Afinal, o que é o bom jornalismo?, indaga pesquisa do Reuters Institute e da Universidade de Oxford

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Charge do Laerte (Arquivo Google)

Madeleine Lacsko
Gazeta do Povo

O Reuters Institute acaba de divulgar o primeiro relatório de um projeto conjunto com a Universidade de Oxford, o “Trust in News Project”, que vai durar 3 anos e analisa Reino Unido, Estados Unidos, Índia e Brasil. Há divergências entre comunicadores, jornalistas e publishers sobre o que é o bom jornalismo. Imagine então entre o público. Aqui não falo de fake news ou de trabalho malfeito, mas da identidade entre os princípios e valores do público com os princípios e valores do veículo e dos comunicadores.

Jornalismo investigativo, por exemplo, não é um tema bem resolvido entre profissionais e o público. Para os jornalistas, geralmente é visto como uma função fundamental, mas é mal recebido pelo público caso coloque em risco sua comunidade.

GOSTOS DISTINTOS – Há pessoas que gostam de diversos pontos de vista entre colunistas de um veículo, outros preferem uma posição bem evidente, sem contraponto. “A confiança é uma relação, é mais do que apenas acreditar no que você está falando, mas que compartilhamos valores”, avalia disse Sally Lehrman do The Trust Project (EUA).

O que, afinal, diferencia um jornalista de alguém com espaço e opinião? Nesse caso, duas discussões são normalmente confundidas, a corporativa e a de reconhecer realidade. Durante muitos anos, sindicatos de jornalistas lutaram para que somente esses profissionais pudessem atuar em veículos de comunicação. Perderam.

Isso é muito diferente de confundir a atuação de um jornalista com a atuação de alguém que não estudou para isso, não tem a prática mas fala bem, tem capacidade analítica e argumentos. É o que diferencia um cirurgião plástico formado do doutor Bumbum do Instagram, mas, nos dois casos, a diferença não é clara fora do meio profissional.

FORMATO NOTICIOSO – Segundo o relatório, o formato noticioso é facilmente confundido com jornalismo, que vai muito além dele, é a metodologia de apuração dos fatos. Muitas pessoas sabem chavões da área, como “sigilo da fonte”, “fontes oficiais”, buscam o link de tal coisa, mas não foram treinadas para o funcionamento conjunto e sistêmico das diversas técnicas de apuração, incluindo o relacionamento com fontes.

É evidente que o produto final do jornalismo profissional e da mimetização do jornalismo terá a diferença de, por exemplo, comprar um bolo de uma confeiteira profissional e mandar seu filho de 5 anos copiar a receita. No entanto, se o público não sabe da existência da diferença, é comum que ele confunda uma coisa com outra.

Os veículos e jornalistas também têm uma grande responsabilidade no fato de o público hoje não compreender a diferença entre uma apuração jornalística e fazer uma live no YouTube.

AS PESSOAS ESTÃO CONFUSAS – As novas tecnologias trouxeram novos formatos que deixam confusas as apresentações de informação e publicidade, de conteúdo editorial e conteúdo factual, de produção jornalística e produção opinativa de outras áreas. QuanTo menos a diferença é salientada, menos o público a percebe e, portanto, natural que se apaixone mais pelo que é mais apaixonante: a defesa de qualquer coisa sem compromisso com os fatos.

No Brasil temos este fenômeno, mas o exemplo do relatório é o da Índia, onde é comum vender espaço de publicações para que políticos publiquem suas opiniões, sem que o público seja informado disso. Há ainda outros obstáculos entre os segmentos da população que conhecem o funcionamento do jornalismo, muitos não entendem o funcionamento das mídias sociais, que hoje são fontes primárias de notícias para a maioria das pessoas. O público lê um jornal, ouve uma rádio ou vê um canal de televisão pelo link das redes sociais.

 NÃO FAZEM DISTINÇÃO – ” Há muitas pessoas que não conseguem distinguir entre um artigo que escrevi e um artigo que compartilhei no Twitter. Embaixadores aposentados, médicos e até cientistas enviam desinformação que é selvagem e maluca. As pessoas que estão tentando lutar contra isso estão tentando salvar o oceano com um dedal”, diz Sadanand Dhume, colunista do Sul da Ásia, Wall Street Journal (EUA / Índia)

Muitos veículos de comunicação sentem-se reféns das plataformas de mídias sociais e não é porque elas dão voz a mais pessoas, é porque pisoteiam todo e qualquer princípio fora do determinado por seus acionistas, que é o lucro. Se, dentro da própria plataforma, um veículo pode ser contra manchetes sensacionalistas ou os chamados “click baits” (manchetes chamativas que não apenas próximas da verdade), ele tem como se sustentar assim na era das redes sociais? Boa parte sucumbiu e isso ainda deixa mais confuso para o público entender qual é a diferença entre este produto e qualquer um gritando no Facebook ou no Whatsapp.

(artigo enviado por Mário Assis Causanilhas. A autora, Madeleine Lackso, foi Consultora Internacional do Unicef Angola, diretora de comunicação da Change.org e assessora no Supremo Tribunal Federal)

AMANHÃ – Afinal, o público acredita que existe imparcialidade no jornalismo?

10 thoughts on “Afinal, o que é o bom jornalismo?, indaga pesquisa do Reuters Institute e da Universidade de Oxford

  1. Agora é tarde demais! O telespectador, ouvinte, leitor, youtubado….. Já estão viciados em sensacionalismos, tragédias, exageros, depravações, sofismas, acusações levianas, linchamentos morais, pseudestesias etc.
    Tentar reverter isso tudo, seria o mesmo que a TV Globo passar a exibar as telenovelas comportadas dos anos 60, em substituição as suas atuais sodomitas!

  2. Bom jornalismo, salvo raríssimas exceções, é o que não existe e nunca existiu no Brasil, onde tudo tem viés partidário-eleitoral ou golpista-ditatorial.

  3. São quase cinco horas da tarde. Estou chegando da praia. Fomos nós eu minha mulher meu filho Mateus a mulher dele Tathy e minhas duas netas filhas de Kezia que foi passear com o marido em Aracaju. Mar lindo, solzão de mais quarenta graus. Tomei algumas , algumas não tomei muitas cervejas. Todo mundo alegre vivendo a vida, só quem estava de máscara eram os garçons só eles o resto tudo rindo alegre curtindo a viva. Aí nesses país vagabundo querem nos igualar a Europa EUA um frio desgraçado inverno horrível. E mandam parar tudo. Eu vou comemorar o NATAL EU VOU COMEMORAR O NASCIMENTO DO MEU GLORIOSSO REDENTOR NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. A minha casa vai está aberta aos meus filhos aos meus amigos.
    Ah país vagabundo.

  4. Pior é aguentar “Youtuber” metido a jornalista e formador de opinião, por exemplo, terça livre e suas teorias de conspiração, canal do Alexandre, conhecido como negão, pânico da JP, o lixo do lixo, rádio metida a canal de tv, martelando o dia inteiro a mesma notícia…redes sociais e seus participantes, pura babaquice!

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