A Taça do Mundo rumo a Madrid

Pedro do Coutto

Foi brilhante, sob todos os aspectos, a vitória da Espanha sobre a Holanda, ontem no belo estádio repleto de Johanesburgo, fazendo a Taça do Mundo runar para Madrid.

De onde, daqui a quatro anos, viaja para o Brasil, quando será disputada sua vigésima edição. A da África do Sul foi a décima nona de uma série que começou em 1930. Pela primeira vez a Espanha conquista o título mundial. Pela terceira vez a Holanda perde uma final.

Dramática, como todas as finais, emocionante, extremamente nervosa, dividida por momentos em que o destino parecia pender ora para um lado, ora para outro. No balanço do tempo de 120 minutos, entretanto, os espanhóis chegaram mais perto do gol holandês do que os holandeses da cidadela espanhola. O desfecho foi justo, marcado inclusive por ótimas atuações dos goleiros que evitaram sucessivamente o ponto decisivo dadas as características do confronto.

O treinador Vicente Del Bosque manteve a armação e o estilo que consagrou a equipe na vitória contra a Alemanha: extremas abertos quando o time estava de posse da bola, extremas recuados quando das ações defensivas. O desempenho tático foi mais uma vez firme e brilhante com poucas variações. Bloqueio móvel e tríplice em cima de Robben quando ele atacava pela direita, situação em que, como canhoto, o obrigava a virar o corpo.

A cobertura defensiva foi bem feita, o mesmo se verificando quanto a Holanda. Na prorrogação o melhor estado atlético espanhol se fez sentir de forma acentuada. No apito final, os jogadores carregaram Del Bosque. O comportamento do técnico foi exemplar. Sereno, afável, civilizado.

Na África do Sul, virou-se mais uma página da eterna história do futebol, o esporte mágico, emocionante, das multidões em todo o universo. Pelos cálculos da Fifa, ontem, cerca de 4 bilhões de seres humanos assistiram a final. A vitória não foi só da Espanha. Foi do futebol arte, do futebol técnico, do futebol tático, da equipe de melhor estado atlético. A Jabulani voou da África para a Europa. O chute de Iniesta foi o desfecho heróico de uma jornada que começou com uma derrota para a Suiça e terminou com a consagração do um a zero.

Poderia ter sido uma diferença maior do que aquela decidida num lance de ataque. Mas a história da bola, de suas retas e curvas se escreve assim: de um ritmo que se faz constante para o improviso e o imprevisto de um momento. Surpresa? Não. Esse é o destino das partidas que arrebatam e assinalam as grandes decisões. São inúmeras as que assistimos e com elas as emoções se renovam. No amargor de derrotas. Nas lágrimas das vitórias. Futebol é isso mesmo. O entusiasmo rejuvenesce nas arquibancadas, na medida em que as gerações se renovam nos gramados brasileiros e do planeta.

Não estivemos bem este ano. A Espanha foi melhor. É a campeã do mundo. Temos que aprender com nossos insucessos e partir para novos sucessos. O Brasil é pentacampeão. O sonho alado do hexa tem que esperar mais quatro anos, pelo menos. Hoje, a Taça viaja para Madrid. Chegará a nosso país em 2014. Esperemos até lá que ela fique aqui. Amém, como costumava dizer Nelson Rodrigues que, melhor do que ninguém, expressou a alma do torcedor brasileiro.

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