na campanha eleitoral. “Não é apenas entretenimento” — argumentam PT, PSOL e PSB na ação (ADI 5970) —, “mas um legítimo e importante instrumento para manifestações de teor político”.

Desejam voltar à era dos showmícios, quando candidatos atraíam o público às praças com a magia musical e, nos intervalos, vendiam alegres utopias, logo desmentidas pela realidade. Quem mais abusou do artifício foi Fernando Collor, na campanha em que derrotou Lula 29 anos atrás.

IMPOTÊNCIA – Na essência, esse bloco partidário que se autodenomina de esquerda protocolou no Supremo uma confissão de impotência para renovar seu projeto, lideranças, meios de se comunicar e a própria mensagem.

O refúgio no túnel do tempo ajuda a dissimular a incapacidade de entender as ansiedades do eleitorado, que não vê uma cisão entre “trabalhadores” e “burguesia”, mas enxerga com nitidez um confronto entre Estado e cidadãos, entre a sociedade e seus governantes — como demonstram pesquisas do PT na periferia de São Paulo.

Em Pernambuco tem-se outro exemplo dessa fuga nostálgica. Partidos e candidatos se transformaram em reféns de dois personagens — um mito e um encarcerado.

ARRAES, ETERNO – Morto há 13 anos, o ex-governador Miguel Arraes paira sobre a cena estadual em que se tornou mítico, depois de dominá-la por mais de cinco décadas. Dois dos três candidatos ao governo estadual disputam sua memória nessa eleição.

De um lado está Paulo Câmara, governador em busca da reeleição pelo PSB. Burocrata do Tribunal de Contas, foi ungido por Eduardo Campos, neto de Arraes, quando deixou o governo em 2014 para se candidatar à Presidência da República (Campos morreu num acidente aéreo).

Na oposição está Marília, 34 anos, neta de Arraes. Vereadora no Recife, rompeu com os primos do PSB e migrou com o sobrenome para o PT. É candidata ao governo contra a vontade da burocracia petista, que deseja sua renúncia. Motivo: uma aliança com o PSB aumentaria em 51% o tempo de propaganda eleitoral do PT (de 171 para 258 minutos).

IMPASSE – Paulo e Marília também cultuam Lula, pernambucano do agreste, há mais de cem dias cumprindo pena em Curitiba por corrupção e lavagem de dinheiro. Ao ritual juntou-se um terceiro candidato a governador, Armando Monteiro (PTB), cuja origem remonta às usinas de açúcar e ao sistema financeiro.

À sombra do mito e do cárcere criou-se um impasse entre o PSB dos Arraes e o PT de Lula. Derivou na imobilização de quatro partidos (PCdoB, PDT, Pros e Rede). No fim de semana, o PT adiou suas convenções no Amazonas, Amapá, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Tocantins e Rondônia.

ABSTRAÇÕES – Outros candidatos também preferem o gueto da ilusão e da saudade. Jair Bolsonaro (PSL) transformou sua campanha presidencial em homenagem à tortura e à matança dos adversários, na efusão de sangue patrocinada pela ditadura militar. É o mesmo regime que o julgou por traição à farda, acusando-o como autor de um plano para explodir quartéis no Rio dos anos 80.

Embriagados de nostalgia, eles se abstraem do debate de alternativas reais às agruras do presente compartilhado por 175 milhões de dependentes da combalida rede pública de saúde, e por 13,5 milhões de desempregados que perambulam no inverno das maiores cidades.

16 thoughts on “À sombra do passado, a esquerda tenta ressuscitar os showmícios

  1. Só faltou escreve que o melhor candidato disparado é o Geraldinho Merendão. Mídia sendo sempre a velha mídia, parceira da velha oligarquia e dos partidos políticos. Todos querem manter o status, está bom assim, cometem inúmeros crimes e ninguém vai para a cadeia. De vez em quando colocam um no xilindró para enganar o povão.Resumo da ópera: cada um com os seus bandidos favoritos.

    • Se o povo gosta de sofrer, fazer o quê?!

      Pelo menos, a Dilma será a boba da corte no congresso, com as suas frases ininteligíveis e metáforas despropositais.

      Também estará no seu ambiente perfeito, no antro de venais, onde poderá abraçar seus cúmplices e apaniguados que roubaram a Petrobrás com a sua permissão, mais as fortunas que deu de presente para Cuba e para os vendedores da refinaria de Pasadena, nos USA.

      Viva a democracia ou que bosta que é esta nossa democracia?!

  2. Como odiamos mudanças que nos livram do passado e nos jogam no duro presente volta e meia queremos o passado de volta. Como era bom aquele tempo em que amarrávamos cachorro com linguiça . E, telefone era coisa do dono da loja da esquina, tempo bom aquele não era mesmo? Pois é, como dizem alguns mas eu discordo, quem gosta de coisa velha é museu, comício na praça da igreja já era.

    • Quem associa museu a coisa velha não passa de um ignorante completo. Nunca ouviu falar em Museu de Arte Moderna, ou Museu de Arte Contemporânea. É mais um reflexo da pobreza intelectual que grassa por esse Brasil afora.

  3. O articulista teve a ideia de escrever um texto sobre os candidatos que no seu entendimento são muito ruins, dando a entender que nada mudou nesse tempo, pois para aturá-los somente “quando candidatos atraíam o público às praças com a magia musical e, nos intervalos, vendiam alegres utopias …”

    Também disse que os eleitores de Bolsonaro preferem “o gueto da ilusão e da saudade”, porém não dizendo a verdade quando diz que Bolsonaro faz a sua homenagem à tortura e à matança dos adversários na sua campanha eleitoral.

    Apesar de bem escrito, o penúltimo parágrafo comprometeu sobremaneira a qualidade do artigo, pois em nenhum momento o deputado quer ou tenha declarado que pretende matar seus adversários!

    Bolsonaro diz, e todos sabem, que não terá consideração por bandido, ladrão, estuprador, pedófilo, corrupto, e que pretende acabar com as restrições que hoje dificultam o cidadão comprar uma arma para se defender.

    Ora, ora, um dos maiores quesitos de democracia, justamente contempla a pessoa a fazer o que quer da sua vida, desde que obedeça aos limites impostos pela sociedade contidos na Constituição e Códigos Penal e Civil.

    Se votar é obrigatório;
    Se não posso adquirir uma arma para me defender e à minha família;
    Se não existem candidaturas livres;
    Se nos resta como povo, obedecer e outorgar poderes, quero que alguém me diga que raio de democracia é esta??!!

    Vou mais adiante:
    Se democracia significa que os grandes ladrões do Estado e da população NÃO SÃO CONDENADOS E PRESOS porque o STF impede a punição e corrobora escancaradamente com a IMPUNIDADE, o momento atual é muito pior do que a ditadura, onde se podia comprar uma arma bastando que não tivesse processo criminal contra si!!!

    Dá-se o contrário do que escreveu José Casado. Bolsonaro é o candidato da democracia, enquanto os demais querem que continue a ditadura imposta pelo Estado!

    A tortura, que estamos sujeitos;
    A violência, que ceifa a vida de milhares de pessoas a cada ano;
    A impunidade, que aumenta os crimes do colarinho branco e que devasta a economia porque arrasa com nossas estatais;
    A corrupção, que uma vez institucionalizada deixa o Brasil e povo à mercê de ladrões;
    O povo, que sem poder se defender, transforma-se em alvo dos traficantes de drogas e armas,
    ora, se esses problemas apontados não serão atacados porque o sistema deve ser mantido, Bolsonaro está tendo o apoio popular por onde anda pelo Brasil porque representa exatamente o contrário do que nos deixa indignado e revoltado e que não tem sido alterado pelos presidentes que entram e saem do Planalto há 32 anos!!!

    Casado poderia ter escrito as crônicas que quisesse contra Bolsonaro mas, mentiu, e o seu belo texto se dissipou como as ilusões dos petistas que imaginam vencer essas eleições!

  4. Bom, se tem uma tendência política que vive do passado esta é a esquerda, que também entende que o povo gosta de ouvir as mesmas expressões de antanho!

    O mundo atual não comporta mais as denominações de esquerda e direita, extrema isso, extrema aquilo.
    O sistema não mais permite este tipo de escolha para a população.

    Ou temos governantes honestos e competentes ou não.
    Coincidentemente, os que se arvoram populares, comunistas e socialistas, quando no poder roubaram e exploraram o que quiseram, deixando este país e povo na lona!

    Agora, de modo que a palavra direita tenha embutida um candidato que não vai pensar na população e nos pobres, a esquerda, que aumentou a pobreza e somente nos trouxe danos e prejuízos, mais uma vez utiliza um modo antigo de separar politicamente os candidatos que rotula de destros e sinistros … epa, acertei, querem que a esquerda SINISTRA retorne ao poder, pois sem ter o que alegar de fatos que desabonem o candidato que ela diz ser de direita, Bolsonaro, acusa-o de direita, quando o correto seria andar direito!

    Afinal das contas, quantos elementos que se dizem de esquerda que estão presos, que estão sendo processados e que foram condenados, apesar de livres?!

    Se até o símbolo maior dessa esquerda está na cadeia, Lula, e esta tendência política NADA FEZ PARA O PAÍS E POVO MELHORAREM nos 14 anos que DESFRUTOU do poder, decididamente quem ela chama de direita está certo, pois são os corretos, enquanto os DA ESQUERDA são mesmo SINISTROS!!

    Quanto ao isolamento do candidato do PDT, Ciro é o maior culpado.

    Faz tanta questão de ter o PT ao seu lado, que deixa de lado enaltecer o seu próprio partido!!!

    Quer porque quer que as esquerdas se unam, inclusive as extremas-esquerdas em torno do seu nome, que, pobre do povo brasileiro, ter contra si mais um governo estilo petista de roubar e explorar!!!

    Se Ciro Gomes se mantivesse mais contido e não fosse tão parlapatão e boquirroto;
    caso se dedicasse de corpo e alma à maior obra do partido quando Brizola era vivo, a Educação em Tempo Integral representada pelos CIEPS;
    se não desse a entender e comentar seguidamente que, uma vez eleito, indultará Lula, Ciro teria mais eleitores ao seu lado, enquanto desta forma os espanta, e exatamente repudia os indecisos!!!

  5. Eles estão assustados. Não entendem como Lula pode ser assim tão forte. Não aceitam, não toleram, não codificam. Eles miam de horror com o próprio beco sem saída que construíram para si, nos raros espasmos de lucidez que lhes acometem o sono (ou: Lula está nos pesadelos dessa gente, com um assustador tesão de 20).

    A tinta vermelha jogada hoje no STF é essa luta digna, que não se intimida com regras de etiqueta social propaladas pelos guardiões da violência controlada e institucional. É o sangue transfigurado que esfrega na cara e no chão do STF o quão covardes eles têm sido.

    Esse inimigos mesquinhos e medíocres estão morrendo de medo. O medo fica evidente quando eles falam, quando eles dão entrevistas, negando, negaciando, mastigando as palavras e os sentidos. Basta dessa mediocridade.

    A verdade lateja em nossos sentidos. Os exemplos de coragem pulsam no martírio do crime praticado contra o país.

    “Uma Dilma soberana, enfrentando seus algozes, saindo de pé e favorita a voltar consagrada ao congresso, como uma guerreira mítica”? Quem tem uma narrativa assim para chamar de sua?..

    Nós. Nós temos. Nós temos essa narrativa e muitas outras mais…

    A luta política não se faz pedindo licença.

    Gustavo Conde

  6. O Conversa Afiada publicou devastadora análise do professor Wanderley Guilherme dos Santos – “Lula vai entregar o poder ao PSDB” – e tratou do tema em “PT faz cavalo de pau no precipício”.

    Agora, nessa linha, reproduz do Segunda Opinião antológico artigo do professor Wanderley:
    A sedução da tirania

    A eleição presidencial de 2018 esteve ganha pela oposição enquanto a única referência dos conservadores era a associação com o monumental desastre de Michel Temer. Hoje, “Michel Temer” virou espantalho a ser inflado e agitado durante a campanha eleitoral. Mas não está claro se o eleitorado votará contra os conservadores por sua conexão ao golpe parlamentar ou se os favorecerá na renovada expectativa de derrotar um candidato, imbatível há quatro disputas, sustentado nuclearmente por PT, PSB, PDT e PC do B. Hoje, dilacerou-se o conjunto quatro vezes vencedor: o Partido dos Trabalhadores, hegemônico, não contará com os votos unânimes dos partidos que sempre o apoiaram e nem mesmo com a totalidade de seu próprio eleitorado. Hoje, a nuvem da política mudou drasticamente de silhueta.

    Depois de sucessivas derrotas jurídicas e tímida resposta dos movimentos nas ruas, o PT iniciou o afastamento da realidade com a campanha autodestrutiva de que uma eleição sem Lula seria fraude. Não registrou a indiferença do aparato judiciário e policial às ralas manifestações de adesão nas grandes cidades, adotando o contraditório movimento de negar legitimidade às decisões da justiça e a ela recorrer, confiando no nobre critério de neutralidade dos operadores. Parecia agir na presunção de que ou as críticas contra o judiciário convinha como propaganda ou de que conseguiria persuadi-lo pela força dos argumentos.

