Aécio critica Moro, diz que ‘Lula é bacana para tomar cachaça’ e a bola está com Doria

Senado decide sobre afastamento de Aécio Neves

Charge do Duke (O Tempo)

Lauriberto Pompeu e Felipe Frazão
Estadão

Principal opositor do governador de São Paulo, João Doria, no PSDB, o deputado Aécio Neves (MG) avalia que seu partido deve buscar a sobrevivência política e focar na eleição de uma boa bancada no Congresso Nacional 2022, em vez de apostar em uma candidatura presidencial que não decole.

“Mesmo que o PSDB não vença essas eleições, nós temos de sobreviver enquanto um partido sólido no Congresso”, disse Aécio ao Estadão, após a vitória do rival nas prévias para ser candidato ao Palácio do Planalto.

ESTUDAR ALIANÇAS – O ex-presidenciável tucano, derrotado nas eleições de 2014, foi um dos principais articuladores da campanha do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, na disputa interna.

“Está com ele (Doria) a bola, cabe agora demonstrar que nós estávamos errados e construir em torno de si uma grande aliança”, afirmou Aécio, para quem o partido deve também estudar alianças com outros nomes, como Rodrigo Pacheco (PSD), Ciro Gomes (PDT) e Sergio Moro (Podemos).

“Se nós chegarmos extremamente isolados, obviamente que o PSDB vai discutir a conveniência ou não de ter essa candidatura”, disse o deputado.

RESTRIÇÕES A MORO – Sobre Moro, no entanto, o tucano, alvo de denúncia de corrupção no escândalo da JBS, fez uma ressalva de que ele precisa esclarecer sua atuação na Lava Jato e divulgar as gravações feitas por procuradores.

“O juiz tem de estar, isso é o que preconiza o Estado Democrático de Direito, equidistante da acusação e da defesa.”

Já em relação a Lula, Aécio criticou os acenos que o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, de saída do PSDB, tem feito à candidatura do petista em 2022.

AINDA É CEDO – Sobre seu papel na campanha presidencial do PSDB, Aécio Neves dia que não se sabe ainda como vai ficar o quadro, tem muita água para rolar debaixo dessa ponte ainda. Se Doria vai ou não se viabilizar, o tempo é que vai dizer.

“Eu acho que esse quadro ainda está muito incerto. Alardearam durante as prévias: ‘o Aécio quer bolsonarizar o PSDB’. Nada disso, eu não apoiei o Bolsonaro na campanha presidencial quando ele era o “mito”, ao contrário de muitos tucanos. Talvez tenhamos perdido o governo em Minas Gerais por conta disso, com o senador Antonio Anastasia no segundo turno, porque optamos por não apoiar nem o PT e nem o Bolsonaro. Não é agora que eu vou fazê-lo’.

O senhor vai sair do partido?
De forma alguma, estou construindo o PSDB há mais de 30 anos. Essa é uma etapa da vida do PSDB, já passei por várias outras. Nós somos ainda o maior partido de Minas Gerais, o PSDB não foi construído ontem e nem anteontem e é no PSDB que nós vamos continuar fazendo política.

Desde 2018, o PSDB vem perdendo tamanho e protagonismo eleitoral. Vê chances de isso mudar em 2022?
Se prevalecer essa polarização, ela vai chegar a um exaurimento, fadiga, cansaço. O PSDB pode surgir com um projeto para o País, liberal na economia, inclusivo nas questões sociais, moderno nas relações internacionais, responsável na questão ambiental, com experiência de gestão, quadros qualificados. Não podemos sucumbir, ser levados ao apequenamento, à irrelevância. Eu espero que o PSDB possa, a partir dessas eleições, retomar um papel mais central no Congresso Nacional, e isso passa por uma candidatura razoavelmente competitiva. Como eu disse, a bola está com o governador de São Paulo.

Se Doria tiver um resultado ruim nas pesquisas durante a eleição, como foi com Alckmin em 2018, o senhor vai apoiar um candidato de outro partido?
Não dá para falar em suposição. Se o PSDB quiser ter um candidato, esse candidato tem de se mostrar viável e vamos ter tempo para isso ainda. O governador João Doria venceu as prévias para ser o pré-candidato do PSDB, não venceu para ser dono do PSDB, o PSDB é maior do que nós todos. Passou por outros momentos difíceis, tivemos uma eleição de 2018 difícil e continuamos aqui o PSDB.

O que acha da saída de Geraldo Alckmin do PSDB e sobre ele ter admitido considerar ser vice de Lula?
A trincheira tem de ser dentro do PSDB, lamento inclusive que o governador Geraldo Alckmin não tenha escolhido o campo do PSDB para fazer o seu projeto. Acho contraditória uma aliança com o PT, nós combatemos o PT a vida inteira, tanto ele quanto eu e muitos outros. Não porque não gostamos do Lula, o Lula é uma grande figura, um cara bacana para sentar e tomar uma cachaça. Eu tive uma ótima relação com ele durante oito anos, mas o PT faz muito mal ao Brasil. Nós temos de trabalhar para uma coisa diferente dos dois polos que estão aí hoje.

Moro pode ser o candidato da terceira via?
Qualquer cidadão pode disputar a Presidência da República. Eu não conheço bem o Sérgio Moro, acho até que há uma curiosidade no Brasil para saber o que ele pensa sobre economia, sobre relações internacionais do Brasil, questão ambiental, agronegócio, questões sociais. Eu acho que ele poderia prestar uma contribuição à transparência, que ele prega com muita força na sua campanha. Eu acho que ele é um candidato que o PSDB tem de estar dialogando também, até para que nós possamos conhecer um pouco melhor. Podia fazer um gesto, que seria acho que muito bem visto, pedir para que se torne pública todas aquelas gravações que foram feitas com os delegados, com os procuradores da República, muitas delas estão ainda em segredo, não foram divulgadas. São aquelas que o presidente Lula conseguiu com o ministro Lewandowski autorização para acessar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É uma entrevista tipo Piada do Ano. O deputado Aécio Neves, gravado legalmente pedindo propina num linguajar de baixo nível, repleto de palavrões, extorquindo claramente um empresário, agora se vê no direito de cobrar transparência ao juiz Moro, que foi gravado ilegalmente durante meses, sem que houvesse qualquer irregularidade sua. Se existisse uma mínima ilegalidade no proceder de Moro, ele seria crucificado em praça pública por Gilmar Mendes e a corja de políticos corruptos que Aécio integra. Certamente o neto de Tancredo Neves pensa (?) que os brasileiros não tem memória. “Oh, coitado!”, diria a atriz Gorete Milagres. Nós ainda não esquecemos, não. (C.N.)

11 thoughts on “Aécio critica Moro, diz que ‘Lula é bacana para tomar cachaça’ e a bola está com Doria

      • Amigão, o pior que é não dá nada para esses vermes sanguessugas desgraçados malditos filhos de umas pulgas com carrapatos.
        E são eleitos pelo povo, novamente, e sucessivamente todas as eleições, como esse verminho do pó…..

        abraços.
        Saudações Lusitanas…

  1. Dória é o único candidato com capacidade de unir as elites política e econômica deste país para um novo contrato social em prol de um projeto nacional para colocar a nação no seu merecido caminho.

    • Alckmin jamais quis ser vice do ex presidiário. É uma questão de honra.

      Não existe política sem caráter e quem se unir ao rato barbudo cachaceiro e apedeuta estará se juntando ao babujento bajulador das empreiteiras ainda que denunciado pelos próprios na Lava jato.

      Alckmin sabe que Moro leva no primeiro turno, pois quem tem caráter não vai atrás de ex presidiário e sempre salafrario.

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