A Unasul e a Escola de Defesa Sul-Americana

Rômulo Bini Pereira
Estadão

A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) foi constituída dentro dos princípios de integração da América do Sul, com a fusão das duas grandes uniões existentes no continente: o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a Comunidade Andina de Nações. No início de suas atividades com uma visão mercadológica e aduaneira, a Unasul vem-se transformando numa instituição intergovernamental que atua nos campos político e social dos países que a integram.

Ao final de 2008, em cúpula extraordinária da Unasul, foi instituído, por iniciativa do governo brasileiro, um Conselho de Defesa, composto pelos ministros de Defesa dos países integrantes. O conselho é o componente militar da Unasul, cabendo-lhe prioritariamente a criação conjunta de políticas de defesa. Outras missões recomendadas, como intercâmbio de pessoal militar, exercícios operacionais conjuntos, Forças de Paz da ONU e integração de indústrias de defesa, vinham sendo realizadas desde a década de 1980.

Entretanto, quanto à citada criação conjunta – anseio de lideranças que governam a maioria dos países sul-americanos, especialmente os ditos “bolivarianos” –, não existia um órgão específico para os estudos e propostas para tal finalidade. No início do corrente ano, a imprensa brasileira informou o início das atividades da Escola Sul-Americana de Defesa (Esude), com sede em Quito, um centro de estudos que representa, em última análise, um passo efetivo para o pretendido órgão de elaboração de políticas de defesa e, também, a capacitação de civis e militares nos assuntos de defesa e segurança regionais.

NÃO HOUVE DEBATE

No período anterior à criação da Esude não foi observado nenhum debate em nossa sociedade, em nossas Casas Legislativas e muito menos na área militar. Um processo feito no mais alto nível governamental, porém às escuras, com deliberações impostas de cima para baixo, bem à feição das lideranças que nos governam, o que, sem dúvida, identifica o modus operandi gramscista do Foro de São Paulo. O escopo estratégico desse foro é intervir na área militar – principalmente a brasileira –, o que se está consumando de modo flagrante e abre caminho para o seu objetivo maior: a América Vermelha.

Segundo assessores do Ministério da Defesa (MD), a Esud vai gerar uma “confiança mútua” entre os membros da Unasul. Em bancos e currículos escolares será possível, mas, por certo, na prática isso não se dará. As nações ibero-americanas convivem, até os dias atuais, com atritos oriundos de suas respectivas formações. São conflitos que ainda deixam marcas em suas sociedades e, aliados ao forte componente emocional ibérico, poderão ressurgir. Um deles poderá ser o “imperialismo brasileiro”, ainda latente em alguns países fronteiriços. É bom lembrar que Simón Bolívar, o líder maior do “bolivarianismo”, como forma de confrontar o citado imperialismo pregava a integração da América espanhola. O Mercosul é um exemplo. A preocupação dos países integrantes é que o “irmão maior” se vai beneficiar das tratativas comerciais. Talvez o BNDES, com seus expressivos apoios financeiros aos países latinos, possa reduzir essa imagem imperialista.

MENOS INFLUÊNCIA DOS EUA

Assessores do MD ainda informam que a frequência de militares brasileiros em cursos nos Estados Unidos será reduzida. Uma medida incompreensível e preconceituosa. Parece que tal redução advém de uma possível doutrinação americana favorável ao seu regime democrático, diferente da bolivariana a ser ministrada na Esude, que, por seu turno, não vê com bons olhos o “Satã do Norte”, como diria Hugo Chávez. Esse é um sinal claro de como essa escola estará comprometida com a ideologia bolivariana.

A par desse comprometimento ideológico, temas curriculares deverão ser considerados, e um deles será o estudo das personalidades que expressarão simbolicamente a pretendida integração. Simón Bolívar encabeçará a lista por sua capital importância para os países de origem espanhola. Estarão tais temas, sem dúvida, em consonância com a ideologia a adotar nomes como Fidel Castro, Hugo Chávez, Che Guevara, líderes indígenas andinos e outros. Não se tem conhecimento de personalidades históricas brasileiras que apoiaram uma integração latina.

O governo, para demonstrar coerência, deveria indicar como personalidade marcante o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, o sr. Marco Aurélio Garcia, um dos fundadores do Foro de São Paulo, ideólogo confesso das esquerdas e o maior orientador do PT em integração latina, com liberdade para agir superior à do Itamaraty – nesse caso, então, um simples coadjuvante.

DEFESA COMUM

Segundo ainda assessores do MD, a Esude terá um desafio para atingir um “consenso sobre uma Estratégia de Defesa comum”. Um desafio esdrúxulo e inexequível, que repercutirá nas doutrinas das Forças Armadas sul-americanas e em sua soberania. Política Nacional de Defesa e Estratégia de Defesa são documentos abertos só no Brasil, país de índole pacifista. Em outros países são documentos reservados por conterem em grande parte hipóteses de conflitos.

No Brasil, por sinal, os documentos teóricos em vigor apresentam um enorme hiato entre as teorias expostas e a prática no preparo e no emprego de suas Forças Armadas. Elas não poderão cumprir adequadamente a sua missão constitucional de defesa territorial e salvaguarda da soberania nacional. O seu poder de dissuasão é limitado e, ano a ano, seus orçamentos diminuem. Esta situação em que se encontram poderia ser reduzida por uma ação efetiva do MD, órgão político de convencimento das autoridades constituídas e do Legislativo quanto à função e relevância da missão constitucional das Forças Armadas brasileiras, bem como da cultura dos necessários e impreteríveis investimentos. Infelizmente, o MD preocupa-se muito mais em complexas, ineficientes e ideológicas ações, como a criação de uma Escola de Defesa Sul-Americana, do que se engajar na solução dos graves problemas que afligem as Forças Armadas nacionais.

(Rômulo Bini Pereira é General de Exército R/1 e foi Chefe do Estado Maior
do Ministério da Defesa. Artigo enviado por Mário Assis)

22 thoughts on “A Unasul e a Escola de Defesa Sul-Americana

  1. “NA AMÉRICA DO SUL – A ILUSÃO DA UNASUL E DO MERCOSUL

    A integração aos países da América Latina está prevista nos princípios fundamentais na Constituição de 88 (Art. 4º, Parágrafo único). Uma constituiçãozinha maligna! Um país com um pingo de conhecimento geopolítico jamais colocaria em sua constituição a decisão de integrar-se política, econômica ou culturalmente a outras soberanias! Essa aberração foi colocada na constituição pelo ENGANADOR ULYSSES, incrementada pelo INCONSEQUENTE SARNEY e pelo CORRUPTO LULA, este último provavelmente como meio de apoiar os regimes esquerdistas mais caros ao coração dele.
    Não atentaram esses maus políticos que o objetivo da UNASUL é o de afogar as independências nacionais sul-americanas a favor de uma nova “Pátria Grande”, sujeita aos ditames das decisões dos demais países que nos rodeiam como se o nosso Brasil não fosse grande suficiente. Felizmente isso não será assimilado pelo nosso povo, nem mesmo o Mercosul que nunca nos trouxe vantagem. É voz comum que “eles ficam com o nosso mercado e nós ficamos com o “Sul”.
    Se o Mercosul já era uma utopia, agora se desmancha: O PARAGUAI vai entrar para a área de influência dos USA comercialmente e, além disso, permitiu que os americanos instalem uma base militar no seu território, talvez nos falte a coragem de retaliar cortando o porto livre, mas com a ARGENTINA falida, a VENEZUELA as vésperas de uma revolução sangrenta e a BOLÍVIA com um presidente mais inconsequente que o Lula, o Mercosul está condenado e sem ele as bases da Unasul cairão por terra.
    Podem retirar aquela bandeira que hastearam ao lado do nosso pavilhão sagrado no Palácio do Planalto. ”
    Artigo do Gélio Fregapani, coronel do Exército.

    (PS: Essa “associação” Unasul é algo tão idiota quanto a outra formada pelos países “lusófonos”. Assembleias de rotos com esfarrapados! Ambas lembram aquele personagem mendigo do apresentador Moacir Franco, que ficava discutindo ações na bolsa, projetos e macroeconomia sem ter um tostão nos bolsos. Na verdade, ambas só servem para que PRIVILEGIADOS, formados por parentes e amigos dos governantes, a maioria postada em cargos de confiança, possam fazer turismo, viajar e ganhar diárias às custas dos impostos dos seus conterrâneos e TORRAR dinheiro público!)

  2. Prezado Ednei Freitas,
    E daí?
    O comunismo é bom ou ruim?
    Joel Pinheiro meio que misturou o comunismo com Olavo de Carvalho e com o PT, que se deixou conduzir pelas montadoras e bancos, e inserindo no capitalismo as classes mais pobres, conforme sua alegação.
    Mas, se aponta críticas ao comunismo feitas injustamente pelo desconhecimento, muito menos acusa a esquerda brasileira e supostamente no poder representada pelos petistas, dos males que causaram ao Brasil e povo quando assumiram o poder.
    Diariamente surgem nos jornais e revistas comentários ou artigos minimizando os males do comunismo, e resgatando o regime militar ou a ditadura brasileira como a maioria gosta de definir, como o grande mal que sofreu o País, e reflexos ainda hoje sentidos.
    Os militares ficaram de 64 a 85 no poder, portanto, 21 anos.
    No entanto, faz trinta anos que estamos sob um regime democrático e não constato melhorias no Brasil para seu desenvolvimento e progresso do povo, mas percebo que o período que ficamos sem poder eleger nossos governantes não houve em nenhum momento caos político, social e econômico nas dimensões dos que passamos nas mãos de presidentes eleitos de 85 para cá!
    Segurança, Educação e Saúde, que deveriam ser o objetivo dos “democratas” sempre ficaram e segundo plano ou terceiro ou, até mesmo, absolutamente menosprezados.
    Se o comunismo garantisse à população tolhida nos seus direitos mais comezinhos que fosse contemplada com alimentos, saúde, educação e segurança a contento, certamente este modelo estaria em vigor em várias nações deste mundo de Deus.
    A União Soviética ruiu porque não tinha comida para o povo;
    A China entendeu participar do capitalismo como tábua da salvação para seu país e super população;
    Cuba é um caso à parte, em comparação a esses dois gigantes, e não posso incluir o castrismo como comunismo;
    Coréia do Norte uma aberração, comandada por um lunático, que faz o povo sofrer e que deveria ter sido deposto se os norte-coreanos tivesse coragem suficiente para restaurar o país arruinado por uma família de ditadores.
    Então por que tanta defesa do comunismo?
    Observa que não estou resgatando os milhões de mortos pelo regime, apenas comentando os aspectos práticos e hoje passíveis de comparação pela renúncia do modelo pelas duas maiores nações do globo que os acolheu.
    E agora?
    A ditadura brasileira com seus pouco mais de quatrocentos mortos foi tão prejudicial ao Brasil e povo?
    A população estudava, trabalhava, viajava tanto interna quanto internacionalmente, poderia ir e vir, trocar de emprego, frequentava restaurantes, bares, cinemas, teatros, havia comida, segurança contra esse banditismo espraiado à nossa espreita diuturnamente.
    E antes que alguém me insulte de eu estar fazendo apologias aos militares, evidentemente que os crimes de tortura deveriam ser punidos de igual maneira para ambos os lados que se defrontaram, menos o pessoal que lutava para instalar uma ditadura de esquerda aos moldes da cubana – mais tarde alegaram que lutaram pela democracia, apesar de não justificarem os sequestros, os roubos a bancos, assassinatos, explosões de bombas em aeroportos – e que se deliciaram mais tarde com polpudas e gordas indenizações.
    Quanto ao PT, que lhe é concedido a honra que foram as forças populares que assumiram a presidência do Brasil com Lula como Chefe da Nação, vamos e venhamos, olha o preço que estamos pagando pelo sonho de o povo finalmente ter assumido o que lhe cabia de direito!
    Ora, muito antes de se estudar o passado e nomear pseudas comissões da verdade, devemos é nos preocupar com o futuro, hoje indecifrável, pessimista, incógnito, diante do momento presente de grandes atribulações por culpa de um partido que enganou uma Nação inteira, que mentiu, iludiu, e dela se adonou como um feudo e, nós, como vassalos.
    A credito que este seja o verdadeiro mal do Brasil:
    Não se projetar para frente, mas olhar sempre para trás.
    Tem surtido algum efeito positivo este costume?
    Quanto tempo já perdemos em discutir a ditadura, enquanto somos continuamente explorados e roubados pelos governos “democráticos”?!
    Sarney, Color, FHC, Lula e Dilma, o que fizeram para que o País estivesse rico e desenvolvido?
    Ou que o povo tivesse índices BEM menores de analfabetismo, e fosse muito melhor ensinado?
    Ou que tivéssemos uma Nação modelo em pesquisa, tecnologia, ciência …
    NADA, ABSOLUTAMENTE NADA!
    Os militares são melhores para governar? Não, mas os nossos civis não se mostraram à altura de nossas expectativas e necessidades ao longo de três décadas, uma a mais que os militares, e sem qualquer resultado que podemos nos orgulhar, lamentavelmente.
    Acho melhor acabar essa história de direita e esquerda, e começarmos a definir a questão política entre os aqueles que roubam e os que nada fazem.
    Um abraço, Ednei Freitas.

      • Wilson, meu caro,
        Muito obrigado!
        Continuaremos juntos nesta luta de enfrentar a injustiça, a corrupção, desonestidade e o roubo no nosso País.
        Um forte abraço, meu amigo.

