A visão genial de Brizola sobre as diferenças ideológicas

Jango e Brizola, na campanha de 1960

Valmor Stédile

O líder Leonel Brizola apontava como falsos dilemas certos chavões projetados pelas classes dirigentes para dividir a população, visando dominá-la mais facilmente e desviando de fatos que verdadeiramente interessam muito mais. As cúpulas instigam a divisão ‘direita X esquerda’, por exemplo, sem pauta concreta senão meras ameaças anticomunistas (esquerda) ou golpistas (direita), que, se há, são efêmeras e não justificam a pretensão de fazer disso um debate permanente, como tencionam.

A resposta mais cortante a esses falsos dilemas é exaltar a diversidade política prevista na Constituição, estimulando posturas independentes, que se encontram tanto no governo quanto na oposição, porque só assim afloram alternativas melhores. A História é rica em exemplos de como é possível a unidade em torno de questões maiores e dos mais elevados interesses da população, como ocorreu quando Leonel Brizola foi apoiado por Luiz Carlos Prestes mesmo a contragosto: “A opinião do senhor Brizola sobre nosso apoio é irrelevante. Nós vamos apoiar o melhor candidato, e o melhor candidato é ele”, proclamou o cavaleiro da esperança.

LIÇÃO DE BRIZOLA

Como candidato ao governo do Rio Grande do Sul, vejam a lição de política dada por Leonel Brizola em 10 de setembro de 1958:

Aos meus conterrâneos de todo o Rio Grande, profundas razões doutrinárias e políticas nos separam. Cumpre dizer que o trabalhismo é nacionalista, o comunismo é internacional; o comunismo é materialista, o trabalhismo se inspira na doutrina social cristã; o comunismo é a abolição da propriedade, o trabalhismo defende a propriedade dentro de um fim social; o comunismo escraviza o homem ao Estado e prescreve o regime de garantia do trabalho, o trabalhismo é a dignificação do trabalho e não tolera a exploração do homem pelo Estado, nem do homem pelo homem; o comunismo educa para formar uma sociedade de formigas, o trabalhismo educa para o progresso, para a liberdade, para a elevação da pessoa humana.

O comunismo existe onde pontifica o capitalismo reacionário e explorador, mas desaparece nas comunidades e países bem organizados sob o ponto de vista social e humano.

Por todos estes motivos, não sou o candidato para receber os seus votos. E eles sabem, melhor do que ninguém, que os amigos e propagandistas do regime vigorante na Rússia, estão do outro lado, dando apoio consentido à Frente Democrática.
 

15 thoughts on “A visão genial de Brizola sobre as diferenças ideológicas

  1. Parabéns pelo seu artigo e o pelo final do mesmo onde voce fala do pronunciamento Leonel Brizola em 10 de setembro de 1958. Me dá tristeza ver os nossos políticos atauis em compração com o Brizola, 99,99% dos atuais políticos não tem a capacidade e a visão do Brizola. Parei de votar quando o Brizola não foi mais candidato e também com a morte do Darcy Ribeiro. Alé4m de tudo era um grande visionário.

    https://www.youtube.com/watch?v=9ViENegKea4

    https://www.youtube.com/watch?v=RxYbd7Tvi7U

    “O PT é como uma galinha que cacareja para a esquerda, mas põe os ovos para a direita”

  2. Eu disse aqui há tempos que Brizola não era comunista. Era nacionalista, mas não fanático. Era nacionalista em empresas prestadoras de serviço à população. Trabalhista sim, até a alma. Valente e honesto. Honrado. Ninguém tira isso de Brizola.

    • Prezado Alverga,

      Mas é preciso tomar muito cuidado com o tempo, com a época, com as nuvens…
      …” Política é como nuvens…”,

      Saudações,

      Carlos Cazé.

  3. Pois é, pois é,

    Falar, hoje, é fácil, mas é preciso lembrar que, por defender até o fim esse país, Brizola amargou um desterro duríssimo, cruel, desumano, absurdo, inaceitável, criminoso, atroz. Pediu para que o cunhado o nomeasse MINISTRO DA FAZENDA, mas o cunhadinho, medroso, vacilante, preferiu dar ouvidos a Roberto Marinho, segundo Hélio Fernandes. Sinceramente, nem gosto de tocar nesse assunto, porque o sangue me ferve: e pensar que aquele gigante não alcançou o poder para o qual tanto se preparou, e indivíduos que nem sonhavam com isso_ como essa senhora que nos infelicita, atualmente_ , ganharam-no de presente, e aí está o resultado: páginas caudalosas de escândalos e desvarios, um solene desrespeito a datas históricas, e um monte de mentiras e historinhas mal alinhavadas para narrar esse enredo republicano de terror. Horror total.

