A Tribuna jamais será vítima do pensamento único, pois a verdade nos libertará

Charge do Laerte (laerte.com)

Carlos Newton

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” – a citação do capítulo 8, versículo 32 do Evangelho de João, na Bíblia, abre a proposta de governo de Jair Bolsonaro, ao lado das palavras-chave que ele lista para sua gestão: constitucional, eficiente e fraterno. Portanto, nada de novo no front, porque estamos acostumados à troca de governantes e praticamente todos dizem a mesma coisa, depois que Abraham Lincoln inventou que a democracia seria o governo do povo, pelo povo e para o povo, mas não é bem assim que a banda toca.

Aqui na “Tribuna da Internet”, diante da certeza de que a volta do PT levaria ao caos,  não faltou voto para Jair Bolsonaro, mas agora está havendo um fenômeno altamente desagradável. A quase totalidade dos comentaristas vem tratando o futuro presidente como uma espécie de semideus, à prova de erros. Seria um salvador da Pátria, da moral e do civismo, que num passe de mágica vai conduzir a classe operária ao paraíso, como no filme clássico de Elio Petri, levando também de roldão a classe média em todas as suas subdivisões e até as “zelites” de Lula.

CAIR NA REAL – Dentro dessa visão, de repente estaríamos todos no paraíso bolsonariano, do tipo coração de mãe, onde sempre cabe mais um. Mas a realidade não é bem assim. É mais razoável que a gente caia logo na real, continuando a torcer desesperadamente para que o governo Bolsonaro tenho o êxito que esperamos, mas sem que abandonemos o espírito crítico e a capacidade de manter os pés no chão.

Não nos enganemos. A tarefa de Bolsonaro é como os doze trabalhos de Hércules, sob a ótica do Mito de Sísifo. O presidente começará sua gestão sem poder errar nos dois principais desafios, que estão interligados – a contenção da dívida pública e a reforma da Previdência. Nessas delicadas questões, qualquer descuido será fatal, como se dizia antigamente.

Mas nada disso parece importar. Aqui na TI, os comentários já margeiam o ridículo, na tentativa de nos impor o pensamento único, algo inimaginável, deplorável e abominável no jornalismo de verdade, que presta serviços à sociedade.

DIZIA MILLÔR – “Jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados” – a genial definição de Millôr Fernandes jamais foi desmentida. Entre as principais funções da mídia, a mais importante é justamente apontar os erros dos governantes, porque os acertos logo são notados. E o jornalista verdadeiro funciona como se fosse o clínico-geral da sociedade, a buscar remédios e tratamentos para as mazelas do povo.

Pretender que a TI apoie incondicionalmente qualquer governante é uma alienação execrável, isso jamais se concretizará, até porque vivemos sob o signo da liberdade.

Como preconiza o próprio Bolsonaro, “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. É como este objetivo cristalino que a Tribuna da Internet se posicionará hoje, amanhã e no nunca jamais.

BALANÇO DE  OUTUBRO – Como costumamos fazer, agradecemos muitíssimo as colaborações que nos permitem o privilégio de sermos livres, podendo praticar a democracia ao grand complet, como dizia o jurista Jorge Béja nos seus tempos na Universidade Paris-Sorbonne.

De início, vamos às contribuições na conta da Caixa Econômica Federal:

DIA   REGISTRO   OPERAÇÃO           VALOR

01     002915        DP DINH AG          100,00
03     185225        CRED TEV           150,00
03     226747        CRED TEV              100,00
04     003392        DP DINH AG            20,00
08     002915        DP DINH AG          100,00
15     002915        DP DINH AG          100,00
15     020305        CRED TEV              100,00
22     002915        DP DINH AG          100,00
23     230935       DP DIN LOT              50,00
23     400026       DOC ELET                 60,00
29     002915        DP DINH AG           100,00
30     300931        DP DIN LOT          100,00
31     311735         DP DIN LOT            230,00

E agora os depósitos na conta do Banco Itaú/Unibanco:

01     TBI 0406 49194-4 C/C              100,00
05     TBI 2958 07601-6 TRIBUN          30,00
05     TBI 2971 21174-9 C/C               150,00
16     TED 001.5977 JOSÉANTONIO    150,00
24     TED 001.5977 JOSÉANTONIO    150,00
25     TED 001.4416. MARIOACRO      250,00
31     TB1 O4O6 49194-4 C/C             100,00
31     TED 033.359 ROBERTOSNAS     200,00

Agradecemos, mais uma vez, aos amigos da TI, e vamos em frente, na busca da verdade que nos libertará, a todos.

