Acuado pela própria incompetência, Jair Bolsonaro sobrevive de blefes e mentiras

Charge do Duke (domtotal.com.br)

Marcelo Copelli

Diante da pressão que recai sobre o governo federal, Bolsonaro, mais uma vez, apelou para a ameaça travestida pelo blefe da cínica ironia, e declarou que “quem decide se um povo vai viver numa democracia ou numa ditadura são as suas Forças Armadas”.

O presidente se esforça, com as suas ralas cortinas de fumaça e o seu incipiente discurso, para desviar a atenção do fracasso no qual está atolado, protagonizando uma gestão cujo semblante se reconhece, até mesmo internacionalmente, pela absoluta falta de competência que traça os seus caminhos.

NEGACIONISMO – Descendo a ladeira, Bolsonaro, o defensor da cloroquina, fez questão de configurar-se como um dos poucos e infelizes exemplos em todo o mundo que, durante a crise sanitária, optou não somente pelo negacionismo, mas, sobretudo, pelo deboche e pelo descaso, lavando as mãos e remando contra a imperativa e cruel realidade instaurada pela falta de estrutura da saúde pública, que sempre demandou urgência, rubricada pelas milhares de mortes e pelas covas abertas.

O presidente nunca se responsabilizou por qualquer desventura. Sempre teve o nome dos “culpados” na ponta da língua, acusando e descartando ministros “desalinhados”, colocando na conta do Supremo e do Congresso, ou mesmo jogando no colo da imprensa. 

EVOLUÇÃO DA “GRIPEZINHA” – Segundo Bolsonaro, a pandemia era uma “gripezinha”, que  passou a ser uma invenção da oposição para derrubá-lo e depois se tornou uma conspiração comunista internacional que matou milhares de pessoas somente para atingi-lo, refletindo a grandeza que julga possuir o nosso esboço de Donald Trump tupiniquim.

Fica a dúvida se as narrativas presidenciais são frutos de sua criatividade, se representam um caso patológico, merecedor de estudo ou internação, ou ainda se simplesmente refletem a insensibilidade do falso Messias sobre as demandas da população.

REALIDADES OPOSTAS – Assistir ao mandatário comemorar a possibilidade de estudos de novas vacinas serem reprovados, só para que tivesse razão sobre o seu opositor, representa o quão distante está a dura realidade da sociedade que agoniza e a fatídica fantasia desenhada pela mente conturbada do gestor que não aceita ser contrariado.

Ainda sem entrar no mérito das acusações envolvendo o restante do seu clã, com filhos que também figuram na política, e que acreditam cegamente terem sido simultaneamente eleitos presidentes da República coadjuvantes em 2018, não há muito o que esperar de Bolsonaro, ao menos em questão de progresso e desenvolvimento do País.

Isso porque durante as décadas nas quais dormitou no Legislativo, deu robustos sinais de sua falta de comprometimento e irresponsabilidade em sucessivos mandatos. Afinal, qual a magnitude de seus projetos ao longo de todos os anos em que foi deputado? Qual a causa efetivamente defendida em prol de uma sociedade mais justa?

PROMESSAS – Sua conduta se resumiu às promessas de armar a população, ao invés de reforçar uma segurança pública que já é paga pelo cidadão-eleitor, destratar segmentos que até hoje julga como sendo minorias, e a promoção da cultura do ódio e da desinformação. O resto, foi confeito.

Quando Bolsonaro, diante de seu cercadinho de apoiadores, conta suas anedotas e faz as esdrúxulas ameaças, respaldadas por uma perigosa necropolítica, não só despreza a importância do cargo para o qual foi eleito, mas também esfrega na cara sofrida do Brasil que o ruim pode ainda piorar. E muito. Movidos pela cólera insubmissa que nos aflige, fica a pergunta, parafraseado o rei Juan Carlos, afinal, “por que não te calas ?”

Ainda restam dois anos de gestão, salvo o caso de uma providencial abreviação impeditiva. Mas fica uma certeza; se a população brasileira tinha que passar por provações, com Bolsonaro entrou na fila pelo menos umas três vezes. Está pago e ainda ficará crédito na conta. 

10 thoughts on “Acuado pela própria incompetência, Jair Bolsonaro sobrevive de blefes e mentiras

  1. Copelli sendo Copelli. Narrativas de um esquerdista/socialista de carteirinha.
    Fazer oposição dessa forma, não é o que se espera de um profissional da área jornalística. Críticas construtivas, incisivas e contundentes são benvindas, mas além disso, tornam-se objetos de indelicadeza para com os que são responsáveis pela condução das políticas públicas.
    Um conselho: se a tenha aos princípios de respeito, ética e dignidade ao comentar sobre autoridades públicas, não custa nada, vai até engrandecer os seus dizeres.
    Minhas humildes considerações.

  2. Eu não sou jornalista, não sou flamenguista nem sou petista, mas sou esclarecido o bastante para reconhecer um farsante: Bolsonaro é incompetente e um mau brasileiro. E não escrevo por dinheiro!

  3. Excelente, Copelli! Sua análise faz mais sentido sua análise quando se imagina que todos podres-poderes são cúmplices do presidente de plantão porque este tem a chave dos cofres do tesouro, e comprou “apoio” desses “aliados”. Compreensível o silêncio dos podres-poderes.

Deixe uma resposta para Rue des Sablons Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *