Afinal, quando os debates vão incluir projetos e programas de governo?

Pedro do Coutto

Escrevo este artigo na tarde de sexta-feira, antes portanto do novo debate entre Dilma e Aécio, marcado para a noite deste domingo na Rede Record. A pergunta que se impõe, no momento, é quando os que disputam a vitória nas urnas do dia 26 pretendem incluir entre seus temas programas objetivos de governo e projetos concretos para viabilizá-los uma vez revelados os resultados? Pois estão faltando essas formulações essenciais à tarefa e à missão de presidir o país e enfrentar centenas de desafios e obstáculos a superar no caminho.

Não se trata de falar em tese sobre as metas a executar. Pois nesse ponto haverá concordância de propósitos unindo Dilma e Aécio. Quem poderá deixar de ser favorável à melhora substancial do sistema de saúde pública? A favor do avanço na qualidade da educação? Das ações no plano do saneamento? Da construção de creches? De uma ofensiva para elevar os níveis da segurança pública e de repressão ao crime generalizado, incluindo o tráfico de drogas e de armas? Quem poderá ser contra a evolução dos transportes?

Enfim, pessoa alguma, em plena consciência, poderá se opor ao progresso, à ampliação do mercado de emprego, à melhor distribuição de renda, a salários melhores na sociedade, à mais comida na mesa, à taxa menor de inflação. Ninguém.

COMO ATINGIR AS METAS?

O problema, assim, é como atingir tais metas. Como, reduzindo a dívida pública, encontrar recursos para ir ao encontro desse conjunto fundamental de demandas. E já não é sem tempo. Nos encontramos em pleno século 21, temos que achar, dentro da plena democracia, as escalas de ruptura com o passado. Melhor dizendo, com heranças arcaicas que insistem em resistir aos ventos e impulsos do progresso.

As eleições presidenciais, a meu ver, serão decididas no debate programado pela Rede Globo para a noite de quinta-feira, em função do volume de audiência que marca a programação da emissora. Esperemos, portanto, que nesse momento sejam debatidas as questões de efetivo interesse dos eleitores capazes de mudar, para melhor, os índices de vida da população brasileira. E como priorizar a aplicação seletiva dos recursos pata tornar os projetos colocados no presente em realizações concretas em futuro próximo. Sim, em futuro melhor dizendo, imediato, já que uma nova etapa de governo começa exatamente a primeiro de janeiro de 2015. A fase atual encerra-se a 31 de dezembro. Mais uma virada na história do Brasil. Uma nova alvorada se inicia.

9% DE INDECISOS

Outro fator absolutamente decisivo que vai envolver o confronto nas telas de quinta-feira está no fato de que, de acordo com pesquisa do Datafolha publicada quinta-feira pela FSP, no primeiro turno a significativa parcela de 9% do eleitorado só decidiu em quem votar entre a véspera e o dia da eleição, ao sair de casa no rumo das urnas. Portanto, devemos esperar que o nível do grande debate final possa corresponder ao que os eleitores esperam dos candidatos.

Trocar acusações não resolve os desafios colocados tanto à frente do governo quanto da população. Os eleitores aguardam soluções e, para que convençam, os candidatos necessitam explicar como executá-las. Trata-se de um compromisso com o tempo presente e com o futuro que – pode-se dizer assim – vai começar amanhã.

9 thoughts on “Afinal, quando os debates vão incluir projetos e programas de governo?

  1. Como dialogar com uma besta-fera?
    Eis a questão.
    Marina Silva que o diga.
    Quem não viu ela ser trucidada pelas mentiras e calúnias da dragôa do poder?

    Aécio bem que quer discutir propostas de governo, mas é praticamente impossível pois do outro lado a coisa só sabe atacar a pessoa dele.

    Li no jornal que, ontem em Minas, o chefe do Mensalão e do Petrolão em campanha , bêbado como sempre, deu um show de bestialidade ao se referir a Aécio.
    Proferiu calúnias e mentiras que adentraram no terreno do hediondo.

    Estarrecedor.

    Enfim, essa quadrilha que nos governa, com a demagogia de que está salvando os pobres, não quer largar o poder.
    Já provaram o gostinho do dinheiro. É muita coisa para eles abrirem mão, como agora se vê com a grana que pegam da Petrobrás.
    Bilhões.

  2. Ela não deixa ninguém dialogar. Essa mistura de Goebbels com Stalin tem muito a esconder, por isso parte para a agressão. Mas, como diria a Verônica Maldonado, mulher tem de ser bem tratada, um amor tucano, 45 bico largo.

  3. Pedrinho, quem não deixa isto acontecer é Dilminha. Ou será que você acha que Aécio é trouxa de apanhar calado, como fizeram Serra e Alckmim? A tática da corja petista não encaixa no jogo do Aécio. As tetas vão acabar, daí o desespero de muitos, inclusive de jornalistas chapa branca.

  4. Valeu o texto, jornalista Pedro do Coutto….

    Mas, vai ser difícil mudar o pedigreé da presidente… o seu avatar, Wanda, como sempre, assume o controle da personagem no debate…
    No caso, brotam os treinamentos feitos em Cuba, e alhures, de como se comportar ao equivalente a ser interrogada. Para Wanda, o debate é um interrogatório…
    É só observar com mais atenção à expressão corporal, e facial, da presidente, a metamorfose já acontecendo. a transformando em Wanda.
    Por exemplo, quando ela pronuncia… CANDIDATO… soa como o equivalente ao … MEU QUERIDO, uma expressão transformada em introdução pela presidente para uma baita esculhambação num subalterno. Daquelas que fazem muitos chorar… Suas sobrancelhas, agora pintadas, se sobressaem ainda mais na carranca transformada; não têm Santana que dê jeito na Wanda…
    Como o senhor Aécio não é de chorar e levar desaforo para casa, o debate acaba se transformando num festival de ofensas que não fazem sentido para o eleitor.
    De qualquer maneira, vamos pensar positivo, e acreditar que a presidente contribua para o debate, com uma postura coerente com o seu cargo de presidente da República.

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