Acirramento da luta contra o Islamismo agora é inevitável

Na Alemanha, as manifestações se radicalizam

Carlos Newton

Muitos analistas têm considerado o bárbaro atentado contra o jornal satírico Charlie Hebdo como uma gravíssima ameaça à liberdade de imprensa. Outros vão além e acham que é a liberdade de expressão que está em jogo. E agora surge a tese lançada por meu amigo Arnaldo Bloch em O Globo, ao afirmar que o ataque em Paris deve ser encarado como uma ameaça à liberdade em si.

É claro que as três teses estão corretas e a situação merece reflexões sob vários pontos de vista, inclusive acerca da geopolítica internacional e do espantoso crescimento do Islamismo no mundo, motivado pelo rigor da tradição religiosa, que não admite nenhuma forma de controle da natalidade, a não ser a abstinência.

O resultado é que na França, por exemplo, onde os muçulmanos já são 5% da população total e 30% dos jovens até 20 anos, a previsão é de que em poucas décadas cheguem a ser a maioria do povo francês. É um fenômeno natural, porque cada francesa tem hoje média de apenas 1,8 filho, enquanto as imigrantes islâmicas chegam a 8,1 filhos.

QUESTÃO POLÍTICA

O fato é que a França colonizou e explorou várias nações muçulmanas, cujos habitantes passaram a ter direito a passaporte francês. A imigração em massa, por óbvio, deveria ter sido prevista. Não foi. E agora fica difícil de mudar essa situação, que afeta a França de forma expressiva, aumentando o desemprego e criando fortes tensões sociais em bairros periféricos, que se transformaram em verdadeiros guetos. O resultado é o fortalecimento do ultraconservadorismo da família Le Pen, que prega descaradamente o racismo.

O atentado ao jornal Charlie Hebdo ocorre justamente quando está crescendo o movimento contra a islamização da Europa. Por óbvio, terá como principal consequência o acirramento dessa preocupante mobilização, que há anos vem se desenvolvendo, especialmente na Alemanha, na França, na Inglaterra e na Suécia.

Ao mesmo tempo, o reacionário Estado Islâmico avança no Iraque e na Síria, dois países que, assim como a Líbia, se encontravam em processo de ocidentalização até serem massacrados por ataques comandados pelos Estados Unidos, direta ou indiretamente.

Em meio a esse quadro, não há dúvida de que radicalismo dos fundamentalistas muçulmanos se transformou numa ameaça ao mundo. É isso que deve ser discutido e não apenas o significado do brutal ataque ao jornal parisiense.

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LEIA AMANHÃ: Guerra Santa dos radicais islamitas está apenas começando

19 thoughts on “Acirramento da luta contra o Islamismo agora é inevitável

  1. Quem jogou um balde de gasolina no fogo foi George W. Bush quando falou em 2002 de uma nova “Cruzada”.

    Às vésperas da guerra do Iraque, George W. Bush falou de uma “Cruzada”. Obviamente ele estava mais do que satisfeito consigo mesmo por ter pensado em tal palavra de efeito. Mas foi rapidamente silenciado pelos assessores, que lhe ponderaram ter a palavra “Cruzada”, para o mundo muçulmano, infelizes conotações. Após o reparo, o termo prontamente saiu de seu vocabulário. Mas, ficou na memória do mundo muçulmano.

    A razão por que a palavra “Cruzada” tem tais associações negativas no Oriente geralmente não é apreciada, porque muito poucas pessoas se deram ao trabalho de estudar as cruzadas. Para a maioria, inclusive os atuais ocupantes da Casa Branca, são lembranças vagas de retalhos de filmes, onde elas são apresentadas sob uma luz fascinante e romântica, demonstrando a mais alta expressão do cavalheirismo cristão. A realidade é bem diferente, porém.

    A selvageria dos cruzados contra os “infiéis” excedeu todos os limites naturais. No decorrer de um sítio eles assaram prisioneiros muçulmanos, inclusive crianças, em espetos e devoraram-nos. Tais estórias têm-se narrado frequentemente em tempo de guerra com o propósito de enlamear o nome dos inimigos. Acontece, no entanto, que esta é verdadeira. E o papa de Roma abençoou esta carnificina de inocentes e concedeu pleno perdão àqueles que a perpetraram.

    • O policial morto era muçulmano, foi um muçulmano que escondeu as pessoas no congelador, no mercado judeu, para que elas não se tornassem reféns. Por isso, quando estou em SP, adoro ir a 25 de março, ver os judeus e os árabes tomarem umas e outras juntos e contando piadas ‘politicamente incorretas’ !

