A vez e a hora do Legislativo

Carlos Chagas

Não encerra o episódio a pronta reação da presidente Dilma ao demitir altos funcionários federais apontados como corruptos pela Polícia Federal. É preciso que a Justiça se pronuncie. E que a primeira instância siga o exemplo do Supremo Tribunal Federal e comece a distribuir penas de cadeia para os vigaristas, claro que dando-lhes todo o direito de defesa. Mais cedo do que se imaginava, com a Operação Porto Seguro, surgiu o contraponto da atuação da mais alta corte nacional. O exemplo tem que ser seguido.

Da mesma forma como o Executivo e o Judiciário participam dessa campanha contra a corrupção, torna-se necessário que o Legislativo faça a sua parte. Aí está a oportunidade para a Câmara dos Deputados demonstrar sua integração nesses novos tempos: Valdemar Costa Neto, patrono do PR, está condenado pelo Supremo e agora aparece com figura exponencial nas investigações e conclusões da Polícia Federal. Faz até o papel de ligação entre o mensalão e o mais recente escândalo investigado. Por que não abrir contra ele processo no Conselho de Ética da Câmara, se possível também contra os demais deputados condenados no STF? Por que não cassar seus mandatos?

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O PUNHAL

Pela segunda vez o ex-presidente Lula declara ter sido apunhalado pelas costas. Primeiro foi quando, no exercício do poder, estourou a crise do mensalão. Agora, quando são surpreendidos em flagrante de corrupção a chefe do gabinete da presidência da República em São Paulo, mais a segunda autoridade da Advocacia Geral da União, diretores de Agências Reguladoras, empresários e penduricalhos.

No mínimo, o primeiro companheiro descuidou-se. Afinal, se não sabia, pelo menos poderia ter-se precavido contra o punhal de seus partidários. Ninguém se aproxima da vítima, mesmo pelas costas, sem dar alguns sinais de suas criminosas intenções.

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VERGONHA NACIONAL

Sem interrupção, a matança continua em São Paulo. A cada dia, novas vítimas, tanto faz se executadas por grupos policiais de extermínio ou pelos agentes do crime organizado. Mata-se indiscriminadamente diante da impotência do governo estadual e dos pruridos de consciência das autoridades federais. Já era para as ruas da Paulicéia estarem repletas de soldados das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança, bem como de agentes da Polícia Federal, da Abin e sucedâneos. Junto com as Polícias Militar e Civil, é claro.

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ABRIU O JOGO

Por coincidência ou de propósito, quem abriu o jogo foi o marqueteiro João Santana, em entrevista publicada ontem pela Folha de São Paulo. Ele admitiu que pelo PT apenas o Lula teria condições de se eleger governador de São Paulo, em 2014.

Há quem suponha estar em desenvolvimento uma operação para preparar a candidatura do ex-presidente ao palácio do Planalto. Começando pelo menor, chegar-se ao maior, se houver disposição. Não há, por enquanto, pois segundo o próprio Santana, o Lula nem admite conversar sobre o assunto. Impossível, porém, a hipótese paulista não é. Nossa crônica política registra casos de presidentes da República que se tornaram governadores de seus estados, como Rodrigues Alves, em São Paulo, e Itamar Franco, em Minas.

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