Aceno peemedebista de apoio futuro a Marina

Carla Kreefft

O processo eleitoral mudou com a entrada da ex-senadora Marina Silva, que assume a segunda colocação nas pesquisas de intenção de voto com jeito de primeira. Já com uma boa vantagem em relação a Aécio Neves, o terceiro colocado, Marina já está tecnicamente empatada com a presidente Dilma Rousseff e, em um segundo turno, ganharia a eleição.

As mudanças aconteceram de forma muito rápida após a morte de Eduardo Campos. Em meio às oscilações do quadro eleitoral, está o PMDB cumprindo rigorosamente o papel que sempre quis cumprir. O partido, por meio de seu principal nome, o vice-presidente Michel Temer, que é candidato à reeleição na chapa petista, fez uma defesa contundente de Marina Silva. De acordo com Temer, não é preciso atacar a ex-senadora de forma agressiva. Pelo seu discurso, ele quer uma desconstrução piedosa da adversária. Como seria isso? Talvez nem ele mesmo saiba. Mas, para ele e o PMDB, era importante dizer o que foi dito.

Em outras palavras, seu partido estaria fazendo um agrado à concorrente mais próxima e mais ameaçadora. O motivo dessa articulação não é muito difícil de ser identificado, embora pareça que o PT não viu nem ouviu nada. Os petistas e a presidente Dilma Rousseff não disseram, até o momento, uma só palavra a respeito do posicionamento de Temer.

PMDB COM MARINA?

O PMDB é um partido fundamental para qualquer governo eleito no Brasil. Ele é a garantia da governabilidade, seja isso ruim ou bom. O PSDB de Fernando Henrique Cardoso precisou e contou com o PMDB e, quando dele tentou se desvincular, não conseguiu bons resultados. O PT também contou com os peemedebistas e ainda continua a contar, especialmente nesta disputa eleitoral. O apoio do PMDB garante ao governo federal aprovação de matérias de seu interesse e a adesão de prefeitos e vereadores – os que fazem efetivamente campanha no interior dos Estados.

O aceno de Temer para Marina Silva pode ter uma motivação bem-definida. O partido está dizendo, de forma pública, que está à disposição da ex-senadora e do PSB – não agora, mas depois da eleição. E também está claro que Marina, caso eleita, vai precisar mesmo do PMDB. O partido em que Marina está abrigada, o PSB, não tem uma grande estrutura e precisará desse respaldo mais do que PSDB e PT já precisaram.

Como essa possível aliança vai acontecer é uma incógnita. Será que a parceria com o PMDB faz parte da nova política de Marina ou será que ela pretende convidar os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso para seus ministérios? Ela sobreviverá politicamente sem Renan Calheiros e a família Sarney? São questões a que ela precisará responder. Governabilidade é coisa séria, e o PMDB sabe muito bem se utilizar disso. (transcrito de O Tempo)

6 thoughts on “Aceno peemedebista de apoio futuro a Marina

  1. Resumindo, o PMDB é o maior responsável pelo toma lá, dá cá.
    A política “nova” de Marina Silva, vai sair pelo ralo, será obrigada
    a aderir a política velha. Esse, é o sistema vigente.

  2. Exatamente. O partido da boquinha já busca manter sua parte nos milhões de cargos públicos existentes apenas para fins eleitorais. Aliás, nem são cargos, são apenas espaços à serem preenchidos enquanto o percentual não alcançar o teto da Lei de Responsabilidade Fiscal.
    Se aumentarem os impostos e com isto aumentar a arrecadação, abre mais espaço para encostar nas folhas de pagamento mais alguns parentes e amantes, sem contar os cabos eleitorais, amigos e filiados dos partidos da base enlameada.

  3. No Brasil, a alternância no poder vem asssim se sucedendo – quando depende exclusivamente da vontade popular (coisa difícil de acreditar) – quem é situação vigente, agoniza no efeito colateral da corrupção praticada. Quem concorre paralelo na oposição, colhe dividendos; forjando o papel de antidoto. Amanhã, a oposição no governo também vai-se afogar em sua própria overdose. Então, para desalojar esta última do poder, deverá surgir um antidoto ainda mais polivalente. Seguindo uma sequência de Fibonacci ou uma CASCATA de Carlinhos CACHOEIRA……………

  4. Esta pedra eu já tinha cantado que o PMDB do Sarney, Renan, Lobão e outros, faz parte do Poder desde 1985.

    Só se alia ao vencedor. Se Aécio subir nas pesquisas logo, logo, o PMDB vai mandar emissários para negociar um Joint Venture com o PSDB.

  5. Se vencedora, Marina pode perfeitamente fazer aliança com o PMDB, mas terá necessariamente de aceitar o concurso de Renan, Sarney, Romero Jucá (este já fez discurso intrigante no Norte do País) e outros do mesmo quilate? Será obrigada a se compor com os piores ou pode realizar uma triagem e acolher os melhores dos diversos partidos? Gostaria de saber. Dizer que o PSB não tem quadros é afirmar o óbvio, assim como o PT não tinha e privilegiou seus “boquinhas” e “bocudos” e deu no que deu.

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