A vez da classe média

Carlos Chagas

As elites continuam muito bem, obrigado, por força da política econômica adotada pelo presidente Lula desde sua posse, mantendo as linhas fundamentais do neoliberalismo do sociólogo. No reverso da medalha, as massas desprotegidas receberam do governo  atenção e cuidados mais do que elogiáveis. Não há como o próximo presidente da República, José Serra ou Dilma Rousseff, deixar de manter as  mesmas diretrizes, como ambos vem prometendo.

Maravilha? Nem tanto, porque o Lula esqueceu a classe média,  de que o seu sucessor precisará obrigatoriamente cuidar, até por ter sido ela ampliada, conforme a propaganda oficial. O cidadão comum come o pão que o diabo amassou, submetido a monumental carga de impostos diretos  que as elites conseguem minimizar,  até burlar,  e que as massas simplesmente ignoram por não poder pagar.

Está na hora de os candidatos acordarem para a classe média. Tanto quem vive de salário quanto a  maior parte dos profissionais liberais e dos pequenos e médios empresários trabalham para o governo cinco meses por ano. Enfrentam pelo menos 35 impostos, taxas e contribuições.  Deixam de receber do poder público a contrapartida na saúde e na educação,  obrigando-se a recorrer a planos de saúde privada  e a escolas particulares para os filhos. Sofrem com a falta de segurança nas ruas e a carência nos transportes coletivos.

A vez precisa ser do cidadão comum.  Dilma e  Serra continuam devendo planos e programas em condições de atendê-lo. Até porque, ele constitui a maioria do eleitorado.

Oportunidade perdida

Tucanos e democratas convencionaram não  falar mais da trapalhada expressa na escolha do vice-presidente na chapa de José Serra. O Índio que permaneça em sua  reserva.

Mesmo assim, no recôndito dos travesseiros, lamentam a oportunidade perdida.  Poderia, o DEM, ter indicado um candidato ideal  para companheiro de chapa do ex-governador de São Paulo. Quem? Marco Maciel. Foi exemplar quando exerceu o cargo . É do Nordeste. Sua probidade está acima de qualquer suspeita. Dispõe até de capacidade administrativa. Tem votos.

Maciel está para Pernambuco assim como Milton Campos estava para Minas. Serra o receberia de braços abertos. Por  que não viabilizaram sua indicação? Por isso mesmo…

Ostentação inconsequente

Não dá para resistir ao comentário.  Mais de 35 bilhões serão gastos pelos cofres públicos e as empresas privadas para a implantação do trem-bala ligando o Rio a São Paulo, numa obra capaz de demorar dez anos. Sua finalidade será transportar  passageiros entre as duas capitais em 90 minutos. Um luxo. Uma ostentação sem qualquer valor econômico. Por que não aprimorar a ligação ferroviária já existente?

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