Acabou a novela. Palocci deixa o cargo, contra a vontade de Lula, porque a oposição já tinha praticamente conseguido número para convocar a CPI.

Carlos Newton

O anúncio foi feito após reunião no final da tarde com a presidente Dilma Rousseff. A nova ministra da Casa Civil será a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), uma surpresa, quando todos esperavam que fosse nomeado justamente o marido dela, o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações.

Em nota divulgada pelo Planalto, Palocci explicou que preferiu solicitar seu afastamento, porque “a continuidade do embate político poderia prejudicar suas atribuições no governo”. Boa desculpa.

Na verdade, o ex-presidente Lula queria garantir a permanência do ministro, mas estava forçando demais a situação, por falta de respaldo político, mesmo após a decisão do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de arquivar as representações da oposição.

A gota d’água foi o desprezo do próprio PT. Como se sabe, em almoço semanal, os senadores petistas  não aceitaram a proposta de Marta Suplicy, que pretendia divulgar uma nota de apoio ao ao ex-ministro.

Interessante notar que o governo Lula Rousseff já tinha dado por encerrado o caso do ministro Antonio Palocci. O ex-presidente Lula mandou que ele ficasse, mas como dizia Garrincha, o Planalto esquecera de combinar com os partidos de oposição, que devagarzinho estavam chegando na CPI do Palocci.

Ontem, os senadores Cristovam Buarque (DF) e Pedro Taques (MT), ambos do PDT, que é da base aliada, já tinham assinado o pedido, depois que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, arquivou os requerimentos de investigação encaminhados pela oposição contra o ministro.

Com Taques e Cristovam, chegaram a cinco o número de senadores da base governista que já assinaram o pedido de CPI, porque os senadores Ana Amélia Lemos (PP-RS), Roberto Requião (PMDB-PR) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) já haviam assinado o requerimento. As outras assinaturas são de senadores do PSDB, DEM e PSOL.

Com as novas adesões, a oposição tinha reunido até agora 22 das 27 assinaturas necessárias para que a CPI seja instalada. Como o senador Pedro Simon (PMDB-RS) prometera assinar o requerimento ainda hoje, caso a Comissão de Constituição e Justiça do Senado derrubasse os dois pedidos de convocação para que o ainda ministro se explicase no Congresso sobre as denúncias, ficaram faltando somente 4 assinaturas.

No entanto, era preciso contar mais um voto a favor, porque o senador Itamar Franco (PPS-MG), internado em São Paulo para tratamento contra leucemia, já prometeu assinar o pedido quando reassumir suas atividades no Senado. Ficaram faltando, portanto, apenas três votos.

Mas ainda há o chamado G-8 do PMDB, um grupo de senadores independentes do partido, e a expectativa é de que parte do grupo possa assinar o requerimento da CPI. Quer dizer, a CPI agora pode sair mesmo com Palocci fora do governo. E vai fazer um estrago.

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