Acende o sinal de alerta para o governo: capital externo reduz aplicações na Bovespa

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Charge do Quinho (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

No período de janeiro ao início de agosto, investidores estrangeiros retiraram 19 bilhões de reais das aplicações na Bovespa. Consequência clara da desconfiança, e que pode levar à incerteza quanto o projeto político do governo Bolsonaro. Reportagem de Juliana Machado e Lucas Hirata, no Valor de terça-feira, com base em exemplos anteriores, mostra que se trata de um sinal de alerta, consequência da falta de rumo definido pelas vacilações da política brasileira.

O período focalizado refere-se aos últimos sete meses. A matéria sustenta que esse processo superou até idêntico período de 1996.

EFEITO NEGATIVO – Esse sintoma, a meu ver, vai se refletir negativamente no projeto de privatização de empresas estatais, pois sem o capital estrangeiro a colocação de ações no mercado passa a ser menor. E, claro, dificilmente qualquer projeto de desestatização sofre as consequências de uma oferta menor no mercado financeiro, pois na época de crise a preocupação central dos investidores estrangeiros volta-se para diminuir sua participação no universo econômico do país.

Outro fato que destaca o temor foi a queda, embora pequena, dos negócios realizados no movimento de segunda-feira. A situação política funciona como um termômetro do mercado financeiro. As idas e vindas na esfera do Executivo causam o temor refletido nos negócios da Bovespa, provocando alta do dólar.

ALTERNATIVAS – A retirada de 19 bilhões de reais das aplicações acentua que capitais estrangeiros resolveram retornar a seus países ou então aplicar em outros mercados econômicos.

Sem a participação do capital externo torna-se particularmente difícil a oferta de novas ações no universo de negócios.  Isso porque se estrangeiros se afastam, dificilmente empresas nacionais poderão substituí-los.

É o caso da Eletrobrás cuja privatização foi anunciada para 2020 e terá como base um novo projeto de lei. Isso porque a Eletrobrás, segunda maior empresa estatal brasileira para ser privatizada necessita de lei aprovada pelo Congresso. O repórter Manoel Ventura, O Globo, focalizou os pontos que seriam os principais do processo de desestatização.

NOVAS AÇÕES – Ventura destaca que o governo teria que colocar novas ações no mercado, porém analistas vêm apontando redução nas disposições de empresas em assumir a participação majoritária no universo da estatal.  Por sua vez, terá de ocorrer um aporte muito grande de recursos financeiros, uma vez que Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul na realidade sustentam as posições da holding.

Com o lançamento de novas ações, qual seria o preço dessa privatização? Pessoalmente, penso que a subscrição de ações reduzirá o valor da Eletrobrás em matéria de sua presença no mercado acionário. A compra de ações vai conduzir o processo e poderá sair a custo zero para os compradores. Isso porque os que assumirem as ações passam a ser proprietários dos papeis a serem emitidos.

11 thoughts on “Acende o sinal de alerta para o governo: capital externo reduz aplicações na Bovespa

  1. Isso representa dizer que hoje está excelente para se fazer aplicações, pois as ações estão em baixa. Uma outra coisa, alegaram até isso para se forçar a mão para aprovarem o arroxo previdenciário no Brasil, acabou o problema, muda-se o foco mantendo a mesma desculpa? Tudo bem que o povo aqui nem se liga para isso, pois usa quase todo potencial cerebral no intuito de bolar mallandragens, mais do que trabalhar proativamente em relação ao bem comum. O problema que a regra não se aplica a todos e vai ter gente se irritando com a safadeza. Esse governo não acaba ano que vem e Guedes está sendo previsível demais. Pior! Pelo que disse em relação a CPMF, mostra que não vê gente, apenas números, que Bolsonaro consiga mantê-lo preso a sua coleira.

  2. O capital estrangeiro está saindo do país por causa da Argentina, é a desconfiança no ranço esquerdista da América Latina. Quanto ao aumento de capital da Eletrobrás, o governo pode aguardar o melhor momento adiando como inúmeras empresas fazem na BOVESPA. Por que omitir que a empresa dobrou de valor desde a eleição de Bolsonaro, saindo de 20 reais para 40 reais? A governança é tudo nas empresas, Estatal na mão de esquerdalha é chão, já com melhora nos processos (menos corrupção) o valor dobra.

