Agência pagou até cartão de crédito da mulher de Pimentel

Carolina e Pimentel estão, unidos pelo amor e pela corrupção

Filipe Coutinho
Época

A agência de comunicação Pepper Interativa cresceu na esteira das duas campanhas da presidente Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto. Notória por realizar ataques virtuais contra grupos críticos ao PT, a Pepper, da publicitária Danielle Fonteles, caiu nas graças de próceres do partido, como o ex-tesoureiro João Vaccari Neto e o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel. Graças à proximidade com eles, a Pepper mantém contrato com o PT. É o maior cliente da agência – quase 70% do faturamento dela vem do partido.

Época descobriu que, em 2012, a Pepper montou uma operação intrincada no exterior para receber valores da construtora Queiroz Galvão. Meses antes, a empreiteira recebera do BNDES para financiar serviços na África. A Pepper criou, em nome de laranjas, a Gilos, uma offshore no Panamá. Criou também uma conta secreta na Suíça para movimentar a dinheirama de um contrato de fachada com a filial da Queiroz Galvão em Angola. A conta, cuja identificação é CH3008679000005163446, foi aberta por Danielle Fonteles no banco Morgan Stanley. Na ocasião, não foi declarada à Receita ou ao Banco Central.

CÓPIA DO CONTRATO

ÉPOCA obteve cópia do contrato entre a offshore Gilos Serviços e a empreiteira, devidamente assinado por Danielle. Foi formalizado em setembro de 2012. A Gilos recebeu US$ 237 mil (R$ 830 mil, ao câmbio de hoje) da Queiroz Galvão para fazer marketing digital em Angola. O contrato, que elenca seis serviços, parece uma peça de ficção. Não há uma linha sequer sobre qual obra ou projeto da Queiroz Galvão deveria ser divulgado na internet pela Pepper. Naquele país, a Queiroz Galvão operou graças a financiamentos do BNDES. Em março de 2012, a empreiteira recebera US$ 55 milhões do banco. Naqueles tempos, Pimentel era ministro do Desenvolvimento e presidente do Conselho de Administração do BNDES.

Danielle e a Pepper estão sendo investigados nas operações Lava Jato e, especialmente, Acrônimo. Nesta, que mira Pimentel e operações de lavagem de dinheiro do PT, a PF chegou a fazer buscas na sede da Pepper, num shopping de Brasília.

PROPINAS A PIMENTEL

Segundo a Polícia Federal, há evidências de que a Pepper foi usada para intermediar dinheiro do BNDES a Pimentel. Durante o primeiro mandato de Dilma, Pimentel era, na prática, o chefe do BNDES. A mulher de Pimentel, Carolina Oliveira, é apontada como uma espécie de sócia oculta da Pepper. Funcionou assim: entre 2013 e 2014, a Pepper recebeu R$ 520 mil do BNDES por serviços de publicidade e repassou R$ 236 mil a Carolina Oliveira. A Polícia Federal descobriu indícios de que Carolina Oliveira era mais que uma simples parceira da agência. A mulher de Pimentel distribuía cartões no mercado como se fosse representante da Pepper.

Na casa de Carolina Oliveira e Pimentel, em Brasília, a PF apreendeu uma tabela com valores. De um lado, aparece o nome Dani – o mesmo apelido da proprietária da Pepper. Os valores de “Dani” somam R$ 242.400. Do outro, há valores de Carol: R$ 143.982,95. Duas anotações chamam a atenção: R$ 11.100 e R$ 20 mil, registrados como “cartões”. Na tabela, a diferença dos valores, incluindo as vírgulas, entre “Dani” e Carolina é contabilizada como “crédito Carol”: R$ 98.417,05. Ou seja, é como se fosse um controle de caixa, de “Dani” para “Carol”, em que despesas de cartões de crédito de Carolina eram pagas pela Pepper e contabilizadas. A Pepper admite ter pago ao menos duas faturas do cartão de crédito da mulher de Pimentel, em razão da “amizade” entre Dani e Carol. A mulher de Pimentel, suspeita a PF, era funcionária do BNDES nesse período.

5 thoughts on “Agência pagou até cartão de crédito da mulher de Pimentel

  1. Tenho parentes em Belo Horizonte, aliás sou mineiro e foi em Belo Horizonte que me formei médico. Converso com meus parentes com frequência, gente do povo e não ligada à política. Mas o que meus parentes me contaram é que o governador Fernando Pimentel simplesmente desapareceu dos lugares públicos não só de Belo Horizonte, como também das cidades de médio porte. Onde ele vai é vaiado, impiedosamente pelos mineiros. Dizem meus parentes que Pimentel agora só aparece nos grotões, aquelas cidades sem saneamento e onde a população, pequena, cria porcos nas ruas. Ele já não tem coragem de aparecer nas ruas de Belo Horizonte, mesmo com escolta e já não comparece mais em cidades como Montes Claros, Varginha, Itajubá, Poços de Caldas, enfim, em cidades que tenham mais de 50 mil habitantes. Ele está vivendo em Minas a mesma impopularidade que Dilma vive no Brasil. E olha que o ex-governador Anastasia, deixou o cofre de Minas Gerais com um saldo positivo de R$ 8 bilhões de reais. Parece que este dinheiro já se esfarelou nos desmandos do governo do PT.

  2. É, pimentel nos olhos dos outros, é refresco. Tai, este Pimentel, o governador da Bahia e a própria Dilma,
    deixam-nos com uma sensação tão estranha contra estar urnas eletrônicas. Sera que isto sera sempre assim?

  3. É a regra petista, quebrar os Estados. Vejam a condição de pedinte em que se transformou o RS depois do desgoverno de tarso g,enro. Pelo que se vê acontecerá o mesmo com MG. O povo precisa abrir os olhos e aprender a votar olvidando os demagogos que prometem o céu e entregam ao hades.

  4. Com referência ao tal de Tarso GENRO, fico só pensando, como deve estar o sogro?
    Agora, aqui em Minas, entre Pimentel e Pimenta, seria bem melhor o tempero, uma
    boa pimenta. Já que, além de temperar, arderia menos.

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