A vez do José Dirceu

Carlos Chagas

A pergunta que se faz, agora, refere-se a José Dirceu. Se Marcos Valério pegou 40 anos, o ex-chefe da Casa Civil não ficará muito longe, ouve-se nos corredores do Supremo e do Congresso. A tal dosimetria está adiada para a segunda semana de novembro, dado o interregno para tratamento de saúde que levará o ministro Joaquim Barbosa à Alemanha, daqui a dois dias.

Sempre existirão recursos, senão ao Supremo, restrito aos embargos declaratórios, mas a incontáveis meandros da própria lei. De qualquer forma, salvo raras exceções, os mensaleiros vão mesmo começar a cumprir suas penas em prisões fechadas. Alguns anos, muitos anos, até, mas jamais a soma de condenações que vem recebendo, de resto limitadas a 30 anos.

É a lei, sustentam os doutos ministros da mais alta corte nacional de justiça. Impossível não aplicá-la, enquanto não for alterada. Diversos parlamentares, em especial do PT, preparam-se para no próximo ano tentar mudança fundamental: prisão fechada, quer dizer, cadeia, reclusão, deveria ficar restrita aos que cometeram crimes de violência. Aos demais, outro tipo de pena, como prestação de serviço comunitário, interdições, multas e ressarcimento de prejuízos causados a outros ou ao erário. Dificilmente vingará essa proposta, tendo em vista a sede de justiça que toma conta da voz rouca das ruas, até com certos laivos de vingança ou revanche. E mais o raciocínio de que muitos crimes praticados sem sangue conseguem ser tão ou mais hediondos e chocantes.

Sendo assim, por mais inusitado que seja, parte da alta cúpula do PT vai mesmo para as grades, ao menos para cumprir um sexto das sentenças recebidas. Com o óbvio bom comportamento que todos demonstrarão, serão candidatos a refrigérios, como a prisão aberta, a domiciliar e até o livramento condicional. Só que levará tempo.

Indaga-se da hipótese de sobrevirem novos processos contra bandidos de colarinho branco. É provável que mais tribunais sejam acionados, bem como a justiça de primeira instância. Velhacarias não faltam nos sistemas financeiro, administrativo e político. Parece chegada a hora, senão da exposição total dos intestinos da vida nacional, ao menos da seleção dos crimes mais gritantes. Sem esquecer de que no âmbito do Judiciário também se verificam horrores.

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COMEÇARAM OS AJUSTES

Até o último fim de semana era imensa a diferença entre Fernando Haddad e José Serra, conforme as pesquisas. De três dias para cá começaram a aparecer números que apontam algum crescimento do tucano. São os ajustes que os institutos fazem para não perder clientes nas próximas eleições. Caso domingo se verifique alteração fundamental nos resultados, sempre poderão afirmar que o eleitorado mudou, que reconsiderou decisões…

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UM OU DOIS APENAS

Atribui-se à presidente Dilma o comentário de que mudará no máximo um ou dois ministros, depois de assentada a poeira das eleições municipais. Desfaz-se a expectativa de alguns caciques partidários a respeito de ampla reforma onde imaginavam fincar presas e garras nas estruturas administrativas. A verdadeira reforma do ministério só acontecerá no primeiro semestre de 2014, quando montes de ministros se desincompatibilizando para concorrer às eleições gerais. Alguns disputando governos estaduais, muitos concorrendo ao Senado e à Câmara. Quanto a saber quais serão o um ou os dois, melhor aguardar. Todos os ministros são demissíveis por ato de vontade da presidente da República.

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