A tragédia da irresponsabilidade. Em São Paulo, excesso de CONCRETO e OBRAS VIÁRIAS. No Rio, duas catástrofes: falta de PREVENÇÃO e MAPEAMENTO. E alguns, até aqui mesmo, defendem as “autoridades”.

Helio Fernandes

Não ia escrever mais sobre o assunto, como disse a Ofelia Alvarenga: “Não consigo mais ver tanta desgraça, mudo de canal”. Não adianta, todos repetem com insistência as mesmas coisas, principalmente no Rio e em São Paulo.

Mas quando vi o relato da artista plástica e advogada Bia Garcez (aqui mesmo no Blog), nem sei como conseguiu mandar, sem comunicação, ilhada, perdeu tudo), decidi que diante desse libelo-lamento-condenação, precisava continuar.

No momento, não há nada mais importante, triste, doloroso, irreparável. E fico estarrecido com o fato de muitos defenderem esses governantes do Rio e de São Paulo.

Algumas coisas que coloquei no título destas notas, precisam ser dissecadas. Rio de Janeiro, Região Serrana. Os fatos se repetem, às vezes mudando de locais, mas sempre destruidores, arrasadores, e não inesperados. Os especialistas, na televisão ou em contatos pessoais com o repórter, repetem mais de 100 vezes: “Com MAPEAMENTO e PREVENÇÃO, gastaríamos menos de 10 por cento do que teremos que gastar na RECONSTRUÇÃO”.

E acrescentam, alguns até revoltados: “O descaso de prefeitos e do próprio governador do Estado do Rio, impressionante”. Ainda de Francis Bogossian, presidente do Clube de Engenharia, (um dos mais sérios, competentes e importantes do Rio), em entrevista na televisão: “Temos feito relatórios que mandamos para as autoridades, ALERTANDO, recebem tudo, engavetam, não fazem nada”.

Não se omite nem tenta preservar autoridades federais. E afirma corajosamente: “Temos feito reuniões coletivas, convidamos o Ministro das Cidades, (há mais de 1 ano) compareceu, debateu, levou os relatórios. Não apareceu mais, nem fez uma obra sequer”. Num país sério, facílimo identificar quem é esse Ministro. E Bogossian diz também : “O Clube de Engenharia propôs até a criação de um ministério para cuidar do assunto”. Nessa enxurrada de 37 ministérios, não há lugar para esse, imprescindível, talvez não interessasse ao PT ou PMDB.

As imagens de Petrópolis, Teresópolis, Friburgo (para quem não conhece o Rio, Nova Friburgo é a mesma coisa que Friburgo, uma cidade só) assombram o cidadão de todo o país. Alguns, não sei como rotulá-los, desculpem, insensivelmente, dizem: “A culpa é da chuva, os governantes não têm nada com isso”.

Com essa mentalidade, não haveria solução para nenhum problema, tudo seria insensível e não solucionável. Esses governantes se livrariam da culpa, bastaria ou basta dizer: “Vai continuar chovendo mesmo, não podermos parar as chuvas”.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, diz parecendo até revoltado: “Querem que esses problemas crônicos sejam resolvidos em 24 horas?” Não são 24 horas e sim 16 anos, o tempo INACREDITÁVEL que ele está direta ou indiretamente no governo do Estado. E já tomou posse para novo período, que se chegar ao fim completará 20 anos. Muito mais do que as 24 horas citadas por ele.

E uma alta autoridade de São Paulo, declarou, saiu nos jornais e na televisão: “Tive de mandar abrir as comportas de uma represa, sabia que ia agravar a situação. Mas não tinha alternativa”. Aí, além da gravidade da afirmação, a constatação que ela vem desde a construção.

Como em São Paulo só fazem obras viárias e “plantam” concreto, sabiam que estavam comprometendo o futuro. As águas inundam tudo, e “OBRIGADOS” a abrir as comportas, sabem que VÃO AUMENTAR A INUNDAÇÃO. (Sei que vão aparecer aqui mesmo, alguns que defenderão esses irresponsáveis do Rio e de São Paulo).

No Rio, culpam e atingem até os que morreram: “É muita leviandade fazer casas em encostas sem a menor segurança”. Esses “culpados” não têm onde morar. Vivos ou mortos, são as verdadeiras e únicas V-Í-T-I-M-A-S da irresponsabilidade dos governantes. Se houvesse MAPEAMENTO, essas pessoas não iriam morar nesses lugares.

E com MAPEAMENTO PREVENTIVO e FISCALIZAÇÃO RESPONSÁVEL, quem insistisse em habitar essas áreas, seria retirado e transferido para outros lugares. Enquanto estivessem fazendo obras. Acontece que as catástrofes se repetem, não são feitas obras de prevenção ou de reconstrução.

No Rio, apesar do meu horror, não posso deixar de ligar a televisão. Começo a ver um programa, os mortos são mais ou menos 200, no meio são 300, quando acaba, já estão em 335. Isso é número real, não são estatísticas técnicas.

Ninguém será responsabilizado, o governador de São Paulo não se livra de dizer bobagem, o do Rio estava na Europa, como sempre. Não queria voltar, decidiu vir quando soube que a presidente Dilma viria ao Rio. O helicóptero da presidente vai deixá-lo aqui, pede para ficar perto do Aeroporto Internacional, para a longa e satisfatória viagem de volta a Paris.

 ***

PS – Isso continuará como sempre, os “culpados”, a chuva e os irresponsáveis (?) que vão morar em lugares onde correm todos os perigos, como acontece há pouco tempo em Angra.

PS2 – Bia Garcez, continue escrevendo, impressionando os comentaristas deste blog, e os que reproduzem o que sai aqui. Sei que é pedir muito, Bia, mas são relatos como os teus, que podem levar “autoridades” a alguma providência.

PS3 – Não houve, Bia, em lugar algum, um depoimento como o teu. Libelo mesmo, relato autêntico, sem artifício, de corpo presente, vendo tudo, sofrendo e contando.

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