A ‘varsa’ do mensalão

Sebastião Nery

RIO – Orestes Segalho, vereador de Campinas, tinha a sua bandinha de música. Tocava em Campinas, tocava em todas as cidades da redondeza. Pedroso, um dos membros da banda, fez uma valsa: “Saudades de Campinas”. Quando a banda chegava a outra cidade, mudava de nome. Era “Saudades de Americana”, “Saudades de Limeira”, Saudades de Pedreira”.

Na festa da padroeira de Montemor, a bandinha de Segalho foi tocar lá. E Segalho, todo orgulhoso, anunciou a valsa, composta em homenagem à cidade: “Saudades de Montemor”. Foi um sucesso. O prefeito de Montemor ficou encantado com a homenagem à cidade, propôs comprar a valsa, deu 3 mil cruzeiros a Segalho, mandou gravar.

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CAMPINAS

Quando voltou para Campinas é que Segalho percebeu que havia vendido a sua galinha dos ovos de ouro. Disse a Orestes Quércia, prefeito:

– Prefeito, fiz uma burrada. Vendi minha valsinha. Como é que eu vou fazer agora nas outras cidades?

No dia seguinte, Segalho pediu e Pedroso compôs “Valsa de Campinas”. E de qualquer cidade.

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DIRCEU

O ex-ministro José Dirceu não é um idiota qualquer. Pelo contrario. Todo mundo lhe reconhece inteligência, capacidade de liderança, audácia. E sobretudo uma frieza maquiavélica para articulação política. De repente, aconteceu alguma coisa com ele que os amigos não estão entendendo.

Já condenado pelo Supremo Tribunal por formação de quadrilha e corrupção ativa, esperando apenas o Supremo dizer quanto tempo pegará de cadeia, fechada ou aberta, esta semana ele enlouqueceu. Desafiou a Justiça e, pela imprensa e Internet, convocou o PT para resistir nas ruas às decisões do Supremo e tentar anular no grito “a farsa (sic) do Mensalão”.

É uma insanidade. Nem Hitler nem Mussolini nem Stalin, nos seus dias de militância política, antes de chegarem ao poder, ousaram tanto e ameaçaram emparedar a Justiça que os processava e condenava. Só há uma explicação: José Dirceu regrediu à sua linguagem infantil do interior de Minas e confundiu o “F” com o “V”. Ele não quis dizer “a “Farsa do Mensalão” mas “a Varsa (sic) do Mensalão”. Como a de Segalho. Exatamente a “valsa” que o Supremo já o pôs para dançar na cadeia.

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O MASCATE

O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab surgiu das sicilianas maquinações de José Serra e logo se revelou um incontrolável mascate da política nacional. Pôs-se no balcão de qualquer negócio a qualquer preço e saiu vendendo o que podia e o que não podia: ele mesmo e a Prefeitura. De pechincha em pechincha, de trapaça em trapaça, adquiriu prefeitos, vereadores e liderecos pelo pais a fora e fundou um partideco que é um balcão de fornecimento de legendas.

Conta Ilimar Franco,do “ Globo”:   “O prefeito de São Paulo e presidente do PSD, Gilberto Kassab, articula com a direção do PT concorrer a vice-governador ou ao Senado, numa aliança que excluiria o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) da chapa de 2014”. Inacreditável é que a nota do Ilimar saiu e ninguem do PT levantou a voz para protestar conta tamanha ignomínia.

De um partido presidido pelo deputado paulista Rui Falcão (que os amigos chamam de Rui Vampiro) pode-se esperar tudo. Mas trocar um político da seriedade, do nível e da respeitabilidade do senador Suplicy por um comerciante de legendas eleitorais é ultrapassar os limites do tolerável. O PT quer trocar Borba Gato por um barba de gato.

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MARINA

A fabrica de legendas continua emporcalhando a política nacional. Agora é a Marina Silva que quer fundar “seu Partido no ano que vem, de olho no Fundo Partidário (dinheiro público) e no tempo de TV” (Globo). De esperteza em esperteza, de segundo turno neutro a armações “in natura”, essa moça vai acabar no partido do Valdemar Costa Neto.

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FOLHA 

“No PT, convivem o cinismo, o ridículo e a cegueira”(Folha). O editorial da “Folha” esqueceu o principal:  a corrupção.

 sebastiaonery@com.com.br

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