Abramo defende um teto para doações eleitorais de empresas

Abramo diz que 30 empresas foram responsáveis por 50% das doações

Mariana Tokarnia
Agência Brasil 

O estabelecimento de um valor máximo para a doação financeira de empresas a campanhas eleitorais foi defendida pelo cientista social Cláudio Abramo, diretor executivo da organização não governamental Transparência Brasil. Na avaliação dele, proibir as doações levaria apenas a uma redução da transparência, uma vez que os valores continuariam a ser arrecadados, mas como caixa 2s.

Abramo foi o primeiro entrevistado da série Corrupção que está sendop exibida esta semana na TV Brasil. A série, com entrevistas ao vivo, é  apresentada no telejornal “Repórter Brasil”, a partir das 21h.

“Já que não se pode alcançar o ideal, que também tem problemas de natureza eleitoral, que traz a proibição do financiamento, vamos tentar o factível: estabelecer um teto acima do qual as empresas não possam doar. E um teto baixo”, defendeu Abramo.

Ele ressaltou que nas eleições de 2014, de acordo com as prestações de contas da segunda parcial, 30 empresas foram responsáveis por 50% das doações às campanhas dos partidos. “Isso dá um poder de fogo absurdo para essas empresas”, disse. “Ao longo dos últimos 13 anos, de 2002 a 2012, houve mais de R$ 600 milhões doados por empresas que estão metidas no caso Petrobras”, acrescentou.

PROIBIÇÃO

O ideal, para Abramo, seria a proibição para esse tipo de doação. Mas reconhece que isso “não deu certo em lugar nenhum. Não acaba com o interesse que existe das empresas em influenciar a política, nem com o interesse dos políticos de suplantar os adversários”. O diretor da Transparência Brasil concluiu que “isso não acontece agora, vem de tempo, tem um mecanismo de permissividade nessas doações eleitorais que vem de muito tempo”.

 

4 thoughts on “Abramo defende um teto para doações eleitorais de empresas

  1. Quanto a escândalo federal ,nesse mês fez 10 anos do caso Waldomiro Diniz / José Dirceu / Cachoeira. A jornalista que ‘estourou’ o caso pela Época foi tão perseguida pelo bloco fascita do jornalismo de aluguel petista que praticamente sumiu, pois as penas de aluguel são muito unidas pelas verbas estatais.
    (…)…Pivô do primeiro escândalo do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-assessor de José Dirceu na Casa Civil Waldomiro Diniz presta serviços para uma empresa brasileira em Angola.
    A convite do grupo Kapilongo, Waldomiro viajou ao país africano ao menos três vezes nos últimos anos. Em maio, ele foi condenado a 12 anos de prisão por corrupção passiva e crime contra a lei de licitações.
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    Waldomiro recorre em liberdade. Como não há decisão judicial que restrinja seus deslocamentos, ele está autorizado a viajar ao exterior até o desfecho do caso.
    O caso que provocou sua condenação veio à tona em 2004, com a divulgação de um vídeo em que Waldomiro pedia propina ao empresário Carlinhos Cachoeira.
    O escândalo deu início à série de acusações que levaram à queda de Dirceu e à denúncia do mensalão, hoje em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
    Em sua página na rede Linkedin, a Kapilongo lista, entre suas atividades, a prestação de consultoria a governos, elaboração de propostas governamentais e assessoria para a obtenção de empréstimos externos.
    A companhia, que diz ter entre 51 e 200 funcionários, atua ainda nos setores de comércio exterior, agropecuária, saúde, turismo e engenharia.
    Waldomiro foi convidado a prestar serviços para a empresa por Claudemir Pereira Pinto, presidente da Kapilongo e ex-prefeito de Guaraçaí, cidade paulista onde ambos nasceram.
    Investimentos
    Um dos maiores investimentos da empresa em Angola é o complexo agropecuário do Calonda, que ocupa área de 160 mil hectares na província de Lunda-Norte. O complexo visa produzir 100 mil toneladas de carne bovina ao ano, além de cereais, frutas e verduras.
    Outro investimento do grupo é a reforma de parte do sistema de captação, tratamento e abastecimento de água da cidade de Sumbe, capital da província de Kwanza-Sul.
    Em outra província, Lunda-Sul, a Kapilongo associou-se ao governo local na organização de um seminário para 85 gestores públicos, em maio. Segundo nota publicada na Angop, agência estatal de notícias, os funcionários foram orientados no evento sobre como se relacionar com o setor privado.
    Os laços entre Waldomiro e o presidente da Kapilongo, Claudemir Pereira Pinto, são antigos. Em 2004, após a eclosão do escândalo que o derrubou do governo, Waldomiro foi elogiado por Pinto na Folha de S.Paulo.
    Em entrevista ao jornal, ele disse que o conterrâneo havia sido “muito bom” para Guaraçaí, tendo atuado para liberar verbas públicas à cidade.
    Segundo Pinto, que foi prefeito de Guaraçaí entre 2001 e 2004, Waldomiro também intermediou a entrega de aparelhos para o hospital local e obteve patrocínio para uma festa do peão no município.
    Vídeo
    O vídeo que gerou a primeira crise do governo Lula foi filmado quando Waldomiro era presidente da Loterj, loteria do Estado do Rio. Nele, Waldomiro e Cachoeira discutiam o pagamento de propina e doações a políticos.
    À época, Cachoeira representava o consórcio Combralog, que ganhou contrato para o serviço de loteria online no Estado. Ele está preso desde maio, quando a Polícia Federal deflagrou uma operação contra o jogo ilegal.
    Na decisão em que condenou ambos os réus, a juíza Maria Tereza Donatti, da 29ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, diz que a negociação entre Waldomiro e Cachoeira “visava interesses pessoais e também de políticos que seriam beneficiados com as tais doações”.
    Em 2003, após deixar a Loterj, Waldomiro tornou-se subordinado de José Dirceu na Casa Civil, ao ser nomeado subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência.
    Em entrevista à revista piauí em 2008, Dirceu também mostrou-se interessado em prestar serviços de consultoria a companhias em Angola. Ele disse à jornalista Daniela Pinheiro que seu alvo era o setor de “infraestrutura: rodovias, telefones, telecomunicações”.
    ‘Serviços pontuais’
    Em nota à BBC Brasil, a Kapilongo afirma que Waldomiro “prestou serviços pontuais na área de organização da estrutura administrativa da empresa” em Angola.
    A companhia diz que as visitas de Waldomiro cumpriram todas as “formalidades exigidas nas legislações migratórias brasileira e angolana”.
    Segundo a Kapilongo, ele está no Brasil e não tem vínculo empregatício com o grupo. “Os trabalhos combinados foram concluídos e entregues”.
    O advogado Rafael Veloso, que defende Waldomiro, confirmou as informações. Segundo ele, seu cliente tem residência fixa no Brasil e, independentemente do desfecho de seu julgamento, não pretende deixar o país.
    Veloso diz ainda que Waldomiro compareceu a todas as audiências em que sua presença era requerida.

  2. No sistema político atual, onde os candidatos à ladrão do dinheiro público se elegem através das organizações criminosas chamadas de partidos políticos, deveríamos pelo menos tentar diminuir o valor dos “empréstimos” eleitorais, para ver se diminuem os juros sobre este “empréstimo”.
    Como está, custa demais aos nossos bolsos.

      • Em Capitalismo Social, onde proponho o fim dos partidos políticos, por desnecessários para a democracia em uma república, todo o financiamento tem que ser público.
        Pode ter certeza de uma coisa: esta modalidade de financiamento público sairá bem mais em conta do que o sistema atual, onde as empresas “doam” dinheiro para as campanhas e depois se ressarcem em dobro, mediante assalto aos cofres públicos, tendo o caminho aplainado para este fim pelos políticos por eles financiados.
        Sem contar, que além desse “financiamento” privado, ainda tem financiamento público direto, sem contar o indireto, estes valores que são desviados dos cofres públicos para a Suiça e outros paraísos fiscais.

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