Abrir uma dissidência, no fundo, não interessa ao PMDB

Pedro do Coutto

O vice-presidente da República, Michel Temer, também presidente do PMDB, vai desenvolver esta semana intensa atividade em Brasília – revela Simone Iglesias em reportagem publicada no Globo, edição de segunda-feira 3, – para manter a unidade partidária incluindo o posicionamento da legenda em torno do governo Dilma Rousseff. Vai se reunir com os senadores e deputados com mandatos renovados pelas urnas, num dia, e com 67 integrantes do Conselho Nacional do partido.

Michel Temer, conhecido por suas ações de equilíbrio, vai tentar harmonizar as correntes partidárias que se têm mostrado insatisfeitas com o espaço alcançado na estrutura do poder. As articulações, como não podia deixar de ser, vão incluir os governadores eleitos pela legenda. O PMDB, no momento, ocupa cinco ministérios. Como prova de sintonia com a presidente da República, Michel Temer anuncia o apoio ao anteprojeto de reforma política, mas com o afastamento do tema grato a uma facção do PT do controle da mídia em geral. Tal possibilidade – afirmou – encontra-se totalmente afastada.

Para conseguir manter o PMDB unido, Temer deverá colocar uma questão política essencial: a quem interessa abrir uma dissidência partidária? A ninguém, responde em termos lógicos. Uma ruptura parcial com o Planalto reduziria a importância do partido e nada acrescentaria aos dissidentes. O PMDB, no fundo, entraria numa posição de oposição a si mesmo. Nesse ponto frisa indiretamente que o movimento pela divisão inclui a candidatura do deputado Eduardo Cunha à presidência da Câmara em 2015.

A hipótese da dissidência será combatida também pela distância de quatro anos para as próximas eleições, o que distanciaria a sigla dos eixos que movem a administração federal, especialmente os voltados para os setores regionais, incluindo estados e municípios. Os dissidentes ficariam expostos a um longo isolamento dos efeitos mágicos do executivo que sempre pesam muito na hora das eleições. E 5.590 prefeitos vão ser eleitos em 2016.Além do mais, uma ruptura com Brasília não deixaria em boa situação os integrantes do PMDB junto aos governadores cujos pleitos dependem sempre, no final da ópera, do governo central.

UMA ENTREVISTA DE IMPACTO

Foi, sem dúvida alguma, uma entrevista de forte impacto do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, aos jornalistas Valdo Cruz e Severino Mota, publicada na Folha de São Paulo, edição de 3 de novembro. Gilmar Mendes sustentou que o STF não pode se converter em uma corte bolivariana, a propósito da perspectiva de governos do PT nomearem 10 dos 11 ministros da Corte, em decorrência das aposentadorias previstas, atualmente aos 70 anos de idade, caso não seja aprovado o projeto de emenda constitucional que eleva a aposentadoria compulsória no Serviço Público para 75 anos de idade. Gilmar Mendes, com 58, encontra-se longe da compulsória, mesmo permanecendo a que fixa a permanência até os 70.

Na entrevista, dirigiu críticas ao ex-presidente Lula por sua atuação na campanha eleitoral e também à presidente Dilma Rousseff, especialmente pela divulgação do discurso que fez na passagem de Primeiro de Maio. Gilmar Mendes manifestou temor em razão do critério a ser adotado para escolha dos futuros ministros até 2016, pela atual presidente da República, portanto.

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