Acima do frio, Dilma entrou numa ‘fria’

Carlos Chagas

Terá sido o frio de menos 17 graus centígrados a causa da antecipação da viagem da presidente Dilma, de Moscou para o Brasil? “Me engana que eu gosto” parece a única conclusão lógica para as informações transmitidas da capital russa, no sábado, por jornalistas que acompanhavam a comitiva brasileira. A verdade é que acima do frio, a presidente entrou numa “fria”.

Sacrifício inútil…

Se tinha algum assunto de Estado a tratar com Vladimir Putin, desiludiu-se e por isso mandou preparar o avião para decolar de volta no sábado, quando tudo estava preparado para domingo. Supor que não sabíamos da temperatura nas estepes, nessa época do ano, equivale a reprovação em Geografia de toda a comitiva presidencial.

Acima da volta à importação de carne brasileira, proibida e mantida pelos russos; além da suposta compra de minguados quatro helicópteros daquele país; mais importante até do que mal-sucedidos entendimentos entre empresários brasileiros e seus correspondentes russos, que deram em nada – a viagem foi um fracasso. Perda de tempo, além da oferta por nossos anfitriões de um tratamento tão gélido quanto marcavam os termômetros na capital do extinto Império Soviético.

A fatura certamente vai parar no Itamaraty, no gabinete do ministro Patriota, com sobras para a Abin, mas na verdade os russos surpreenderam, mostrando-se mais arrogantes do que seus antecessores dos tempos do governo bolchevista. Ex-agente da KGB, o presidente Putin mais pareceu o Czar de Todas as Rússias. Demonstrou pouco ou nenhum interesse em relacionar-se de modo especial com o Brasil, talvez para ele uma espécie de Bolívia ou Paraguai ao quadrado.

Fica a lição para a segunda metade do governo, a iniciar-se dentro de uma semana. Torna-se necessário selecionar melhor as incursões pelo exterior. Saber previamente no que vão dar passeios muitas vezes inócuos, insossos e inodoros. Nosso horizonte em política externa situa-se bem mais perto, aqui na América do Sul. Onde, por sinal, existe neve ao longo de toda a Cordilheira.

###
MINGAU DE ARARUTA

Para ficar no relacionamento Brasil-Rússia, é bom lembrar uma historinha que se não tiver sido verdadeira, pelo menos poderia.

Quando da coroação do Czar Nicolau II, o Imperador D. Pedro II mandou significativa representação nacional para homenagear aquele que seria o último déspota coroado das estepes. Na fila dos cumprimentos, um barão brasileiro gaiato comentou com um general ingênuo que os idiomas eram tão díspares que Sua Majestade não entenderia nada do que ele falasse, prestando-se a ocasião para desopilar o fígado. Diante do Czar, sob as rígidas regras do protocolo, falou: “Parabéns, “seu” Nicolau. Quer mingau?”

A resposta veio fulminante: “Só se for de araruta, seu filho da puta”. Dominando diversas línguas, o Imperador russo também sabia português e tinha bom humor…

###
CASA DA MÃE JOANA

O indiciamento pelo Ministério Público da nova quadrilha descoberta pela Polícia Federal serviu para saber que transitava pelo gabinete da Presidência da República em São Paulo um tal Paulo Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas e um dos cabeças da lambança da venda de pareceres e de tráfico de influência, agora revelada. Esse novo personagem tinha livre acesso às instalações paulistanas vinculadas ao palácio do Planalto, marcava entrevistas, recebia clientes e despachava na sala onde eventualmente compareciam o ex-presidente Lula e a presidente Dilma, além de alguns ministros paulistas.

Convenhamos, o que era público virou privado…

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *