A última pesquisa Datafolha e a criação do Orçamento Participativo

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Acílio Lara Resende

Meu desejo era falar sobre o que vem por aí, neste ano de Copa do Mundo e de eleições em todo o país. O pessimismo e o medo, em função do aumento da violência no planeta Terra e, claro, entre nós, se espalham perigosamente. Todavia, a última pesquisa Datafolha e o chamado Orçamento Participativo (OP) me desviaram logo a atenção.

Dilma, Marina, Aécio e Campos são todos conhecidos, uns menos, outros mais. A primeira é a que mais aparece na mídia. Na semana passada, confirmando o provérbio que diz que “quem tem boca vai a Roma”, e cumprindo a etiqueta presidencial de ir à posse do novo cardeal Orani Tempesta, a candidata foi a Roma e viu o papa. Deu-lhe uma bola autografada pelo homem de negócios e ex-jogador Ronaldo Nazário, uma camisa da seleção canarinho assinada por Pelé e lhe suplicou que, num jogo entre Brasil e Argentina, ele ficasse neutro… A notícia sobre essa visita correu o Brasil e o mundo.

Será, então, que está tudo muito fácil para a reeleição da presidente Dilma? Ou ela, no meio do caminho, diante, sobretudo, dos equívocos da sua política econômica – que, agora, o ex-presidente Lula, nas conversas reservadas com políticos e empresários, segundo noticiou a “Folha de S.Paulo”, quer mudar –, vai dar com os burros n’água? Se tal ocorrer, o “Volta, Lula” emplacará? Lula terá sucesso ou será soterrado? Esse é um risco que, segundo dizem alguns petistas, poderá acontecer.

Tudo é possível neste Brasil de hoje, cujo apoio à onda de protestos despencou. Diante da última pesquisa Datafolha (pesquisa não ganha eleições, mas é bom levá-las em conta…), a popularidade da presidente Dilma parou de subir e, após despencar para 30% em junho passado, a aprovação do seu governo estacionou em 41%, e os que consideram sua gestão ruim subiram de 17% para 21%. Para a oposição, essa vantagem de Dilma é o seu teto. PSDB e PSB afirmam que o último levantamento “apenas espelha o desconhecimento dos seus candidatos”.

FAVORITISMO

Na pesquisa, Dilma é a favorita. Iniciado o contraditório, sobretudo na televisão, o jogo pode até zerar. Quem tem espaço maior para crescer é a oposição, pois quem tem que se defender é o governo.

Mas e o Orçamento Participativo, também adotado pelo PT? A jornalista Isabella Lacerda, de O Tempo, na última segunda-feira, ouviu Pimenta da Veiga e Fernando Pimentel, pré-candidatos ao governo de Minas. Segundo ela, a verdadeira paternidade do Orçamento Participativo será, novamente, disputada pelos dois principais candidatos.

Coincidentemente, no mesmo dia, a “Folha de S.Paulo”, em editorial, discorreu sobre as virtudes do Orçamento Participativo municipal e afirmou que ele foi implantado na cidade de Porto Alegre, pelo PT, em 1989, mas não falou em que mês. Segundo o ex-deputado Geraldo Pereira Sobrinho, que foi seu secretário de Governo, o OP, em Belo Horizonte, foi implantado no início de 1989, na administração Pimenta da Veiga, com o nome de Programa Participativo de Obras Prioritárias (Propar). A primeira reunião se deu no bairro Céu Azul, no dia 4.1.1989. Dias depois, idêntica reunião se deu no bairro São Gabriel.

Para Pimentel, o OP “é obra do governo Patrus Ananias” (1993/1996), embora seja, na verdade, uma versão nova do Propar.

Cabe aqui, como uma luva, um velho brocardo latino: “Suum cuique tribuere”. Em tradução livre: que se dê o seu ao seu dono. (transcrito de O Tempo)

2 thoughts on “A última pesquisa Datafolha e a criação do Orçamento Participativo

  1. Tudo por culpa da Dona Maria Antonieta de Higienópolis que “inventou” a reeleição que não era permitida na Constituição, rasgando-a imediatamente ao seu prazer para poder se perpetuar no cargo, não podemos esquecer que comprou a reeleição com alguns deputadozinhos do congresso pelo milhao de Dona Maria Antonieta.
    E algo deu errado no Castelo Francês, pois, tentou “novamente” um terceiro mandato, não conseguiu por várias circunstâncias., e no partido francês não há nomes que falem a língua do povo, principalmente no ‘cinturão dos bolsas-famílias” da vida, região onde o partido dos sindicalistas vagabundos dominam com certa folga em relação aos franceses.
    Ai, o “instituto” da reeleição que era para a dominação total dos franceses, como já dizia o velho trator-corrupto francês, sérgio motta, “vamos ficar no governo” por mais de 20 anos”., foi para o brejo. e não conseguem mais de volta ao poder.
    Ursinho blau-blau, a Inês tá morta, porque o bolsa-família novamente vai votar na candidata do lulamolusco, com uma bela cacetada ainda no primeiro turno…..eh!eh!eh

  2. Há um descontentamento generazado instalado no coração e na cabeça da sociedade, contra tudo isso que aí está e que não mudou de verdade, não obstante os 20 anos de PSDB-PT. Mas, se mesmo assim Dilma, pela situação, continua favorita, é porque o descontentamento maior é contra a oposição. Logo, a permanecer esse quadro com esses pré-candidatos que aí estão pela oposição e que nada representam senão apenas eles mesmos, o oportunismo, o vellho continuismo, o reles troca-troca e apenas o mais dos mesmos, na pior das hipóteses, a tendência é a subida da situação e a vitória no primeiro turno. Nesse cenário, teria chance contra a situação apenas a Mega-Solução, como propõe o HoMeM. O resto é maiar em ferro frio. E como gostam.

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