A sucessão na estaca zero

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Charge do Mariano, reproduzida da Charge Online

Carlos Chagas

Aécio Neves e Geraldo Alckmin estão na lista de Janot, a ser divulgada em breve. Há rumores de que José Serra também. Não há cláusula de inelegibilidade para nenhum dos três, pelo menos enquanto não forem condenados em segunda instância. Mas se forem, ficarão afastados da sucessão de 2018. Sobrará espaço para João Dória Júnior, apesar de suas sucessivas declarações de que cumprirá até o fim o mandato de prefeito de São Paulo.

De repente, instaura-se a dúvida no ninho dos tucanos. Certeza também não há no PMDB, porque se a recuperação econômica naufragar, Henrique Meirelles ficará de fora. Como Michel Temer, pelos mesmos motivos e mais o juramento de que não disputará o segundo mandato.

O leque de outras opções não anima ninguém.  Marina Silva eclipsou-se, Ciro Gomes não é mais o mesmo, Jair Bolsonaro marcha de pé trocado, Ronaldo Caiado não rompe os limites de Goiás, Joaquim Barbosa sumiu e quaisquer outros nem lembrados são.

A conclusão é de que apagaram o quadro negro, restando apenas o Lula, que esta semana confirmará sua candidatura pelo PT. Também cercado de obstáculos e armadilhas da operação Lava Jato.

Em suma, a sucessão presidencial volta à estaca zero. Como só daqui a um ano a disputa ressurgirá, aguarda-se o aparecimento de novas hipóteses.

QUEM SERÁ O CHEFE? – A Segunda Guerra Mundial aproximava-se o fim e perguntaram ao maior líder militar da Inglaterra, Bernard Montgomery, a razão de seu sucesso. Cheio de arrogância e empáfia, ele disse aos jornalistas ser porque não bebia, não fumava, não jogava e não prevaricava.

Winston Churchill agastou-se e chamou os repórteres, dizendo: “Podem escrever que eu bebo, fumo, jogo e prevarico, mas sou o chefe dele…”

O episódio se recorda a propósito das mudanças que o presidente Michel Temer promoverá no ministério, assim que divulgada a segunda lista do Janot.

One thought on “A sucessão na estaca zero

  1. GÓRGIAS é LULLA; Sócrates é Moro.

    Noticias mais recentes, depois de Emílio Odebrecht fazer algumas colocações, estou certo de Górgias existe, reencarnado em Lulla.

    Górgias? Sim, personagem de livro do mesmo nome, de Platão. No livro, Górgias perde a luta contra Sócrates, isto é, a filosofia derrota a retórica de Górgias. Ou seja, garganta não ganha o debate. Vejo que Platão nos enganou a todos.

    Releio Górgias e me dou conta que Platão nos pregou uma peça: teve nada de derrota de Górgias não! Ele ganhou o debate entre o racional (filosofia) e o enganoso (retórica). De fato, bote água à mesa versus colas e outras drogas. Claro que todos preferem as colas justo porque por detrás há um retórico (propaganda, publicidade, chamem pelo nome que acharem melhor, Duda, João Santana, etc).

    Lulla é Górgias. Moro é Socrates.

    Anotem o que estou a dizer: Lulla vai voltar nos braços do povaréu e todos dirão que Moro é inimigo da pátria, que destruiu o país; aliás, já o dizem. Tremei!

    Vale a pena ler esta passagem do livro de Platão:

    XI — Górgias — Quanto mais se soubesses tudo, Sócrates: a retórica, por assim dizer, abrange o conjunto das artes, que ela mantém sob sua autoridade. Vou apresentar-te uma prova eloquente disso mesmo. Por várias vezes fui com meu irmão ou com outros médicos à casa de doentes que se recusavam a ingerir remédios ou a deixar-se amputar ou cauterizar; e, não conseguindo o médico persuadi-lo, eu o fazia com a ajuda exclusivamente da arte da retórica. Digo mais: se na cidade que quiseres, um médico e um orador se apresentarem a uma assembleia do povo ou a qualquer outra reunião para argumentar sobre qual dos dois deverá ser escolhido como médico, não contaria o médico com nenhuma probabilidade para ser eleito, vindo a sê-lo, se assim o desejasse, o que soubesse falar bem. E se a competição se desse com representantes de qualquer outra profissão, conseguiria fazer eleger-se o orador de preferência a qualquer outro, pois não há assunto sobre que ele não possa discorrer com maior força de persuasão diante do público do que qualquer profissional. Tal é a natureza e a força da arte da retórica! […] E por aí, Tremei!

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