36 thoughts on “A Tribuna jamais será vítima do pensamento único, pois a verdade nos libertará

  1. Temos que ter a liberdade de elogiar os acertos e criticar os erros.

    Já logo de cara critico o erro de se transferir a embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalem. Nada contra os judeus/israelenses, muito pelo contrário, é simplesmente uma questão de não se tomar partido logo de cara num assunto tão complexo. O Brasil não é EUA que podem se dar ao luxo de cometer erros/equivocos quase que impunemente, nós na verdade somos quase que um anão diplomático.
    Outro erro/equivoco na mesma linha é hostilizar os chineses. Temos muito mais a perder do que ganhar com isso.
    Por isso seria bom o Bolsonaro se aconselhar um pouco mais com diplomatas experientes do Itamaraty, se não, vai fazer bobagens muito parecidas com as que fizeram os petralhas, só que com sinal trocado.

    • Excelente, Sandoval!

      “bobagens muito parecidas com as que fizeram os petralhas, só que com sinal trocado.”

      Muitos imbecis ficarão com orelhas em brasa e faces rubras ao lerem isso e se descobrirem tão parecidos com os petistas que bisonhamente pensam combater.

  2. Que liberdade ? se liga, homem comuna.

    Blog de panelinha, nojo !

    Ontem mesmo meu comentário ao leão foi apagado sem ofensa nenhuma, e o dele também (já tinha lido) e também não tinha, apenas ironia, sabe o que é ?

    Pode deletar se quiser.

  3. Excelente artigo CN!
    Tenho deixado de comentar,um pouco, em virtude dessa insuportável e intolerável tentativa de implementação do pensamento único.
    Chega a dar náuseas!
    Vamos em frente e conte comigo,um espírito libertário,na sua frente pela pluralidade.

    • Mas os pensantes estão sumindo, não é para menos, e os radicais reclamam aqui ,e ainda mandam email para o comuna, gente sem educação e um bando de boiolas, vão reclamar com a mamãe, náuseas é pouco, é que vc é bonzinho, só não posso escrever o que gostaria para esse bando de…..

  4. Essa LIBERDADE mencionada no Evangelho não tem esse sentido político que querem dar.

    Votei em Bolsonaro mas sou contra essa “interpretação” política da religião.

    A tal teologia da libertação faz isso dando sentido marxista à palavra sagrada.

    O resultado, seja de que lado for, nunca é bom.

  5. Calma CN, deixa o homem tomar posse. O Lula não foi de herói a condenado? Torço para que faça um excelente governo, e assim sendo, que seja reeleito e faça seu sucessor. Nós vamos lucrar muito tudo correndo bem. Precisamos de prosperidade e maturidade. Se não der, elegeremos outro.

  6. Seu Coroné, gostei demais do que escreveu, penso igual ao senhor, que me lembra um daqui… Só não concordo com o FHC,kkk.
    O governo do sapo barbudo, foi um dos melhores que já existiu, todos se lambuzaram e agora esquecem.
    Também acho que dias muito piores virão.
    Parabéns coroné.

  7. CN,

    O blog está dando espaço para um possível governança de Bolsonaro.

    Enquanto isto os blogs ditos de esquerda estão com pé firme no acelerador contra.

    Eles se recusam a enxergar seus maus feitos.

    O povo não que só mortadela.