    Saudações,

    Carlos Cazé.

  4. O golpe de 64 foi dado sob pretexto de que o país se tornaria um país comunista,
    como se Jango, Brizola, Darci Ribeiro e dos demais que compunham o governo fossem
    todos comunistas. Com exceção do Carlos Prestes, os comunistas sempre votaram contra
    o Brizola ao ponto de apoiarem o Moreira Franco para governador do Estado, preterindo
    o Darci Ribeiro.

  5. Essa bandidagem petralha sabotou o quanto pode o caminho de Brizola rumo ao comando do Brasil. Todo brizolista convicto sabe que o saudoso lider politico nunca foi comunista e que Brizola sempre teve o PT como uma espinha na garganta, impossivel de engolir. Meus cumprimentos ao Valmor por trazer as sabias palavras daquele 58. Associo-me aos demais colegas desta trincheira, em maioria, que reconhecem o valor do grande brasileiro Leonel de Moura Brizola. Sds

  6. Cazé, por duas vezes no governo João Goulart, Brizola pediu para ser nomeado ministro. A verdade histórica está registrada no livro de Moniz Bandeira “Brizola e o Trabalhismo”, escrito a partir de entrevista de 15 dias com Brizola no exílio. Goulart e Brizola estavam estremecidos e o general Assis Brasil procurou Brizola para um encontro com Goulart. O encontro foi no apartamento do general. Goulart manifestou o desejo de que Brizola viesse a participar do governo como ministro de Obras Públicas. Brizola ponderou que não tinha motivação para voltar a construir estradas como fizera no RGS. Goulart insistiu e Brizola acentuou que o mais importante era assegurar o apoio das Forças Armadas e o respaldo popular ao governo. Fez então uma contra-proposta: ele e Goulart escolheriam o novo Ministro da Guerra , um militar de confiança mútua. Empossado o Ministro em nome do Presidente daria posse a Brizola no Ministério da Fazenda. Goulart sorriu e perguntou quem seria o militar. Brizola disse que poderia indicar o Marechal Henrique Teixeira Lott. Jango desconversou.Quando o golpe estava em andamento em Abril de 1964 e Jango chegou em Porto Alegre RGS. Brizola que estava em Porto Alegre, de comum acordo com o General Ladário, sugeriu a Goulart nomeasse o General Ladário Teles Ministro da Guerra e ele Ministro da Justiça que tomariam todas as providências para defender a ordem constitucional. O General Ladário toma a palavra e diz que a parte legalista do 3° Exércio tinha a possibilidade de armar 90.000 homens e junto a Brigada Militar organizar a resistência e defender o Governo constitucional. Um outro general discordou dizendo: Presidente! Presidente!, por favor. Isso é loucura Ladário, faço apelo a tí Ladário, não pensar de maneira nenhuma em guerra. Goulart não quis o que lhe pareceu um sacrifício inútil, com derramamento de sangue do povo brasileiro. (Hélio Fernandes a quem respeitamos está a cima do bem e do mal. Goulart nunca teve encontro com Marinho que era um dos golpistas e seu jornal diariamente o combatia).

  7. iNFELIZMENTE estamos num brasil comandado por demagogos à muito tempo.Isto se dá nas tres esferas.O povo brasileiro ainda não aprendeu a votar. Getulio Dorneles Vargas só existiu um e Leonel de Moura Brizola também só um.Mentirosos e velhacos encontramos em todas as cidades brasileiras,

  8. Brizola é Moura e não Moro,um homem genuíno a serviço do país e não cooptado pelo Soros e aguinhas,desmontar em nome da moralidade que na verdade é pura corrupção maior do que qualquer corrupção do BR porque os nossos generais tão heróis e geniais como Bonaparte não conseguem ver quem é o verdadeiro inimigo,sei preferem bater em povo pobre e intelectual questionador do que no verdadeiro inimigo oligarquia do financial money não eé Villa-boas tão bom para ameaçar sserrá que ainda luta ou se esconde na arrogância da farda,Meu tio serviu ao Grande Geisel este foi um grande homem Vocês não passam de discurso vazio não vi citar o plano econômico do seu governo ele encarava os Usa o senhor apenas esconde atrás do padim ciço globo beleza,ameaçam os congressistas até concordo a maioria não passam de calhordas mas são fáceis de bater.

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