  2. Desde que o mundo é mundo, a violência tem sido a forma mais comum de se resolver questões pendentes.
    A lei do mais forte, é a essência de todos os recursos, que a natureza pôs a disposição dos seres vivos.
    Quando se observa a flora e principalmente a fauna, nota-se que apenas os humanos, ditos racionais, tem
    normas que não contemplam os mais fortes individualmente, mas os que formam as maiorias, na presunção de que unidos
    sejam mais poderosos, dai novamente passa a valer a lei do mais forte, mesmo que seja pela quantidade.
    Penso que a questão muçulmana, tem menos a haver com o expansionismo do Islã e mais com a deterioração
    dos costumes e das tradições ocidentais.
    As maneiras modernas de se viver, quebrando tabus milenares, que em muitos casos obrigam as maiorias
    a aceitar certos preceitos, impostos por minorias barulhentas e que levam muitos a flertar com certas ideologias estranhas.
    A própria França que pegou em armas para vingar os cartunistas mortos, foi a mesma que a pouco tempo
    atras, proibiu o uso do véu islâmico nas escolas. Esta peça do vestuário, faz parte da indumentária das mu-
    lheres muçulmanas. Porém o mesmo governo frances, não criou qualquer condição para que as tais charges ofensivas, fossem pelo menos mais suaves e não tivessem aquela agressividade toda. Não fizeram em nome de uma tal liberdade de expressão, mas que na verdade expressava mesmo era o sadismo explícito nos tais desenhos.
    Bem, véu em mulher é perigoso, charge pornográfica e ofensiva, não. Agora assumiram guerra declarada
    contra os muçulmanos. Foram buscar na Africa e Oriente médio, a mão de obra barata que construiu seus
    progressos, agora em tempos de vacas magras, querem se ver livre do fardo, que cresceu bastante e não sabem onde descartar. Esta “lambança” promete.

    • “A França pegou em armas para vingar…”
      Pensei que a ação policial , normal em qualquer parte do mundo, foi feita para deter os assassinos.
      “A França proibiu o véu…”
      Pensei que nas escolas de todo o mundo se faz isto.
      Na África mais de 200 igrejas católicas foram destruídas pelos radicais muçulmanos co, centenas de mortos.
      “A França foi buscar na África…”
      Pensei que os imigrantes vem por conta própria.

      • Nenno G,
        Abordagem correta e no peso certo.
        Intromissão em culturas sempre gera retalhações.
        Que cada povo corrigia seus erros, aprofunde suas discussões e encontre os melhores caminhos.

  3. A coisa é complexa como todos já sabem. Mas mesmo os moderados, professores e analistas muçulmanos, sempre lembram das guerras do ocidente cristão contra eles, dando a entender serem vítimas de uma guerra religiosa.
    Esquecem que dominaram grande parte da Europa por séculos. Cometeram as mesmas barbáries que atribuem aos ocidentais como a escravatura que praticam até hoje, etc.
    Também se esquecem que ainda a pouco o ocidente democrático com Bill Clinton salvou os muçulmanos bósnios na guerra em que os sérvios estavam fazendo limpeza étnica.

    Ontem no Globo Painel com William Waak ele mostrou uma pesquisa feita na Alemanha, reino Unido e França em que mais de 50% da população acham que os muçulmanos não se adaptam ao sistema democrático ocidental.

  4. Aqui no Rio, RJ, o bairro conhecido como Saara (Sociedade dos Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega) tem comerciantes judeus e árabes, de diversas nacionalidades e brasileiros trabalhando pacificamente. E como hoje é domingo, vou falar de um livro pacifista, de uma linhagem pacifista do Islã, os Sufis, o título é “Os 99 nomes de Deus no Alcorão”, do francês Gabriel Mandel, 276 páginas, editora Vozes, 1999. Detalhe, a Vozes é uma editora católica, franciscana. O capítulo 6, página 31, informa que um dos nomes de Deus “é alSalamu = a Paz”… entendendo-se por Paz Absoluta antes e depois da Criação.

  5. Mudando de assunto:
    Para aqueles da nossa esquerdinha saudosos da URSS como Santayana, por exemplo, macacas de auditório de Putin e que acham a Rússia uma maravilha, aqui vai mais uma a qual eu dedico à esquerdinha Laerte.

    Rússia proíbe transsexuais de dirigir

    Nova lei também classifica fetichismo e voyeurismo como ‘desordens mentais’

    (VEJA on line)

    A Rússia incluiu transsexuais e transgêneros entre os grupos não autorizados a tirar licença para dirigir. A nova regra também cita fetichismo, exibicionismo e voyeurismo como “desordens mentais” que impedem alguém de dirigir. A justificativa dada pelo governo é que o país tem muitos acidentes nas estradas, por isso é necessário reforçar os controles médicos de motoristas.

    O anúncio ocorre depois de o país ser criticado por implantar uma lei, em 2013, proibindo a “propaganda gay” para menores de 18 anos. Os ataques a homossexuais são manifestações frequentes de intolerância na Rússia de Vladimir Putin. O governo aceita e reforça a discriminação. A Associação Russa de Advogados pelos Direitos Humanos classificou a regulamentação ligada aos motoristas de “discriminatória”. À agência britânica BBC, disse que vai pedir esclarecimentos na Corte Constitucional e buscar apoio de organizações internacionais de direitos humanos.

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    Mikhail Strakhov, um especialista em psiquiatria da Rússia, disse à emissora que a definição de “distúrbios de personalidade” é muito vaga na nova lei. Além disso, alguns distúrbios não afetam a capacidade de uma pessoa para dirigir com segurança.

    O sindicato de motoristas profissionais do país apoiou a nova regra. “Temos muitas mortes nas estradas e eu acredito que reforçar as exigências médicas para os candidatos é totalmente justificado”, disse o chefe da associação, Alexander Kotov. Ele acrescentou, no entanto, que as exigências não devem ser tão severas para motoristas que não dirijam profissionalmente.

    PS. Há pouco na maravilhosa Rússia, foi proibido blogs com mais de 3000 frequentadores.
    Que país! ……… maravilhoso

  6. Nenno G e Bendl: Você está certissímo Nenno no que escreve, e você Bendl corretíssimo também em concordar, considerando irretocável e irrepreensível o que foi escrito por Nenno. Naturalmente que nenhum de nós concorda com violência, venha de onde vier. Mas um jornal dirigido por um judeu divertir-se ou fazer outras pessoas divertirem-se achincalhando a imagem do profeta Maomé, inclusive colocando-o nú e de bunda para cima é criar um clima de hostilidade perigosa. Na verdade França, Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha (de maneira subsidiária), são os responsáveis pela tal “Primavera Árabe” que teve por desiderato neutralizar, principalmente Líbia e Síria para enfraquecer o Irã, fortalecendo Israel. Estados Unidos, Inglaterra e França praticaram um “latrocínio internacional” contra a Líbia, matando Kadaffi e se apossando de suas riquezas, petróleo, gáz e também um dos maiores “aquíferos” do mundo encrustado na Líbia, Niger e Egito. Na Síria não deu totalmente certo em razão de Assad que é um homem culto, valente ter como aliado a Rússia, que impediu que a Síria fosse arrazada pelos Estados Unidos, Inglaterra e França. Mesmo assim a Síria teve que desfazer-se de seu arsenal químico e ver-se envolvida em uma guerra, que qualquer que seja o resultado a deixará arrasada podendo inclusive perder parte de seu território. Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha estão sofrendo o reflexo da tal “primavera árabe” por eles idealizada que agora volta-se contra eles.

    • Aquino,
      Certamente os terroristas são orientados em seus atentados, que não são fortuitos.
      Portanto, mesmo que de forma amena, existe um componente político por trás, e não somente religioso.
      Analisar o ato sem a devida profundidade contra o Charlie em razão de suas charges ofensivas somente, é menosprezar os acontecimentos que envolvem os árabes de maneira geral, tanto em seus países quanto fora deles.
      E não se percebe movimentos que possam reunir a Liga Árabe com os europeus, e traçarem linhas de convivência pacífica, tolerância, compreensão, sob pena de a Europa se transformar em uma frente de batalha, haja vista que, no Oriente Médio, o cotidiano é este, de refregas, revoltas, assassinatos, perseguições …
      Ora, levar um pouco desta intranquilidade e insegurança para os países que citaste, Aquino, os terroristas pulam e dançam de faceiros diante da possibilidade de ampliarem as zonas de conflito, exatamente o que desejam diante do pensamento que comungam de estarem em uma Guerra Santa.
      Saudações, Aquino.

  7. Senhores,
    Vejam esta manchete de hoje:

    “LÍDERES MUNDIAIS COMANDAM MARCHA SILENCIOSA EM PARIS
    Mais de 40 políticos comparecem a evento que reúne centenas de milhares em solidariedade às vítimas dos recentes atentados na capital francesa. Ministros do Interior discutem novas medidas de segurança.
    O presidente da França, FRANÇOIS HOLLANDE, e outros líderes iniciaram a caminhada de braços dados e cercados por enorme aparato de segurança. A chanceler federal da Alemanha, ANGELA MERKEL, o premiê britânico, DAVID CAMERON, e o primeiro-ministro italiano, MATTEO RENZI, estavam entre os 44 líderes presentes.
    Também participaram o secretário-geral das Nações Unidas, BAN KI-MOON, e os líderes de Israel, BENJAMIN NETANYAHU, e da Palestina, MAHMOUD ABBAS.”
    Fonte: DW

    -Todos eles falam em PAZ durante o dia e, à noitinha, estarão matando homens, mulheres e crianças sob bombas de última geração! Tecnologia de ponta à serviço da morte! Tivessem deixado o Oriente Médio em paz, isso não teria acontecido.
    -Não passam de CARNICEIROS! Só faltaram convidar o Bush.

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