A vida é sonho

Tostão

Nesta semana, vimos dois ótimos jogos, Santos x Inter e Barcelona x Milan. Estavam presentes o melhor jogador do mundo e o provável futuro melhor. Neymar recebe mais faltas que os grandes craques da Europa porque dribla mais, faz mais teatro e enfrenta defensores e sistemas defensivos muito piores. Quem não sabe jogar derruba.

O Santos, após a derrota para o Barcelona, passou a marcar mais, trocar mais passes e atuar mais compacto. Muricy sabia muito bem a diferença individual dos dois times, mas não conhecia a enorme diferença coletiva. Aprendeu. Enquanto isso, os outros técnicos continuam com seus chavões e suas poses de professores e doutores.

Na partida entre Santos e Inter, ficou mais evidente que as posições de centroavante e de meia pelo centro continuam vagas na Seleção. Leandro Damião e Ganso são candidatos. Se a Copa fosse hoje, Kaká deveria ser titular, não por causa do belo gol contra o Apoel. Há meses, joga bem. Ele não é titular absoluto no Real porque há outro excepcional na posição, Özil.

No clássico europeu, o Barcelona mostrou sua superioridade, mesmo com dois pênaltis discutíveis a seu favor e sem jogar tudo o que sabe, muito por causa da boa marcação do Milan.

Assim como Chico Buarque, o Barcelona não é unanimidade. Isso é bom. A diversidade é essencial. Até os gêmeos idênticos são diferentes. O ambiente individualiza suas opiniões e seus desejos.

O Barcelona desperta sentimentos contraditórios. Parece aumentar o número de pessoas que torcem e gostam de ver o time jogar, e também dos que não acham a equipe tão excepcional e que torcem para ela perder. É uma mistura de solidariedade aos mais fracos e de prazer em ver a derrota dos mais fortes.

Muitos engoliram, mas não digeriram bem o Barcelona. O time, com sua maneira única de jogar, contraria o padrão de eficiência, como trocar poucos passes para chegar ao gol, ter dois volantes marcadores, um típico centroavante e jogadores mais altos e fortes.

Existem também os que acham o estilo do Barcelona chato, monótono, previsível, sem variações de velocidade e de humor. Envolve o adversário sempre da mesma maneira. Sentem falta do tumulto, do bololô na área e dos chutões.

Assim como o Santos de Pelé, o Barcelona de Messi também perde, até para times muito inferiores, como o Chelsea. Há muitas maneiras de ganhar e de perder. A do Barcelona é a que mais me encanta. O Barcelona é o sonho pulsando nos gramados.

(Transcrito do jornal O Tempo)

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