    • As análises econômicas estão todas com viés ideológico fortíssimo. Está difícil entender a conjuntura pois cada “analista” puxa a sardinha para o seu lado.
      Como você bem colocou não se fala na valorização das estatais no período. São números irrefutáveis, mas que não são analisados.
      Desde outubro de 2018, quando ocorreu o primeiro turno e ficou clara a saída do sindical coronelismo do poder, a Eletrobras foi de R$ 15 para 40, a Petrobras de R$ 19 para 28 e o BB de R$28 para 44. Mas quem se importa com isso, não é? Com tanta fofoca política no ar e um oceano de fakenews à vista, por que não afundar cada vez mais o país? Afinal a elite política de todos os matizes tem dinheiro suficiente guardado para enfrentar qualquer temporal. E ainda pode se dar ao luxo de fugir para o exterior, não é Jean?

  3. VERDADE SEJA DITA, JUSTIÇA SEJA FEITA. Por burrice, fuxicos, fake-news e má-fé, o fato é que o Brasil perdeu o Trem da História. Foi no pós-Lula que o Brasil errou feio, direita, esquerda e centro a bordo, ao invés de pular para frente, para o futuro, fizeram o Brasil pular para trás, voltar ao passado. O Brasil não podia voltar para trás, tivessem o Lula, o PT e seus aliados o problema que tivessem, não podíamos regredir, estávamos prontos para dar o Pulo de Leão adiante dos EUA, da Ásia e até da própria Europa-mãe, já havíamos adquirido asas econômicas mais fortes que nos permitiam voar como Águia, como propunha e propõe a RPL-PNBC-DD-ME, o projeto novo e alternativo de política e de nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso, ou seja, o start e as turbinas que estavam faltando serem acopladas à Nave-Mãe para manter o Brasil voando como Águia por pelo menos mais 100 anos consecutivos, com paz, estabilidade e prosperidade, ao contrário dos costumeiros voos de galinha, mas o sistema político podre e seus cabeças de bagre, mercenários, oportunistas, aventureiros, aproveitadores, enfim a turma do famigerado “quanto pior, melhor”, puseram tudo a perder, infeliz e desgraçadamente. Ainda que pudessem ser apenas castelos construidos nos ares, no caso, o mais inteligente que tínhamos a fazer era colocar os alicerces sob eles e não a demolição. https://www.facebook.com/resistenciasempre/videos/383671205684104/UzpfSTEwMDAwMTA3MDQ4NTA2OTo5NTQ3MTg3MDQ4NjQ1MDU/?comment_id=954753271527715&notif_id=1566242926379173&notif_t=group_highlights

  4. O capital não tem pátria. Sua bandeira é o lucro. Onde ele é maior o capital se instala.
    No mundo inteiro é assim.

    Mas aqui é Brasil, onde alguns, em nome de um doentio patriotismo, não aceitam essa realidade.
    Resultado: 30 milhões de desempregados.

    Embraer anuncia investimento de R$ 120 milhões para expansão de unidade em SP
    Ampliação se deve à parceria com a Boeing; número de funcionários do centro irá triplicar, para mais de 4.000. ( Veja on line)

  5. O pós lula foi terra arrasada. Nos oito anos até 2010, o PT gastou ao invés de investir. Gastou na eleição da dilma, na bolsa-empresário com propinas como retorno, em investimentos superfaturados, PACs sem planejamento visando apenas dar dinheiro para as odebrechts da vida. Não investiu em uma estrutura logística funcional. Na educação de BASE. Em saneamento. Todo o bum das commodities com a entrada de sola da China no capitalismo foi para o ralo. Aí a conta chegou e por isso o impeachment. Lula não fez nada, apenas gastou por conta.
    Só cegos ou ingênuos ou ignorantes ou membros da seita laica para acreditarem nesta história da da carochinha .

    • É fato.
      Entre outras graves consequências desta política nefasta, que sempre pratica a esquerda, está o custo Brasil, que espanta investidores e, sem eles, não se cria empregos.

  6. Leão,

    Por favor, mas os entraves que impedem o nosso crescimento são muito mais administrativos que políticos!

    Vou te exemplificar:
    Inflação Elevada –
    Quantas perdas, no poder aquisitivo, o povo e as empresas perderam com os famigerados e incontáveis Planos Econômicos que tivemos para debelar esta chaga nacional?

    Juros extorsivos –
    Como termos um país desenvolvido e um povo em franco progresso, se os juros cobrados ao mês são maiores que a inflação de dois, três anos? Como sobreviver a isto?!
    Tirando a inflação, temos os juros mais altos do mundo!!!

    Gastos Públicos –
    Quando que o Brasil teve superávit de, a sua receita ser maior que as suas despesas, salientando eu o famoso “custo Brasil”?
    Quanto custa o poder Legislativo, claro, sem corrupção e roubos que os caracteriza?
    Quanto que o País gasta em açúcar, cafezinho, copos de plástico nas repartições, tens ideia?

    Carga Tributária –
    Como que poderemos nos desenvolver com uma carga tributária que beira 40% do PIB??!!
    O brasileiro deve trabalhar durante seis meses para pagar os impostos que são cobrados implacavelmente. Desenvolver-se de que maneira??

    Investimentos Baixos –
    Quanto que o Brasil investe em si mesmo?! Nada! Não sobra um tostão para essa finalidade.

    Estrutura Tributária Complexa –
    O Brasil tem mais de 60 tributos! Só no ICMS há 27 legislações diferentes??!!

    Infraestrutura Deficiente –
    Rodovias em péssimo estado; ferrovias inexistentes; portos ruins; aeroportos insuficientes e com pistas de voos ultrapassadas; transporte que roda em cima de pneus tão somente, avançar como?

    Burocracia –
    Tens ideia da maratona para se abrir uma empresa? Certidões, atestados, tarifas, taxas, permissões, licenças …

    Corrupção –
    O maior limitador de desenvolvimento que temos, pois os roubos praticados são desviados das verbas que teriam como destino o serviço público, dificultando e estagnando a Economia.

    Educação – Não tem país que se desenvolveu sem dar um grande salto na educação. Desde o ensino básico até a universidade”
    (Emerson Marçal, da FGV-SP)

    Logo, o verdadeiro trem da história que perdemos Leão, foi quando Brizola fez os CIEPS e nossos “políticos” não lhes deram sequência por inveja, despeito, por serem traidores da Pátria, por serem reles ladrões!

    Não haverá sistema político e econômico que dará jeito nesta nação, se o nosso Ensino não tiver o interesse de nossos governantes, e não houver investimentos adequados à sua importância e necessidade!!!

    O resto é conversa mole para boi dormir ou, como diz um amigo meu, e intelectual:
    “Não me venhas com metáforas flácidas para acalentar bovinos!”

  7. Nesse áudio do Portal Rubem Gonzalez ele fala sobre a não chegada do Capital externo para o Brasil que muitos liberais enganaram dizendo que viria

    Neste vídeo, abordamos o sequestro do ônibus da linha 2520 e o abate do sequestrador por um sniper. Também desnudamos a farsa das privatizações do governo Bolsonaro. Dois temas polêmicos num dia só.

    https://www.youtube.com/watch?v=l4Sfh4vJFew

  8. O arrocho previdenciário que vem aí com a PEC 06/2019 irá piorar muito a situação dos brasileiros e da economia nacional, como aconteceu também com a contrarreforma trabalhista, sobre a qual diziam que seria capaz de gerar milhões de empregos. O governo Bolsonaro está desmontando o sistema de seguridade social em um momento de risco de grave crise financeira mundial. A Argentina, cujo governo aplicou programa econômico semelhante ao de Paulo Guedes, antecipa o que pode acontecer no Brasil. Além de crescimento medíocre e do empobrecimento da população, a instabilidade financeira tornou a situação dramática no país vizinho. https://dialogosdosul.operamundi.uol.com.br/america-latina/60074/politica-de-guedes-e-bolsonaro-e-pior-do-que-a-de-macri-que-arruinou-economia-argentina

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