A tragédia de São Paulo. O maior estado, a maior prefeitura, há 16 anos dominada pelo PSDB, culpa a chuva por tudo o que acontece. Começando mais 4 anos, sempre Covas, Alckmin, Serra, novamente Alckmin.

Helio Fernandes

Governantes municipais e estaduais, não conseguem ultrapassar esse limite e se transformarem em nacionais. O ciclo peessedebista começou em 1994, com Covas já doente, com um câncer que o mataria. Tinha saúde ruim, em 1986, candidato ao Senado, sem adversários, Covas teve que parar a campanha por causa de um enfarte. Eleito, eram só ele e FHC.

Quem era seu vice? Geraldo Alckmin. Covas quase não toma posse como governador, mas os partidos que o apoiavam eram quase todos. Só ganhou no segundo turno do quase desconhecido Rossi. E precisou do apoio fundamental de Maluf, apoio coordenado pelo futuro presidente FHC, ligadíssimo a Maluf.

Mesmo antes da posse, surgiu uma lista enorme de “doadores” de campanha, nessas listas, empreiteiras acusadas dos maiores escândalos nacionais e estaduais. Tomou posse (Alckmin de sentinela por causa da doença) com novas acusações. Durante quase 4 anos, a Tribuna impressa denunciou “empreitadas”.

E o filho Zuzinha (mais tarde, exemplo para Lula), sempre envolvido. Garantiu que ia processar jornalistas da Tribuna, ficou sempre na intenção. Mas o zigue-zague de Covas continuava.

Em 1997 FHC lançou a campanha (comprada) da reeleição. Covas ficou contra. Alegação: “A reeeleição vai permitir que o ocupante do cargo se reeeleja, utilizando a máquina e o dinheiro público”. Ha!Ha!Ha!

Não fizera outra coisa, e logo depois mudava de “opinião”, aceitando a reeeleição. Em 1998 ganhou de Dona Marta, mas perdeu para Maluf. No segundo turno, Dona Marta, seu marido Suplicy e outros fizeram uma frente antiMaluf. Aí ganhou, 9 milhões e 800 mil votos, contra 7 milhões e 900 mil de Maluf.

Começou então a insistente “substituição”, tendo Alckmin como segundo e “construindo” a carreira de vice. O que dizer se Sarney chegou a presidente com a morte do efetivo? Mas como não tomou posse em 1995, o governador de fato foi Alckmin.

Onde estava o governador eleito, Mario Covas? Nos EUA, operando um câncer na bexiga. Voltou, não se curou nunca, mas mesmo convalescente, foi empossado 15 dias depois, com Alckmin no cargo. O maior estado da Federação tinha um governador doente e um vice administrativamente desimportante.

Juntos, Covas-Alckmin não conseguiram eleger Serra, em 1996, para a maior prefeitura do país, não chegou nem ao segundo turno. Que foi disputado por Luiza Erundina e Celso Pitta. Este apoiado abertamente por Maluf e veladamente por FHC. Covas votou e mandou votar em Luiz Erundina, perdeu feio.

Em 1998 Covas foi reeleito, a única “satisfação” que deu para a mudança de convicção, foi se “desincompatibilizar” 9 meses depois. “Transferiu” o cargo a Alckmin, uma farsa, ele já “governava”, o que garante que fará agora, 12 anos depois.

Covas foi reeeleito, Alckmin  ficou o tempo todo no Palácio Bandeirantes, o local estava vazio. Covas o tempo todo no hospital, fazendo quimioterapia. Isso durou até 2002, quando acabava o mandato de Covas-Alckmin. Aí, apesar de duas eleições (não importa se como vice ou governador de fato), Alckmin se lançou pela terceira vez. Inacreditável.

Isso era ilegal, imoral, inconstitucional. Aproveitando a máquina e os dinheiros públicos (royalties para Covas), Alckmin “ganhava” o primeiro mandato dele mesmo, embora “não fizesse nada” pela terceira vez. E a tragédia de hoje, era anunciada desde aquela época. Agora, Alckmin se justifica: “Vamos RETOMAR AS OBRAS”. Retomar? Então é porque estavam paradas.

Apesar de “invicto e virgem” em administração, Alckmin em 2006 transferiu o cargo para Serra, lembram? Duas vezes derrotado para prefeito. E o senador Waldeck Ornelas, dizia no plenário, na presença do personagem: “Serra não é FILANTRÓPICO e sim PILANTRÓPICO”.

Com tudo isso, mantinha a “dinastia” do PSDB no maior estado da Federação.

Serra não fez nada até agora, 2010, entregou o cargo a quem? Ora, ao vice e depois governador Geraldo Alckmin. Enquanto se revezavam à frente do maior estado da Federação, perdiam três vezes para presidente da República. (por enquanto, duas derrotas para Serra, uma para Alckmin. Mas a tragédia ainda não terminou).

Jogam a culpa “na chuva”. Mas desde 1994 o maior estado do país é governado pelo PSDB. E sempre, nesses 16 anos, que garantem irá a 20, Alckmin-Serra, com Covas fazendo figuração. Lançaram apenas rodovias (que provocam a tragédia das chuvas), que chamaram e chamam de M-A-R-G-I-N-A-L, denominação biográfica ou autobiográfica.

Não existe representatividade pelo fato de não existirem partidos, mas o povão não votou três vezes nesses mesmos candidatos. Só que não têm constrangimento, continuam se “assanhando”, os dois disputam a “quarta” candidatura presidencial entre eles.

Alckmin alega; “Só perdi uma vez, tenho direito a perder a segunda”. Serra afirma (não esqueçam do discurso, “não é adeus e sim até logo”), “nas duas vezes fui para o segundo turno”.

Continuam se hostilizando diante de 40 milhões (população do estado) ou de 13 milhões (os moradores da capital), sem direito a coisa alguma. Na mesma noite da derrota, quando “abraçou” efusivamente Alckmin, eu disse aqui: “Serra será candidato, não sei a quê, depende da pesquisa”.

 ***

PS- Como a eleição mais próxima é a de 2012, já mandou fazer levantamento. Pode ser, 2014 é muito longe, a não ser  que seja presidenciável. Tanto Alckmin quanto Serra só entrarão no Planalto, numa circunstância.

PS2 – Se forem vice de Dilma ou de Lula. Michel Temer não é vice? Pelo menos eles tinham votos para governador, Temer para deputado e olhe lá.

PS3 – Continua chovendo, gente morrendo, Alckmin-Serra perdendo. Só que ainda não perceberam o quanto são repudiados. E houve uma época  que São Paulo queria se separar do país: “Somos a locomotiva, carregando 21 vagões vazios”.

PS4 – Declaração de Alckmin, ontem, escandalosa, vergonhosa, acintosa: “É impossível FAZER OBRAS EM 24 HORAS”. Impressionante. Na verdade, é quarta vez que assume o governo de São Paulo.

PS5 – E resume tudo, APENAS A 24 HORAS? Não estou aqui para desmentir ninguém. Mas em todos os outros 3 mandatos (dois de Covas “exercidos” por ele mesmo, outro ilegal mas existente, o quatro começou agora) NÃO FEZ NADA MESMO. Que República.

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