Aécio tenta evitar estratégia do PT

Pedro do Coutto

O governador Aécio neves-reportagem de Cátia Seabra, Folha de São Paulo de 20 de outubro-, seguiu para São Paulo como objetivo de viabilizar sua candidatura à presidência da república.Sem dúvida impulsionado pelas manifestações de  nomes do DEM,que cobram mais rapidez na escolha do candidato das oposições, Aécio, no fundo, tenta evitar a estratégia do PT, que é a de transformar a sucessão de 2010 numa polarização entre o presidente Lula e o ex presidente Fernando Henrique,com o primeiro projetando sua imagem e sua extrema popularidade em torno de sua candidata, Dilma Roussef. O governador de Minas procura ressaltar que essa polarização só ajuda o governo, mas ela envolve muito mais Serra na rede política do que ele, Aécio. Por não ter integrado a administração FHC e não manter com ele a proximidade de Serra, estaria mais blindado contra o lance clássico do PT.Não é o único argumento do arsenal do Partido dos Trabalhadores.Mas, sem dúvida,um deles.E bastante eficiente,como exemplos anteriores revelaram.Aécio antecipadamente  rejeitou  novamente a hipótese de vir a disputar como vice presidente,anunciando que, se perder a indicação,concorrerá ao senado em 2010.Para isso, terá que deixar o governo de Minas até o final de março.Entretanto, a colocação do chefe do executivo de Minas é apenas um aspecto.Lula vai partir embalado integrando-se totalmente por Dilma Roussef, agora tendo ao lado o apoio de um dos candidatos à sucessão, Ciro Gomes.Estabelece-se assim um panorama singular na paisagem política: candidatos adversários, porém aliados cordiais como a imprensa tem ressaltado.Segundo turno mais do que assegurado, sobretudo com a presença da senadora Marina Silva.

Pela primeira vez na história, candidatos que deveriam se opor,na  realidade se unem.O presidente Lula cresce,o governo amplia seu raio de ação.Independentemente do PT, cuja seção paulista reclamou da presença de Ciro Gomes.mas o que poderá fazer diante da  liderança de Lula? Não possui inclusive alternativa. Romper como Planalto? Impossível. Pode ameaçar romper durante algum tempo. Mas jamais definitivamente. Não pode, sob hipótese alguma, abrir mão dos votos Lulistas, sob pena de os que assim viessem a proceder perderem as eleições.

O eleitorado está muito mais com Lula do que com a legenda. Lula personifica a imagem humana positiva, projetando-a no coletivo. A legenda é apenas um instrumento para o exercício de uma liderança que se consolidou.

Aécio Neves, sem dúvida, está certo em propor, por caminhos indiretos, a polarização que o presidente da República pretende usar e transferir em favor de Dilma Roussef. Mas dificilmente conseguirá convencer a maioria do PSDB. A maioria do PSDB baseia-se nas pesquisas de intenção de votos realizadas até agora. Muito arriscado ir contra elas. Números são números. Produzem efeito concreto. O que Aécio Neves propõe é uma esperança misturada com um sonho.Os demais partidos oposicionistas estão em silêncio, retraídos.Inclusive não são muitos. Poder-se-á considerar o PPS de Roberto Freire nessa relação? Não é fácil. Suas bases no Rio, por exemplo, estão muito mais em favor da reeleição do governador Sergio Cabral, que apóia Dilma, do que o apoio a Anthony Garotinho, depois de Fernando Gabeira ter preferido disputar o Senado.Ele pertence ao PV.A candidatura Marina Silva encurtou seu espaço de aliar-se ao PSDB, a exemplo do que sucedeu no episódio da disputa pela Prefeitura do Rio.Não há muito assim a movimentar um quadro que parece bem nítido. Mas Aécio está tentando.Tentar é sempre válido.

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