Afinal, o que conversaram Moraes e Bolsonaro, fechados numa sala na casa de Arthur Lira?

Arthur Lira reúne Bolsonaro, Moraes, governistas e oposição em jantar para  Gilmar | Alô Salvador

Bolsonaro chega ao jantar acompanhado por Ciro Nogueira

Danielle Brant e Marianna Holanda
Folha

O jantar oferecido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), pelos 20 anos do ministro Gilmar Mendes no STF (Supremo Tribunal Federal) teve uma oração iniciada pelo colega de tribunal André Mendonça e uma defesa pelo diálogo entre os Poderes feita pelo homenageado da noite.

Na quarta-feira (22), Lira reuniu cerca de 40 integrantes dos três Poderes no jantar em homenagem Gilmar realizado na residência oficial da Câmara, em Brasília. O rol de convidados incluiu líderes da oposição, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

ENCONTRO RESERVADO – Moraes é alvo preferencial do bolsonarismo por relatar investigações que afetam aliados do presidente. Durante o jantar, Moraes e Bolsonaro chegaram a ter um encontro reservado, de cerca de 15 minutos, segundo revelou a coluna da Mônica Bergamo, da Folha.

Participantes disseram que o jantar seguiu em clima amistoso. Bolsonaro ficou cerca de duas horas no encontro. Segundo relatos, o presidente cumprimentou todos os presentes, incluindo deputados da oposição que foram convidados. Ao chegar, ainda de acordo com relatos, disse em tom de brincadeira: “Aqui hoje só tem gente boa”.

Bolsonaro permaneceu na confraternização ao lado dos ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Anderson Torres (Justiça e Segurança Pública) e do ex-ministro da Defesa Braga Netto, apontado como possível vice na campanha do presidente à reeleição. Braga Netto tem acompanhado o mandatário em eventos políticos.

DISCURSOS – Durante o jantar, discursaram os presidentes das duas Casas do Congresso, Lira e e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Também falaram os ministros do STF Ricardo Lewandowski, Gilmar e André Mendonça.

Lewandowski fez um discurso ressaltando a trajetória de Gilmar, em que destacou seu papel de liderança. Em seguida, discursou o homenageado. Gilmar fez uma fala ressaltando a importância do diálogo entre os Poderes. Lembrou da experiência de governos anteriores, como os de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar da diferença, disse Gilmar, eles se sentavam à mesa para dialogar.

Gilmar também disse, de forma geral, que é importante saber receber críticas e entender as razões de cada um. Antes do fim dos discursos, Mendonça, outro indicado por Bolsonaro ao STF, pediu a palavra. Ele fez um agradecimento em tom pessoal, mencionou a família de Gilmar e agradeceu a Deus pela vida dele. Em seguida, puxou uma oração e foi acompanhado pelos demais convidados.

BOLSONARO E MORAES – Segundo a coluna de Mônica Bergamo, Bolsonaro e Moraes conversaram a portas fechadas no jantar. Foi a primeira conversa dos dois desde que o chefe do Executivo passou a se queixar publicamente de uma suposta quebra de acordo por parte do ministro, no ano passado, em meio às convocações golpistas feitas por Bolsonaro para os atos do 7 de Setembro de 2021.

Moraes e o ex-presidente Michel Temer (MDB), que presenciou a conversa entre os dois em 2021, negam que tenha existido um acordo.​

Ao chegar ao jantar na casa de Lira, Bolsonaro cumprimentou Moraes de forma amistosa. Fez piadas com o fato de o magistrado ser corinthiano e ele, palmeirense. Depois de circularem separados entre outros convidados, os dois voltaram a se encontrar —desta vez, em uma sala reservada, e sem a presença de outras testemunhas.

TODOS QUEREM SABER – O fato de se isolarem em uma sala chamou a atenção de outros convidados, que festejaram o fato como um sinal de distensionamento, ao menos momentâneo, entre os dois.

Segundo participantes do jantar, o presidente do STF, Luiz Fux, não compareceu. Tampouco foram os ministros Luis Roberto Barroso e Edson Fachin, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e as ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia.

Bolsonaro tem lançado dúvida sobre as eleições, insistindo em questionar o sistema de contagem de votos. Quando questionado se respeitaria o resultado das urnas, caso não consiga sua reeleição, Bolsonaro se negou, em mais de uma ocasião, a responder à pergunta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Arthur Lira conseguiu um feito realmente notável. Ninguém esperava que Bolsonaro e Moraes aceitassem se trancar numa sala para conversar civilizadamente. É o assunto mais badalado em Brasília, mas ninguém sabe o que houve entre os dois. Vamos esperar o noticiário da chamada “Rádio Corredor”, porque em sociedade tudo se sabe, como dizia Ibrahim Sued. (C.N.)

11 thoughts on “Afinal, o que conversaram Moraes e Bolsonaro, fechados numa sala na casa de Arthur Lira?

  1. Uma chapa Lula Bolsonaro não teria nenhuma incongruência , a não ser pros seus seguidores fanáticos e fundamentalistas.

    Um bando de idiotas, incluindo no caso do Lula os tais intelectuais

    Aliás, ao que parece, pagamos pra irem firmar no exterior tornarem-se idiotas.

    Educação sem estar associada a um projeto de desenvolvimento de longo prazo, em nada contribui.

    Educação, em sentido abstrato nada resolve. Aliás o que temos tido sao esses gênios imecilizados reforcando o Estado Clepto-patrimonialista.

    Seria à toa?

  2. O velho Brizola tinha um projeto educacional de longo prazo. O cavalo passou encilhado pros brasileiros e não montaram. Sobrou a tranqueirada

    • Brizola destruiu o Rio de Janeiro. Invasões de terra cresceram exponencialmente durante a sua gestão. Se o Rio de Janeiro é a bagunça urbana que é, agradeça ao Brizola.

      • Eliel , com todo respeito que a democracia permite , mas , não acredito que vc tenha informação suficiente pra analisar o extraordinário governo que o Brizola fez no Rio. Vc não se deixou influenciar pela Globo , na época , né?

        • Zanardi, claro que tenho. Sou do Rio de Janeiro. Foram inúmeras as vezes que vi tranficantes entrarem nos ônibus e pedirem voto para o Brizola. Diziam abertamente que Brizola deixaria invadir as terras, o que de fato aconteceu. Faça a comparação entre o número de favelas antes e depois do governo Brizola. Quem é do Rio de Janeiro sabe disso.

  3. Eliel, quem destruiu o futuro do RJ, foi o “gato angorá” que não deu continuidade ao projeto dos CIEPS que na realidade não era projeto do Brizola e sim de seu entorno, evidenciando o Magnífico Darcy Ribeiro e o Magnífico Oscar Niemaier cada um em seu respectivo ramo.
    Se o Moreira Franco tivesse feito do projeto, projeto de estado, o RJ hoje exportaria Mão de Obra altamente qualificada em vários segmentos.
    Mas só porque o povo apelidou de Brizolão, foi o suficiente para demonizar o projeto.

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