Acusado de corrupção, Machado enfim deixa a Transpetro

Indicado por Renan, Machado está no cargo desde 2003

João Domingos
O Estado de S. Paulo
Afilhado político de Renan Calheiros, o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, vai pedir licença do cargo. A ideia é ficar longe da estatal enquanto durarem as auditorias, visto que o nome de Machado foi citado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Com isso, o PMDB procura evitar que a presidente Dilma Rousseff faça pressão sobre o partido para que aceite sem reação o afastamento de Machado.

Trata-se de uma solução à Henrique Hargreaves que, durante o governo Itamar Franco, afastou-se da Casa Civil enquanto a CPI dos Anões do Orçamento investigava se o ministro tinha alguma implicação nos desvios de verbas orçamentárias. Como nada foi constatado, Hargreaves voltou por cima e reassumiu a Pasta. O PMDB acredita que isso poderá ocorrer também com Machado.

A saída imediata de Sérgio Machado da presidência da Transpetro, subsidiária de transporte e logística da Petrobrás, foi uma das condições impostas pela PriceWaterhouseCoopers para auditar o balanço da estatal. O assunto foi discutido em uma turbulenta reunião do Conselho de Administração da companhia na sexta-feira passada. Segundo relatos, dez conselheiros ficaram divididos sobre a decisão.

A Price é a auditora independente que avaliza os balanços operacionais e financeiros da Petrobrás. O envolvimento da petroleira em denúncias de corrupção e as revelações feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa no processo da Operação Lava Jato levaram a Price a impor algumas exigências para referendar o balanço. Entre elas, a contratação de duas empresas independentes para atuar na investigação interna – o que já foi providenciado – e o afastamento do presidente da Transpetro.

INDICADO POR RENAN

Ex-deputado e ex-senador, Machado é aliado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e, desde o início do governo Lula, em 2003, preside a Transpetro. Seu nome foi citado por Costa em depoimento à Polícia Federal. O ex-diretor afirmou que recebeu R$ 500 mil em dinheiro das mãos de Machado dentro do esquema de pagamento de propina na estatal. Recentemente, o Ministério Público Federal pediu à Justiça o seu imediato afastamento e bloqueio de seus bens por fraude em processo de licitação para compra de 80 barcaças e 20 empurradores pelo Estaleiro Rio Tietê.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Comparar Dilma Rousseff com Itamar Franco é um bocado de exagero. Itamar era implacável com a corrupção, enquanto Dilma… Na verdade, a única coisa em comum entre os dois é o topete. (C.N.)

11 thoughts on “Acusado de corrupção, Machado enfim deixa a Transpetro

  1. Realmente comparar ITAMAR (letra maiúscula) é claro, com dilma, não dá !
    Não só exagero, e sim uma idiotice. Itamar,realmente era ITAMAR. E dilma, o que???
    Sem comentários !!!

  2. TRANSPETRO ESCANCARA A FALÊNCIA ÉTICA DO GOVERNO

    Sob Dilma Rousseff, o governo é a honestidade aparelhada de escândalos. Esse paradoxo se escora em dois fenômenos: a maioria das pessoas é incapaz de reconhecer a honestidade da administração pública. E os gestores públicos são incapazes de demonstrá-la. A dicotomia provoca uma falência ética que acaba de ser escancarada na Transpetro.

    Trata-se de uma subsidiária naval da Petrobras. Crivado de suspeitas, seu presidente, o ex-senador Sérgio Machado, tirou licença nesta segunda-feira (3). Fez isso por exigência da PricewaterhouseCoopers, que audita as contas da estatal petroleira. A empresa disse que, com Machado na Transpetro, não assinaria o balanço trimestral da estatal.

    O destino ofereceu a Dilma várias oportunidades para mandar Sérgio Machado ao olho da rua. Na penúltima, o Ministério Público Federal denunciou o personagem por improbidade administrativa em 29 de setembro passado. Acusou-o de fraudar licitação para a compra de oito dezenas de barcaças destinadas ao transporte de etanol. Na ação, ainda pendente de julgamento, a Procuradoria requereu o bloqueio dos bens e o afastamento do mandachuva da Transpetro. E Dilma nem tchum.

