Acusado de corrupção, ex-vice-presidente do BB diz que objetivo da denúncia é prejudicar o banco. Será?

Carlos Newton

A modéstia, decididamente, não é o forte de Allan Simões Toledo, ex-vice-presidente do Banco do Brasil, citado em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por movimentação atípica. “É uma guerra que não é minha, eu estou sendo usado como laranja para atingir a presidência do Banco do Brasil ou a presidência da Previ”, afirma, como se fosse possível confundir sua imagem pessoal com a da instituição financeira.

Allan, de 44 anos, diz que vive dias de grande ansiedade e de indignação porque alguém, provavelmente dentro da própria instituição à qual serviu por 30 anos, quebrou seu sigilo.

Ele afirma que não tem nada a esconder e quer uma explicação para o envolvimento de seu nome em um capítulo ainda nebuloso do BB. “Nunca fiz política interna, nem para um lado, nem para outro”, desabafou ao repórter Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo.

Relatório do Coaf mostra depósitos que somam R$ 953 mil em uma conta sua no BB. Para rechaçar a suspeita lançada sobre seu nome e sua conduta, ele se muniu de documentos oficiais. Diz que os papéis explicam a origem desse dinheiro – a venda de um sobrado na rua Cabo Verde, Vila Olímpia, de sua madrinha, Liu Mara Fosca Zerey, que praticamente o criou, uma vez que perdeu a mãe aos oito anos de idade.

Informa que Liu, em julho de 2010, teria decidido pôr à venda aquele imóvel de três dormitórios, quintal com churrasqueira, quatro vagas na garagem, 8,10 metros de frente por 42,33 de fundos e área construída de 217 metros quadrados. E alega que hoje, aos 70 anos, Liu sofreria de câncer.

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BANCO DO BRASIL NEGA

Vamos aos fatos. No último dia 28, o Ministério da Fazenda informou que ordenou ao BB que investigue as acusações de quebra de sigilo de Allan Toledo. De acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo daquele dia, Toledo, que ocupava a vice-presidência de Atacado, Negócios Internacionais e Private Banking do banco até o fim do ano passado, recebeu cinco depósitos mensais no ano passado no valor total de R$ 953 mil.

O dinheiro seria da aposentada Liu Mara Fosca Zerey e referente à venda de um imóvel em São Paulo. O jornal, no entanto, informou que a propriedade nunca chegou a ser vendida, com base em registros da prefeitura da capital paulista.

A investigação sobre esse caso está sendo feita pelo próprio banco em parceria com a Polícia Federal. Agora, o ministério determinou que outra sindicância apure se os extratos bancários do ex-executivo do BB foram violados.

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UMA CASA DE CARIDADE?

É difícil acreditar que uma empresa tenha comprado um imóvel por R$ 1 milhão, em dezembro de 2010 (pois o pagamento de cinco parcelas teria sido concluído em maio de 2011), e até hoje não tenha passado para seu nome a propriedade e continue deixando que seja habitada pela antiga dona. A ser verdadeira essa hipótese, a Mantovani Negócios Imobiliários não seria uma empresa, mas uma casa de caridade…

E agora surge a notícia de que o dinheiro que alimentou depósitos de quase R$ 1 milhão na conta de Allan Toledo em 2011 tem como origem o grupo Marfrig, controlador de um dos maiores frigoríficos do país e cliente do banco;

Reportagem de Andreza Matais, José Ernesto Credendio e Natuza Ner, publicada na Folha, mostra que, antes de chegar à conta do ex-diretor do banco, o dinheiro passou pelas contas de um empresário que tem negócios com o dono da Marfrig e uma aposentada que teria vendido uma casa.

O frigorífico Marfrig confirma ter realizado transferências ao empresário, mas nega ter participado de triangulação para fazer esses recursos chegarem a Toledo.

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ENTREVISTA DE ALLAN

Fausto Macedo (Estadão) – Relatório do Coaf o cita em movimentação atípica no montante de R$ 953 mil. Como explica esse valor?

Allan – Quando minha mãe adotiva começou a receber o dinheiro da venda da casa da Vila Olímpia, onde continua morando, ela resolveu transferi-lo para uma conta minha. Eu sempre tive uma conta no BB. Decidi abrir uma outra, especificamente para movimentar o dinheiro da venda da casa para custear as despesas com o tratamento de minha mãe adotiva. Comuniquei à gerente da agência (Paulista) sobre a abertura dessa nova conta e que ela seria destinada a movimentar o dinheiro da venda do imóvel. Eu não queria misturar o meu dinheiro com o de Liu Mara.

Como foi a venda da casa?

Allan – A Mantovani Negócios Imobiliários fez a avaliação e ela própria adquiriu a casa por R$ 1milhão, divididos em cinco parcelas de R$ 200 mil. A quitação foi concluída em maio de 2011. A casa ainda está em nome de Liu Mara por detalhes de averbações não formalizadas e por causa de mudanças no sobrenome dela. Liu foi casada, divorciada e ficou viúva. Casou novamente e ficou viúva outra vez. Ela continua na casa da Vila Olímpia porque o térreo é adaptado ao seu estado de saúde.

 

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