Administração pública afunda no mar revolto da corrupção generalizada

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Charge do Néo Correia (bocadura.com)

Pedro do Coutto

É exatamente esse o dramático cenário da administração pública brasileira, montado no país no século XXI. Não existe praticamente nada que envolva as relações estatais com economia privada livre dos negócios e interesses nefastos. A fratura na linha que divide o legal do ilegal encontra-se plenamente exposta na reportagem de Tiago Bronzato, revista Veja que acaba de chegar às bancas. A matéria parte do esquema de corrupção em pleno vigor no Ministério do Trabalho, dominado pela engrenagem do PTB, principalmente na área de contratos de fachada incluindo lobistas, administradores, tornando flagrante a influência do deputado Jovair Arantes, líder do PTB na Câmara, integrante da bancada que apoia o governo Michel Temer.

A liberação de verbas públicas depende do sinal verde de lobistas. Tanto assim que a lobista Verusca Peixoto confessou a Bronzato sua participação no esquema, fato inegável porque configurado em gravações entre lobistas e empresários.

ENVOLVIMENTO – É só folhear as páginas da reportagem para se ter a certeza da profundidade do envolvimento. O episódio sugere que o Presidente Michel Temer esteja presente na leitura atenta da revista.

Mas falei em corrupção generalizada. Neste sábado, Carolina Brígido e Daniel Bulino publicam matéria em O Globo, com grande destaque, revelando despacho do ministro Edson Fachin, do Supremo, mandando apurar se o presidente da República recebeu propina do esquema de corrupção da Odebrecht. Este será, portanto, o terceiro processo que o STF abre contra Michel Temer. Os dois primeiros só não foram à frente porque barrados pela Câmara dos Deputados. Michel Temer transforma-se assim num exemplo único de alguém que presidiu o Brasil sob suspeitas e acusações em série. E ainda falta o depoimento de Rocha Loures, o homem da mala da noite paulista.

PASADENA – A corrupção trás consigo um efeito devastador. Veja-se o caso da compra da Refinaria de Pasadena pela Petrobrás: avaliada em 190 milhões de dólares foi adquirida por 792 milhões de dólares. Veja-se o caso da Refinaria Abreu e Lima: do orçamento inicial de 4 bilhões de dólares, terminou subindo ao patamar de 16 bilhões de dólares. As obras do Maracanã estavam orçadas em 700 milhões de reais; acabaram custando 1 bilhão e 200 milhões de reais.

Os exemplos levam ao infinito, passando pela compra de remédios pelo secretário de Saúde Sérgio Cortes, empilhados até o prazo de perderem a validade, o que falsamente justificou a compra de novos estoques.

Não existe nada na administração federal, nas estaduais e nas municipais que não seja fortemente atingido pela corrupção.

VALE TUDO – E a corrupção acarreta também a elevação do desemprego. Não só pela concentração de renda que provoca, mas também pela substituição de mão de obra empregada por consultorias e assessorias empresariais. A explicação é simples: não pode haver comissão em cima de salários mensais, mas pode haver no superfaturamento contratual.

Não adianta recorrer-se a transparência governamental para se estimar o valor concreto dos contratos. No início, seus preços estão de acordo com os do mercado. Mas há os termos aditivos, que são a fonte vultosa das propinas.

A população do país, perplexa, assiste ao processo do roubo em massa. Só pode fazer uma coisa: protestar pelo voto, nas urnas de outubro.

12 thoughts on “Administração pública afunda no mar revolto da corrupção generalizada

  1. As quadrilhas no legislativo, no executivo e no judiciário sequestraram o estado brasileiro e dele se utilizam em benefício próprio. Ha muito e população abandonada, trabalha para sustentar esses crápulas.

  2. E o pior, mesmo estando todo mundo alerta, os roubos não param. Enquanto houver impunidade, isso não vai ter fim. Para cargo público, pago pelos contribuintes, a pena tem que ser exemplar, acabar com qualquer tipo de foro de proteção e afastamento imediato. Querem moralizar esse País ou não? Vai ser só assim.

