A tumultuada e confusa sucessão de SP, refletindo no país. Lula perplexo. Um stalinista no Poder, tendo que apoiar um reacionário. O que fazer? Mercadante, Suplicy e Dona Suplicy sem votos

Pesquisar é uma profissão vaga, incerta e não reconhecida pelo Ministério e pela Justiça do Trabalho, mas muito bem remunerada. É regida sempre por uma notável “coincidência”: quem paga sempre tem razão. A prova-provada do que estou dizendo tem como base o levantamento feito na terra de Serra e Alckmin.

Faltando 7 meses para a eleição, os “mestres da pesquisa” chegaram apressadamente aos resultados que eram pretendidos pelos clientes. Resultados altamente questionáveis, embora na superfície sejam defensáveis, explicáveis, até mesmo compreensíveis. Mas se mergulharmos para exame em profundidade maior, tudo não passa da ilusão de um  momento. Com isenção e sinceridade, analisemos.

A primeira conclusão, surpreendente e contraditória: não existe um só nome ou candidato do PT, que esteja bem classificado ou seja um bom receptador de votos. Então vem a pergunta: Lula transfere uma parte enorme do seu potencial de votos para Dona Dilma, mas não ajuda, milimetricamente, “um correligionário paulista”?

Podem dizer: os próprios “correligionários” de Lula se destruíram, sem marginalizaram eleitoralmente, depois de terem sido marginalizados politicamente pelo próprio chefe amado-idolatrado.

Mercadante, que sabe que não se reelege senador, preferiu a aventura shakespereana de ser ou não ser governador? Parece certo. Senador muito bem votado em 2002, chegou ao Senado com a certeza (pessoal e intransferível) de que tomaria posse e logo iria para o Ministério da Fazenda.

Foi preterido por um desconhecido e acusadíssimo Palloci, ninguém entendeu ou acreditou. Como o ministro da Fazenda ia crescendo no “noticiário amestrado”, Lula tratou de afastá-lo. Mercadante voltou a sorrir e a se satisfazer, surgiu um ainda mais precário Mantega. Que ficará até o fim. Mercadante desabou.

De economista o senador de SP passou a filólogo, entrando no terreno de Houaiss e Aurélio, tentando modificar o sentido e conteúdo da palavra IRREVOGÁVEL, para continuar fingindo de líder do próprio Lula. Agora, com 13 por cento das “intenções” de voto, Mercadante sabe que IRREVOGÁVEL é seu próprio destino.

Perde até para Suplicy, o ridículo e instável senador, que tentando aparecer, (sua única preocupação), levou até cartão vermelho, quando na verdade queria aplicá-lo. Os paulista já vetaram Suplicy para governador em 1994, foi candidato a senador em 1998, contra o Oscar do basquete.

O grande jogador era apoiado por Maluf, estava disparado na frente, surgiram conversas elitistas, o Oscar foi ficando para trás, Suplicy surpreendentemente se elegeu. Até hoje, quando falam em política com Oscar, ele responde: “Desde 1998 tenho horror a esse tipo de coisa”.

Dona Marta, ex-Suplicy, surpreendeu o próprio eleitor ganhando a prefeitura, perdeu estando no cargo, nunca mais foi vencedora. Misericordiosamente, essa pesquisa, que não é uma sentença transitada em julgado, lhe dá 1 por cento para a disputa. Até o inefável Celso Russomano, aparece com 10 por cento, é evidente que não passa de divagação.

Registro apenas melancólico para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Como não se definiu, não foi pesquisado. Mas é estapafúrdio, que palavra, se apresentar pelo Partido Socialista, comandando o órgão mais elitista e sem credibilidade que é essa Fiesp.

Ciro Gomes, que não tem nenhuma chance, também não tem convicção de candidato. Sua posição de linha auxiliar de Lula se manterá quaisquer que sejam os caminhos da sucessão, nacional e estadual. Em 2002 chegou a liderar as pesquisas para presidente, jogou tudo fora. Por equívocos pessoais e por descobrirem que era amigo de Jereissatti.

Vejamos pelo lado da situação. Constrangidíssimo e até envergonhado, constatei ainda na Tribuna impressa: “Alckmin será o sucessor de Serra no governo de São Paulo”. O melhor candidato seria Aluízio Nunes Ferreira, mas quem está no jogo há 20 anos é esse incipiente Alckmin.

Anestesista de profissão, aprendeu a anestesiar os eleitores, diversas vezes. Dito conservador, na verdade é um provado e comprovado reacionário, antiprogressista, mais admirador de FHC do que de Serra.

Afirmação de Alberto Goldman, que assume a vaga de Serra, sem a menor chance de ser candidato: “Não acho que Alckmin seja o candidato mais adequado. Mas na vida não se faz o que se quer, mas sim o que se pode”. Pela primeira vez concordo com ele: tendo sido apaixonado stalinista, não pode elogiar um reacionaríssimo como Alckmin.

Governador três vezes (a terceira, ilegal e inconstitucional, as outras encostado em Mario Covas), pode até ganhar no primeiro turno.

E repetindo a pergunta: Lula não garante ninguém no maior estado e colégio eleitoral do país?

Em 1989 me fartei de dizer a Brizola: “Você precisa morar em São Paulo”. Garantido no Estado do Rio e no Rio Grande do Sul, não foi para o segundo turno por meio por cento dos votos. Adiantou alguma coisa ter chamado Lula de “sapo barbudo”?

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PS – Esta é uma análise ligeira mas bem fundamentada. Lula que fala tanto em palanque, em São Paulo ficará na planície arriscado a perder o Planalto?

PS2 – Haja o que houver, não haverá muita definição ou alteração nos nomes e sim na contagem final dos votos. Mas a eleição será decidida em São Paulo. Com 30 milhões de habitantes e 12 milhões de eleitores inscritos, ali, qualquer desvio ou descuido pode ser fatal.

PS3 – Isso é importante. Como Dilma e Serra não têm projeto, compromisso, “plataforma” (como se dizia antigamente) podem ser derrotados ou vencedores, nenhuma vantagem para o país.

PS4 – Serra e Dilma, filosófica e ideologicamente, são anarquistas. Como estes defendem o NÃO-GOVERNO, se assumiram, começam por não saberem o que fazer. Os dois são os ANARQUISTA DO CIRQUE DU SOLEIL.

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