Abono de emergência e CPMF são duas curvas nas quais Paulo Guedes pode derrapar

TRIBUNA DA INTERNET | Com a CPMF, Paulo Guedes voa na nuvem da ...

Charge do Miguel (Charge Online)

Pedro do Coutto

O quadro político do país encontra-se confuso, principalmente em relação à política econômica executada a partir do ministro Paulo Guedes, em torno da qual surgem divergências e contradições até mesmo na estrutura do governo Bolsonaro. Um dos conflitos refere-se ao valor a ser aplicado sobre o auxílio de emergência, no sentido de reduzir a importância mensal, uma vez que a equipe ministerial está considerando impossível mantê-lo em 600 reais.

Surgem reclamações dentro do Palácio do Planalto e também no Congresso, porque alegam seus autores que é impossível manter o montante atual que representa 50 bilhões a cada trinta dias. Paulo Guedes propõe 200 reais e o deputado Rodrigo Maia considera melhor fixá-lo em 300 reais.

IMPACTO NEGATIVO – O fato é que, penso eu, depois de o governo fixar ajuda em 600 reais, diminuir o valor causará um impacto negativo. A hipótese da diminuição assinala uma provável perda de votos para o presidente que está se empenhando para reeleger-se em 2022.

Outra contradição encontra-se nas sombras que envolvem a criação da nova CPMF. O projeto de Guedes enfrenta resistência no Congresso, principalmente de parte do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. A impressão que dá é a de que, se Bolsonaro enviar tal projeto ao Legislativo, ele será derrotado. A derrota principalmente, é claro, será atribuída ao ministro da Economia e não ao presidente da República.

Pode ser que esteja oculta aí uma manobra destinada a forçar a saída de Paulo Guedes do governo, pois inclusive sua posição hoje não é a mesma daquela com que iniciou no governo.

DENTRO DO PLANALTO – Há adversários de Guedes dentro do Palácio, como aliás sempre acontece em matéria de influência no poder. Bolsonaro, por diversas vezes vem defendendo Paulo Guedes. Mas o fato da defesa se repetir é sinal de que está faltando solidez política.

Outra etapa que também coloca em risco Guedes é sua pressão para que não seja rompido o teto do orçamento. Isso porque há setores do Planalto que defendem a tese de que a contenção rígida nas despesas funciona negativamente no que se refere a imagem presidencial. Há cortes na saúde e na educação que são considerados excessivos.

Reportagem de Geralda Doca, Marcelo Correa, Manoel Ventura e Bruno Capetti, O Globo desta quarta-feira, focaliza bem o tema e o desencadeamento das pressões. Na Folha de São Paulo, Fábio Pupo, Bernardo Caran e Ricardo Della Coletta escreveram sobre a controvérsia nas áreas governamentai.

OUTRO ASSUNTO – Excelente o artigo de Alexa Salomão, Folha de São Paulo, a respeito do episódio terrível que atingiu uma menina de dez anos no Espírito Santo.

O artigo fixou de forma totalmente nítida a maldade e insensibilidade das pessoas extremistas que tentaram se opor ao procedimento perfeitamente legal realizado, tentando transformar a vítima em culpada.

Na verdade, o culpado foi o monstro humano.

3 thoughts on “Abono de emergência e CPMF são duas curvas nas quais Paulo Guedes pode derrapar

  1. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, Jornais Correio da Manhã, O Globo, Jornal do Brasil, Tribuna da Imprensa, etc, Programas de rádio Rádio Globo, Rádio Jornal do Brasil, etc, Pioneiro na Análise de Opinião Política por Pesquisas, Livros: ” O Voto e o Povo ” 1966, “Brasil – o fracasso do Conservadorismo” 1987, etc, Professor Universitário e que nos honra no TRIBUNA DA INTERNET, chama atenção que o Ministro da Fazenda PAULO GUEDES (71) pode derrapar em duas curvas: Abono de Emergência Covid-19, e CPMF ( Imposto Digital).

    Aparentemente perderá nos dois pleitos mas não “derrapará”. Ele é muito útil ao Governo BOLSONARO/MOURÃO como “espantalho” contra a indisciplina Fiscal, mesmo sendo Voto vencido como foi em tudo até agora.

    Seu Programa Econômico em linhas gerais buscava criar Superavit Primário já em 2021 vendendo +- R$ 1.000 Bi de Empresas Estatais/Mistas logo, fazer a Reforma Previdenciária de Repartição ( Pay as you go, como é hoje) para Capitalização tipo Chile, agora é contra “furar o Teto Orçamentário”, etc, mas a nosso ver, com razão, o Congresso fez tudo ao contrário e PAULO GUEDES continua numa boa.

    É que o Governo BOLSONARO/MOURÃO viu o que aconteceu na Argentina e faz o que é certo e necessário para não perder a re-eleição 2021.

  2. Não mais comentam sobre os desvios dos auxílios emergenciais!

    Quero saber como anda o processo de restituição dos desvios destes ?
    Os cruzamentos relacionados aos pagamentos dos auxílios emergenciais efetuados de 11 de julho indicam que 680.564 agentes públicos incluídos como beneficiários, sendo o rombo (ou roubo) de R$ 981,72 milhões.

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