  8. E por falar em ‘vítima do pensamento único”, resolvi trazer essa notícia aqui na TI. É de ontem (03). Na matéria tem a foto do estado em que ficou a criança:

    “Petista espanca filho de 11 anos que comemorava vitória de Jair Bolsonaro”
    O pai, Paulo Henrique Mayer, professor, doutor e ex-reitor da UFFS, foi preso.

    https://www.bemparana.com.br/blog/tupan/post/petista-espanca-filho-de-11-anos-que-comemorava-vitoria-de-jair-bolsonaro?fbclid=IwAR3eZ3mWJ4dQJrGEKgONwUFl8i-HpX5MvpW0mg9XsesAeb54EuWtBRPk3ME#.W95SXgd3zo4.facebook

    ****

    É do tipo que diz que os fascistas somos nós.

    • Fizemos a escolha, com a Esperança de ver Brasil ser justo e digno com seu povo, agora só nos resta, rogar a Deus que nos ajude , iluminando e protegendo Bolsonaro, e que sua equipe trate o brasileiro trabalhador sacrificado com tantos desmandos, surfando na hipocrisia, roubando o cofre público, e taxando-se de inocentes. Essa questão da providência, é duro golpe no trabalhador, façam um calculo de contribuição por 30 anos, e o pagamento ao aposentado por 5 anos e de dependente por mais 5 anos, ainda deixa um pequeno saldo. ao misturar Contribuição do trabalhador e patrão, e “assistência social” é que dá Mer… . O governo é o depositário infiel. Depois que criaram os “economistas” que não se entendem, pois, cada um se julga superior em “saber” mais que o outro, é que dá nisso que aí está, que não nos deixa mentir. Caro Newton quando o governo juntou alhos com bugalhos (INSS), o resultado aí está, o trabalhador sem direitos pela volta de suas contribuições.
      Quando Getúlio criou os Institutos por categorias profissionais, que construiu Hospitais, financiou a”casa própria”, pois levava em consideração o SER humano, como Cidadão, e que merecia “respeito”, nos deu a Lei trabalhista. O que temos hoje, a agonia de saber que sua velhice será um tormento para sobreviver, e ainda falam em “Direitos humanos”, caem na que pregava Gandhi: Todo governo é hipócrita. Que Deus nos ajude.

    • Entrevista, Miguel Pagano – A Ufpel hostiliza fisicamente quem não faz o jogo do discurso único

      ENTREVISTA
      Miguel Pagano, Pelotas, RS

      A foto foi extraída pelo editor do Face de Miguel.

      O editor conversou com Miguel ainda há pouco. Ele é empresário em Pelotas.

      O que está acontecendo na Universidade Federal de Pelotas ?
      Não é só aqui, mas em todas as escolas públicas. Depois das eleições de domingo, na segunda-feira, minorias agressivas de estudantes esquerdopatas passaram a hostilizar fisicamente quem pensa diferente deles.

      De que forma ?
      Acadêmicos que resolveram vestir verde e amarelo, foram impedidos, pelo uso da força, de ingressar nos ônibus disponibilizados pela Ufpel e que levam os estudantes de Pelotas para o campus principal de Capão do Leão. Muitos foram cuspidos na cara. Manifestações a favor do candidato eleito foram proibidas na universidade.

      Ficou por isto mesmo ?
      Não ficou. Há quatro dias venho tentando falar com o reitor e só agora ele marcou horário para segunda-feiram, mas ele e a maior parte dos professores apoiam e toleram o discurso único, que é típico do fascismo. Quero garantia de que também podemos erguer faixas a favor do Bolsonaro, exigindo Lula na prisão e dizendo que Che Guevara era homofóbico. Não é possível que só os comunistas e os renegados sociais possam falar e agir. Queremos o contraditório.

      O senhor está sozinho ?
      Já somos uma centena de pais. Não estamos sozinhos, mas a mídia tradicional não abre espaço.

      CLIQUE AQUI para ler mais no Facebook de Miguel.

      https://polibiobraga.blogspot.com/

  9. Coroné,bem vindo “arena”,di cara,felicito pelo seu esforço pessoal,soube aproveitar as oportunidades para galgar degraus e chegar ao posto de coronel.

