Acabou a farra do boi no consumo: aumenta a inadimplência e os bancos começam a se preocupar

Carlos Newton

Já era esperado, porque a economia sempre avança como uma minhoca – se expande e depois se contrai. O aumento da inadimplência significa a contração. O problema maior são os cartões de crédito e os financiamentos de veículos e de eletrodomésticos.

Realmente, os consumidores foram às compras desvairadamente, assumindo prestações mensais com o orçamento já apertado. O atraso de 15 a 90 dias no pagamento de carros e nos carnês das lojas chegou a 8,1% e 8,6% em abril, respectivamente, retornando aos patamares do primeiro semestre de 2009, quando o mundo e o Brasil haviam sido afetados pela crise mundial.

O atraso em compras e em faturas vencidas nos cartões de crédito já ultrapassa R$ 100 bilhões. Em abril, 25,34% dessa bolada estavam vencidos há mais de três meses. O que torna mais dramático manter essa dívida sem quitá-la é que ela está custando em média de 10% a 11% ao mês em juros. Uma bola de neve que só beneficia os bancos, que ganham em todas as pontas, de todos os jeitos.

A diferença para 2009 é que, naquela altura, havia expansão do PIB em 7,5%, com perspectivas de crescimento da economia e da renda dos trabalhadores. Agora, o que chama a atenção dos economistas é o ritmo de aumento dos atrasos de 15 a 90 dias no pagamento de parcelas de empréstimos e financiamentos por pessoas físicas. Excluídos os financiamentos habitacionais, o calote saltou de 5,3%, em dezembro último, para 6,6% em abril.

Preocupados com o atraso constante no recebimento dos débitos, os bancos vêm aumentando, mês a mês, as provisões para cobrir eventuais perdas e evitar riscos de uma crise financeira. Pelos cálculos do Banco Central, essa reserva atingiu R$ 98,2 bilhões, o equivalente a 6% de tudo o que está emprestado a pessoas físicas (R$ 819 bilhões) e a empresas (R$ 957 bilhões).

A situação, portanto, está sob controle. Quem está mal, com dificuldades enormes para sair do vermelho, são os inadimplentes. Se não conseguiram pagar as prestações normalmente, como farão agora, com as multas e os juros que os bancos insistem em cobrar. É uma exploração sem fim, desumana e odiosa.

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