Aécio se antecipa para medir vacilação de Serra

Pedro do Coutto

O governador Aécio Neves, matéria de Valdo Cruz e Letícia Sander, Folha de São Paulo, decidiu pressionar o PSDB, seu próprio partido, para que antecipe até dezembro a escolha do candidato a enfrentar Dilma Roussef, Ciro Gomes e Marina Silva na sucessão de 2010. Há uma pressão do DEM nesse sentido, a fim de que haja tempo para coordenar alianças regionais em torno da decisão. Isso é verdade, porém a ofensiva do governador mineiro, no fundo, é para sentir se José Serra vacila entre disputar novamente a presidência da República ou preferir a reeleição para o governo de São Paulo. Efetivamente, há necessidade  de as oposições escolherem o nome, inclusive para negociar a vice presidência. Isso na hipótese de Aécio, se derrotado por Serra, não aceitar de forma alguma completar a chapa e preferir o Senado por Minas Gerais. Seja como for, o governo teme uma aliança Serra e Aécio, pois neste caso a chapa da oposição ganha novo impulso uma vez que se trata dos dois maiores colégios eleitorais do país. Uma dificuldade a mais para Dilma Roussef, embora nas próximas pesquisas ela já deva apresentar uma subida de alguns pontos, livrando-se do assédio mais próximo de Ciro Gomes que, no final das contas, é seu aliado. Pois com o prestígio de Lula em patamar elevado, a tarefa de passar para Dilma sua imagem e seu prestígio torna-se muito mais fácil.

Talvez, no fundo, as correntes do governo temam mais Aécio do que Serra. José Serra não traz consigo nenhum impacto de novidade e perde em simpatia e envolvimento eleitoral para Aécio, cujas vitórias para o governo de Minas foram avassaladoras. Em síntese, Aécio, mesmo bem distante de Serra (37 a 16 ou 17 por cento), tem mais possibilidade de crescer do que o seu rival entre os tucanos.

Uma situação inclusive curiosa. Hoje, pessoalmente Serra está muito mais forte do que Aécio, mas talvez o teto de Aécio Neves seja bem mais inflável do que o de Serra. Ao longo de uma campanha, Aécio, mais empático, tem possibilidade maior de crescer.Isso de um lado. Sem dúvida.

De outro, entretanto, Serra apresenta uma posição cristalizada que, sem dúvida, lhe fornece mais segurança e uma base mais sólida. Hoje, a convenção nacional dos tucanos optaria por Serra. Mas por que, então Aécio deseja antecipar a decisão? Só pode ser para testar a verdadeira disposição do governador de São Paulo. E aproveitar uma provável vacilação, como os fatos estão assinalando para ocupar um espaço fundamental.

Fundamental, sobretudo, porque uma pesquisa já publicada há algum tempo, revela que se os Democratas pudessem votar na convenção do PSDB (o que a lei eleitoral não permite), forneceriam muito mais votos para o governador de Minas do que para o governador paulista. Mais flexível, porém firme nas suas investidas, no final da ópera ele ameaça muito mais Dilma do que Serra. Dinâmico, utilizando bem a juventude como instrumento para conquistar votos, a base mineira se apresenta em torno dele muito mais motivada e unida do que a de São Paulo em torno de José Serra. A impressão que dá, com base em experiências ocorridas ao longo dos últimos quase setenta anos, é a de que Aécio, se conseguir dar partida agora, subirá rapidamente nas pesquisas, da mesma forma que os próximos números vão indicar uma aceleração positiva para Dilma Roussef. Serra fica onde está. Política é assim mesmo. Muda de forma e direção em qualquer momento. No fundo, as eleições serão mais decididas na convenção dos tucanos do que na do PT. Porque a candidata do PT e de Lula está definida. A do PSDB ainda está por decidir.

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