A tragédia-trágica, dramática, catastrófica, do terremoto que matou dezenas de milhares no Haiti

Não há o que dizer, falar, escrever. A palavra lancinante se aplica desesperadamente, mas como reparar o irreparável? São dezenas de milhares de mortos, ainda não acabaram de contar, quando acabarão?

Dona Zilda Arns, generosa, desprendida, ativa e participante a favor da coletividade, morreu precisamente quando se dirigia a essa massa de pobretões, que não sabiam como viver e morreram sem saber o que os atingiu.

E 15 militares brasileiros, há bastante tempo em Missão de Paz no Haiti, também foram mortos. Almoçava com um amigo, e sua cozinheira chorava pelo filho, sargento, que servia no Haiti. Logo depois soube que o filho viajara de férias para o Brasil, estava chegando, voltou a ficar satisfeita.

Podem dizer o que quiserem, mas a perda individual, próxima, é muito mais dolorosa do que a perda coletiva, distante. Se não fosse assim não poderia ser chamada de humanidade.

As cartas dos jornais estão dominadas pelas manifestações de tristeza, desalento, a certeza de que não podem fazer coisa alguma. É quase impossível chegar ao Haiti, não existem aviões, nem se sabe em que estado encontrarão os aeroportos. Só os EUA, vizinhos, poderiam amenizar o que o terremoto dizimou,

Vejamos os “jornalões”

A Folha: “Terremoto no Haiti mata milhares; Zilda Arns e 11 brasileiros morrem”. Do ponto de vista da linguagem, NOTA ZERO. Não se usa ponto e vírgula, principalmente em manchete. Ali, o correto seria a vírgula. Como escrevi, dão ênfase à morte dos brasileiros, os haitianos, entram nessa classificação de “milhares”.

O Globo: apenas uma palavra, “DESESPERO”, pode ser uma rima (com a dor) mas não a solução.Deixaram o resto para completar em duas linhas, a primeira com 14 palavras a segunda com 15. Forçaram, o computador não atendeu. Mas ficou bom, assim.

“Haiti conta milhares de mortos, milhões de desabrigados e enfrenta onda de saques. Brasil perde Zilda Arns, 11 militares da missão de paz da ONU e ainda procura desaparecidos”. O jornalão se salvou com a foto de Jorge Cruz, da Associated Press, (Os outros dois também deram fotos ótimas, também de agências).

Estado de S. Paulo: “Terremoto mata pelo menos 30 mil e deixa Haiti em colapso”. Arriscou mas deu número. A seguir, numa linha de 14 palavras, (é o limite do computador), insiste na tolice do ponto e vírgula. E não tem consistência quando diz, “o Haiti, agora, depende ainda mais da ajuda internacional”. Então não sairá da miséria de sempre.

* * *

PS – O Haiti se tornou independente e “acabou com a escravidão”, em 1800 quase chegando 1801. A partir daí só três países ainda tinham escravos e escravidão: Brasil, Cuba, EUA.

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