    Dias depois, em 10 de outubro, veio à luz depoimento não-sigiloso do delator Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. Ele declarou à Justiça Federal que recebeu R$ 500 mil em verbas sujas das mãos de Sérgio Machado. Dinheiro proveniente do esquema de cobrança de propinas montado na estatal. Dilma considerou “estarrecedora” a divulgação do depoimento em pleno período eleitoral.

    E quanto ao conteúdo das denúncias? Bem, sobre isso a presidente afirmou: “Em toda campanha eleitoral há denúncias que não se comprovam. E assim que acaba a eleição ninguém se responsabiliza por ela. Não se pode cometer injustiças.” Assim, submetida a uma nova oportunidade para livrar-se de Sérgio Machado, Dilma deu de ombros.

    Agora, o governo faz por pressão o que sua presidente não fez por opção. E Sérgio Machado ainda submete Dilma a uma coreografia constrangedora. Em nota, afirmou que deixa o cargo por 31 dias como um “gesto de quem não teme investigação”. Toda Brasília sabe que o personagem não retornará à poltrona. Mas Dilma se permite frequentar a cena como coadjuvante de uma encenação que prolonga o vexame.

    Por quê? Simples. Chama-se Renan Calheiros o padrinho do descalabro. Foi por indicação de Renan que Lula mandou nomear Sérgio Machado para a Transpetro. Deu-se em 2003. Já lá se vão mais de 11 anos. Qualquer criança de cinco anos se espantaria: por que diabos o Renan quer empurrar um afilhado para dentro do organograma da Transpetro? Tomados por suas ações e inações, Lula e Dilma decerto acharam que era por amor à pátria que Renan patrocinava Machado.

    A Transpetro gerencia um programa bilionário de recuperação de sua frota. Envolve a encomenda de 49 navios e 20 comboios de barcaças hidroviárias. Um negócio de R$ 11,2 bilhões. Natural, muito natural, naturalíssimo que o senador Renan quisesse colocar a serviço da nação o talento do amigo Sérgio Machado, hoje uma “vítima de acusações caluniosas”.

    (Blog do Josias)

  3. Os que conheceram bem o caráter do ITAMAR foram nessa ordem: os generais golpistas da Região Militar de Juiz de Fora entre 1964 e 1967, mais tarde o Collor e, no finzinho da vida, à beira da morte e com câncer, o anistiado político capitão da FAB/PARASAR Sergio Ribeiro Miranda de Carvalho, conhecido como Sergio Macaco, que conseguiu impedir o atentado terrorista ao gasômetro do Rio de Janeiro ordenado pelo torturador de presos políticos brigadeiro João Paulo Moreira Burnier.

  4. A “pequena” diferença entre o Sérgio Machado e o Henrique Hargreaves é que Henrique, amigo muito próximo e chefe da Casa Civil de Itamar, não “se afastou”, foi afastado por ordem do presidente assim que apareceram as acusações contra ele, em vez de afastado, depois de muito tempo, por pressão externa, como aconteceu com Sérgio Machado. Bem diferente do que tem acontecido por aqui atualmente. Chamar o afastamento de Sérgio Machado de “solução à Henrique Hargreaves” mostra um desconhecimento deplorável dos fatos.

  5. Itamar era um político da estirpe do Pedro Simon e Jefferson Peres. Foi muito pouco valorizado, tanto pela imprensa quanto pelos seus sucessores, FHC e Lula

  6. Meu deus, esse eu tenho que colocar na cota do PSDB,pois esse senhor foi líder do PSDB no governo Fernando Henrique,logo depois se uniu com o câncer do PMDB,via Renan Calheiros,o que poderia dar corrupção.

  7. No tempo de FHC , o elemento aqui em causa, Machado, não teve chance de se locupletar. Já com Lula e Dilma….

    De qualquer jeito o inquérito está em andamento.
    Não podemos esquecer que os dois indiciados que hora depõem não podem se dar ao luxo de falar mentiras. Sabem que a pena é do tamanho da de Marcos Valério se isto acontecer.
    Somente a verdade lhes premiará com uma pena branda.

    E a VERDADE é que , segundo eles, Lula e Dilma sabiam dos crimes cometidos na Petrobrás.

  8. Na minha opinião delação premiada é um escárnio ao direito,deveriam falar e denunciar ,pagarem pelos seus roubos e fim.O outro está na Barra da Tijuca no condomínio Rio Mar com sua lindas tornozeleiras escoltados por dois policiais federais,deveria estar era na cadeia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *