Afinal, CNBB, quem põe em risco a ordem democrática?

Percival Puggina

Não há nenhum indício de algum ato que possa justificar qualquer denúncia contra a presidente da República”. D. Damasceno, então presidente da CNBB, e cardeal arcebispo de Aparecida (SP), 12/03/2015.

Existem normas, regras, para um pedido oficial de impeachment. Creio que não chegamos a esse nível“. D. Leonardo, secretário geral da CNBB, 12/03/2015.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunida em sua 53ª Assembleia Geral, em Aparecida-SP, no período de 15 a 24 de abril de 2015, avaliou, com apreensão, a realidade brasileira, marcada pela profunda e prolongada crise que ameaça as conquistas, a partir da Constituição Cidadã de 1988, e coloca em risco a ordem democrática do País.” Palavras iniciais da Nota da CNBB Sobre o Momento Nacional, divulgada no encerramento da Assembleia.

Já mencionei que, como leigo, não tenho dever de acolhimento ou reverência às posições políticas dos senhores bispos. Nas democracias, a política é terreno de contraditórios, antagonismos, diversidade de opiniões. Quem assume posição política não pode, após ser imprudente, erguer o báculo cobrando dos fieis prudência e zelo pela autoridade religiosa que não soube preservar.

ENTROU NO JOGO…

A CNBB entrou no jogo e foi falar com Dilma. Espontaneamente, disse não ver motivo para impeachment. Certificou à mídia não existir “nenhum indício de algum ato” que possa justificar denúncia contra a presidente (uma certeza que não é compartilhada por muitos no mundo jurídico, por muitos mais no mundo político e por 63% dos brasileiros).

Tais afirmações podem e devem ser contestadas. O que as motiva pode e deve ser objeto de reflexão. Mormente se, no momento seguinte, a CNBB desencadeia campanha de apoio ao projeto de reforma política do PT.

Após tantas adesões, ora veladas ora explícitas à pauta petista, a questão que proponho à reflexão dos leitores, é a seguinte: quem ou o que estaria pondo em risco, na opinião da CNBB, a ordem democrática no Brasil? Formulo a pergunta, porque essa conversa sinuosa, melíflua, esse dizer sem ter dito, esse verdadeiro arremedo de nota oficial, pode ser ofensivo se dirigido aos milhões de brasileiros que saíram às ruas pedindo impeachment e exigindo das instituições, civicamente, que cumpram seu dever. E é um primor de circunlóquio, em relação ao alvo para onde deveria apontar: a pessoa da presidente e seu envergonhado governo, enclausurado nas próprias trampolinagens contábeis, mentiras, irresponsabilidades, más companhias e péssimos exemplos, seus black blocs, os exércitos de Stédile, e os incendiários divisionismos de Lula.

PIRUETA RETÓRICA

Afirmar, como D. Damasceno, que “os ânimos se exacerbaram durante a campanha política de 2014” e que “a tensão continua” é dar um torcicolo nos acontecimentos. É fazer coro ao PT quando denuncia um suposto “terceiro turno”. É uma pirueta retórica sobre a tensão política que se instalou no país.

A vítima, aqui, senhores, é a nação, indignada, mas ordeira, que não precisaria estar passando pela crise moral, econômica, fiscal, política, de credibilidade e de inteligência com cujas consequências se defronta. Tudo sob um governo que terceirizou suas atividades essenciais porque não as sabe cumprir.

63 thoughts on “Afinal, CNBB, quem põe em risco a ordem democrática?

  1. Os bispos, pelo menos os que estão no comando da CNBB, perderam a coragem, vivem com medo do pt, fazem de tudo pra não ofender qualquer que seja a vontade do pt… Estes bispos há muito que adotaram ao discurso da teologia da libertação. Infelizmente, a Santa Igreja sempre foi e continua sendo administrada, em grande parte, por homens que usam a medida do próprio nariz como padrão maior em detrimento da libertação humana a que o Evangelho se propõe. “Vós fariseus andais mares e mares pra encontrar um prosélito e quando o encontra o faz ser pior do que vocês”.

    Dito isso, a CNBB não tem moral pra ficar debatendo ou propondo uma reforma política.

    A Igreja não tem direito a fazer isso. Por diversos motivos, a citar a própria ideia de Cristo ter rejeitado “os reinos da terra”, bem como ter dado “a César o que é de César”; além disso, o pensamento da Igreja, a função da Igreja é mais espiritual que social, e já foi essa ideia de socialização que levou à Igreja ao secularismo, que tem comprometido gravemente a imagem do cristianismo católico. Outra coisa, é um desrespeito até para com os fiéis católicos que não comungam dessa preocupação da CNBB para com a política. No mais, para quem não pertence ao catolicismo ou mesmo seja ateu, é uma ofensa ao Estado de direito uma instituição religiosa ficar orientando a fé dos seus fiéis em prol de interesses e ideologias não religiosas, até por que o Estado é laico, e se o argumento de laico pode vir a ser usado em contrarresposta ao meu argumento, replico que a Igreja não paga imposto nenhum, diferentemente de qualquer outra pessoa física ou jurídica que tenta assentamento no Brasil. Logo defender um financiamento com dinheiro dos outros é luxo moral, certo?
    As experiências da Igreja com questão política sempre tiveram repercussões negativas. Vejam a época de D. Pedro II, a questão da maçonaria… Um caos irresponsável.
    É perigoso este posicionamento da CNBB. Sem falar que a proposta em si é ridícula. Donde já se viu cota sexual pra ocupar cargo político? E o mérito cadê? E as propostas cadê? Cristo criou cotas entre os doze discípulos? O clero cria alguma cota entre seus membros? Quantas bispas temos católicas na Igreja?
    Eu espero que a CNBB esteja fazendo um cálculo errado, prefiro crer que a CNBB foi bem manipulada pelos órgãos e partidos de esquerda comunistas que assinam ao pedido popular. Pois de outra maneira ficaria muito triste em constatar que os membros da CNBB tenha agido de má vontade, no sentido de segregar, no sentido de favorecer certas ideologias em detrimento do que foi estabelecido e conquistado no decorrer de décadas.
    Acho que a Igreja tem outras bandeiras a se preocupar. Veja a saúde pública. Os hospitais estão fechando. Nos últimos 13 anos 12000 leitos foram erradicados da rede pública. Ou seja, enquanto a população aumenta os leitos de assistência diminuem. A CNBB poderia também se posicionar com firmeza a respeito de temas como o aborto, que a todo momento vem à tona a discussão. A Igreja precisa ser firme naquilo que interessa à família católica. Ser firme assim como os evangélicos o são em seus ideais. Por que não se unir aos evangélicos em prol de defender a família brasileira, suas propriedades, seus valores? Por que não? Será que é por orgulho? Será que é por que os evangélicos são pouco instruídos e seus pastores são despreparados teologicamente e ricos de dinheiro financeiramente? Quem faz mais mal: um pobre pastor que quer somente mostrar o evangelho ou um teólogo da libertação que quer definitivamente degradar o cristianismo com base na fusão Evangelho/marxismo?

    É bom a CNBB abrir os olhos!

  2. À exceção de Dom Pedro Casaldáliga, de Dom Helder Câmara e alguns outros clérigos solidários com as camadas pobres da população, os padres e bispos da Igreja Católica sempre estiveram ao lado dos governos dos banqueiros, grandes proprietários (de bens materiais e de terras) e dos grandes empresários, incluindo a CNBB. Em suma, a CNBB é de direita. Nada a estranhar que a CNBB venha apoiar com ferro e fogo o governo de direita do PT, que governa para os banqueiros, para os grandes proprietários e empreiteiras, e como agora estamos vendo, ataca os trabalhadores com Medidas Provisórias que tiram dos trabalhadores direitos trabalhistas tão duramente conquistados desde a época de Getúlio Vargas. O PT está rasgando a CLT. A direita brasileira, representada pelo PT, tomou de assalto o governo federal, tanto no poder Executivo quanto no poder Legislativo, onde temos um Congresso retrógrado e reacionário (como vimos na votação de ontem das MP 664 e 665) e um Supremo Tribunal Federal conservador, que é pródigo em liberar “Habeas Corpus” para empreiteiros ladrões, cúmplices e doadores do PT, tentando prejudicar o trabalho do Juiz Sérgio Moro, além de ter dado penas ridículas aos réus do Mensalão, bandidos condenados pela própria Corte, hoje milionários, mas ligados a empresários poderosos, que lhes pagam fortunas por “palestras” e “consultorias” certamente de fachada, porque é difícil imaginar o que Lula, José Dirceu e companhia têm para dizer de novidade. “Palestras” que são o nome laranja para encobrir o tráfico de influência de Lula, por exemplo, para negociar empréstimos do BNDES a ditaduras como Angola (ditadura corrupta) para obras superfaturadas pelas empreiteiras nacionais.

  3. Deu no jornal católico “Instituto Humanista Unisinos”

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    Segunda, 12 de agosto de 2013

    Papa Francisco está perturbando – e dividindo – a direita católica

    Por mais de três décadas, o Vaticano dos papas João Paulo II e Bento XVI operou em uma versão da máxima conservadora: “Sem inimigos para a direita”. Enquanto os teólogos de esquerda eram silenciados e os bispos liberais a moderados eram postos de lado, os tradicionalistas litúrgicos e os conservadores culturais eram diligentemente cortejados e recebiam acesso direto ao palácio apostólico.

  4. Parece que esses senhores tão religiosos considerarão motivo suficiente para impeachment depois de haver passado o dia em que estivermos sendo fuzilados nas ruas, como os pobres venezuelanos.Señor Obispo, por qué no te callas?

  5. Estes padrecos não falam pelos católicos, deviam é serem excomungados em sua grande maioria, pois fazem proselitismo para seitas comunistas. Aos que possam interessar, a bula papal de PIO XII, até o momento presente não foi revogada, e excomunga os adoradores desta seitas malignas, e mais, Dom Helder e Pedro Casaldáliga, foram dois comunistas juramentados, a quem não sabe, favor estudar. Dois vagabundos que se infiltraram na igreja católica, defendendo a teoria da libertação, é uma associação de Jesus com Marx, com a predominância de Marx, que é contraditório, não se serve a dois senhores, um há de amar e o outro há de odiar. Jesus, é o filho de Deus, e Marx é o anti-Cristo

  6. Senhor Walter,

    O senhor tem todo o direito de pertencer à direita. A direita política, desde que seja democrática, é legítima participante do jogo político nacional. Mas não pode proferir injúrias a quem não se perfila com ela, como o senhor faz com a memória de Dom Helder Câmara. Tanto ele é reconhecido pela Igreja Católica, como é de amplo noticiário da imprensa, ele será brevemente beatificado no Vaticano, coisa que poucos clérigos são. Ao chamar Dom Helder de comunista, o senhor está fazendo coro com a ditadura militar, que também o acusava reiteradamente de ser comunista. Por favor, não faça coro com os fanáticos direitistas que enxergam como comunista tudo que é aproximação com a massa de desassistidos. Para seu governo (leia os jornais!) o Papa Francisco está reabilitando e se aproximando da Teologia da Libertação. E o papa é insuspeito de comunismo.

    Nem tudo que não é direitista é necessariamente comunista. Eu mesmo não sou comunista, mas não sou de direita. Veja abaixo, leia com atenção, e reflita melhor sobre a grande figura humana que foi Dom Hélder Câmara, e veja que o senhor está fazendo coro nada mais, nada menos, do que com a sinistra e criminosa ditadura militar instaurada em 1964:

    Dom Hélder Câmara

    Hélder Pessoa Câmara nasceu em Fortaleza, em 1909. Ainda jovem, aos 14 anos, entrou no Seminário da Prainha de São José, em Fortaleza, para cursar filosofia e teologia.

    Com 22 anos de idade, Dom Hélder se ordena sacerdote. Na sequência, passou a exercer o cargo de diretor do Departamento de Educação do Estado do Ceará. Realizou a função por 5 anos, até ser transferido para o Rio de Janeiro.

    Foi no Rio de Janeiro que desenvolveu algumas de suas principais obras sociais. Fundou a Cruzada São Sebastião, que era destinado a atender favelados, e também o Banco da Providência, que ajudava famílias pobres. Dom Hélder colaborou com revistas católicas, além de exercer funções na Secretaria de Educação do Rio de Janeiro e no Conselho Nacional de Educação.

    Recebeu um convite para ser assessor do arcebispo do Rio de Janeiro em 1946. Foi o responsável pela fundação do Conselho Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que o elegeu Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro.

    Em 1964, pouco antes do golpe militar, Dom Hélder foi nomeado arcebispo de Olinda e Recife. Após escrever um manifesto de apoio à ação católica operária em Recife, foi acusado de demagogia e comunismo, sendo proibido de se manifestar publicamente.

    Ficou conhecido por ter se tornado um líder contra o autoritarismo e os abusos aos direitos humanos, frequentemente praticados pelos militares. Além disso, atuou em movimentos estudantis, operários, ligas comunitárias contra a fome e a miséria. Foi um defensor da justiça e da cidadania.

    Mas a repressão estava cada vez mais dura. O assessor de Dom Hélder, o padre Antônio Henrique, foi preso, torturado e morto. Além disso, outros vinte colaboradores de sua arquidiocese são presos e torturados. Em 1970, fez um pronunciamento em Paris, denunciando a prática de tortura a presos políticos no Brasil, aproveitando-se da importância crescente que passava a ter. Dois anos depois, foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz. O governo militar não perdoa: divulga um dossiê acusando, mais uma vez, Dom Hélder de ser comunista.

    A partir de 1978, com uma lenta e gradual abertura política, Dom Hélder se dedica mais ainda a aplicar a sua teologia da libertação.

    Aposentou-se em 1985, deixando mais de 500 comunidades eclesiais de base organizadas, com operários, trabalhadores rurais e retirantes em busca de melhores condições de trabalho e de vida.

    Sempre atuante, Dom Hélder participou da campanha pelas “Diretas Já”. E realizou debates e palestras de conscientização para a cidadania em todo o país. Além disso, deixou registrado o seu pensamento em diversos livros, que foram traduzidos para diferentes línguas.

    Dom Hélder faleceu em 1999, vítima de uma parada cardíaca.

    Acervo: 27 frases e pensamentos de Dom Hélder Câmara.

    Frases e Pensamentos de Dom Hélder Câmara

    É graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa. Mas graça das graças é não desistir nunca.

    Dom Hélder Câmara

    Feliz de quem atravessa a vida inteira tendo mil razões para viver

    Dom Hélder Câmara

    As pessoas são pesadas demais para serem levadas nos ombros. Levo-as no coração.

    Dom Hélder Câmara

    Feliz de quem entende que é preciso mudar muito pra ser sempre o mesmo.

    Dom Hélder Câmara

    Feliz de quem entende que é preciso mudar muito…

    A maneira de ajudar os outros é provar-lhes que eles são capazes de pensar.

    Dom Hélder Câmara

    • Quem foi realmente Dom Helder Câmara?

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      12 de abril de 20152 comentários
      Julio Loredo | Corrispondenza Romana (*)
      Agencia Boa Imprensa

      Fonte: TFP Newsletter

      Muito se tem falado nestes dias sobre Dom Helder Câmara, cujo processo de beatificação foi recentemente aprovado pelo Vaticano. Para o italiano médio, a figura de Mons. Helder Pessoa Câmara (1909-1999), bispo auxiliar do Rio de Janeiro e, em seguida, arcebispo metropolitano de Olinda-Recife, é quase desconhecida.

      Quem foi Dom Helder?

      Propaganda que beira o limite do ridículo

      As únicas notícias sobre Dom Hélder Câmara que passam pelos filtros da nossa imprensa são aquelas provenientes das fábricas de propaganda local, de modo tão desequilibrado que eu não tenho medo de defini-las como beirando o limite do ridículo.

      Lembro-me bem, por exemplo, da reação da imprensa na época da morte de Dom Helder, em agosto de 1999. Os meios de comunicação italianos competiam entre si em panegíricos, dando títulos altissonantes como “profeta dos pobres”, “santo das favelas”, voz do Terceiro Mundo”, “Santo Helder das Américas” e assim por diante. Foi uma espécie de canonização pelos meios de comunicação de massa (1).

      Esta mesma máquina de propaganda parece ter sido reativada com a abertura do processo de beatificação, assinado no Vaticano no último 25 de fevereiro. Algumas informações sobre o assunto, de fato, não fariam mal algum.

      Militante pró-nazista

      Talvez poucas pessoas saibam, mas Dom Helder Câmara começou sua vida pública como militante pró-nazista.

      Ele foi, de fato, hierarca da Ação Integralista Brasileira (AIB), o movimento pró-nazista fundado por Plínio Salgado. Em 1934, o então Padre Câmara passou a fazer parte do Conselho Supremo da AIB. Dois anos depois, ele se tornou o secretário pessoal de Plínio Salgado e então Secretário Nacional de AIB, participando como protagonista em comícios e passeatas paramilitares que imitavam as dos nazistas na Alemanha. Suas convicções pró-nazistas eram tão profundas, que ao ser ordenado sacerdote fez questão de vestir, sob a batina, a famigerada “camisa verde” que era o uniforme da milícia integralista.

      Em 1946, o arcebispo do Rio de Janeiro queria fazê-lo seu bispo auxiliar, mas a Santa Sé recusou por causa de sua precedente militância pró-nazista. A nomeação veio apenas seis anos depois. Enquanto isso, Helder Câmara havia completado sua passagem do integralismo pró-nazista ao progressismo pró-marxista.

      Quando, em 1968, o escritor brasileiro Otto Engel escreveu uma biografia de Mons. Câmara, ele recebeu ordens sumárias da Cúria de Olinda-Recife proibindo-o de publicá-la. O arcebispo não queria que seu passado pró-nazista fosse conhecido.

      Da JUC para o PC. A Ação Católica Brasileira

      Em 1947, Padre Câmara foi nomeado Assistente Geral da Ação Católica brasileira, que, sob sua influência, começou a deslizar para a esquerda para abraçar, em alguns casos, o marxismo-leninismo. A migração foi particularmente evidente na JUC (Juventude Universitária Católica), da qual Helder Câmara era particularmente próximo. Assim escreve Luiz Alberto Gomes de Souza, antigo secretário da JUC: “A ação dos militantes da JUC […] foi convertida em um compromisso que, pouco a pouco, se revelou socialista” (2).

      A revolução comunista em Cuba (no ano de 1959) foi recebida com entusiasmo pela JUC. De acordo com Haroldo Lima e Aldo Arantes, líderes da JUC, “o ressurgimento das lutas populares e o triunfo da revolução cubana em 1959 abriu a ideia de uma revolução brasileira à JUC”. O deslize para a esquerda foi muito facilitado pela cooperação da JUC com a UNE (União Nacional de Estudantes), muito próxima ao Partido Comunista. “Como resultado de sua militância no movimento estudantil – prosseguem Arantes e Lima – a JUC foi forçada a estabelecer uma agenda política mais ampla para os cristãos de hoje. Foi assim que, no Congresso de 1960, foi aprovado um documento […] no qual se anunciava a adesão ao socialismo democrático e à ideia de uma revolução brasileira “(3).

      Durante o governo de esquerda do presidente João Goulart (1961-1964), foi formada dentro da JUC uma facção radical chamada inicialmente de O Grupão, que mais tarde veio a ser transformado em Ação Popular (AP) que, em 1962, se definiu a si mesmo como socialista . No congresso de 1963, a AP aprovou seus estatutos por meio dos quais “abraçava o socialismo e propunha a socialização dos meios de produção.” Estatutos que continham, entre outras coisas, elogios à revolução soviética e um reconhecimento da “importância decisiva do marxismo na teoria e na práxis revolucionária “(4).

      O desvio, no entanto, não parou por aí. No Congresso Nacional, de 1968, a Ação Popular se proclamou marxista-leninista, mudando o nome para Ação Popular Marxista-Leninista (APML). Visto que nada mais a separava do Partido Comunista, em 1972 foi decidido que ela deveria ser dissolvida e incorporada ao Partido Comunista do Brasil. Através desta migração, muitos militantes da Ação Católica acabaram indo participar da luta armada durante aqueles anos de chumbo no Brasil.

      Contra o parecer de não poucos bispos, Mons. Helder Câmara foi um dos defensores mais entusiasmados e convictos da migração da JUC para a esquerda.

      Contra Paulo VI e outras esquisitices

      Em 1968, quando o Papa Paulo VI estava prestes a publicar a encíclica Humanae Vitae, Mons. Helder Câmara tomou partido abertamente contra o Pontífice, qualificando a sua doutrina sobre a contracepção como “um erro destinado a torturar os esposos e perturbar a paz de muitos lares” (6).

      Em um poema que realmente provocou celeuma, o arcebispo de Olinda-Recife, ironizava as mulheres “vítimas” da doutrina da Igreja, forçadas, segundo ele, a gerar “monstros”: “Filhos, filhos, filhos! Se a relação sexual é o que você quer, você tem de procriar! Mesmo que seu filho nasça sem órgãos, as pernas feito palitos, a cabeça grande, feio de morrer!”.

      Helder Câmara também defendia o divórcio, endossando a posição das igrejas ortodoxas que “não excluem a possibilidade de um novo casamento religioso para quem foi abandonado [pelo cônjuge].” Perguntado se isso não iria dar razão para os secularistas, ele respondeu: “Que importa se alguém cante vitória, se ele está certo?”.

      O inquieto Arcebispo reivindicava também em alta voz a ordenação de mulheres. Falando a um grupo de bispos durante o Concílio Vaticano II, perguntava insistentemente: “Diga-me, por favor, se encontram algum argumento efetivamente decisivo para impedir o acesso de mulheres ao sacerdócio, ou se trata apenas de um preconceito masculino?” .

      E que importa se o Concílio Vaticano II impediu depois essa possibilidade? Segundo Câmara, “temos de ir além dos textos conciliares [cuja] interpretação compete a nós.”

      Mas os devaneios não terminam por aí. Em uma conferência realizada na frente dos Padres conciliares, em 1965, ele afirmava: “Eu creio que o homem criará a vida artificialmente, chegará à ressurreição dos mortos, e […] obterá resultados milagrosos na recuperação de pacientes do sexo masculino através do enxerto de glândulas genitais de macacos”.

      Defendendo União Soviética, China e Cuba

      As tomadas de posições concretas de Dom Helder Câmara em favor do comunismo (embora às vezes criticava o ateísmo) foram numerosas e consistentes.

      Por exemplo, permanece tristemente notório seu discurso de 27 de Janeiro de 1969, em Nova York, durante a sexta conferência anual do Programa Católico de Cooperação Interamericana. Sua intervenção foi assim tão favorável ao comunismo internacional, que lhe valeu o epíteto de “arcebispo vermelho”, um apelido que permaneceria indissoluvelmente ligado ao seu nome.

      Depois de ter reprovado duramente a política os EUA e a sua política anti-soviética, Dom Helder propôs um corte drástico nas forças armadas dos EUA, enquanto pedia à URSS para manter suas capacidades bélicas, a fim confrontar o ‘”imperialismo”. Ciente das consequências desta estratégia, ele defendeu-se de antemão: “Não me digam que esta abordagem colocaria o mundo nas mãos do comunismo!”

      Do ataque contra os Estados Unidos, Helder Câmara passou a tecer o panegírico da China de Mao Tse-Tung, então no auge da “revolução cultural”, que causou milhões de mortes. O Arcebispo Vermelho pediu formalmente a admissão da China comunista à ONU, com a consequente expulsão de Taiwan. Ele terminou seu discurso com um apelo a favor do ditador cubano Fidel Castro, que naquela época estava ativamente empenhado em promover a guerrilha sangrenta na América Latina. Ele também exigiu que Cuba fosse readmitida na OEA (Organização dos Estados Americanos), da qual havia sido expulsa em 1962.

      Esta intervenção, tão descaradamente pró-comunista e anti-ocidental, foi denunciado pelo prof. Plinio Corrêa de Oliveira no manifesto “O Arcebispo Vermelho abre as portas da América e do mundo para o comunismo”: “Essas declarações contidas no discurso de D. Helder delineiam toda uma política de entrega do mundo, e mais particularmente da América, ao comunismo. Estamos assim diante desta realidade estarrecedora: um Bispo da Santa Igreja Católica Apostólica Romana empenha o prestígio que lhe vem da excelsa dignidade de sucessor dos Apóstolos para tentar a demolição de bastiões dos mais preciosos da defesa militar e política do mundo livre contra o comunismo. Contra o comunismo, sim, que é o mais radical, o mais implacável, o mais cruel e o mais insidioso dos inimigos que jamais investiram contra a Igreja e a civilização cristã” (7).

      Um projeto da revolução comunista para a América Latina

      Dom Helder com o Pe. Comblin
      Dom Helder com o Pe. Comblin
      Mas talvez o episódio que causou maior espanto foi o chamado “affaire Comblin”.

      Em junho de 1968, um documento bomba preparado sob os auspícios de Dom Helder Câmara pelo padre belga José Comblin, professor do Instituto Teológico (seminário), em Recife, vazou para a imprensa brasileira. O documento propunha, sem véus, um plano subversivo para desmantelar o Estado e estabelecer uma “ditadura popular” de matriz comunista. Aqui estão alguns pontos:

      Contra a propriedade. No documento, Comblin defende uma reforma tripla – agrícola, urbana e fiscal – partindo do pressuposto de que a propriedade privada e, portanto, o capital são intrinsecamente injustos. Qualquer uso privado do capital deve ser proibido por lei.

      Total Igualdade. O objetivo, afirma Comblin, é estabelecer a igualdade total. Cada hierarquia, tanto no plano político-social como eclesial, deve ser abolida.

      A Revolução política e social. No campo político-social essa revolução igualitária propunha a destruição do Estado por mãos de “grupos de pressão” radicais, os quais uma vez tomado o poder, deverão estabelecer uma férrea “ditadura popular” para amordaçar a maioria, considerada “indolente”.

      Revolução na Igreja. Para permitir que essa minoria radical governe sem obstáculos, o documento propõe a anulação virtual da autoridade dos bispos, que estariam submissos ao poder de um órgão composto apenas por extremistas, uma espécie de “Politburo” eclesiástico.

      Abolição das Forças Armadas. As Forças Armadas deveriam ser dissolvidas e suas armas distribuídas ao povo.

      A censura na imprensa, rádio e TV. Enquanto o povo não tiver atingido um nível aceitável de “consciência revolucionária”, a imprensa, rádio e TV seriam estritamente controladas. As elites que discordam devem deixar o país.

      Tribunais Populares. Acusando o Poder Judiciário de ser “corrompido pela burguesia”, Comblin propõe o estabelecimento de ” tribunais populares extraordinários ” para aplicar o rito sumário contra qualquer um que se oponha a este vento revolucionário.

      Violência. No caso, que não fosse possível implementar este plano subversivo por meios normais, o professor do seminário de Recife considerava legítimo recorrer às armas para estabelecer, pela força militar, o regime que ele teorizou (8).

      O apoio de Helder Câmara

      O “Documento Comblin” no Brasil teve o efeito de uma bomba atômica. Em meio a polêmica que se seguiu, o Padre Comblin não negou a autenticidade do documento, mas disse apenas que, se tratava “só de um esboço” (sic!). Por seu lado, a Cúria de Olinda-Recife admitiu que o documento havia saído do seminário diocesano, sim, mas afirmava que “não é um documento oficial” (sic de novo!).

      Interpretando a legítima indignação do povo brasileiro, prof. Plinio Corrêa de Oliveira, então, escreveu uma carta aberta ao Mons. Helder Câmara, publicada em 25 jornais. Lemos na carta: “Estou certo de interpretar os anseios de milhões de brasileiros, pedindo a V. Excia que expulse do Instituto Teológico de Recife, e da ilustre Arquidiocese em que ainda refulge a gloriosa recordação de Dom Vital, o agitador que se aproveita do sacerdócio para apunhalar a Igreja, e abusa da hospitalidade brasileira para pregar o comunismo, a ditadura e a violência no Brasil”.

      Helder Câmara respondeu evasivamente: “Todo mundo tem o direito de discordar. Eu simplesmente ouço todas as opiniões”. Mas, ao mesmo tempo, confirmou Padre Comblin no cargo de professor do Seminário, respaldando-o com a sua autoridade episcopal. No final, o governo brasileiro revogou o visto do padre belga, que, em seguida, teve que deixar o país.

      Teologia da Libertação

      Mons. Helder Câmara também é lembrado como um dos paladinos da chamada “Teologia da Libertação”, condenada pelo Vaticano em 1984.

      Duas declarações sintetizam essa teologia. A primeira, do compatriota de Dom Helder, Leonardo Boff: “O que propomos é o marxismo, o materialismo histórico, na teologia” (9). A segunda, do peruano Gustavo Gutiérrez, padre fundador da corrente: “aquilo que entendemos como teologia da libertação é o envolvimento no processo político revolucionário” (10). Gutiérrez até explica o sentido dessa participação: “Só indo muito além de uma sociedade dividida em classes. (…) só eliminando a propriedade privada da riqueza criada pelo trabalho humano, nós seremos capazes de estabelecer as bases para uma sociedade mais justa. É por isso que os esforços para se projetar uma nova sociedade na América Latina estão se movendo cada vez mais em direção ao socialismo “(11).

      Precisamente sobre este tema recentemente foi publicado na Itália um livro pela editora Cantagalli: “Teologia da Libertação: um salva-vidas de chumbo para os pobres” (12).

      Amigo dos pobres e da liberdade?

      Mas talvez a maior lorota sobre Helder Câmara é tentar apresentá-lo como um amigo dos pobres e defensor da liberdade.

      O título de defensor da liberdade cai muito mal pra quem elogiou algumas das ditaduras mais sangrentas que flagelaram o século XX. Primeiramente o nazismo e depois o comunismo em todas as suas vertentes: soviética, cubana, chinesa…

      Acima de tudo, todavia, o título de amigo dos pobres não corresponde exatamente a alguém que apoiou regimes que causaram uma pobreza tão espantosa a ponto de serem qualificados pelo então cardeal Joseph Ratzinger como a “vergonha de nosso tempo” (13).

      Uma análise cuidadosa da América Latina -, país por país – mostra claramente que onde foram aplicadas as políticas propostas por Dom Helder, o resultado foi um aumento significativo da pobreza e do descontentamento popular. Lá onde, ao invés, foram aplicadas políticas opostas, o resultado foi um aumento geral de bem-estar.

      Um exemplo para todos: a reforma agrária, da qual Dom Helder foi o principal promotor e que, ao invés disso, mostrou-se “o pior fracasso da política pública em nosso país”, segundo palavras do insuspeito Francisco Graziano Neto, presidente do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que é o departamento responsável pela implementação da reforma agrária no Brasil (14).

      O leitor interessado em explorar o tema, com grande quantidade de dados estatísticos relevantes, pode consultar o livro mencionado acima (15).

      Indro Montanelli tinha razão quando disse: “a esquerda ama tanto os pobres que toda vez que chega ao poder faz com que seu número aumente”…

      ______________

      Notas:

      1. Cfr. Julio LOREDO, L’altro volto di Dom Helder, “Tradizione Famiglia Proprietà”, novembre 1999, pp. 4-5.

      2. Luiz Alberto GOMES DE SOUZA, A JUC. Os estudantes católicos e a política, Editora Vozes, Petrópolis 1984, p. 156.

      3. Haroldo LIMA e Aldo ARANTES, História da Ação Popular. Da JUC ao PC do B, Editora Alfa-Omega, São Paulo 1984, p. 27-28.

      4. Ibid., p. 37.

      5. Si veda, per esempio, Scott MAINWARING, The Catholic Church and Politics in Brazil, 1916-1985, Stanford University Press, 1986, p. 71.

      6. Cfr. Helder PESSOA CÂMARA, Obras Completas, Editora Universitária, Instituto Dom Helder Câmara, Recife, 2004. Cfr. Massimo INTROVIGNE, Una battaglia nella notte, Sugarco Edizioni, Milano 2008.

      7. Plinio CORRÊA DE OLIVEIRA, O Arcebispo vermelho abre as portas da América e do mundo para o comunismo, “Catolicismo” Nº 218, febbraio 1969. È interessante confrontare – per rilevarne le numerose somiglianze – il discorso di Dom Helder con quello tenuto da Ernesto “Che” Guevara all’ONU il 12 dicembre 1964.

      8. Si veda Plinio CORRÊA DE OLIVEIRA, TFP pede medidas contra padre subversivo, “Catolicismo”, Nº 211, luglio 1968.

      9. Leonardo BOFF, Marxismo na Teologia, in “Jornal do Brasil”, 6 aprile 1980.

      10. Gustavo GUTIÉRREZ, Praxis de libertação e fé cristã, Appendice a Id., Teologia da libertação, Editora Vozes, Petrópolis 1975, p. 267, p. 268.

      11. Gustavo GUTIÉRREZ, Liberation Praxis and Christian Faith, in Lay Ministry Handbook, Diocese of Brownsville, Texas 1984, p. 22.

      12. Julio LOREDO, Teologia della liberazione: un salvagente di piombo per i poveri, Cantagalli, Siena 2014.

      13. SACRA CONGREGAZIONE PER LA DOTTRINA DELLA FEDE, Istruzione Libertatis Nuntius, XI, 10.

      14. Francisco GRAZIANO NETO, Reforma Agraria de qualidade, in “O Estado de S. Paulo”, 17 aprile 2012.

      15. Julio LOREDO, Teologia della liberazione: un salvagente di piombo per i poveri, pp. 315-338. Il libro può essere richiesto online a info@atfp.it

      ______________________________
      Agencia Boa Imprensa

      Em complemento ao artigo acima, divulgamos uma famosa poesia de Dom Hélder que pode ser já chamado Servo Deus. Tem já estampas para devoção privada…
      “Sonhei que o Papa enlouquecia
      E ele mesmo ateava fogo
      Ao Vaticano.
      E à Basílica de S. Pedro…
      Loucura sagrada,
      Porque Deus atiçava o fogo
      Que os bombeiros
      Em vão
      Tentavam extinguir.
      O Papa, louco,
      Saía pelas ruas de Roma,
      Dizendo adeus aos Embaixadores,
      Credenciados junto a Ele;
      Jogando a tiara no Tibre;
      Espalhando pelos Pobres
      O dinheiro todo
      Do Banco do Vaticano…
      Que vergonha para os Cristãos!
      Para que um Papa
      Viva o Evangelho,
      Temos que imaginá-lo
      Em plena loucura!…”
      __________

      • Ednei, vou te dá um conselho, não sou intelectual, mas sou bem informado, por isso meu caro, vá estudar , e aí continuaremos o nosso bate papo, e por favor este discurso de politicamente correto, e mais, sou liberal democrático, menos povo, e mais indivíduo, abraço

      • Mas, Sr. Walter,

        Só mais um reparo. O senhor copiou a detratação de Dom Hélder Câmara do site da TFP, “Tradição, Família e Propriedade”, um grupo que já está desmoralizado até pelos católicos, e que apoiou a Ditadura Militar de 1964! É um grupo ultra-direitista. Por favor, afaste-se deles, mesmo se o senhor for católico. A TFP há muito tempo já caiu no ridículo. Só fui notar que o senhor copiou a postagem da TFP após fazer minha última postagem. Está lá, no cabeçalho de seu escrito: Fonte: TFP Newsletter. Procure saber mais sobre a TFP, que o senhor se horrorizará!

  7. “se dirigido aos milhões de brasileiros que saíram às ruas pedindo impeachment …”
    Milhões e nenhum é a mesma coisa, pura retórica, mero jogo de palavras para não se chegar a lugar algum, ou então, dar uma dimensão enexistente, indefinida.
    Haja Paciência!

  8. O esquerdismo, comunista ou não se fundamento em realidades dramatizadas criadas pela mente. Todo esquerdismo é sentimental. Contamina com uma facilidade espantosa os jovens por causa disto. Uma parte da Igreja Católica também deixou se contaminar por suas falácias.
    Hoje a direita é apenas uma invenção da esquerda que, sentimentalizada por ideologias, a classifica como contrária ao mundo maravilhoso, que essa mesma esquerda promete a todos.
    Na prática sabemos que em países onde a esquerda prevalece, e o Brasil já está assim desde Getúlio, o povo fica lambendo os beiços quando toma conhecimento da vida em países que não se encantaram com o esquerdismo e que hoje são os que oferecem melhores condições de vida para o cidadão.

  9. DEPOIS NÃO SABEM POR QUE É QUE ESTÃO CONTINUAMENTE PERDENDO FIÉIS!

    O ESTADO É LAICO HÁ MUITO TEMPO SE CONSOLIDOU A SEPARAÇÃO ENTRE IGREJA E ESTADO!

  10. Ótimo artigo. O que se pode esperar da igreja, foi sempre conservadora,
    esteve sempre ao lado das elites, e o PT é um partido elitista. Em 1964 serviu de base para que o golpe fosse viabilizado.

  11. A esquerda, em seus vários matizes, está de acordo sobre questões essenciais: defender direitos, benefícios e garantias sociais e trabalhistas que foram conquistadas com muita luta e sacrifício e se veem ameaçadas pelas políticas neoliberais. A esquerda vai muito além disso, propondo políticas públicas universais e de qualidade, lutando para que elas se transformem em bens públicos comuns, isto é, bens disponíveis para todos, gratuitos, custeados pelos impostos de todos, e não pagos pelos usuários. Moradia, luz, gás, água, transportes públicos, educação, saúde, coleta do lixo, equipamentos de esportes são serviços de responsabilidade do Estado que podem se converter em bens públicos comuns.

    Ser de esquerda é propor a sustentabilidade ambiental, a diversidade cultural, a igualdade entre raças e gêneros, a segurança alimentar, uma nova política para drogas e aborto. É ser um cidadão ativo pela paz, com liberdade e justiça.

    Ser de esquerda é desvendar os mecanismos de exploração e opressão e debatê-los publicamente, enfrentar as políticas geradoras da desigualdade social, como a política tributária ou a fixação da taxa Selic, e propor a inclusão social e política dos mais pobres, garantindo concretamente direitos para todos.

    Desde os anos 1970, a esquerda no Brasil vive uma transformação profunda e substitui a ideia de revolução pela defesa de uma democracia com igualdade e a justiça social. A descentralização e o controle social das políticas públicas e a participação cidadã na gestão pública são elementos centrais do novo projeto.

    E por que a democracia é essencial? Porque são as pressões e mobilizações sociais que estendem os direitos sociais e políticos para quem não os tinha e ampliam sua cobertura a todos. A democracia serve para tornar universais direitos que antes eram restritos a poucos.

    • A esquerda nasce do poder da mente em fugir da realidade, brota da utopia irresponsável que é fazer promessa ao mundo baseado numa promessa de que alguém vai trabalhar e fazer acontecer o que foi imaginado em delírios.
      A esquerda é o caminho torto, pois já nasce torta. A esquerda valoriza um superser que não é especificamente indivíduo nenhum, este monstro sem corpo que chamam de povo, sociedade…
      A esquerda fala em direitos, mas direitos a quê? direito de quem? Quem vai financiar tantos direitos? Saiba que o ser humano só tem direito a duas coisas: a vida que ganha e a liberdade para dar sobrevivência a essa vida. Observe que se ganha liberdade para sobreviver. Você ganha a vida mas não a sobrevivência. Cada indivíduo precisa garantir a própria sobrevivência, usando a própria capacidade para crescer e se desenvolver. Quando você diz que tem direito a alimentos, bem estar, você fala meia verdade se esses valores forem ganhos por meio das virtudes individuais. Caso contrário, você já está confiando a responsabilidade da sua própria sobrevivência a um terceiro. É como se num jogo de cabo de guerra você deixasse de fazer força confiando que seus colegas vão fazer o esforço suficiente. Acontece que se seus colegas também partirem de princípio semelhante vocês todos serão arrastados pelo campo oposto? Entendeu? Logo a ideia de direitos a que você propõe é uma falsa fé no esforço e mérito do outro ao seu lado. Isso tem outro nome também: parasitismo!
      Você fala em bens sem custos. Não existe. Tudo tem seu preço, seu valor. O custo é proporcional ao esforço intelectual empreendido no empreendimento. Os homens de boa vontade negociam entre si. Você compra com o melhor do seu potencial o melhor do meu potencial. É assim que o mundo honesto e racional funciona.
      Não existe, portanto, café de graça. Você tem o que merece. Você não pode querer para si o imerecido, pois isso é uma fraude contra você mesmo. Você vai poder usufruir do meu melhor conforme sua capacidade de me oferecer o seu melhor. O seu melhor compra o meu melhor. Se você não tem nada a me oferecer eu não tenho nada que ter relações com você. Eu não tenho nenhuma obrigação para com você a não ser respeitar sua vida e assegurar sua liberdade.
      Agora você tem sim o direito de dar o seu melhor sem querer nada em troca. Isso é sim uma virtude Cristã. Mas fazer caridade com o suor alheio não é virtude nenhuma, mas uma fraude.
      Mas o maior erro da esquerda é a falta de humildade. A esquerda tem uma ideia de pureza que dar náuseas.
      A esquerda acha que está acima do bem e do mal. Não tem o menor senso do ridículo. Resume tudo a opressor e oprimido. Procuram sempre se associar a tudo que há de elegante ao mesmo tempo em que rotula os outros com tudo que há de nojento. É assim com a questão ambiental, com a fome, com a pobreza. Vocês falam da pobreza como se esta fosse consequência do comércio. Mas não entendem que riqueza é que nem voar contra a gravidade, em que assim que se para de bater as asas o tombo é certo… Isso por que a pobreza é a regra da humanidade. Você nasce nu, sem nada. Você recebe a vida e tem, como já disse, direito à liberdade para viver. Mas a riqueza vai depender do seu potencial, do seu investimento pessoal. Se você não tem vontade nem ambições, tudo bem, vai continuar pobre assim como o que tem vontade de não ser pobre mas falta mérito para crescer.
      Vocês falam em oportunidade. Mas a oportunidade já é dada através da liberdade. O resto é por sua conta. Não existe o “Quero, assim seja”. Riqueza não é feita por milagre. Riqueza é feita por dedicação, trabalho, empenho e boa vontade.
      É difícil adquirir patrimônio. É uma luta árdua. Se fosse fácil todos seriam ricos. Mas não é assim. O jogo endurece à medida que se caminha e no final só os duros ficam no jogo duro. Pra enricar você precisa usar acima de tudo sua inteligência emocional, pois é grande a tentação de se gastar, de consumir logo sem se preocupar com o longo prazo. Poucos conseguem superar isso. Poucos.
      Logo o que você chama de desigualdade social não é fruto do acaso, mas de escolhas na vida. Logo não existe culpado pela pobreza alheia, mas existem homens fortes e dedicado que vão além de tudo e conseguem progresso para si e ainda usa esta riqueza para dar oportunidade a outros que iniciam. Esta oportunidade é o emprego, o emprego simples mesmo, com salário mínimo mesmo. O salário mínimo é o começo de tudo. Acontece que a maioria das pessoas querem ganhar num dia o que deveriam ganhar num mês.
      Eu não quero te ofender, mas pense com calma, reveja suas premissas. Ainda há tempo.

      • Francisco Menezes, adorei seu artigo, é uma obra prima, vou imprimi-lo e guardá-lo, para reler…..reler….e reler.Você é bótimo. Abraços, Walter

      • http://cronologia.leonardo.it/storia/biografie/montanel.htm

        Prezado Walter,

        Você está mal acompanhado quando cita, para desmerecer Dom Hélder Câmara, o escritor italiano Indro Montanelli. Como você pode ver acima, ele é um intelectual caricato da extrema-direita italiana, e assim categorizado na Itália. Seus escritos são ultra-conservadores e assim reconhecidos pelos próprios italianos. Indro Montanelli acaba tirando o brilho da bela contestação que você me fez no seu belo, bem escrito e bem estudado artigo nesta recente postagem. Respeito, no entanto, a sua opinião. Estamos num diálogo democrático e não pretendo (acho que nem eu nem você pretende) ser o dono da razão.

        Minha preocupação é o que vai acontecer no pós-Dilma, seja ela defenestrada logo, ou possa ela cumprir todo o seu mandato. Precisamos nos posicionar com idéias, cada um de nós com a sua, para influirmos nos partidos políticos então existentes, com o fim de projetar um plano para tirar o Brasil do atoleiro e levar este país ao pleno desenvolvimento. Que, depois de Dilma, seja alçado ao poder o partido (e os parlamentares) que representem a real vontade do povo brasileiro. Tenho certeza que o partido que sucederá a Dilma será um partido da direita democrática. A esquerda foi indevidamente “desmoralizada” pelo PT que, por sinal, como tenho dito, é um partido de direita, mas impropriamente confundido com a esquerda. Ora, um partido que governa para banqueiros, que tem ministro provindo dos bancos que auferem lucros imorais, que tem como ministra Katia Abreu, que se associa com Collor, Sarney, que faz negociatas com empreiteiras e tenta protegê-las depois que roubam com várias manobras na Justiça, inclusive no STF, que tem um líder que se tornou milionário, como Lula, de maneira desonesta, não pode ser de esquerda. Acho que com isso você concorda. Todavia, a inocência popular confunde o PT com a esquerda. Ora, a esquerda não é isso. Assim sendo, a esquerda, no imaginário atual da população, ficou sendo meio maldita, porque a população acha que a esquerda é isso que o PT está fazendo. Mas eu o cumprimento pelo seu belo artigo e fico contente por você já ter tomado uma posição. Bons partidos anti-esquerda existem no Brasil, dentre os quais destaco o DEM. Acho que nosso diálogo é profícuo, porque não adianta a Tribuna da Internet ficar só batendo no “Fora Dilma”, o que aliás nos une a todos. É preciso pensar no que queremos pós-Dilma, senão teremos uma anarquia. Mas não se deixe acompanhar por Indro Montanelli. Ele é o Bolsonaro italiano, como acima (o texto completo está disponível na internet).

        Abraços,

        Ednei Freitas

  12. Ednei Freitas e Francisco Menezes, dois comentaristas que se sobressaem pela cultura e inteligência na Tribuna da Internet, debatem esquerda e direita, mas de forma diferente do que estamos acostumados a ler. Ambos adotam o sentimento pessoal como argumento e alegação a respeito do que entendem ser verdadeiro ao ser humano, mas discutem em termos teóricos, exatamente o tipo de impasse que propicia a várias interpretações e nenhuma conclusão.

    Freitas tem plena razão quanto aos avanços sociais, que emanam do povo, que obrigam governos a considerar o cidadão, e não mero pagador de impostos;
    Menezes também tem razão quanto à liberdade e à vida, que devem ser decididas pelo indivíduo, e não pelo Estado, em face da corrupção e desonestidade de propósito permanente deste ente arrecadador e incompetente.

    Certamente envolvidos em suas interpretações sobre tais tendências políticas, sociais e econômicas, esqueceram que homem algum é uma ilha, que pode se fazer sozinho como as lendas americanas a respeito do “self made man” ou, então, que o governo contemple as necessidades deste mesmo cidadão em todos os seus requisitos.

    Não é por nada que existem poucos líderes, e muitos liderados;
    Que existem os fracos em grandes quantidades e, os fortes, raros de se encontrar;
    Que há os honestos, que se pode contar na palma da mão e, os desonestos, que são verdadeiras multidões;
    Que qualquer sociedade tem os inteligentes, que tanto trabalham para si e para os outros, porém usam tal condição para o bem ou para o mal, na razão direta que se registram mais carentes mentais e que seguem aquele que lhes determinam o caminho a seguir;
    Da mesma forma que conhecemos gente de fé, independente da crença que professa, pois sincero consigo mesmo e naquilo que acredita, ao mesmo tempo que sabemos haver quem não acredita em forças espirituais, e tenta danificar ou criticar aqueles que humildemente se veem mais frágil que o desconhecido;
    Que um povo é uma espécie de caleidoscópio, pois cada indivíduo reúne dentro de si um universo à parte dos demais, e busca o seu caminho ou atrás dos outros ou o seu, mesmo que jamais alcance o seu destino.

    Dito isso, tanto faz os que simpatizam com a esquerda ou com a direita, que sejam inclusive radicais na defesa dessas suas tendências, a verdade é que somos rebeldes por natureza, inconstantes, insatisfeitos permanentemente, razão pela qual tanto a sinistra quanto a destra não oferecem o mapa para que encontremos o nosso Santo Graal, a felicidade plena!

    Se a esquerda poda a nossa criatividade, liberdade, e nos compara a todos, a direita não nos permite a solidariedade, a caridade, o afeto, a consideração, pois a luta é constante para se vencer na vida, e os requisitos exigidos é a impessoalidade, a frieza, o cálculo, os passos bem dados e firmes, a competitividade.

    Se, para Menezes, a esquerda é para os fracos e, para Freitas, a direita representa o poder, a força, eu diria o contrário:
    A esquerda é para os fortes, mas eles são poucos;
    A direita é para os honestos, mas eles são raros!
    Tanto em uma quanto em outra, só resta à humanidade uma tarefa:
    SUBSISTIR.

    E nesta humildade de reconhecermos o quanto somos dependentes de nós mesmos, encontrarmos uma forma de amenizar os nossos sofrimentos, de vivermos mais em paz, com mais harmonia, compreensão, e menos ódio, menos diferenças, preconceitos, que a política, a economia, a sociologia, e a própria religião não vão conseguir, e os exemplos estão diante de nossos narizes e nos livros de História e, no entanto, teimamos em discutir quem é a melhor se, na verdade, as duas, direita e esquerda, simbolizam o que temos de ruim, de mau, simplesmente pelo fato que nos separam, que nos distanciam, e nos tornamos inimigos, em consequência!

    Respeitosamente, quero que a esquerda e a direita acabem um dia, e ressurja o homem, o ser humano e, com ele, os mesmos objetivos a todos:
    Uma vida melhor!

      • Francisco Menezes, meu caro,
        Esta é a questão primordial, viver melhor, sempre.
        Ou nos damos o valor devido ou continuaremos na defesa de teorias que, na prática, nos fizeram muito mal ao longo do tempo.
        Observa que, desde o término da Segunda Guerra Mundial, os problemas que a direita e esquerda ocasionaram à humanidade, quantos mortos, quanto atraso econômico e social, a quantidade de políticos desonestos e a corrupção como aumentou entre os governos.
        Alegro-me que concordemos em vários pontos, sinal que não estou de todo errado, pois tomo o amigo como parâmetro do que é correto para mim.
        Um abraço.

    • Senhor Francisco Bendl,

      Sou admirador de seus comentários. O senhor é um dos mais eruditos comentaristas desta TI. Seu comentário acima, sobre o diálogo entre eu e o Sr. Walter, mostra mais uma vez sua ponderação e equilíbrio. Estamos aqui no blog batendo sem parar no governo do PT e nos funcionários da Petrobras que ajudaram a roubar a Petrobras, junto a empreiteiros inescrupulosos.

      Mas preocupa-me o que irá acontecer com o Brasil após defenestrada a presidente Dilma. Não temos cuidado disso. Daí minha discussão sobre a posição política de cada um. Precisamos escolher um partido político com idéias que representem a cada um de nós porque teremos um governo depois de Dilma e teremos pela frente de eleger um novo Congresso Nacional que, espero, não seja um Congresso retrógrado como o que está hoje instalado. Ano que vem teremos eleições nos municípios, e precisamos nos preparar para elas. Só “Fora Dilma” não basta.

      O blog nos permite o debate político, e este é necessário. Tento contribuir para que todos abram os olhos desde já.

      Agradeço suas carinhosas e benevolentes palavras, e o blog não pode prescindir de sua colaboração, que tem sido estupenda.

      Saudações carinhosas,

      Ednei Freitas

      • Caro Ednei Freitas,
        Excluindo este velho escrevinhador, a Tribuna possui uma gama de comentaristas excelente, sendo tu um deles.
        Admiro o teu trabalho, a tua postura política, teu respeito e educação para aqueles que raramente discordam de uma colocação tua.
        Assim, quando ousei comentar sobre o registro que tu e Menezes faziam a respeito das tendências políticas de esquerda e direita, eu quis trazer à baila outra opção, fora do contexto político e econômico, mas enaltecendo o ser humano, usado e explorado pelos dois lados há tempos.
        Tive a intenção de querer estender o tema e o debate, de modo que chegássemos à conclusão que não podemos nos subjugar a regimes e sistemas que deixam largos espaços nas realizações pessoais e coletivas, ocasionando, inclusive, ódio e desavenças irreconciliáveis.
        Pois são estas as consequências da direita e da esquerda, onde cada uma se acha correta, adequada quando, na verdade, possuem falhas gravíssimas, e nos têm conduzido à incompreensão e maior afastamento do ser humano para com ele mesmo.
        Ora, na razão direta que escrevi que a esquerda era para pessoas fortes, dei a entender que por necessitar do povo que ela julga oprimido, fraco, injustiçado, exatamente nivelando todos de uma forma somente, os próprios líderes de esquerda se deixam subjugar pelas tentações do poder pelas suas próprias fraquezas!
        Líderes de esquerda devem ser fortes para fortalecer o povo fraco, e fazê-lo entender que é ele quem manda no país, e não ser comandado por teses ou meia dúzia de espertalhões.
        Ao registrar que a direita era para honestos, o meu recado era que a luta empenhada na sobrevivência em vencer as dificuldades do dia, exatamente porque se tem liberdade (relativa) e a vida pode ser comandada pelo indivíduo, ele usa de todas as maneiras lícitas e ilícitas para vencer, subir na vida, ter bens materiais, deixando de lado o próximo, muitas vezes iludindo-o, mentindo, enganando-o, pois constatou que a desonestidade é um meio de atingir seus objetivos!
        Considerando que nossas características humanas mais acusam defeitos que qualidades, lamentavelmente, houve uma inversão total sobre quem são os líderes da esquerda e da direita.
        O socialismo ficou ao encargo de desonestos, pois usam o povo para obterem o poder e, a direita, para os fracos, que se deixam levar pela corrupção, pelo dinheiro.
        Na minha humilde interpretação, fora com as duas tendências políticas!
        Viva o ser humano, original, autêntico, realçando o que lhe resta de bom, e não valorizando suas negatividades, seus defeitos, suas vaidades, presunção e arrogância.
        Obrigado pelo retorno, meu caro Freitas.
        Um forte abraço.

  13. Sr.Bend escreveu bem, discusou bem, argumentou bem, agradou o sr. Ednei, mas, na vida tudo tem um mas, cadê a Nação socialista, desenvolvida, igualitária de sucesso? Ela existe? O óbvio, ululante, é que ela só está no imaginário. Então, conclui-se, que o Sr. Menezes, é o que está mais perto da verdade.

    • É que a esquerda desconhece que a teoria na prática é outra e que na prática existe mais do que imagina sua vã filosofia.

      A maioria das pessoas não quer o mal do próximo. Por isso a maioria ajuda os necessitados.
      Nos EUA existe um cinturão de caridade pessoal que assegura aos necessitados abrigos e alimentos, etc.
      Muito que lá vivem nas ruas é por opção ou alguma deficiência mental. Mas como eu disse, têm bastante assistência por parte da população cristã. Pessoal ou através de organizações.

  14. Walter, meu caro,
    Peço que releias o meu comentário, pois não agradei nem um nem outro comentarista, fui verdadeiro com eles ao elogiá-los pela inteligência e cultura.
    Discordei de ambos nas defesas que fizeram sobre esquerda e direita, apesar do alto nível de suas argumentações e alegações.
    No entanto, tanto uma quanto a outra tendência jamais resolveram o problema do ser humano em termos individuais e coletivos, então possuem falhas, e graves.
    Desta forma, a intenção não foi “agradar” ao Ednei, tampouco ao Menezes, mas externar a minha opinião e, fosse eu, sim, quem os desagradasse, por discordar de tão ilustres comentaristas, infinitamente superiores a mim em quaisquer análises que forem feitas.
    Um abraço, Walter.

    • Alverga,
      Bem lembrado sobre a Escandinávia e sua social-democracia.
      Nem esquerda e nem direita.
      O Estado a serviço do cidadão e, este, trabalhando e vivendo livremente para fortalecer a sociedade e conquistar espaços que lhe trazem segurança, conforto, educação e saúde.
      Evidente que, para se atingir este nível elevado de convivência, um pressuposto é fundamental:
      EDUCAÇÃO.
      Enquanto tivermos mais de 13% de analfabetos e mais de 60% de analfabetos funcionais, definitivamente, a social-democracia será para os brasileiros um sonho distante, uma utopia, resultando que teremos de enfrentar muitos anos ainda de esquerdas e direitas permanentemente dispostas e intencionadas em nos explorar, em nos usar despudoradamente para seus objetivos:
      O poder.
      Saudações, Alverga.

    • É que nesses países imperam os maiores índices de liberdade econômica do planeta!

      Por exemplo: a Dinamarca fica em 11º , a Suécia em 23º , a Noruega em 27º e a Finlândia em 19º.

      O Brasil está em 118º e com viés de alta!!!!

      A liderança pertence a Hong Kong. E o pior país em termo de dirigismo estatal é a Coreia do Sul que ocupa o 178º lugar.

      Veja que não estamos muito longe. E com o PT no poder poderemos chegar lá.

      Veja aqui:http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=en&u=http://www.heritage.org/index/&prev=search

  15. Ednei Freitas.
    Só uma pergunta:

    – Como que a esquerda iria distribuir – que é o que ela sabe melhor fazer, depois de cobrar uma comissão – se a direita não produzisse ?

    Por favor, não coloque no mesmo saco empresários da iniciativa privada que produzem, empregam e pagam impostos, sem favores públicos, com aqueles “empresários” que só existem por estarem eternamente mamando nos cofres públicos. Esses “empresários” financiam os bandidos que os partidos políticos nos impõem naquilo que chamam de eleições, e depois cobram a conta, salgada.

    A sua colocação ao se iniciar este debate, sempre oportuno, de que o PT é de direita, aliás agora corroborado pelos brizolistas do PDT, é no mínimo estranho.
    Somente agora, 12 anos depois, e pelo fato de que a incompetência e corrupção do lullo-petismo foi desmascarada, querem jogar o PT e seus penduricalhos no colo da direita ?
    Os brizopedetistas então, estão há 12 anos mamando e se locupletando no Ministério do Trabalho, tanto que este último Ministro – são todos afastados por malfeitos-, o Manoel, só permaneceu porque prometeu “botar a boca no trombone” se também fosse defenestrado. Para estes, agora, até a Dilma é udenista, não obstante ser pedetista antes de ser petista e se apresentar ao “distinto” público como torturada pela ditadura. E, agora que a teta secou, querem cair fora, denunciando o lullo-petismo de direita, udenista, etc.

    Lulla é apenas, como você mesmo já reconheceu, um inescrupuloso e sem caráter. Nunca foi de esquerda e nem de direita. Mas, se o PT é a UDN de macacão, o que os brizolistas estão fazendo lá, q

    • Prezado Martim Berto Fuchs,

      Os brizolistas que ainda estão no PDT poderiam voltar a ler os escritos, a biografia e inspirarem-se na figura do ex-governador Leonel Brizola, herói da resistência à ditadura militar e um grande militante da esquerda democrática. Falava em implantar um “socialismo moreno” no Brasil. Brizola nunca concordaria em fazer parte do governo do PT. Aliás, sempre foi adversário de Lula, mesmo antes de Lula se revelar um ladrão. Sabia que o PT era uma UDN de macacão. Penso que os briosos brizolistas que ainda estão no PDT devem atuar para que o PDT saia logo deste governo nojento de Dilma e Lula.

      Sobre o PT, vou reproduzir o que escrevi acima, quando comentei a adesão do deputado Bolsonaro ao PRTB, partido de Levy Fidelix:

      Levy Fidelix já começa mal ao declarar que “a notícia já está se espalhando por todo o Brasil e com certeza deve assustar o pessoal da esquerda corrupta que se apoderou do poder”, disse Levy no seu site oficial em comunicado. Ele fala do PT quando se refere a uma esquerda corrupta que se apoderou do poder. Ora, o PT não representa a esquerda. Vejamos: governa para os banqueiros e para os grandes latifundiários (tem Katia Abreu como ministra de Dilma). Não taxou as grandes fortunas, tem como aliados Sarney e Collor. Os principais membros do PT, Lula inclusive, enriqueceram da noite para o dia. Lula tem se empenhado (sob gordas comissões) a promover, por trafego de influência, para que empreiteiras, com financiamento do BNDES façam obras superfaturadas em países como Angola (uma ditadura corrupta). Já declarou que em seu governo os bancos lucraram como nunca. Agora o PT, capitaneado pelo banqueiro Joaquim Levy e apoiado por Dilma, corta direitos conquistados a duras penas e há décadas pelos trabalhadores humildes, que dependem do INSS. Dificulta o seguro desemprego. Quer cortar pela metade a pensão das viúvas e quer rasgar a CLT e os direitos dos trabalhadores que vêm desde a era Vargas. O presidente da FIESP, Paulo Skaf foi até o Congresso Nacional para pressionar os parlamentares a votar as medidas impopulares de Dilma e Levy. O Partido dos Trabalhadores (PT) rouba descaradamente a Petrobras, a Eletrobras, os fundos de pensão, a Fundação Geap. A eleição de Dilma é suspeita de ter sido fraudulenta, em evento produzido pelo ministro do STF (e do TSE) Tóffoli, que pode ter fraudado o resultado das urnas eletrônicas, conferidas só por ele em sala secreta. O PT não deu um passo sequer para a Reforma Agrária. Sob o governo do PT houve desmatamento na Amazônia, e nada foi feito pela ecologia e preservação ambiental. O Ministério da Agricultura do PT é a Igreja dos latifundiários. Dilma estimulou, em seu primeiro mandato o consumismo irresponsável, o que levou o país à bancarrota e à crise atual. Fez do Bolsa Família, programa meramente assistencialista, um programa populista e curral eleitoral. Como é que um governo desses, e um partido desses, como o PT pode ser chamado de partido de esquerda? O PT é um partido de direita totalitária e não democrática. Existem no Brasil partidos de direita democrática, aos quais respeito. Mas o PT não é um partido de direita democrática. Aliás, Bolsonaro, embora adversário do PT também é de direita, mas uma direita muito atrelada à ditadura militar de 1964, e que não foi nada democrática. Temos de respeitar o deputado Bolsonaro porque foi eleito pelo povo com uma enormidade de votos, mas ele não é um exemplo a ser seguido pelos cidadãos de bem. Quanto ao caricato PRTB e o seu líder Levy Fidelix, estes merecem a insignificância de votos que receberam nas urnas. Continuará a ser um partido de aluguel e sem eleitores que o sufraguem.

      • Ednei Freitas.

        “Leonel Brizola, herói da resistência à ditadura militar e um grande militante da esquerda democrática. Falava em implantar um “socialismo moreno” no Brasil. Brizola nunca concordaria em fazer parte do governo do PT.”

        1. Esquerda democrática: Brizola defendia empresas estatais, tanto que estatizou a Carris em POA e a telefonia do RS, transformando-as em monumentais cabides de emprego.
        2. O que quer dizer socialismo moreno ? Um socialismo “criado” por Brizola ? Empresas estatais diferentes ?
        3. Parte do governo do PT: então como aceitou ser vice do agora “udenista” Lulla, que passou à ser descartável depois que não tem mais nada para dar ?

  16. Mas os indicadores sociais excelentes dos países nórdicos são decorrência da economia social de mercado e do Estado do Bem Estar Social, e não da liberdade econômica. Esses países praticam o capitalismo com responsabilidade social, o que é bem diferente do capitalismo selvagem que vigora nos Estados Unidos.

    • Não se pode confundir a escala tributária com o dirigismo estatal. De modo algum!

      Esses países são socialmente mais justos justamente porque conseguem gerar uma maior quantidade de riquezas usando a sua inteligência e dando liberdade de ação para a economia de mercado.

      E olhe que os EUA se encontram da décima segunda posição.

      A liberdade de mercado mostra-se de maneira insofismável como uma das principais características para percorrer o caminho da justiça social. E por quê? Por que sem gerar riqueza ninguém consegue fazer justiça social. E para gerar riqueza é imprescindível haver liberdade para o mercado.

      Esses países citados comprovam isso indiscutivelmente.

    • Importa em primeiro lugar, produzir. Sem isto não há nem produtos nem dinheiro para “distribuir”. E quando se fala em socialismo – produção na mão do Estado – não há o que distribuir, pois só se produz déficit.

      Também não estou de acordo com o capitalismo individualista dos EUA, único a levar ao extremo a lei da selva, a lei do mais forte. Mas daí a defender o socialismo vai uma distância quilométrica.

      Capitalismo Social defende a produção pela iniciativa privada, que sabe produzir com eficiência e produtividade. O que não quer dizer que alguns produtos e empresas não possam ter o Governo como sócio majoritário, desde que estas empresas não sejam utilizadas preferencialmente como cabides de emprego.
      Empresas na mão do Estado não pode significar autorização para o desperdício. Não precisam obrigatoriamente perseguir o lucro como objetivo maior; dependendo das políticas de Governo, podem produzir com lucro apenas para reinvestimento, e auxiliando o parque industrial do país à se desenvolver.
      A defesa que fazem das empresas estatais, dá à entender que elas pertencem às pessoas que se encontram nas suas folhas de pagamento e aos políticos que indicam e lá colocam seus cabos eleitorais, parentes amantes e amigos. É preciso deixar claro que elas pertencem (deveriam) à sociedade como um todo.

      http://capitalismo-social.blogspot.com.br/2012/08/510-capsoc-empresas-sociais.html

      http://capitalismo-social.blogspot.com.br/2013/07/grandes-empreendimentos-podem-sim-ser.html

  17. Porém prezado Wagner o que diferencia esses países dos demais países capitalistas é exatamente a existência dos mecanismos de redistribuição da renda que corrigem as iniqüidades distributivas da riqueza que caracterizam o livre mercado, que na verdade é uma ficção, assim como a concorrência perfeita. O que existe na verdade no capitalismo ocidental são mercados oligopolizados, o que justifica a existência dos sistemas nacionais de defesa da concorrência, inclusive nos Estados Unidos que, já no final do século XIX, adotaram o Sherman Act como forma de combater o monopólio do refino de petróleo da Standard Oil, da família Rockfeller. O mercado assegura a alocação eficiente dos recursos escassos, mas não garante a justiça distributiva da renda gerada no processo econômico. Daí a necessidade da intervenção do Estado para corrigir essa falha de mercado.

    • Bem, creio que todo o Estado tem que haver regras e estas regras são colocadas pela própria figura do Estado, mas, é preciso que elas sejam funcionais e, principalmente, coloquem freio na própria ação estatal, sob pena de, apesar de o “Estado” estar bem-intencionado acabar por destruir o próprio mercado manipulando suas quatro políticas macroeconômicas em prejuízo da geração de riquezas.

      Um exemplo de ação esperada do Estado é a repressão à formação de cartéis, oligopólios, monopólios e monopsônio, por exemplo. Temos aí o CADE. Eu pergunto: o Estado não funciona a contento nem com o básico, com as ações mínimas em áreas como educação e saúde. Quanto mais agir corrigindo o mercado!

      Quer um exemplo? O CADE evitou a formação de um oligopólio do nosso setor bancário?! Não.

      O Estado brasileiro não dá conta nem do mínimo que se espera dele. Olha que coisa absurda!

      É por isso que se diz que o país cresce de noite, quando os governantes estão dormindo.

      Estamos sentindo isso agora mesmo em nossa pele. A ação tresloucada de Dilma e Mantega no relaxamento da política fiscal, na transferência de recursos para empresas eleitas pelo governo como beneficiárias, as desonerações tributárias a setores específicos, também desequilibrando a livre concorrência, e por aí vai…

      Esses países conseguem ser socialmente mais justos porque praticam o livre mercado o que faz de suas economias, economias estruturadas e fortes, o que acaba agregando valor à função de governo em suas políticas sociais.

      Simples assim.

      • Prezado Sr. Alverga, liberalismo puro não há, pois, ninguém vive sem regras. Olhando a lista dos países decorrente de uma gradação de liberdade econômica, podemos ver que levam vantagem clara aqueles países cuja liberdade econômica se sobressai em relação aos outros.

        O liberalismo puro é autofágico: se exprime na voracidade do lucro sem limites, começa por eliminar a concorrência, depois o consumidor e, por fim a si próprio.

        O Estado tem de entrar para controlar e limitar o processo de acumulação de riquezas, tomando-a de volta no círculo de rendas mediante a aplicação de tributos que respeitem a capacidade contributiva e redistribuindo à sociedade a riqueza que gerou. É como se fosse a participação do lucro total gerado por toda a sociedade que deve usufruir de bens públicos, serviços prestados pelo Estado ou mesmo servindo-se da transferência de rendas; tudo conforme o grau de necessidade. Num sistema que combina a liberdade da iniciativa privada e a intervenção estatal na estruturação social para a promoção do equilíbrio material.

        É na justiça social promovida pelo Estado que se corrige as falhas do sistema dito meritocrático. E assim todo mundo lucra.

  18. Na Grã-Bretanha mais uma vez os conservadores ganham as eleições.
    Os ingleses que já experimentaram a farsa esquerdista quando os Partido Trabalhista detinha o poder pois viviam numa pindaíba de dar gosto, viram a mudança positivíssima quando Margareth Thatcher chegou ao poder e mudou o Reino Unido da água pro vinho.

    Enfim, é muito bonito falar que a esquerda é que vai melhorar a vida dos trabalhadores e que ela é sua porta-voz, mas quem arruma as coisas de maneiras a melhorar o nível de vida da população são os conservadores ( no que diz repeito à ordem social democrática) e liberais (na economia).
    Ou seja: a teoria na prática é outra.

    • Patrão direitista, na hora de pagar seus funcionários, vira esquerdista. Patrão esquerdista, quando paga seus funcionários, vira direitista. É uma metáfora bem verdadeira.

  19. Newton e Amigos, aproveitando o ensejo, segue sugestão de artigo sobre a eleição inglesa.

    ““Apontamentos sobre a eleição no Reino Unido”
    O Reino Unido é composto pela união da Grã Bretanha (Inglaterra, País de Gales e Escócia) e da Irlanda do Norte. O país é dividido em 651 distritos eleitorais. Em cada um dos distritos vence a eleição o candidato que obtiver a maior quantidade de votos. É o sistema eleitoral distrital puro, que favorece o bipartidarismo e a governabilidade mas, por outro lado, faz com que todos os eleitores que não votaram no candidato vencedor do pleito no distrito fiquem sem representação política, o que é um defeito do sistema eleitoral classificado como majoritário. Por exemplo, se num distrito qualquer vencer a eleição um candidato trabalhista obtendo 25% dos votos, os outros 75% dos eleitores do distrito que não votaram no vencedor ficarão sem representação política. Nisto consiste o sistema eleitoral majoritário, que é o sistema brasileiro para eleição dos senadores federais. Uma forma de reduzir essa distorção é representada pelo sistema distrital de eleição majoritária que vigora na França, na qual os dois candidatos mais bem votados no 1º turno disputam a vaga no 2º turno, sendo idêntico ao sistema brasileiro de eleição para os detentores do Poder Executivo nos Municípios com mais de 200 mil eleitores, o que se aplica aos Estados e à União. A extrema direita britânica representada pelo Partido UKIP (United Kingdom Independence Party), que defende a saída do Reino Unido da União Européia e severas restrições à imigração, obteve um resultado pífio, vencendo em apenas 1 distrito. O Partido Conservador do Primeiro Ministro David Cameron, obteve a maioria simples (mais de 325 cadeiras na Câmara dos Comuns) necessária para governar sem precisar fazer qualquer coalizão. Essa vitória significa a perspectiva de haver, no futuro próximo, um referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Européia bem como o endurecimento da política de imigração.
    Outro destaque do pleito foi o avanço impressionante do Partido Nacionalista Escocês, vencendo em 56 dos 59 distritos eleitorais da Nação, suprimindo a tradicional hegemonia trabalhista na Escócia, o que coloca em evidência, novamente, a questão da independência escocesa, apesar do resultado do plebiscito do ano passado no qual a permanência da Escócia no Reino Unido foi aprovada por 55% contra 45% a favor da separação. Caso prevalecesse o resultado da eleição distrital de ontem, a Escócia, com seus 5 milhões de habitantes, estaria fora do Reino Unido.
    O Reino Unido tinha um déficit público de cerca de 12% do PIB em 2010, quando Gordon Brown, trabalhista da Escócia, deixou o Governo, depois de o Governo Britânico salvar os bancos falidos, inclusive o Royal Bank of Scotland. Agora, depois de cinco anos de austeridade conservadora, o déficit público diminuiu para cerca de 5,7% do PIB em 2014, enquanto no Brasil houve o registro de déficit público nominal de cerca de 6% do PIB no ano passado, porcentual quase igual ao britânico.

  20. “Mecanismos de redistribuição da renda”

    O melhor mecanismo de distribuição de renda é na origem do fato e não depois.
    No Brasil, na origem é fraquíssimo, pois primeiro temos que entregar a parte do governo, 40% do produzido, e o depois não existe, pois o governo acaba com todo dinheiro arrecadado apenas para se manter no fausto, pois é um fim em si mesmo.

    Capitalismo Social.
    Na origem: 50% do lucro para o capital (acionista, seja ele quem for) e 50% do lucro para o trabalhador.
    Depois, com os impostos: educação, saúde, segurança e infra-estrutura, sendo os itens educação e saúde, direcionados na razão direta da renda dos necessitados.

  21. Bom, de modo a não me acusarem de ter saído do tema proposto acima, admito que as manifestações da CNBB e sua tendência à esquerda porque entende que apoiar os pobres a política deve ter uma decoração vermelha, põe em risco a democracia, sim!
    A Igreja, de certo modo, incentiva o ódio, enaltece a diferença de classe, e julga os ricos como culpados pela situação de quem a CNBB defende, que é uma flagrante injustiça e sofisma.
    A própria Igreja se hoje tem o poder que desfruta, a grandiosidade mundial e fortuna incalculável em patrimônio, artes, terrenos e dinheiro guardado, certamente não obteve esta posição através dos pobres, que ela impedia de lerem a Bíblia porque não saberiam entendê-la, como diferenciava ricos e pobres pela venda de indulgências.
    Não podemos esquecer que pouco tempo atrás, pertencer à Igreja era status, posição social elevada, e enormes heranças dos filhos de mercadores eram doadas à Santa Sé.
    Reis e príncipes tiveram na maioria de seus reinados a Igreja ao lado do Estado, e que esta sempre tomou posição ao lado do poder, evidentemente.
    Ora, na América Latina, nas últimas décadas, o crescimento dos pobres foi enorme e incontrolável. De que forma angariar este povo, tê-lo como aliado?
    Um dia, certamente – os bispos pensaram – um pobre chegará ao poder, e se lembrará que foi a Igreja que o amparou nos momentos difíceis, isto é, apoio moral, espiritual, pois financeiro e material, jamais!
    A previsão se concretizou, então a Teologia da Libertação, mas de quê?!
    Não foi da miséria, pois o pobre continua dependente da caridade, agora do governo;
    Não foi espiritual, pois nenhum pobre divulgou que tenha sido alvo de teofania;
    Muito menos que a Igreja tenha vendido parte do seu patrimônio incalculável e distribuído entre os necessitados;
    Ou que tenha doado terras para a Reforma Agrária;
    Ou que tenha declarado que qualquer pobre que nasce está perdoado de seus pecados antecipadamente, sem precisar da confissão.
    Teologia da Libertação como engodo para incultos e incautos?
    Por que sendo o pobre a maioria dos habitantes em qualquer país sul-americano, pode tomar o poder à força e, mais uma vez, a Igreja estaria sentada à mão direita do ditador?!
    Não me lembro de a Igreja ter se negado dar à comunhão para ditadores, alguém se recorda?
    Na razão direta que Cristo não fez distinção entre ricos e pobres, pois todos precisam da Salvação, a escolha da CNBB não atende à máxima do Cristianismo, e trilha um caminho à parte, que não deixa de ser perigoso porque obscuro, confuso, cinzento, sem visibilidade.
    E, se a declaração em favor dos desvalidos for apenas mera propaganda, percebe-se nitidamente a perda de fiéis para as seitas neopentecostais, que mesmo cobrando implacavelmente dízimos e demais contribuições monetárias, prega a doutrina da prosperidade, e não da permanência na pobreza!
    A importância da CNBB e sua opção política podem resultar em problemas à democracia, basta que lembremos o MST e o exército de Stédile, que usa as multidões propondo um socialismo à base de necessidades para todos, privações, menos uma vida decente, digna, mas como se esta gente fosse nômade, apátrida, e nascesse para sofrer, obedecer e outorgar poderes!

  22. Leandro Narloch
    Veja

    Mito: “austeridade fiscal resulta em fracasso nas urnas”

    Surpresa: quem protestou contra o corte de gastos perdeu a eleição na Inglatterra

    Morando na Inglaterra entre 2013 e 2014, eu me divertia fazendo uma pequena intervenção num adesivo de protesto bem comum nas ruas de Londres. O adesivo dizia No more cuts! (“Não a mais cortes!”). Com a minha leve intervenção, o no desaparecia. More cuts!

    Pelas mensagens e conversas de rua, parecia que os cortes no orçamento promovidos pelo governo de David Cameron resultariam em desastre eleitoral. O que pra mim fazia todo sentido: não é novidade a vantagem que governantes gastadores têm vantagem sobre os austeros. Alguém vai ganhar uma eleição prometendo menos dinheiro para “saúde, educação e segurança”?

    Mas a reeleição do Partido Conservador derrubou esse mito. Desde 2010, governo britânico cortou o gasto público em 35 bilhões de libras. Segundo o Institute of Fiscal Studies, foi o maior corte de gastos entre 32 economias desenvolvidas. E o resultado foi uma vitória com vantagem mais larga que a da eleição anterior. O Partido Conservador pode agora governar sozinho, sem dividir o poder com os Liberais Democratas.

    Além da mensagem dos votos, pesquisas mostram que o grosso do eleitorado aprova o fim da festa de pensões e benefícios a desempregados. De cada dez ingleses filiados a sindicados, oito aprovam o limite de 26 mil libras em benefícios. Na campanha que terminou ontem, Cameron tentou conquistar votos prometendo um teto ainda mais baixo, de 23 mil libras. Os eleitores também simpatizam com a criação de um limite de transferências a dois filhos por família.

    A sorte do Partido Conservador foi ter tempo de colher os benefícios do ajuste fiscal. A economia inglesa é a que mais cresce na Europa, a inflação é de 0%, a criação de vagas de trabalho é a maior que a de todos os países da Europa continental somados. Com números tão bons assim, a surpresa seria David Cameron ter perdido a eleição.

    @lnarloch

  23. O Reino Unido tinha um déficit público de cerca de 12% do PIB em 2010, quando Gordon Brown, trabalhista da Escócia, deixou o Governo, depois de o Governo Britânico salvar os bancos falidos, inclusive o Royal Bank of Scotland. Agora, depois de cinco anos de austeridade conservadora, o déficit público diminuiu para cerca de 5,7% do PIB em 2014, enquanto no Brasil houve o registro de déficit público nominal de cerca de 6% do PIB no ano passado, porcentual quase igual ao britânico.

  24. Well, já que é bom ser conservador, vou deixar minha casca de liberal democrata, e aderir imediatamente a direita conservadora, pois esta é a tendência mundial, não quero, perder a onda. Saí do armário, falei

  25. ADVERTÊNCIA AOS LOBOS QUE SE TRAVESTEM DE CORDEIROS PARA DIZIMAR O
    REBANHO INDEFESO ENTRE CRISTÃOS CONSCIENTES:

    (JB.1.29)- Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo: (MT.15.10)- Ouvi e entendei: (JR.11.19)– Eu era como um manso cordeiro que é levado ao matadouro; porque eu não sabia que tramavam contra mim, dizendo: (MT.10.16)– Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas: (MT.7.15) – Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores; (IS.9.16) -porque os guias deste povo são enganadores, e os que por eles são dirigidos, são devorados: (1Rs.22.17) – Vi todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não tem Pastor; (SL.78.22) – porque não creram em Deus nem confiaram na sua salvação: (AP.12.11) – Então, ouvi grande voz do céu, proclamando: (OS.4.6) – O meu povo está sendo destruído porque lhe falta conhecimento; porque tu sacerdote rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não seja sacerdote diante de mim, visto que esqueceste da lei do teu Deus, também eu esquecerei de teus filhos. (1SM.2.35) – Então suscitarei para mim um sacerdote fiel, que procederá segundo o que tenho no coração e na mente, edificar-lhe-ei uma casa estável, e andará Ele diante do meu ungido para sempre. (ML.3.18)– Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não serve: (MC.6.15)- É profeta como um dos profetas, (AT.15.23) – escrevendo por mão deles: (LC.17.30) – Assim será no dia em que o Filho do Homem se manifestar: (JÓ.12.16) – Com Ele está a força e a sabedoria (RM.2.6) – que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento. (1CO.10.12) – Aquele, pois, que pensa estar em pé, veja que não caia; (JÓ.19.25) – porque eu sei que o meu redentor vive e por fim se levantará sobre a terra: (IS.44.28) – Ele é meu Pastor e cumprirá tudo que me apraz: (HB.12.25) – Tende cuidado, não recuseis ao que fala; (EZ.18.32) – porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus. Portanto convertei e vivei. (1PE.4.8) – Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros; porque o amor cobre multidão de pecados.

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