        • Bom retorno Bentl,
          E se você ama a verdade, a justiça e o ser humano, trate de usar capacete na cabeça e couraça no lombo.
          E não se apaixone muito não…

          • Obrigado, Francisco Vieira.
            Gosto, sim, do povo brasileiro, apesar da sua omissão, alienação política, da sua falta de estudo, da sua permissividade com relação à corrupção e desonestidade.
            No entanto, temos de admitir que, na razão direta da culpa do povo, a maior parcela dessa irresponsabilidade deve ser creditada aos nossos governantes, que jamais proporcionaram as condições ideais de desenvolvimento e progresso do País e população.
            Entra e sai governo e aumentam nossos problemas nas áreas justamente que mais seriam obrigações do Estado cumprir, quais sejam, a Educação, Segurança e Saúde.
            O PT extravasou. Além de não melhorar em nada esses itens fundamentais, passou a ser o partido que mais roubou na história, de ser o mais corrupto e desonesto!
            Moral da história:
            Gosto do povo, explorado, aviltado, mal tratado e injustiçado;
            Detesto o politico (parlamentar), ladrão, desonesto, corrupto, traidor da Pátria e do povo!
            Um abraço, meu xará.

    • Prezado Sr. Francisco Bendl,

      Em primeiro lugar, dou vivas ao seu retorno aos debates na TI, que já estavam fazendo falta. Respondendo já à sua primeira pergunta digo que o comunismo é ruim. Eu não sou comunista. Apenas, em meus escritos tento fazer entender que o PT não é sequer um partido de esquerda. Seu governo só serviu aos dealers, ao grande capital e aos banqueiros. Mas a mídia grande faz uma grande confusão ao falar que o PT é a esquerda. O PT meteu-se no Foro de São Paulo por mero oportunismo, porque naquela época ainda era um truque de marketing um partido político ser taxado como esquerda. A pior herança que o PT nos deixa (além de quebrar o Brasil) foi a má vontade da população com os partidos de esquerda, que todos acham que é a mesma coisa do PT.

      Todavia, não acho uma boa alternativa para o Brasil os partidos da direita. Vão continuar com o jogo dos dealers e do FMI, e iremos cada vez mais afundando numa dívida que não devemos, e mais impostos, perdas salariais, inflação, retração do PIB, desemprego, sub-desenvolvimento, roubalheira, fome e miséria.

      O senhor afirma com razão que : “No entanto, faz trinta anos que estamos sob um regime democrático e não constato melhorias no Brasil para seu desenvolvimento e progresso do povo, mas percebo que o período que ficamos sem poder eleger nossos governantes não houve em nenhum momento caos político, social e econômico nas dimensões dos que passamos nas mãos de presidentes eleitos de 85 para cá!”. Mas todos estes governos que ajudaram a arruinar o país foram governos de direita. A própria ditadura militar não cuidou de auditar a nossa dívida e sempre foi apoiada pelos Estados Unidos e pelos banqueiros. O que eu falo aqui é que há uma parte militante da direita, liderada por Olavo de Carvalho, que tenta taxar de comunista toda a esquerda, o que não é verdade. Defendo aqui a participação política do PPS, que não é um partido comunista, mas é de esquerda. Muito provavelmente, se no poder, iria pedir uma auditoria da dívida. O senhor, que é honesto, tem condições de acompanhar as intervenções parlamentares do PPS no Congresso Nacional, e poderá ver que são as intervenções mais lúcidas e patrióticas, além de democráticas e constitucionais.

      Não acho que o senhor esteja fazendo apologia às ditaduras, e que diz com razão: “E antes que alguém me insulte de eu estar fazendo apologias aos militares, evidentemente que os crimes de tortura deveriam ser punidos de igual maneira para ambos os lados que se defrontaram, menos o pessoal que lutava para instalar uma ditadura de esquerda aos moldes da cubana – mais tarde alegaram que lutaram pela democracia, apesar de não justificarem os sequestros, os roubos a bancos, assassinatos, explosões de bombas em aeroportos – e que se deliciaram mais tarde com polpudas e gordas indenizações.” Verdade, mas o PPS não tem nada com isso e não esteve envolvido nisso. Mais: sempre condenou a luta armada.

      É difícil para mim (ou para qualquer escritor) desfazer esta confusão, em parte criada pela mídia, em parte criada pela imaginação popular, de que existe uma esquerda que não é comunista, e que o PT nunca representou a esquerda e também nem a direita. O PT é sui generis : um mero partido de ladrões. Entrou no Foro de São Paulo por mero oportunismo (marketing), assim como foi abraçara Chávez e Fidel Castro. Mas isso tudo foi pela esperteza de Lula, que sabia como ganhar votos.

      Infelizmente ainda temos de usar os conceitos de direita e esquerda, porque ao fim, estas duas correntes têm propósitos muito diferentes para governar o Brasil. A direita vai sempre estar ao lado da opressão à massa trabalhadora e aliada ao grande capital, que nos vem infelicitando há muitos anos. Observe que vamos passar anos de sufoco, baixos salários, desemprego, juros altos para pagar os juros dos juros de uma dívida que não tem contrapartida nos serviços que o governo nos presta, um dinheiro que nem sequer é gasto pelo governo brasileiro. Uma dívida que não devemos e precisamos auditar.

      • Meu caro Ednei Freitas,
        Era este tipo de debate que senti falta, razão pela qual decidi retornar.
        Obrigado pela resposta.
        E não posso deixar de concordar contigo quanto aos primeiros presidentes que tivemos, longe da esquerda, mas também não muito próximos da direita.
        O PT, sim, nos enganou, a ponto de confirmares – assim como eu já escrevera anteriormente – que se trata de um partido de ladrões.
        Quanto a esta terminologia encrustada na mente do povo, admito ser difícil mudá-la, pois esquerda é comunista e direita quer dizer ditadura.
        E não tivemos de maneira plena nem um nem outro modelo atuando no Brasil.
        Se o regime militar impediu as eleições, por outro lado havia plena liberdade de ir e vir, conforme está no meu comentário acima;
        Se a esquerda, de Lula e Dilma, assim se apresentou no início, no decorrer do tempo se mostrou mais de direita que alguém poderia imaginar, bastando verificar os lucros dos bancos e a alta carga de impostos cobradas do cidadão, afora comprometer de forma absoluta a “esquerda” em face da corrupção e desonestidade institucionalizadas!
        Erroneamente, direita ficou como sinônimo de ditadura e, esquerda, como corrupção, ladroagem, roubo, desonestidade, traição.
        Certamente o problema nosso, Ednei, está no indivíduo, na sua fragilidade diante do poder conquistado mesmo nas urnas ou fora delas – caso dos militares -, que se deixam conduzir pelas tentações, cujo imaginário admite que o País lhes pertence e o povo se torna escravo.
        Pois esta discussão, a meu ver, é a prova cabal do nosso atraso político, motivo fundamental para que passemos a entender os porquês de não nos desenvolvemos e o povo não progredir.
        Outro abraço.

        • Prezado Sr. Francisco Bendl,

          Grato por seu comentário, e por me ajudar a fazer uma discussão democrática, que exige pensar, o que previne no cérebro de um velho, como eu, vários males, inclusive o Alzheimer. Para dar um exemplo do que eu disse em minha resposta ao senhor, sugiro que o senhor leia e também comente, o artigo que está na primeira pauta da Tribuna agora, mostrando o que é um governo de esquerda não comunista que fez a auditoria da dívida e viu que houve má-fé dos capitalistas (dealers), de forma que a dívida do Equador foi reduzida em 70%, o governo pagou e livrou-se dos agiotas internacionais, que mesmo tendo dinheiro para pagar os melhores advogados do mundo, não puderam contestar a lisura da auditoria da dívida feita por auditores internacionais. O artigo chama-se “AUDITORIA REDUZIRIA MUITO A DÍVIDA PÚBLICA BRASILEIRA”.

          Abraços.

  3. http://fratresinunum.com/2015/07/24/internacionalismo-de-esquerda-instrumentaliza-igreja-para-utopia-da-patria-grande/

    Internacionalismo de esquerda instrumentaliza Igreja para utopia da “Pátria Grande”.
    Por Hermes Rodrigues Nery | FratresInUnum.com – Conta Carlos Peñalosa que Fidel Castro, desde jovem, ainda quando era estudante de direito da Universidade de Havana, já tinha em mente retomar e colocar em prática a ideia e o projeto de poder totalitário da “Pátria Grande”, conceito este que veio não de Bolívar, mas de Francisco de Miranda, e que servia aos propósitos e interesses do internacionalismo socialista (das forças de esquerda). Com o Foro de São Paulo, a partir dos anos 90, Fidel Castro, Hugo Chávez, Lula e tantos outros tiranetes sul-americanos se encantaram com o discurso sedutor de Fidel, que via no projeto da “Pátria Grande” a forma de concretizar a extensão da revolução cubana para toda América Latina. Mas, para que tal projeto se consolidasse, depois de um bem sucedido processo gramscista de tomada de postos e aparelhamento das instituições, o próprio Fidel se convenceu de que era preciso instrumentalizar a Igreja Católica para tais fins, entendendo o fenômeno religioso como dado sociológico. E nesse sentido, a teologia da libertação desempenhou um papel relevante no processo de ganhar padres e bispos para a causa da “Pátria Grande” socialista. Como explica Miguel Ángel Barrios,
    “…es la Teología de la Liberación post Concilio Vaticano II. Esta última, es la primera estrictamente latinoamericana. Más allá, de las apasionantes polémicas y de sus diferentes vertientes, la Teología de la Liberación unificó la opción preferencial por los pobres y la justicia. Y dentro de ella, la variante de la Teología de la Cultura, representada por figuras como el Padre Lucio Gera, Monseñor Gerardo Farrell y por el teólogo y filósofo uruguayo, Alberto Methól Ferré. Esta Teología, variante de la oleada de la Teología de la Liberación, acentúa el tema de la religiosidad popular, de los pobres y la cultura, y la de la revalorización de la historia latinoamericana, de la Patria Grande.”
    Foi em 1985 que Fidel Castro resolveu aproximar-se dos bispos cubanos para atrai-los, aos poucos, em sua estratégia. E houve anuência e colaboração de muitos nesse sentido. Fidel já havia realizado encontros com “os Cristãos pelo Socialismo”, inclusive em outros países latinoamericanos, como no Chile, em 1972. Ele próprio dizia que “esse movimento brotou em diversos lugares da América Latina após o triunfo da Revolução Cubana”. Com a aproximação com o clero cubano, Fidel Castro buscou intensificar sua aposta dos “cristãos pelo socialismo”.
    Em 1986, foi realizado o Encontro Nacional Eclesial Cubano (ENEC), que o então Cardeal Pirônio chamou de “um verdadeiro Pentecostes para a Igreja de Cuba”. No mesmo ano, o Comitê Central do Partido Comunista de Cuba chamou François Houtart para dar um curso acelerado de sociologia da religião, e como explica o próprio Houtart, no trecho de 13:28 a 14:07 desse vídeo:
    “A razão foi que intelectuais marxistas de Cuba, que estavam em contato com Nicarágua, El Salvador, Guatemala, e com muitos cristãos comprometidos com a ação revolucionária e também com a Teologia da Libertação não podiam mais aceitar que a religião era necessariamente o ópio do povo. E se vocês são realmente marxistas, não podem ser dogmáticos”.
    Era preciso, portanto, aproximar os marxistas dos cristãos, e ainda mais, disseminar a teologia da libertação no seio da Igreja (as várias vertentes da teologia da libertação e também a chamada teologia do povo, dentre outras variantes da mesma fé revolucionária). Francisco Mele entende a teologia do povo “como superação da teologia da libertação, embora não renegando-a”.
    E a partir dessa tônica, padres e bispos foram sendo “catequizados” pela “nova teologia” libertária, preparando assim uma ressignificação dos conteúdos da fé, para que padres e até bispos se tornassem apóstolos dóceis da nova utopia da “Pátria Grande”, ajudando a construir a nova realidade geopolítica e cultural no continente latino-americano. Poucos anos depois, em 1993, os bispos cubanos publicaram uma “Carta Pastoral”, “abertos ao diálogo, tratando o regime de Fidel Castro como se fosse democrático e legitimamente constituído”. Com a visita do Papa São João Paulo II a Cuba, o terreno estava aplainado e o processo de cooptação de padres e bispos se intensificou, por parte dos comunistas cubanos, sob o comando de Fidel Castro. O próprio Mario Jorge Bergoglio, que coordenou a edição do livro “Diálogo entre João Paulo II e Fidel Castro”, destaca na obra que “Fidel propôs aliança entre marxistas e cristãos”. “A nossa presença no meio deles – escreveu Leonardo Boff – não deve ser tanto como agentes que vêm da grande tradição”, reconhecendo que, naqueles anos 80-90, já haviam “cardeais, bispos, sacerdotes e leigos” dispostos à esta “liberdade para a utopia”, à “utopia revolucionária”, tão bem expressa no projeto de poder da “Pátria Grande”. O próprio Lula reconheceu, em reunião do Foro de São Paulo, dever muito aos cubanos o esforço por viabilizar a integração latino-americana da “Pátria Grande”, e fez o apelo para isso, para que as forças revolucionárias estejam cada vez mais envolvidas neste projeto de poder, projeto este convergente com interesses do internacionalismo de esquerda, favorecendo inclusive potências de fora da América Latina, como a China, por exemplo, que tanto tem se beneficiado ideológica e economicamente, com tal projeto de poder.
    Mas o avanço da “Pátria Grande” não teria sido possível sem os setores da Igreja imbuídos de teologia da libertação e movidos pelos interesses políticos do internacionalismo de esquerda, setores esses que ocuparam postos de decisão dentro da Igreja e estão hoje inclusive dentro do Vaticano, agindo para intensificar a instrumentalização da Igreja para os fins políticos da “Pátria Grande”, fins estes que contrariam os princípios e valores da sã doutrina católica. A Igreja vive, portanto, nesse momento, uma tensão sem precedentes, tomada pelas forças revolucionárias — as forças modernistas que São Pio X tão bem definiu como “síntese de todas as heresias” –, e não se sabe como a verdadeira Igreja de Cristo conseguirá se libertar de tais forças, alinhadas também com uma agenda globalista inumana e anticristã. O fato é que tais forças estão minando, por dentro, a sagrada doutrina. Padres e bispos (e também leigos) dispostos a defender a sã doutrina católica padecem o martírio cotidiano das retaliações, perseguições, coações e pressões, para que ninguém fale nada, e todos aceitem a ressignificação da “nova teologia” a sustentar ideologicamente a panaceia da “Pátria Grande”.
    “Pátria Grande”: ideólogos influentes
    O problema é que a “Pátria Grande” tem ideólogos influentes [Manuel Ugarte, Alberto Methól Ferré, Gusmán Carriquiry, entre outros] também na Igreja; autores e mentores inclusive com poder de decisão nas altas esferas eclesiásticas, como Carriquiry, por exemplo. Gusmán Carriquiry [o mais influente leigo na cúria romana] está no Vaticano desde Paulo VI, e gosta de lembrar que “desde Puebla” tem trabalhado lá como ponte com o CELAM. Em 13 de março deste ano, Carriquiry palestrou na Universidade Católica Argentina, ocasião em que algumas lideranças de esquerda [entre elas, Leonardo Boff] apresentaram o movimento social chamado “O coletivo de Francisco”. A relação de Jorge Mario Bergoglio com Carriquiry é de muita proximidade e de apoio ao projeto da “Pátria Grande”, apoio este de longa data, como comprova este vídeo de 2005, quando o então arcebispo de Buenos Aires recebeu Carriquiry na Universidade Católica Argentina. Bergoglio inclusive prefaciou a obra de Carriquiry, intitulada “El Bicentenario de la Independencia de los Países Latinoamericanos”.
