Agora que Palocci perdeu o poder, a honra e a dignidade, está começando o festival de denúncias, mostrando que o faturamento da Consultoria Projeto não passava de tráfico de influência.

Carlos Newton 

A recém-lançada edição da Veja mostra que, em 30 dezembro de 2010, faltando apenas dois dias para terminar o governo Lula, a construtora Camargo Correa vendeu ao fundo de pensão dos funcionários da Petrobras (Petros) a participação acionária que detinha na holding de um grande banco por 3 bilhões de reais, numa negociação que teve participação direta de Palocci, na véspera do Ano Novo.

Era um negócio absolutamente normal na superfície, mas só foi fechado depois da intervenção de Antônio Palocci, que ainda nem tinha assumido a chefia da Casa Civil, mas já faturava em cima disso.

A “contratação verbal” da empresa de Palocci pela Camargo Correia ocorreu em pleno ano eleitoral, quando o então deputado  federal já coordenava a campanha da presidente Dilma Rousseff. A conclusão do negócio ocorreu dois dias antes da posse, quando Palocci era coordenador da equipe de transição do governo Lula para o governo Dilma, se é que isso realmente existiu, pois nada mudou e todos sabem que o governo atual é Lula Rousseff, uma espécie de “baião de dois”.

A essa altura, já se sabia que Palocci ia assumir o comando da Casa Civil. Não houve contrato formal, até onde se sabe, nem pagamento pelo serviço. Mais a Camargo Correa doou 8,5 milhões de reais ao comitê eleitoral da campanha petista. Doou também para a campanha do candidato tucano José Serra, mas muito menos.

A revista Veja diz que não existem provas de que o acerto com a Petros tenha sido azeitado pela doação de campanha, mas, conhecendo os mecanismos de negócios entre as grandes empreiteiras e o estado brasileiro, é lícito indagar: Sem a doação, o negócio sairia da mesma forma?

Palocci sempre negou ter sido intermediário dos pleitos da Camargo Correa. “Não houve nenhuma prestação de consultoria”, respondeu a Veja, por escrito quando ainda era ministro. Repetiu o desmentido em sua entrevista ao Jornal Nacional.

A empreiteira também nega: “Mais uma vez, de forma expressa e específica, reforço que o ministro Palocci jamais prestou serviço ao Grupo Camargo Corrêa e ou suas empresas controladas ou coligadas de qualquer natureza por qualquer via em qualquer momento”. Mas acontece que a equipe da Veja teve acesso a documentos que mostram exatamente o contrário.

E vêm mais denúncias por aí.

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