    Agora,fazer proselitismo de um camarada que tinha tudo pra ser um estadista.
    Mas,preferiu ser trambiqueiro,por favor nos poupe.

    MST,CUT,esses movimentos,apologia nas escolas
    onde ser gay ou sapatona tá na moda.
    Professor mal pago,e espancando pelos alunos com apoio dos pais.

    Na faculdade pública, o professor está proibido de falar capitalismo e suas vantagens,mesmo com as mazelas q.nos conhecemos.
    Não `a contra ponto,isso é um absurdo.

    Por, derradeiro,o famigerado FHC,tinha o Sérgio Mota,que fazia a mão.
    O nosso príncipe operário,o Zé Buttox Dirceu.
    Deu no k.deu.!!

    Os bons governantes, não precisam “leis”para dizer lhes,que deve agir de maneira responsável.

    Os trambiqueiro s,acham uma maneira de contornar essas leis.

    Finalmente,para seu consolo,a cúpula petista caiu em desgraça não só pelos trambique.
    Isso,foi apenas uma fachada.

    As outras faceta,deixo para os demais comentáristas, opinarem.

    Abraço..saúde é vida..

  10. É inegável os erros cometidos pelo PT, Lula e Dilma…
    …o partido que apesar dos erros foi o que mais tentou acertar.

    Ora, onde já se viu um governo tentar acertar, mas ao mesmo tempo roubar a nação.
    Ah, então houve erros no governo do PT, jogaram o país na lama, na pior crise pós-regime militar ou até de todos os tempos, mas tudo bem, ao menos eles tentaram acertar e tá tudo bem, estão perdoados.
    São incompetentes, antiéticos, corruptos, seu chefe está preso por corrupção e lavagem de dinheiro, mas ao menos tentaram acertar.
    Essa é a logica de um petista/lulista.

  11. CN está certíssimo. O problema é que o PT e seus comparsas continuam e continuarão inventando mentiras, criando falsidades e comentando usando chavões e baixo calão.
    Isso vai arrefecer com o tempo mas não vai parar pois é a ordem central que vem para as células obedientes e repetitivas. O objetivo não é criticar, é derrubar o governo, tomar o poder.
    Mesmo assim acredito que vai melhorar e o debate com bom senso vai voltar a acontecer com mais frequência. Ninguém aqui na TI acredita que Bolsonaro vai acertar tudo, mas a belicosidade mentirosa ainda vai impedir análises mais pragmáticas. Mas isso demora. Talvez quando a caixa preta começar a ser aberta em 01/01/19 o barata voa espante a maioria.

  12. Cel Sebastião, trouxe um pouco de luz à maioria destas almas escuras, amargas e moribundas que por estas bandas assombram qualquer um com o mínimo de humanidade!

  13. Como já tenho dito ha muito, oposição por oposição só da argumento pra situação, se existem criticas que as façam de forma isenta e construtivas, mas a partir do momento que o capetão da um espirro já fazem um estardalhaço e dizem toda sorte de asneira, o que pensar de pessoas tão celeradas? que é mentira e não se deve dar credito, tal qual inúmeros jornalistas hoje sofrem de falta de credibilidade.
    O jornalismo sério é imprescindível para a boa democracia e para o governo não nos passar a perna, mas atualmente isso anda tão raro e inclusive tal qual o pt esses jornalistas não querem saber de mea culpa, ajudaram a desinformação e ecoaram bobagens.
    Se o capetão é presidente são tão culpados quanto os eleitores, pois construirão um mito, que derrubava mentiras.

  14. PENSAMENTO ÚNICO NÃO CONDIZ COM A REALIDADE SAÍDA DAS URNAS

    Brasil, luzes e sombras de uma disputa anunciada
    Comportamento político e eleitoral está fraturado em três partes, e não em duas

    No segundo turno da eleição presidencial brasileira, do total de 147 milhões de eleitores, 31 milhões se abstiveram e 11 milhões votaram em branco ou anularam seus votos. Ou seja, 42 milhões de brasileiros não votaram nem em Fernando Haddad (PT) e nem em Jair Bolsonaro (PSL). Bolsonaro recebeu 57 milhões de votos, e Haddad obteve 47 milhões de adesões, apenas cinco milhões a mais que a soma dos votos nulos e brancos, e das abstenções.

