“Acorda, patativa, vem cantar”- dizia Vicente Celestino, arrebatando corações apaixonados

Vicente Celestino, um ídolo de voz linda e poderosa

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor (tenor), ator e compositor carioca Antônio Vicente Felipe Celestino (1894-1968) lançou um estilo caracterizado pelo romantismo exacerbado, comovendo e arrebatando um grande público durante a primeira metade do século XX, através do teatro, do rádio, de discos e do cinema nacional. Esta característica do romantismo embeleza a letra de “Patativa”, valsa de Vicente Celestino gravada pelo próprio, em 1937, pela RCA Victor. O nome “Patativa” acabou por criar um neologismo, pois, a partir dele, o termo “patativa” passou a ser atribuído às pessoas de bela voz.

PATATIVA
Vicente Celestino

Acorda patativa, vem cantar
Relembra as madrugadas que lá vão
E faz a tua janela o meu altar
Escuta a minha eterna oração
Eu vivo inutilmente a procurar
Alguém que compreenda o meu amor
E vejo que é destino o meu sofrer
É padecer, não encontrar
Quem compreenda o trovador

Eu tenho n’alma um vendaval sem fim
E uma esperança que hás de ter por mim
O mesmo afeto que juravas ter
Para que acabe este meu sofrer
Eu sei que juras cruelmente em vão
Eu sei que preso tens o coração
Eu sei que vives tristemente a ocultar
Que a outro amas, sem querer amar

Mulher, o teu capricho vencerá
E um dia tua loucura findará
A Deus, a Deus, minha alma entregarei
Se de outro fores, juro morrerei
Amar, que sonho lindo, encantador
Mais lindo por quem leal nos tem amor
E tu tens desprezado sem razão
A mim que choro e busco em vão
O teu ingrato coração.

7 thoughts on ““Acorda, patativa, vem cantar”- dizia Vicente Celestino, arrebatando corações apaixonados

  1. Se procedessem uma enquete de rua, perguntando o estado de origem do proprietário desse gogó brontófono, creio que por volta de 90% dos entrevistados diriam que ele era gaúcho.

  2. O Ébrio, outra canção do cantor, canta a história de um homem que se entregou ao alcool e se tornou homeless por causa de uma mulher. A Patativa é outra demonstração de mau gosto e de fraqueza. Não vejo poesia em choro.

  3. 1) Ouvia na antiga Rádio Nacional do RJ, o citado cantor e compositor.

    2) Memória: em 15 de maio de 1908, nasce em Engenópolis, MG, o poeta e ensaísta Guilhermino Cesar, autor de Arte de Matar, publicado em 1969.

    3) O registro está na Agenda Permanente da Literatura Brasileira, lançada pela Biblioteca Nacional em 1993.

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