    Marcello Gullo, ao escrever sobre “o pensamento geopolítico” de Bergoglio, diz claramente que “as raízes mais profundas” de seu pensamento está no socialista Manuel Ugarte. O próprio Gullo chama Bergoglio de “apóstolo da Pátria Grande”:
    “La sola lectura del pensamiento del Cardenal Bergoglio demuestra que solamente desde el prejuicio, la ignorancia o la mala fe, puede afirmarse que el Cardenal Bergoglio ha sido elegido Papa para obstaculizar el actual proceso de integración política suramericano y para destruir el proyecto de construir la Gran Patria Grande con que soñaron los libertadores Simón Bolívar y José de San Martín. El ahora Papa Francisco será, muy por el contrario, el “apóstol de la unidad”, de la Patria Grande.”
    E muitos outros autores confirmam o quanto avançada está a instrumentalização da Igreja no processo da integração latinoamericana sob o ideário da “Pátria Grande”, alinhado ao internacionalismo socialista. É o que diz Miguel Ángel Barrios, autor de “El Latinoamericanismo en el pensamiento político de Manuel Ugarte”, com ênfase:
    “:…el Pueblo Católico Universal será potencializado por Nuestra América y la Patria Grande potencializará al Papa a favor de los débiles del mundo.”
    E ainda:
    “Pasamos ahora, al hecho histórico que trasciende al hombre, en un momento singular de la Historia de la Iglesia como pueblo Universal y de América Latina en su camino hacia la Patria Grande. El circulo cultural latinoamericano tiene su raíz en la Iglesia católica, por eso, los Movimientos Nacionales Populares no cayeron en el anticlericalismo oligárquico de la segunda mitad del siglo XIX de nuestras repúblicas insulares”.
    Movimentos populares estes que foram recebidos no Vaticano, com a presença do próprio Evo Morales, defensor da “Pátria Grande”.
    Não só Evo Morales, mas Dilma Roussef e quase todas as lideranças de esquerda latino-americanas, estão comprometidas com os propósitos do Foro de São Paulo, na defesa da “Pátria Grande” socialista.
    Miguel Ângel Barrios diz mais:
    “El Mercosur, el Alba, la Unasur y la Celac potencia a la Iglesia como pueblo de Dios y el Papa, únicamente se potencializará con nosotros. Es una interconexión mutua y reciproca. Los pueblos sin misión, mueren y los hombres, sin visión, también mueren. Aquí reside la necesidad de interpenetrarnos con el Papa desde nuestra identidad y nuestra historia.
    Como anécdota personal, muy simple, de las infinitas que se han contado en estos días, contaré algo que me atañe, y tiene que ver, con este sentido de esperanza. Mi tesis doctoral en Ciencia Política presentada en la USAL bajo la dirección de Alberto Methol Ferré – al cual Bergoglio admiraba y presento su libro “La América Latina del Siglo XXI – fue “El Latinoamericanismo en el Pensamiento Político de Manuel Ugarte”, publicado en el 2007. Un día, me sorprendió una llamada breve del Cardenal Bergoglio, diciéndome “ha llegado la hora de la Patria Grande”, en relación al libro.”
    Não só Bergoglio, mas também o Cardeal Maradiaga [o chefe do Conselho de Cardeais para a reforma da cúria romana – C8] também prefaciou o livro de Carriquiry, “Uma Aposta pela América Latina”. Cabe lembrar que Maradiaga presidiu por muitos anos a Cáritas internacional, tendo então sérios problemas com Bento XVI, e recentemente uma reportagem na Alemanha critica a ideologia marxista impregnada na Cáritas.
    Francisco Mele, ao esboçar “um perfil geopolítico-teológico do Papa Francisco” ao jornal La Repubblica, reconhece que:
    “O projeto geopolítico ao qual se volta a simpatia do Papa Francisco é o de Bolívar, mas também o de Artigas, de San Martín e de tantos outros patriotas latino-americanos: a unidade da América do Sul como contrapeso aos Estados Unidos, a superpotência que representa os interesses do Norte. Bergoglio disse e escreveu em várias ocasiões sobre a unidade latino-americana. Por exemplo, referindo-se ao livro do secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina, Guzmán Carriquiry, sobre a América Latina do século XXI, publicado em 2011 por ocasião do bicentenário das independências dos países latino-americanos. Sobre a atualidade da integração latino-americana, dentre outras coisas, a Conferência Episcopal Argentina também interveio em 2008, inspirada pelo próprio bispo de Buenos Aires. Outro interlocutor de Bergoglio nessa questão foi a filósofo e historiador uruguaio Alberto Methol Ferré.”
    Nesse sentido, vemos, por toda a parte, em blogs, periódicos e mídias da esquerda, ampliar cada vez mais a ação de Bergoglio na defesa da “Pátria Grande”, confirmada em sua viagem à América Latina, em julho de 2015, especialmente no pronunciamento que fez na Bolívia aos Movimentos Populares. “Papa Francisco pide construir la Patria Grande de Bolívar y San Martín”, afirma a manchete do “CubaDebate en Panamericanos”, ainda em novembro de 2013. E na entrevista com Fenando “Pino” Solanas, Bergoglio afirmou: “El sueño de la PATRIA GRANDE de San Martín, Bolívar, es algo que hay que recuperar”, como é possível ver neste vídeo, aos 07:54.
    Todos sabem que Bergoglio secretariou e influiu na redação final do Documento de Aparecida. Foi então incluído no item 525, o conceito de “Pátria Grande”:
    “A dignidade de nos reconhecer como família de latino-americanos e caribenhos implica uma experiência singular de proximidade, fraternidade e solidariedade. Não somos mero continente, apenas um fato geográfico com mosaico ininteligível de conteúdos. Muito menos somos uma soma de povos e de etnias que se justapõem. Una e plural, a América Latina é a casa comum, a GRANDE PÁTRIA de irmãos… (525) E ainda: “NOSSA PÁTRIA É GRANDE, mas será realmente “GRANDE” quando o for para todos, com maior justiça…” (527).
    Trata-se de um novo idealismo político
    A instrumentalização da Igreja para os fins utópicos da “Pátria Grande” é certamente um dos problemas mais sérios da atualidade, com desdobramentos imprevisíveis, sob todos os aspectos. Não se trata de um fenômeno irrelevante ou algum modismo que deve passar facilmente. Trata-se de um projeto de poder totalitário, que tem conseguido neutralizar a Igreja por dentro. O fato é que há uma tensão de forças antípodas. Por exemplo, a “Pátria Grande” bolivarianista visa destruir o que eles chamam de “eurocentrismo”. E nos faz lembrar de Joseph Ratzinger, que escolheu o nome de São Bento, padroeiro da Europa, quando assumiu o seu pontificado, em 2005. É evidente que há uma tensão, dois olhares da realidade, e a “Pátria Grande” parece não sinalizar para a verdadeira concepção católica. O fato é que a “nova teologia” que visa a utopia da “Pátria Grande” tende ao grave equívoco e desvio da verdade, não sendo nem mesmo teologia, mas ideologia anticatólica.
    E o mais grave não são as consequências políticas, mas acima de tudo, espirituais, pois está evidente que as forças de esquerda que agem no seio da Igreja querem substituir a “teologia católica” de sempre pela “nova teologia”, que visa a subversão da sã doutrina. O apoio à “Pátria Grande” por altos prelados da Igreja causa grande apreensão. Os católicos sabem que só estarão seguros e salvos ancorados na sã doutrina de sempre, ensinada e testemunhada por Nosso Senhor Jesus Cristo, que deu vigor à Igreja, em sua história bimilenar. E dará o vigor até o final dos tempos.
    A exemplo do que ocorreu com o arianismo, no séc. IV, poucos são os que percebem a gravidade da situação no momento e muito menos ainda estão dispostos a denunciar o erro, por amor à verdade e à Igreja. Temem as retaliações e perseguições, inclusive dos próprios setores da Igreja comprometidos com os enganos desse novo utopismo. A ideologia e o projeto de poder da “Pátria Grande”, de interesse do internacionalismo de esquerda, ao ser defendido e irradiado pelo próprio Vaticano, traz muitas apreensões. Não parece tratar-se de uma aposta com realismo. E a doutrina social da Igreja é profundamente realista, por isso a Igreja é “perita em humanidade”. A utopia da “Pátria Grande” trata-se de um novo idealismo político, com os riscos já conhecidos de sombras totalitárias.
    Carlos Peñalosa diz que Fidel Castro sempre foi mais que um líder político, mas um homem de ideias e de sonhos, e justamente tal “idealismo”, como a história já confirmou tantas vezes, conduz a soluções políticas perigosas por justamente faltar o senso da realidade. A Igreja, na sua força sobrenatural de “comunhão dos santos”, deve estar orante e vigilante, fiel à sã doutrina, com a convicção da promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo de que as portas do inferno não irão prevalecer.

  4. Mais um idiota tentando convencer que o comunismo é bom e que o PT é um partido de pessoas honestas. Se o comunismo fosse bom, não teria sido varrido da Rússia e se petista fosse honesto não estaria na página dos registros policiais. O resto, é pura enganação e quanto mais o parafuso apertar, mais este tipo de poste vai aparecer.

    • Paulo_2, o defeito está em você, que se mostra um analfabeto funcional, incapaz de entender um texto. Em nenhum lugar do texto estou tentando convencer que o comunismo é bom, e muito menos disse que o PT é um partido de pessoas honestas. Quanto à desonestidade do PT, venho me batendo aqui junto com os comentaristas e escritores da Tribuna há muito tempo. Também o texto acima em nenhum momento diz que o PT é um partido honesto nem mesmo diz que o comunismo é bom. Eu mesmo não sou comunista. O texto tenta mostrar que, não obstante o comunismo já esteja desmoralizado, pelo mal que causou a seus cidadãos, existe uma esquerda não marxista que atua em diversos países (não confundir com o chavismo na Venezuela). O chavismo, ele mesmo, nem é comunista, embora apoie Fidel Castro. É apenas uma aventura populista que terá fins trágicos e está levando a miséria o povo da Venezuela e quebrando o país. O que eu tenho defendido é, no Brasil, o PPS, Partido Popular Socialista, que também não é comunista, e o único a meu ver que tem um programa e projeto de país, uma correta e atuante atuação parlamentar e não têm membros maculados pelo mensalão, pelo petrolão e por outras roubalheiras que fez o PT e seus aliados. O PT é um partido de ladrões, reafirmo. O comunismo está ultrapassado, afirmo. Faça um curso de interpretação de textos para você não mais comentar (e com ofensa) algo que você leu e não entendeu. O Brasil precisa também de homens letrados que saibam ler e escrever. Um dos motivos do PT estar no governo foi o voto de analfabetos funcionais, que não têm discernimento de separar o joio do trigo.

  5. Prezado chegamais,

    Você copiou este texto da revista católica reacionária, ligada à Opus Dei, intitulada “Frates in Unun.com. A Igreja também tem a sua direita, como a Opus Dei, capaz de achar, como no trabalho que você enviou acima, que o Papa Francisco também é comunista. Acha que a CNBB também é um órgão do Foro de São Paulo e visa implantar o comunismo debaixo de sua Teologia da Libertação. Esta facção, com seus argumentos ridículos, não representam o grande universo que é a Igreja Católica Apostólica Brasileira. E precisa fazer um desagravo ao Papa Francisco e aos bispos da CNBB. Segue, para demonstrar o que digo, outro artigo ridículo da revista “Frates in Unum.com”;

    Por Hermes Rodrigues Nery – Fratres in Unum.com: A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com o texto-base da Campanha da Fraternidade de 2015 — com o tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45) –, confirma que é hoje extensão do Foro de São Paulo e, de modo especial, do PT, ao explicitar sua adesão e comprometimento com a revolução bolivariana em curso na América Latina e com uma reforma política plebiscitária que se volta contra a democracia representativa, propondo a sovietização no Brasil. A CF-2015 propõe a “radicalização da democracia”, corroendo-a em demagogia, pois a chamada “democracia direta”, como defende, é o instrumento anárquico para subverter a ordem jurídica e propiciar a implantação do socialismo em nosso País. O alinhamento ideológico da CNBB à esquerda e ao socialismo, como quer o Foro de São Paulo e o PT, é evidentíssimo e cada vez mais escancarado. O que antes se suspeitava, agora está mais do que comprovado. Os assessores da CNBB [intelectuais orgânicos, gramscianos], que tanto influem os bispos, sabem que paróquias e dioceses estão reféns desse “alinhamento” e de tais forças, e funcionam como tentáculos do grande polvo que se tornou a CNBB, a serviço dos interesses políticos do Foro de São Paulo e do PT.

  6. Sr. Ednei Freitas, você está enganado! Eu tenho vivido essas mudanças e isso é muito real. Existe um trabalho de longo prazo para acabar com as tradições e costumes que desempenham um papel importantíssimo na formação espiritual do católico. Vou citar um exemplo mas não nomes. Em minha antiga paróquia as pessoas tinham a opção de receber a sagrada Eucaristia de joelhos ou em pé, era uma opção e que consta em documentos da Igreja. Para isto existia o genuflexório. Em nome da modernidade advinda do Concílio Vaticano II, o famoso “Aggiornamento”, mandaram retirar os já citados genuflexórios, impedindo assim quem desejasse receber a sagrada Eucaristia de joelhos. Até a ridicularização do Terço eu ouvi de um bispo. Em uma outra paróquia a reunião do grupo do Apostolado da Oração foi suspensa e também os grupos carismáticos. Existe sim uma ideologia dentro da Igreja contrária aquilo tudo que é sagrado. Dê uma olhada no campo “Análise de conjuntura” no site da CNBB e tire suas conclusões.

    • Prezado Sr. Pedro Rios,

      Entrei no site da CNBB e achei a opção “análise de conjuntura”, porém, ao clicar no link, várias vezes, a resposta do site foi esta:

      Você pode não ser capaz de visitar esta página porque:

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      Componente não encontrado

      Uma pena! Mas estou aberto ao diálogo e só me interessa a verdade. Se o senhor tem este texto, por favor, publique-o na Tribuna da Internet, para todos ficarmos sabendo.

      Saudações

      • Sr.Ednei Freitas, também não consegui acessar o site, mas P.Puggina publicou um texto aqui na Tribuna no dia 09 do corrente sobre o artigo da CNBB. Basta acessa-lo. Saudações.

    • Prezado Sr. Pedro Rios,

      Li os textos de P. Puggina e confesso que fiquei surpreso e tenho de lhe dar razão. Não tenho porque duvidar das afirmações de P. Puggina, e ele mostra o envolvimento promíscuo da CNBB com o PT. O documento “Análise de Conjuntura” foi realmente escrito sob a égide da CNBB embora seus escritores fossem apenas quatro padres e quatro leigos dos quadros do PT. Mas a divulgação do documento compromete toda a CNBB e você tem razão. Quanto à Teologia da Libertação, segundo o próprio P. Puggina, frei Beto esteve nos países comunistas na época da guerra fria para a conversão de fiéis. Como declara o próprio P. Puggina, frei Beto não conseguiu converter uma só alma entre os comunistas para sua Teologia da Libertação. Isto pelo menos serve como fiel da balança para dizer que a Teologia da Libertação não serve para nada e não convenceu nem mesmo os comunistas.

      Mas, de resto, você levantou uma questão importante. Eu desconhecia que os bispos brasileiros (os da CNBB) seguem apoiando o governo do PT mesmo com as evidências em contrário a este malogrado partido. Dou minha mão à palmatória ! Meu compromisso é com a verdade, e quando entro numa discussão, nunca faço questão de estar certo. Desta vez errei. Tenho ainda as minhas dúvidas se o Papa Francisco seria simpatizante do PT ou mesmo virará um dia um comunista. Acho improvável.

      Percival Puggina

      Toda a existência do PT, do nascimento à glória, e da glória ao atual fundo do poço (ou ao volume morto, na expressão usada pelo próprio Lula) se fez sob incondicional apoio da CNBB e de suas pastorais. A exceção, se houver, que se identifique.

      Aliás, Lula e o PT sabem: os tenebrosos dias que se avizinham serão enfrentados ao abandono de muitos dos seus antigos seguidores. Há um grupo, porém, que não o abandonará. Esse grupo é formado por religiosos, padres e bispos que foram buscar água benta na Teologia da Libertação e chegaram ao poder da entidade em 1971, com D Aloísio Lorscheider. A partir de então, foi um Deus nos acuda. São João Paulo II, que conheceu o comunismo desde as entranhas, condenou a Teologia da Libertação (TL) em documento da Congregação para a Doutrina da Fé. Esse texto, de 1984, deixa claro ser a TL uma teologia marxista, de classe, “que confunde o pobre da escritura com o proletário de Marx”.

      Nada melhor do que ler Frei Betto para saber o quanto essa confusão é real. Em “O paraíso perdido” ele relata dezenas de viagens que fez para levar a TL a Cuba e aos países do Leste Europeu onde o marxismo-leninismo já estava instalado. Com a TL ele conseguiu tornar comunistas milhares de cristãos do nosso continente, mas não conseguiu converter ao cristianismo um único líder comunista.

  7. Eu prefiro a opção direta, do logo Unasul (charge) “cacho de bananas”, muito mais esclarecedor e representativo das incompetentes nações latrinoamericanas, o resto é perda de tempo.

  8. Consegui o texto de P. Puggina.

    “Após quase um ano de abençoado silêncio, rompendo longa tradição de frequentes edições trimestrais ou quadrimestrais, a assessoria da CNBB emitiu nova Análise de Conjuntura. Eu estava convencido de que a cúpula da entidade houvesse apontado a porta da rua à equipe, após a produção do texto relativo a agosto de 2014. Naquele documento, em incisiva defesa da candidatura presidencial governista, os redatores se enredaram em previsões sobre a realidade nacional que conseguiram ser tão falsas e enganosas quanto as da candidata petista. Para os assessores da Conferência, naqueles dias, a única coisa que fazia mal ao Brasil era o sombrio discurso da oposição e as previsões de um certo ente maligno, filho do demônio com a Madame Mim, que atende pelo nome de mercado.

    Pois eis que as análises de conjuntura renascem das lixeiras. Foram, ao menos recicladas? Não. Vêm no mesmo tom de sempre, classificando como retrógrado tudo que significa progresso e de progressista todo retrocesso. Num ponto discordam do governo, mas não das posições históricas do petismo: colocam-se contra a responsabilidade fiscal e as medidas tomadas para reduzir o gasto do Estado. Querem jantar num Brasil à grega!

    Afirmam haver no país um ambiente hostil aos direitos humanos. Esquecem, como tantos falsos defensores desses direitos, que os direitos humanos fundamentais – vida, liberdade e propriedade – são os mais furiosamente atacados por aqueles a quem defendem, homicidas, estupradores, sequestradores e assaltantes, de todo tipo e idade, de cujas vítimas não se ocupam. Sustentam que o desemprego cresce por conta de uma perversidade inerente à natureza do empreendedorismo e do capital privados, e não pelo desastre econômico e fiscal em que o governo, irresponsavelmente, lançou o país.

    PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA

    Acima e além de tudo isso, o que mais impressiona no texto, elaborado para iluminar o discernimento dos senhores bispos, é a contradição entre uma breve condenação à corrupção, com louvores ao jornalismo investigativo e o que vem depois: obcecada defesa dos réus e investigados nos processos do petrolão e da operação Lava Jato. Nisso, superam o próprio PT! Condenam o que chamam “politização do judiciário” e criticam a “condenação midiática”. Falam em agressão aos princípios da “presunção de inocência” e do “devido processo legal”. Renegam o instituto da delação premiada (objeto de “pressão sobre acusados”) e falam em “rito sumário de condenação”. Proclamam estar em curso uma ruptura de princípios jurídicos fundamentais. Só faltou dizerem que o juiz Sérgio Moro é que deveria estar preso. E arrematam: “Tais práticas, realizadas com os holofotes da grande mídia brasileira, transformam réus confessos em heróis”. Inacreditável, leitor? Está tudo aqui.

    Quem são os autores dessa extraordinária peça? São quatro padres e quatro leigos. Dos primeiros nada sei exceto aquilo que assinaram. Dois dos leigos são membros da Comissão Brasileira de Justiça e Paz da CNBB, e quem é do ramo sabe, portanto, em que time jogam. Dos outros dois, um foi braço direito de Gilberto Carvalho na Secretaria de Articulação Social da Presidência da República e o outro foi candidato a deputado federal pelo PT do Distrito Federal em 2010. Assim está e permanece a CNBB, com concordância de muitos, leniência de outros tantos e discordância de poucos senhores bispos, tomada por dentro e por fora, para tristeza e constrangimento do mundo católico brasileiro.”

  9. Uma das principais táticas das esquerdas – são diversas ramificações – é dizer que não são comunistas, ou, socialistas, o que vem dar exatamente no mesmo. São esquerda. O que significa dizer ser contra a propriedade privada, os meios de produção privados, a economia de mercado, etc., enfim, tudo o que caracteriza aquilo que eles chamam de direita, inclusive saber como ganhar dinheiro para sustentar as mordomias da esquerda quando no phoder.

    Quando URSS e EUA, depois da 2ª GG dividiram o planeta em área de dominação, evidentemente as Américas couberam aos EUA. Já tínhamos sido treinados e equipados pelos EUA para participar da 2ª GG e continuamos sendo instruídos por eles dentro da filosofia de segurança nacional, que tem por base a democracia liberal à la Estados Unidos.

    Agora, 12 anos de um governo mais corrupto do que propriamente ideológico, mas mesmo assim de viés esquerdista – pelo menos são apoiados pelos partidos ditos de esquerda -, não satisfeitos em desmontar material e moralmente as nossas FFAA, à solapa, como lhes é peculiar, querem levar a segurança nacional à rezar por uma cartilha esquerdista, ou, como procuram disfarçar, agora denominada “bolivariana”, que, como toda pregação da esquerda, nunca mostra como fazer acontecer, apenas mostram como é belo o mundo dominado pelos dogmas marxistas.

    Parece que continuaremos nas mãos (ou patas) de governantes irresponsáveis, que continuam sem ter um projeto para o Brasil, salvo andar de quatro por aí pedindo dinheiro – o estuprador da vez será a China – para depois desperdiçar; ou, à revelia, à solapa, nos engajar num projeto marxista, por isso retrógado, como este parido pelo tal do Foro de São Paulo, que alguns tentam negar, como é característico das esquerdas, tapar o sol com peneira.

    • Prezado Sr. Martim Berto Fuchs,

      Até então tenho admirado suas postagens na defesa de um Capitalismo Social. A discussão até então, segue o parâmetro da honestidade. Mas assim não, Sr. Martim, o senhor não tem o direito de afirmar que os partidos de esquerda (aí inclui o PPS) apoiam ou apoiaram o governo do PT. Muito menos o PPS quer levar ou intentou levar a segurança nacional a rezar por uma cartilha esquerdista, ou mesmo “bolivariana”. O PPS é um crítico do bolivarianismo. Também o PPS não trabalha com dogmas marxistas. A sua intervenção é muito injusta e desinforma o público leitor. Vai aí abaixo um link com parte do programa do PPS para que se desfaça esta má informação que o senhor deu, colocando o PPS no mesmo saco em que estão certos partidos radicais de esquerda e, pior, com o ridículo PT.

      http://tv.pps.org.br/tv/showData/281295/

  10. Incrível como uniões de países em blocos regionais como União Europeia, Tigres asiatísticos, Nafta, são bem vistos de forma geral, mas sempre na historia da America, quando se falou de uma regionalização na America latina o assunto sempre foi demonizado. Não sou a favor de PT ou qualquer outro partido, mas entendam o seguinte, a regionalização dos países em blocos econômicos é uma tendencia mundial e só vão sobreviver que as fizer. A UNASUL tem a tendencia de se distanciar da influencia dos E.U.A entre outras coisas. Ta aí o porque da demonização sem sentido, pois os que são contra são todos fãs da influencia norte americana na America. Primeiramente tem que se entender que a onda vermelha que atingiu a America latina e no Caso a America do Sul, é um ciclo como qualquer outro, veio e uma hora vai, como esta indo, mas o bloco permanece independentemente da ideologia dos partidos que governam cada país. O documento que rege a UNASUL presa pela democracia, sendo assim o bloco pode até ter membros presidentes dos países de esquerda, mas no futuro pode não ter.
    Temos que olhar como positivo sim a regionalização em blocos econômicos, principalmente se zelar pela democracia .

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