    As acusações da esquerda contra o Judiciário, contudo, têm granítica procedência. Infrações e arbitrariedades jurídicas fazem parte do consenso que inclui a avassaladora maioria dos partidos políticos, o eficaz mecanismo do sistema globo de informação para iludir a opinião pública, todos os órgãos de representação do capital e, por fim, a maioria do Judiciário, extensamente comprometido com aberrações jurídicas desde o julgamento da Ação Penal 470. E a cláusula pétrea do golpismo consiste em impedir o retorno da centro-esquerda ao circuito de poder político. Não se trata, aqui, de frívolo recurso de retórica partidária, mas refletido juízo sobre a dissimulada conspiração que o caricato impedimento de Dilma Rousseff desnudou.

    Depois de reconhecido o vazio das ameaças de que o MST, substituindo a já clara impotência da CUT, ocuparia cidades e praças contra as arbitrariedades de Sergio Moro, a discussão sobre eventual resistência à ordem de prisão elevou os dirigentes petistas a superior patamar de desvario. Em seguida ao que jamais aconteceria, a prisão de Lula, o roteiro delirante aproveitou a solidariedade à indiscutível vítima de perseguição política, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, convertendo-a, por intimidação, em inaceitável culto à personalidade de um irreconhecível candidato presidencial Lula.

    Hoje, há um Lula indulgente com o totalitarismo dos diretores do PT, da CUT, do MST, transtornado em fanatismo em muitos militantes, e candidato que mantém refém grande parte das forças populares. Mais preocupado em derrotar competidores em seu próprio lado do que impedir a vitória da reação. Todos os quadros do PT e partidos próximos, além de personalidades historicamente admiradoras do extraordinário ex-metalúrgico, têm sido apresentados a um enigmático Lula, messiânico e expropriador da vontade autônoma das forças populares. Antes, o destino de Lula se associara ao destino dos pobres; hoje, Lula pretende que o destino das massas se associe ao seu, aprisionado a um combate mesquinho contra um personagem nanico – o juiz Sergio Moro. Os democratas esperam que o preço não seja a vitória da reação, com o encarceramento real da população pobre a seu destino miserável.

  7. Conde disse mesmo uma verdade, que havia mais narrativas sobre o PT.

    Por exemplo:
    Um ex-presidente ladrão e genocida que está preso;
    Uma Dilma que permitiu que a Petrobrás fosse roubada pelos seus cúmplices de partido e aliados políticos;
    Tesoureiros do PT todos condenados e presos por corrupção;
    ministros petistas condenados por roubos;
    fundos de pensão falidos pelo PT
    estatais quebradas pelo PT;
    obras superfaturadas pelo PT;
    empréstimos consignados roubados pelo PT;
    aparelhamento do Estado pelo PT;
    desemprego recorde por causa do PT;
    inadimplência de milhões de brasileiros por culpa do PT;
    Violência desmedida fomentada pelo PT;
    Saúde Pública deteriorada porque assim quis o PT;
    ditadura sul-americana defendida pelo PT;
    educação medíocre instituída pelo PT;
    rombos no BNDES cometidos pelo PT;
    corrupção instituída no país pelo PT;

    Indiscutivelmente o PT tem muitas narrativas que o Conde omitiu de … vergonha!

    Baita trovador!!!

  8. Que coisa estranha. Não vi nenhum comentário do Sr. Alex Cardoso, referente ao artigo de hoje do Bernardo Mello Franco. Nossos comentaristas e apoiadores da esquerda simplesmente se calaram. Como digo sempre, só se utilizam de mentiras e falácias para defenderem seus argumentos. Saudações a todos.

  9. Pereira Filho,

    Teve também o Cacareco, uma rinoceronte fêmea que, nas eleições municipais de 1.959, no Rio, teve mais de cem mil votos!!!

    Foi o maior voto de protesto que tivemos na história!

    Algo que somente o espírito despojado do fantástico povo carioca para esta proeza até hoje incomparável!

    Não acredito que Dilma, mesmo sendo uma porta de burra, de confusa, de não saber o que diz, ultrapassará o percentual do Cacareco, ou seja, o animal teve uma votação municipal impressionante, enquanto a humana – faz-se necessário salientar a condição de espécie da ex-presidente! – disputará o senado, que exige votações acima de um milhão de votos à sua eleição.

    Haverá protesto, mas também votos muito mal intencionados, dos petistas, evidentemente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *