A verdadeira história de Jânio Quadros e seu famoso “Fi-lo porque qui-lo”

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Charge do Otelo (Arquivo O Globo)

Sebastião Nery

Em 1958, Juracy Magalhães, presidente da UDN, Carlos Lacerda, líder na Câmara, e Jânio Quadros, governador de São Paulo, prepararam a convenção nacional da UDN para fazer Herbert Levy o sucessor de Juracy. Magalhães Pinto chegou lá na véspera com José Aparecido, entrou na convenção, derrotou Herbert Levy. Jânio ficou Furioso.

No dia seguinte, Magalhães chamou Aparecido e foram os dois fazer uma visita de cortesia a Jânio. Anunciados, foram levados ao gabinete. Jânio estava sentado, cabeça baixa, escrevendo. Nem levantou os olhos. Os dois, de pé, esperando. Jânio escrevendo. De repente, levanta-se, estende a mão para Magalhães:

– Como vai o senhor, doutor Bilac Pinto?

– Muito bem, doutor Adhemar.

Jânio deu uma gargalhada, Magalhães sorriu. Ficaram amigos.

ATRÁS DO POVO – Candidato a presidente, Jânio foi a Caxias, no Rio Grande do Sul. A convite do padre Giordani, vereador do PDC e coordenador da campanha na cidade. O padre tinha convidado o povo para saudar Jânio nas ruas, quando chegasse, às 6 da tarde, e para o comício à noite.

No aeroporto, um carro aberto esperava o candidato para um desfile triunfal pela cidade. Jânio chamou o padre:

– Nada disso. Quero um carro fechado, bem fechado. Vou direto para o hotel e por ruas ínvias, sem passar pelo centro. Tu-do mui-to rá-pi-do.

– E o povo, presidente?

– O povo? Quem conhece o povo sou eu, senhor padre. Conheço nas faces e na alma. O povo quer mais me ver do que me ouvir. Pois se quiser me ver que vá também me ouvir no comício. Ver-me-á e ouvir-me-á.

Às 8 da noite, Caxias estava toda na Praça. Vendo e ouvindo Jânio.

Confinado em Corumbá, Mato Grosso, em julho de 1968, por causa de uma declaração contra Costa e Silva (responsável por sua cassação: – “Esse zarolho é meu”, e escreveu a mão o nome de Jânio no alto do primeiro listão), Jânio soube que um amigo chegara para visitá-lo. Ligou para a portaria, pediu o número do apartamento, foi lá. Desceu furioso para a recepção:

– Meus queridos, que estúpidos, que parvos são vocês. Deram-me o número errado. Toco a campainha. Aparece alguém, que não é o meu amigo, e nu, inteiramente nu. Saibam, não tenho nada contra homem nu. Mas nu e de óculos? Pelado, sim. Mas de óculos?

FI-LO PORQUE QUI-LO – A verdadeira história do fi-lo porque qui-lo é esta. Como Presidente, Jânio instituiu reuniões mensais, presididas por ele, entre as autoridades federais e os governadores das várias regiões do pais. No sul, Jânio estava reunido com os governadores Leonel Brizola, do Rio Grande, Ney Braga, do Paraná, e Celso Ramos, de Santa Catarina. E anunciou algumas reformas educacionais.

O ministro da Educação, Brígido Tinoco, pego de surpresa, ficou uma fera. Depois do almoço, procurou Jânio:

– Presidente, permita-me dizer-lhe que discordo de algumas dessas propostas. E nem fui avisado. Fê-lo por que?

– Ministro, fi-lo por algumas razões que me parecem relevantes. Primeiro, fi-lo porque estou convencido de que é a melhor solução. Segundo, fi-lo porque esta nação tem pressa. Terceiro, fi-lo porque sou presidente. Como vê, senhor ministro, fi-lo porque qui-lo.

E papo encerrado. Papo e pronomes.

2 thoughts on “A verdadeira história de Jânio Quadros e seu famoso “Fi-lo porque qui-lo”

  1. Acredito que a gurizada fandangueira calça curta da política do golpismo ditatorial, do partidarismo eleitoral e dos seus tentáculos, velhaco$, direita, esquerda e centro à bordo, faria um grande favor à república dos me$mo$, se ao invés de continuarem ateando fogo em vão nas próprias vestes e no país com a velha guerra tribal, primitiva, permanente e insana, por poder, dinheiro, vantagens e privilégios, sem limite$, à paisana e fardada, entre o “Nó$ X Elle$”, atentassem para a profundidade do fato que, desde de Junho de 2013, com a população apartidária nas ruas, de forma inédita, como nunca antes visto na história deste país, gritando firme, forte, alto e em bom som: “sem violência, sem golpes, sem partidos, vocês não nos representam”, o Nós X Elle$ que está na cabeça da população há muito tempo não é mais o velho e tradicional NÓ$ X ELLE$, ou seja, nada tem a ver com a velha disputa entre “Coxinha$ X Mortadela$”, mas, isto sim, com a necessidade do advento do Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, do novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso, representado pela RPL-PNBC-DD-ME, como sucedâneo natural dos 322 anos de Colônia de Portugal, dos 67 anos e Império e dos 130 anos de república do golpismo ditatorial, do partidarismo eleitoral, e dos seus tentáculos, velhaco$. https://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/11/16/lula-ja-nao-pode-fazer-pose-de-virgem-no-bordel/?fbclid=IwAR2SRt0wN6UoyECe2ppMVMus7zZklVkRXkD7u6iO-KNLKz0EJSn3uCaQQSc

  2. Jânio foi eleito pela UDN, candidato da direita. após tomar posse Jânio deu uma guinada de 180 graus para esquerda.
    Surgiu um boato na época, que podia ser verdade, ou não, que um general da cúpula militar foi ao gabinete do Jânio Quadros e disse: presidente o senhor tem que mudar sua linha política, Jânio que era desaforado respondeu: o senhor considere-se preso. O general replicou: e o senhor considere-se deposto. Dias depois Jânio renuncia

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