Aécio Neves deu uma ajuda a Sergio Cabral, evitando que ele fosse convocado pela CPI

Carlos Newton

A CPI do Cachoeira acertou ao aprovar a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Sem entendimento e em meio à intensa discussão, parlamentares da oposição e da base divergiram sobre a legalidade de a comissão solicitar a quebra do sigilo de governadores.

Acabou prevalecendo a tese do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que é promotor de Justiça e já se tornou um dos parlamentares mais respeitados do Congresso. “Não há fundamentação jurídica para quebrar sigilo nesse momento da investigação. A medida é de exceção, que só pode ser concebida quando outro meio de prova não puder dar resposta ao que se investiga”, foi a colocação dele, respeitada pela CPI.

O ex-diretor da Delta Cláudio Abreu, como era esperado, ficou em silêncio durante a sessão da CPI, que decidiu convocar dois governadores: Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, e Agnelo Queiroz (PT), do DF.

Só conseguiu escapar Sérgio Cabral (PMDB), do Rio, que teve apoio do PSDB, seu antigo partido, por obra e graça do senador Aecio Neves, que é amigo íntimo de Cabral, porque a primeira mulher do governador do Rio, Luciana Neves, vem a ser sua prima. Ficou tudo em família…

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LIGAÇÕES COM A DELTA

Cabral escapou de ser  chamado para explicar a relação próxima que mantém com o empresário Fernando Cavendish, da Delta Construções.  Depois de passar semanas fugindo dos jornalistas, ontem, pela primeira vez, Cabral comentou as críticas pela relação próxima com fornecedores do Estado reveladas por fotos feitas em Paris, em 2009.

Com a maior desfaçatez, Cabral disse não misturar as relações pessoais com a atividade pública e afirmou considerar “desrespeitosas as ilações feitas”.

“Estou muito tranquilo com a minha atuação a frente do Estado. Nosso governo agiu com autonomia dos secretários para nomear auxiliares e tomar decisões administrativas. A impessoalidade marcou meu governo. Jamais qualquer secretário recebeu pedido para nomear alguém ou contratar determinada empresa”, disse Cabral, durante inauguração de UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) no Complexo do Alemão.

O governador irritou-se ao ser questionado se temia a quebra de sigilo bancário da Delta nacional, sediada no Rio.

“Por que eu temeria? Acho até um desrespeito me perguntar isso. Essas ilações são de uma irresponsabilidade completa”, disse ele, como se o repórter estivesse atacando sua honra.

Esta entrevista foi transmitida pela televisão e mostrou um Cabral irritado, deprimido. hesitante e bem mais magro. Para quem sempre sonhou em fazer dieta, o escândalo de suas ligações com empreiteiros pelo menos serviu para melhorar o seu perfil físico. Quanto ao perfil psicológico e político, não há dieta que dê jeito.

 

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