  3. Na Itália, parece que a tendência é a mudança.. A população não está querendo.mais do mesmo .. Apesar de quase 40% de possíveis abstenções, a população, assim.como aqui, quer mudança. A diferença é que na Italia as urnas são de papel. Sendo assim, lá , diferente de cá , e possível mudar.

  4. É um País entalado!

    Metalúrgico não tem base para cargo Presidencial. Dois mandatos com experts em parafusos e porcas comandaram os painéis de controle cheios de botões que não sabiam usar…

    Pecamos por querer ser o que não somos!
    O Brasil ainda e um pais onde há que prender primeiro depois provar a inocência…

    Vale pra Graça Foster, Mantega, Dilma Rousseff, toda aquela raça do PT que conhecemos, toda essa raça do PMDB que convivemos, todo Senado Federal, TODOS…

    Não tendo como provar sua inocência a cama ja tava pronta….

  5. Com um dispositivo jurídico em que existe 4 instâncias para condenar um criminoso e mesmo assim soltá-lo depois de poucos anos de prisão, queremos o que?
    Daqui h´pouco Sérgio Cabral está por aí livre para curtir a fortuna que roubou, que a justiça não conseguiu detectar.

  6. Mas é o Bolsonaro quem precisa afinar o discurso e provar para os passados e presentes especialistas que entende de ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA e de moralidade…

  7. República de Sindicalistas Bandidos só ia dá nisso, o Brasil tá dominado por uma ORCRIM LULOPETRALHA em toda a atividade pública ! Ou coloca prá fora ou dentro de mais 5 meses seremos uma Venezuela Oficializada pela “IMPUNIDADE CONTUMAZ” do STF !!!!!!

  8. Sr Pedro Couto bom dia.
    Existe um outro ângulo de visão desta questão; posso estar ‘redondamente’ enganado, mas aí vai:
    O que eu vi em vários projetos em que participei, é que não se dá tempo de ‘maturação’ dos projetos; principalmente na Petrobrás; nas grandes petroleiras, o projeto quando começa no canteiro, já está ‘maduro’ e não muda como regra; na Petrobrás não, talvez pela criatividade e falta de paciência do brasileiro, o projeto começa assim:
    Primeiro a refinaria só vai ‘limpar’ o óleo e exportar cru; depois de iniciada a construção, alguém diz: Porque não refinamos e agregamos valor a matéria prima?!!!
    Bacana, bacaninha mesmo; aí todos aplaudem e mandam rever o projeto e o que era ‘x’ no início, vira ‘y’ e assim vai além de que, o engenheiro projetista (brasileiro) deixa uma porção de soluções para o “canteiro” e isto não entra no orçamento do construtor e quando ‘aparece’ o problema, que vai pagar para dar aquela solução?!!!
    Daí construiu-se uma mentalidade de ‘adicionais’ ao projeto inicial, facilitando a corrupção; ou seja:
    Com projeto “PRONTO”, não haveria o porque de adicional e o preço inicial seria o final com variação pequena para mais ou para menos.

  9. Às vésperas de mais um aniversário para nossa alegria, Pedro do Coutto escreve um artigo memorável!

    Sem dourar a pílula e usar de subterfúgios foi contundente, claro, incisivo.

    Quem dera que a mídia na sua maioria agisse desta forma, no entanto se dá ao contrário, com a maioria absoluta mentindo, iludindo, tergiversando porque aliada desse sistema opressor, desta absoluta e incontestável cleptocracia instalada no Brasil, que rouba e explora o povo e país sádica e ininterruptamente!

    O meu abraço ao aniversariante.
    Que tenha sempre muita saúde e paz.

  10. É a indústria do contrato. Como sempre disse na administração pública 98% dos contratos têm falcatruas, ou são serviços que não foram prestados ou estão superfaturados em 100% ou 200%. Em qualquer administração, municipal, estadual, federal, autarquias, estatais, órgãos militares, etc.

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