    Por isso, a decisão estritamente racional de se abster, anular o voto ou votar em branco foi muito significativa. Foi uma tomada de decisão e uma escolha concreta da parte daqueles que se negaram a participar ou escolher entre os candidatos determinados pela conjuntura histórica e eleitoral do país.

    Por isso, é questionável a tese de que o Brasil se encontra dividido em duas partes perfeitamente identificáveis, e que está submetido a uma férrea polarização política: o petismo ou lulismo, de um lado, e o antipetismo do outro. O que existe é um comportamento político e eleitoral fraturado em três partes.

    Não se pode, a priori, conhecer as motivações dos eleitores que não votaram em qualquer dos dois candidatos; mas é possível partir da ideia de que o fervor coletivo construído em torno dessa polarização não foi combustível suficiente para motivá-los.

    Por outro lado, no segundo turno, a opção por um dos dois candidatos poderia representar uma simples adesão contingente, que não necessariamente faria do eleitor parte das fileiras do petismo ou do antipetismo. Presume-se, por exemplo, que nos votos em Haddad, havia, mais que adesão ao lulismo ou petismo, uma rejeição a Bolsonaro e ao que este representa.

    Tende-se a crer, portanto, que a polarização, em termos quantitativos, é ainda menor na hora de contabilizar os cidadãos brasileiros que embarcaram na defesa do ciclo político lulista ou petista.

    Da mesma maneira, entre os 57 milhões de adesões a Bolsonaro, não se pode afirmar que todos os eleitores eram necessariamente fiéis ao discurso, aos ditos e ao pensamento do candidato. Bolsonaro canalizou, fundamentalmente, o intenso antipetismo presente em certas camadas da população. O que significa que, considerando o exposto, não se pode afirmar que o país deu uma virada rápida e fatal para a direita.

    É necessário relativizar a visão de que os brasileiros despertaram de um dia para outro como politicamente de direita, conservadores ou fascistas. Diante desse panorama, algumas reflexões podem oferecer esclarecimento.

    Em primeiro lugar, não existe uma polarização clara entre petismo/lulismo e antipetismo. Esse é um cenário criado artificialmente por narrativas políticas que há anos desenham um país dividido em duas partes (por exemplo, nós contra eles, elite contra o povo), e representa uma fase populista do discurso político. E quem não se “enquadrasse” seria definido como fascista ou de direita. Da mesma forma, para o outro polo, quem não votasse “na direita” correria o risco de ser definido como petista, de esquerda. Portanto, a narrativa dessa polarização conseguiu tamanho poder que ela não apenas constrói “o político” mas também subjetividades.

    Em segundo lugar, o Brasil não é mais conservador em seus costumes, cultura e pensamento do que era uma década atrás. Se muita gente se surpreendeu com a cena do presidente eleito, Jair Bolsonaro, rezando com o pastor e ex-senador Magno Malta, e veio a imaginar que o país estaria ingressando em uma espécie de “governo teocrático”, é porque não se lembra desse mesmo senador trocando abraços com Lula, ou posando com a então presidente Dilma Rousseff.

    As igrejas evangélicas cumpriram papel fundamental no diálogo e contato com as regiões mais empobrecidas, durante o ciclo lulista (2003-2015), e ajudaram o presidente em sua conquista de votos em sucessivas eleições, apoiando além disso o programa de complementação de renda Bolsa Família, que foi fundamental para a contenção da pobreza. Por isso, Bolsonaro em dado momento expressou apoio à sua continuação, caso viesse a ser eleito, em uma decisão claramente influenciada por considerações eleitorais.

    Foi a “agenda da identidade”, principalmente desde 2008, com aspectos como a legalização do aborto ou do casamento gay, que começou a erodir a relação entre o governo e as igrejas, levando o lulismo e o petismo a perder terreno cultural, em alguns casos de maneira irreversível. Isso explica, em parte, a migração de muitas igrejas desse tipo a outras fileiras políticas, e seu abandono da narrativa petista de inclusão social da década de 2000.

    Assim, para além da importância que a presença da religiosidade tenha no discurso do presidente eleito, as igrejas já haviam penetrado no tecido social da população mais pobre, que antes engrossava o voto petista.

    Em terceiro lugar, a agenda verdadeiramente conservadora da maioria dos eleitores de Bolsonaro (e duvido que algumas das pessoas que terminaram votando nele estejam plenamente convencidas quanto a ela) está vinculada à flexibilização das armas de fogo, à redução da maioridade penal (o que contraria o conhecimento acumulado sobre a ineficácia dessas medidas) e à percepção das políticas educativas em vigor no país.

    Em quarto lugar, Bolsonaro ganhou apesar de Bolsonaro, porque a polarização política terminou por escolhê-lo como antagonista do status desenhado desde a redemocratização política da década de 1980. Se bem não seja um verdadeiro outsider, o eleitorado assim o quis perceber. E sua presença pública limitada, já que ele se limitou a ocupar as redes sociais e a se comunicar por meio de fases isoladas em plataformas digitais, terminou jogando em seu favor.

    Houve momentos em que ele injetou alguma dose de radicalismo de ultradireita, dirigido ao seu núcleo duro de seguidores virtuais, para quem tudo parecia um simples jogo. As frustrações individuais encontraram eco em vibrações coletivas de discursos inflamados pela intolerância e pela falta de respeito ao outro. Finalmente, no que parecia inicialmente um capítulo da série de ficção Black Mirror, as “fake news” se converteram em realidade.

    Como última reflexão, existe entre os brasileiros uma espécie de consenso de que a história do país jamais viu uma campanha eleitoral mais tensa, mas paradoxalmente mais tíbia, do que a recente. Dez dias antes do pleito, ninguém mais queria falar de eleições ou de política. O cansaço e a indiferença haviam tomado a maioria dos cidadãos, como bem poderiam dizer os 42 milhões de brasileiros que escolheram não apoiar qualquer dos candidatos. A disputa eleitoral, anunciada à saciedade, já se havia produzido como acontecimento. É a precessão dos simulacros, como dizia Jean Baudrillard.

    Carlos A. Gadea é uruguaio, vive no Brasil e é doutor em sociologia política, com pós-doutorado no Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Miami. Recentemente foi professor visitante na Universidade de Leipzig, Alemanha, e atualmente é professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Unisinos, Brasil.

  15. O petista Coroné Sebastião parece que também não sabe.
    Aspeei…texto dele:
    “Segundo ele as pessoas tem que crescerem por méritos. Chegou a hora do mérito…”

    As pessoas tem que crescerem…!!!??

    Acho que não “caberem” no português. …

  16. Acredito que é apenas arroubos (nessa eu gastei o latim) dos bolsonaristas. Isso é muito comum quando uma corrente nova alcança o poder.
    Com o tempo ela volta à realidade. O eleitor do Bolsonaro é muito crítico.

  17. Excelente descrição de quem é o apedeuta do Lula.

    Editorial do Estadão hoje.
    Leitura obrigatória:
    O impeachment da presidente Dilma Rousseff será visto como o ponto final de um período iniciado com a chegada ao poder de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, em que a consciência crítica da Nação ficou anestesiada.
    A partir de agora, será preciso entender como foi possível que tantos tenham se deixado enganar por um político que jamais se preocupou senão consigo mesmo, com sua imagem e com seu projeto de poder; por um demagogo que explorou de forma inescrupulosa a imensa pobreza nacional para se colocar moralmente acima das instituições republicanas; por um líder cuja aversão à democracia implodiu seu próprio partido, transformando-o em sinônimo de corrupção e de inépcia.
    De alguém, enfim, cuja arrogância chegou a ponto de humilhar os brasileiros honestos, elegendo o que ele mesmo chamava de “postes” – nulidades políticas e administrativas que ele alçava aos mais altos cargos eletivos apenas para demonstrar o tamanho, e a estupidez, de seu carisma.
    Muito antes de Dilma ser apeada da Presidência já estava claro o mal que o lulopetismo causou ao País. Com exceção dos que ou perderam a capacidade de pensar ou tinham alguma boquinha estatal, os cidadãos reservaram ao PT e a Lula o mais profundo desprezo e indignação. Mas o fato é que a maioria dos brasileiros passou uma década a acreditar nas lorotas que o ex-metalúrgico contou para os eleitores daqui. Fomos acompanhados por incautos no exterior.
    Raros foram os que se deram conta de seus planos para sequestrar a democracia e desmoralizar o debate político, bem ao estilo do gangsterismo sindical que ele tão bem representa. Lula construiu meticulosamente a fraude segundo a qual seu partido tinha vindo à luz para moralizar os costumes políticos e liderar uma revolução social contra a miséria no País.
    Quando o ex-retirante nordestino chegou ao poder, criou-se uma atmosfera de otimismo no País. Lá estava um autêntico representante da classe trabalhadora, um político capaz de falar e entender a linguagem popular e, portanto, de interpretar as verdadeiras aspirações da gente simples. Lula alimentava a fábula de que era a encarnação do próprio povo, e sua vontade seria a vontade das massas.
    O mundo estendeu um tapete vermelho para Lula. Era o homem que garantia ter encontrado a fórmula mágica para acabar com a fome no Brasil e, por que não?, no mundo: bastava, como ele mesmo dizia, ter “vontade política”. Simples assim. Nem o fracasso de seu programa Fome Zero nem as óbvias limitações do Bolsa Família arranharam o mito. Em cada viagem ao exterior, o chefão petista foi recebido como grande líder do mundo emergente, mesmo que seus grandiosos projetos fossem apenas expressão de megalomania, mesmo que os sintomas da corrupção endêmica de seu governo já estivessem suficientemente claros, mesmo diante da retórica debochada que menosprezava qualquer manifestação de oposição. Embalados pela onda de simpatia internacional, seus acólitos chegaram a lançar seu nome para o Nobel da Paz e para a Secretaria-Geral da ONU.
    Nunca antes na história deste país um charlatão foi tão longe. Quando tinha influência real e podia liderar a tão desejada mudança de paradigma na política e na administração pública, preferiu os truques populistas. Enquanto isso, seus comparsas tentavam reduzir o Congresso a um mero puxadinho do gabinete presidencial, por meio da cooptação de parlamentares, convidados a participar do assalto aos cofres de estatais. A intenção era óbvia: deixar o caminho livre para a perpetuação do PT no poder.
    O processo de destruição da democracia foi interrompido por um erro de Lula: julgando-se um kingmaker, escolheu a desconhecida Dilma Rousseff para suceder-lhe na Presidência e esquentar o lugar para sua volta triunfal quatro anos depois. Pois Dilma não apenas contrariou seu criador, ao insistir em concorrer à reeleição, como o enterrou de vez, ao provar-se a maior incompetente que já passou pelo Palácio do Planalto.
    Assim, embora a história já tenha reservado a Dilma um lugar de destaque por ser a responsável pela mais profunda crise econômica que este país já enfrentou, será justo lembrar dela no futuro porque, com seu fracasso retumbante, ajudou a desmascarar Lula e o PT. Eis seu grande legado, pelo qual todo brasileiro de bem será eternamente grato.

  18. Ainda bem que Bolsonaro está catequizando: A verdade vos libertará. Antes de terminar seu governo Bolsonaro terá uma igreja para seus devotos se ajoelharem e chorando rezarem.

  19. Caro Carlos Newton,

    A partir deste mês, estarei fazendo parte do grupo de leitores da TI que contribuem financeiramente para a manutenção deste jornal online de suma importância aos que buscam notícias idôneas.

    Gostaria que me sugerisse um e-mail onde eu possa enviar o comprovante de depósito.

    Por favor, passe o contato para meu e-mail: vanfla2013@gmail.com

    Desde já meus agradecimentos.

    Saudações,

    Vanderson Tavares

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