“A terceira via deve se unir já no primeiro turno”, prevê o analista Marco Antonio Villa

Marco Antonio Villa

Villa diz que a terceira via pode se unir, mas sem Ciro Gomes

José Fucs
Estadão

O historiador e comentarista político Marco Antonio Villa é o que se poderia chamar de um “radical de centro”. Crítico implacável do presidente Jair Bolsonaro e também do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT, Villa ganhou popularidade com as análises inflamadas que faz na mídia e fora dela contra os seus desafetos na política.

Nesta entrevista ao Estadão, ele diz que a tendência é de os candidatos à Presidência da chamada “terceira via”, à exceção de Ciro Gomes, do PDT, se unirem ainda para a disputa do 1º turno das eleições, em 2 de outubro. “Se houver um candidato da terceira via com dois dígitos nas pesquisas e os demais estiverem com um dígito só, em torno de 5%, é provável que eles resolvam abandonar as suas candidaturas para apoiar quem estiver na frente.”

O Brasil vive um quadro complicado tanto na economia quanto na política. Neste cenário, como o sr. vê as eleições de 2022?
Eu estou muito preocupado, porque tudo indica que as grandes questões nacionais não serão o centro das atenções, mas as ações violentas por parte de Bolsonaro e de seus aliados tentando desqualificar o processo eleitoral, as urnas eletrônicas, o Tribunal Superior Eleitoral e as decisões do Supremo, ameaçando jornalistas, coagindo opositores e promovendo até – pode ser que ocorra, espero que não – ataques físicos a adversários.

O sr. não está exagerando? Será que vai ser por aí mesmo?
O cenário é muito preocupante, porque teremos um presidente candidato à reeleição que vai usar toda a estrutura de Estado na sua campanha. Não estou falando só de inaugurações e liberações de verbas, como em outras campanhas, mas do uso da estrutura policial de Estado – a Agência Brasileira de Inteligência, o Gabinete de Segurança Institucional, a Polícia Federal. Além disso, as fake news vão ser um dos principais elementos da campanha. Teremos as “fake pesquisas” também. Vai aparecer instituto de pesquisa do qual a gente nunca ouviu falar e isso vai criar uma confusão na cabeça do eleitor, dificultando a escolha de candidatos, se é que teremos debate eleitoral, que é uma outra questão.

Considerando tudo isso, o sr. acredita, então, que a polarização, que já marcou as últimas eleições, vai se manter no pleito deste ano?
Infelizmente. Ela será exacerbada ao limite. Isso estará muito presente já no primeiro turno, em 2 de outubro. Pela primeira vez na história, pode acontecer de um presidente da República candidato à reeleição não chegar ao segundo turno. Pode ocorrer. Vai ser um bom teste para as instituições.

O sr. falou muito de um lado. E o outro lado dessa polarização, o lado do PT, do Lula, da esquerda, como vai se portar na campanha?
Acredito que o Lula já se considera presidente da República antes da abertura das urnas. O que normalmente não dá certo no Brasil.  As coisas não são tão simples assim. Até agora, o Lula está navegando sem opositores. Quando começar a campanha para valer, o petrolão, o mensalão e as acusações de corrupção vão inundar a discussão. Essa facilidade que ele tem hoje não terá mais, porque tudo isso virá à tona. Inclusive porque um de seus opositores, o (ex-juiz Sérgio) Moro (pré-candidato pelo Podemos), foi quem apresentou parte das denúncias contra ele na Justiça e o julgou. O Lula vai ter de responder a essas acusações e vai ser duro ele negar. Como é que o Lula vai negar que houve o petrolão? Uma coisa é negar numa entrevista. Outra é negar numa campanha eleitoral, num debate eleitoral.

Como o sr. avalia a possível aliança do Lula com o Alckmin e a possibilidade de o ex-governador paulista ser o seu vice?
O Lula está buscando alianças no centro-direita, que lhe possibilitem até vencer as eleições no primeiro turno, que é o sonho dele, mas não se sabe se vai conseguir ou não. Nos Estados, é provável que ele consiga, com o Centrão e seus aliados. Afinal, o PT ficou 13 anos no governo e ganhou quatro eleições consecutivas, o que convenhamos não é pouco. Agora, em relação a uma possível aliança na esfera federal com o Alckmin, é preciso ver como ela vai ser, se é que vai existir. Se der certo, vai dar uma chacoalhada e tanto. Do lado do Lula, até entendo o interesse nessa aliança. Do lado do Alckmin, não. Como é que o Alckmin vai entrar nessa?

Se a aliança com o Alckmin sair, como o Lula vai lidar com a militância do PT? Será que a turma vai aceitar isso?
A tendência é o Lula segurar seus radicais, vamos chamar assim, que não são poucos dentro do PT. O Lula vai tentar se mostrar o mais confiável possível. Mas essa história de que, vinte anos depois, o Lula vai voltar ao poder e pegar um país com uma economia relativamente equilibrada e boom de commodities, como pegou em 2003, é uma ilusão. Ele vai encontrar outro país, com crise econômica, sucessivas recessões nos últimos dez anos e um cenário internacional provavelmente ainda marcado pela pandemia.

Como o sr. está vendo essa profusão de candidatos da terceira via e a perspectiva de um deles chegar ao segundo turno?
A política é muito volátil no Brasil. Olhando o quadro hoje, é possível que o Moro consiga se construir como a terceira via e não o Ciro Gomes, que poderá ser rifado pelo PDT, por causa das alianças estaduais. Em relação à candidatura do governador João Doria, vamos ver se ele consegue, no mínimo, unir o PSDB, o que não será fácil. Em Minas e no Rio Grande do Sul, parece que ele vai ter dificuldade. Agora, tem de ver se a candidatura do Moro vai ser sólida até o início do processo eleitoral. Pode ser que ele não seja um tsunami eleitoral e se revele uma marolinha. As primeiras semanas depois que o Moro se lançou como pré-candidato foram muitos boas para ele. Agora, se o Moro deslanchar, teremos uma eleição interessante, disputada por um ex-juiz que mandou prender o seu opositor. Não conheço no mundo ocidental uma eleição recente deste tipo. Vai ser uma coisa única.

O sr. vê a possibilidade de uma aliança entre os candidatos de terceira via já no primeiro turno?
É provável. Se, efetivamente, houver um candidato de terceira via com dois dígitos nas pesquisas e os demais estiverem com um dígito só, em torno de 5%, pode ser que eles resolvam abandonar as suas candidaturas para apoiar quem estiver na frente. Agora, o Ciro não fará isso. Pode tirar o cavalo da chuva. O Doria poderá fazê-lo. No caso do MDB, não sei se a senadora Simone Tebet será mesmo candidata. As peças estão se movimentando, mas como é um cenário muito complexo e ainda estamos um pouco longe da definição das candidaturas, é difícil ter uma ideia mais clara de como vai ficar o xadrez eleitoral. No Brasil, três ou quatro meses são uma eternidade.

8 thoughts on ““A terceira via deve se unir já no primeiro turno”, prevê o analista Marco Antonio Villa

  1. O grande Professor da Universidade de Tucanologia de Paris.
    Frequentador assíduo da Adega da Mansão Cinematográfica na Avenue Foch.
    Vinhos e Champagne francesa na casa dos 80 mil euros á garrafa.
    Fora o caviar iraniano o melhor do Mundo, segundo os Especialistas de Plantão….

    • Cerca de 115 mil reais são o que precisa para comprar um quilo de caviar Almas, retirado dos mais raros esturjões Beluga do Irã.

      O nome significa ‘diamantes’ em russo e é isso que parecem: pequenas pérolas brilhantes, com tonalidade escura ou, no caso dos peixes mais velhos, tonalidade dourada ou mais esverdeada.

      O caviar retirado das fêmeas albinas do esturjão Beluga iraniano é o mais raro e caro do mundo, sendo vendido apenas numa pequena loja em Londres.

      Bon Appétit…

  2. O que isto quer dizer???

    Que ele e suas ideias sao financiadas por algum magnata ou grupo que quer tomar o poder do mundo, como afirmam, estes sim grandes professores Dudu, Carluxo e Lavinho??

    Como sou burro e do interior por favor me explique, senão vai parecer comentários como aqueles dos cinemas franceses da década de 60, ninguém entendi mas era obrigado a dizer que achava genial?

    Gosto do Villa e nao vejo contradições em suas afirmações, por isso gostaria de entender o comentário.

    Muito obrigado, antecipadamente

  3. Colocar todos os gatos no mesmo saco!? Não vai dar certo.
    Todos querem ser estrela.
    Todos já passaram por muitos partidos.
    Nenhum realmente tem programa exequível.
    Como pode alguém acreditar em mais uma aventura?

  4. Uau o professor de História é mesmo um gênio, quase lhe atribuía a invenção da pólvora, mas como ele mesmo sabe não foi ele quem a inventou. Só disse o óbvio.

  5. O professor Villa, está escamotiando a verdade dos fatos.

    Vejamos:
    CIRO GOMES, não tem como compor com os “liberais”,na real são todos privatistas, são a favor do capital especulativo, são a favor dos magnatas internacionais.

    Veja o Dória,admite a venda do BB,que tem capilaridade em todos os rincões desse País.

    O pouco que sobrou da Petrobrás o entreguista almofadinha calça apertada quer vender.
    Estão na contra mão do G7,onde as empresas estatais predominam..

    Moro,nem projeto tem.
    O marreco, só tem os votos dos arrependidos do Bozo.

    Bozo tinha 38% agora está com +- 24% .
    8 a 10% dos votos migraram pro marreco.

    Na realidade,Moro, Dória, Bozo,51, são todos uns mais outros menos, verdadeiros
    GENDARMES do capital dos magnatas internacionais.

    O único que é contra o sistema de casta,
    Contra
    ESTABLISHMENT, é o CIRO GOMES,que tem projeto e soluções dos nossos problemas estruturais como a luz solar.

    Faltou dizer isso professor Villas..!!
    Como historiador,o senhor falhou..

    Como comentarista,vou concordar com piadista Armando.

    Senhor Villas, está induzindo a harmonização entorno do marreco,a mando do entreguista mor,pai das urnas eletrônicas fraldadas FHC.

  6. Vamos combinar…

    Pessoas honestas desse blog,que pensa na sua família,nos filhos,um alvorecer de esperança para seus netos, não votaram nesses picaretas,nesses mercenários profissionais sem escrúpulo nenhum, sem nenhum espírito público, não posso nem devo acreditar nós contribuintes votando em representantes de facções…

    Pense nisso,enquanto lhes digo boa noite…

  7. Cada vez mais “enxergável” – pra quem não “míope funcional”

    … que Ciro Gomes é o único candidato que incomoda o Rentismo.

    Quanto aos outros três

    Lulla
    BolsoMoro e
    MoroBolso

    “tudim” serviçais dá Banca.

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