Advogado de Temer reprova a “estratégia” de acusar Janot de se vender à JBS

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Mariz ficou surpreso com o ataque a Janot

Carlos Newton

Pela segunda vez desde que as gravações de Joesley Batista foram divulgadas, o presidente Michel Temer teve de viajar a São Paulo para se reunir com seu advogado e amigo Mariz de Oliveira, num final de semana. É estranho que o chefe do governo tenha de se deslocar até São Paulo, mas o sacrifício tem explicação. Mariz é o articulador do grupo de advogados que defende Temer e não está nada satisfeito com os rumos da defesa, depois que o marqueteiro Elisinho Mouco passou a redigir os pronunciamentos do presidente.

ERRO CLAMOROSO – Mariz considerou um grave equívoco o discurso redigido por Mouco que conteve ofensas diretas à honra do procurador-geral Rodrigo Janot. Em sua visão de criminalista, uma coisa é denunciar a estranha situação do ex-procurador Marcelo Miller, que pediu demissão para trabalhar num dos maiores escritórios que defendem o empresário Joesley Batista e a JBS. Mas foi um erro clamoroso incluir na denúncia o procurador Janot, insinuando que ele teria recebido “milhões” da JBS e seria um bêbado contumaz, com fez Temer ao ler o texto de Mouco nos teleprompters transparentes do Planalto, para simular estar falando de improviso.

Temer teve de ir a São Paulo para se explicar com Mariz e combinar que, a partir de agora, os textos do marqueteiro serão submetidos a ele. O advogado reafirmou que a estratégia de Mouco está equivocada, porque o resultado foi um tiro no pé. Desagradou e ofendeu toda a Procuradoria, inclusive a substituta de Janot, Raquel Dodge, que já respondeu na Folha (coluna Painel, de Daniela Lima) que não pretende enfraquecer a Lava Jato, muito pelo contrário.

Além disso, Temer se arrisca a levar um processo de perda de danos, exatamente igual ao que está movendo contra Joesley Batista, por calúnia, injúria e difamação, a trindade dos crimes contra a honra.

TRABALHO DURO – Mariz também lembrou a Temer que a defesa no Supremo e na Câmara ficou agora muito mais difícil, depois que a acurada perícia da Polícia Federal não somente atestou que não houve cortes nem manipulações na gravação, como também recuperou trechos que claramente incriminam o presidente.

Em tradução simultânea, Mariz deixou claro que, se Temer não pretende ajudar a própria defesa, pelo menos não deveria atrapalhar. O presidente/indiciado entendeu a mensagem, recolheu-se à sua insignificância e prometeu que não fara novos pronunciamentos sem a supervisão do advogado, que tem horror de amadorismos. E vida que segue, como diria nosso amigo João Saldanha, que hoje está comemorando seu centenário e será sempre enaltecido pelos brasileiros.

One thought on “Advogado de Temer reprova a “estratégia” de acusar Janot de se vender à JBS

  1. Esta atitude é surreal , este cidadão realmente chegou ao fundo do poço e demonstra total falta de respeito com a sociedade e a nação . Contratar um marketeiro para redigir um discurso falácioso e com sua arrogância estúpida , acredita poder ainda enganar alguem .

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