A VOLTA E A REVOLTA, A CONTINUAÇÃO DO SEMPRE

Helio Fernandes

A revolta veio primeiro, um sentimento permanente. A volta era e é obrigatória, mais do que um desejo permanente. Os apelos emocionais, a vontade dos que sinceramente confessam admiravelmente que mesmo discordando do repórter, querem vê-lo combatendo, bate no coração e na alma, inesquecível.

Não posso deixar de escrever, de me comunicar, de expressar o que sinto e que serve à coletividade. Sempre escrevi ao mesmo tempo em que dirigia jornais e revistas, mas pela periodicidade desses órgãos, geralmente semanais. Comecei trabalhando em revistas. Minha primeira grande missão jornalística foi “cobrir” a Constituinte de 1946, de onde surgiu a melhor e mais progressista Constituição brasileira.

Como “O Cruzeiro” era semanal, e não podia assinar várias vezes o mesmo nome, criei vários pseudônimos e fui repetindo. Repetição praticamente inútil, pois essa bela Constituição seria assassinada antes dos 18 anos, enterrada sem flores, sem emoção, sem saudade. É a História do Brasil.

Excetuando as proibições dos poderosos, não me lembro de ir dormir sem escrever, acordar sem ler. Mocíssimo, não podia passar sem isso. Mas a partir de 1956, quando não pensava ainda na “Tribuna da Imprensa”, passei a escrever diariamente no “Diário de Notícias”. Que tempos, que combates, que obrigação de se comunicar diariamente.

O diretor desse bravo jornal, o jovem João Dantas, (tão moço quanto eu) me dizia: “Helio, só gosto de ler você pela manhã, quando o jornal já está na rua”. Era o único dono de jornal (ainda não eram jornalões), que agia dessa maneira.

Ele ia ao jornal diariamente, mas não interferia em nada. O jornal defendia o interesse nacional, aí existia o grande espaço do trabalho jornalístico. Um dia (na verdade, uma noite), o grande jornalista Oliveira Bastos fazia um editorial, ligou para a sala de João Dantas, falou: “João, estou escrevendo, me veio uma dúvida”. E o Dantas, fulminante: “Em dúvida, consulte o interesse nacional”. E desligou.

***

PS – Em qualquer esquina da vida, lutar é obrigação e prazer. Faço isso desde que “descobri” o jornalismo, não posso parar, nem sequer interromper. Peço desculpas por essa revolta, como disse no título, mas se não fosse o protesto da revolta, não haveria a satisfação da volta.

PS2 – Peço desculpas e agradecimentos, mas com uma explicação: não parei por causa dos 31 anos da NÃO INDENIZAÇÃO, se fosse por causa disso, já teria parado há 20 anos, 15 anos, 10 anos, oportunidades não faltaram. (A indenização falta, e jamais será paga, não paremos a luta).

PS3 – E passemos ao trabalho, na véspera da eleição, exatamente em que a grande luta presidencial de Rui Barbosa, completa 100 anos, todos sabem que foi em 1910. Que programa, que projeto de governo, que compromissos. Talvez por isso não tenha sido eleito.

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