Carto vermelho para o dono da bola?

Carlos Chagas

Carto vermelho se d para jogador truculento ou abusado. Jamais um juiz ousou mostrar carto vermelho para o dono da bola, o presidente do clube ou o proprietrio do estdio. O efeito costuma ser oposto, ou seja, o juiz que ser expulso de campo.

Pretendeu o qu, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Ofir Cavalcanti, ao sugerir que o Judicirio d carto vermelho a candidatos, partidos e governantes que descumprem a lei eleitoral e tentam intimidar o Ministrio Pblico? Faltou-lhe coragem para fulanizar o conselho, mas ningum duvidou de que estivesse se referindo a Dilma Rousseff, ao PT e ao presidente Lula. Porque so eles que atropelam a legislao eleitoral e tripudiam sobre os procuradores. Ou o presidente Lula no faz campanha por Dilma, tendo sido, ambos, multados mais de cinco vezes pelo Tribunal Superior Eleitoral? E denunciados como praticando abuso de poder poltico? Quem chamou Sandra Cureau, vice-procuradora eleitoral, de uma procuradora qualquer? O presidente do PT, Jos Eduardo Dutra, no ameaou processar a dra. Sandra, precisamente por abuso de poder?

Sem a emisso de juzos de valor a respeito dessa triste tertlia e sem saber quem Deus criou primeiro, se o ovo ou a galinha, a verdade que o presidente da OAB abriu discusso sobre o sexo dos anjos, s para continuarmos com imagens referentes antiga Constantinopla, transformada em Istambul depois que os turcos romperam suas muralhas, em 1453, enquanto a populao grega discutia essas duas questes transcendentais, da galinha e dos anjos.

Com o qu Ofir Cavalvanti ameaa a estabilidade institucional? Nada menos do que com a perda do mandato do presidente Lula, com a cassao da candidatura de Dilma Rousseff e com o fechamento do PT. o carto vermelho sugerido pelo causdico.

Fica para outro dia a discusso sobre se leis burras devem ser cumpridas em nome da normalidade jurdica, j que a proibio de presidentes da Repblica manifestarem suas preferncias eleitorais uma estultice. Se no utilizam dinheiro pblico na sustentao de seus candidatos, no podem ser privados do princpio constitucional da livre manifestao do pensamento.

O que nos faz passar da teoria prtica bem mais real: caso o Tribunal Superior Eleitoral seguisse o vaticnio do presidente da Ordem dos Advogados e sentenciasse a perda de mandato do Lula em nome do cumprimento da legislao eleitoral, aconteceria o qu? Primeiro, uma profunda gargalhada nacional. Depois, calcado nos 80% de sua popularidade, assistiramos o Lula tirar do palet um carto vermelho muito maior e apont-lo para o Judicirio. Um horror digno dos tempos da ditadura militar, mas inevitvel, com as instituies ento postas em frangalhos.

para evitar esses desencontros que o presidente da OAB deveria ter meditado antes de pronunciar-se. Ou ter, dando respaldo s suas sugestes, a IV Frota da Marinha de Guerra americana? Quem sabe legies de estudantes de Direito armados e embalados sombra da lei eleitoral?

Agora querem os aeroportos

A turma no brinca em servio. Fala-se da privataria. A quadrilha encontrou um novo alvo, diante da evidncia de que o presidente Lula recusou-se a privatizar o Banco do Brasil e a Caixa Econmica. Ou de que Jos Serra no quer nem ouvir falar em entregar patrimnio pblico banca privada.

Esto de olho, agora, nos aeroportos. Naqueles ainda geridos pela Infraero, por coincidncia os mais importantes, como os do Rio, So Paulo, Belo Horizonte, Braslia e outras capitais.

Da essa campanha acirrada para desmoralizar o sistema aeroporturio, estimulada pela futura realizao da Copa do Mundo no Brasil, em 2014. Chegaram a pinar, de longa entrevista de um dirigente da Fifa, pequena crtica s deficincias de nossos aeroportos. claro que falhas existem. Significativas, at, dado o aumento do transporte areo. Mas bom verificar as causas de tamanha blitz, envolvendo a tradicional colaborao da grande mdia. Na verdade, querem abocanhar o que j se encontra pronto, sob o argumento de ampliar as instalaes. Por certo que com dinheiro do BNDES e dos fundos de penso estatais. Se o governo bobear, logo estaro cobrando entrada…

Jaula para predadores

Novidade, propriamente, no h, tendo em vista sucederem-se em cascata os crimes hediondos, faz muito. O diabo que quase sem exceo os bandidos flagrados nesses variados tipos de horror so reincidentes. J praticaram antes estupros seguidos de assassinatos, por exemplo. Foram condenados e em seguida libertados. Aqui repousa o n da intranqilidade a perturbar o cidado comum. Quantos crimes execrveis deixariam de acontecer caso seus responsveis tivessem continuado presos? Argumenta-se ser a lei a preceituar ampla variedade de benefcios a esses animais. Que se mude a lei. E se tranque as jaulas.

Categoria indignada

Ao sair em defesa da procuradora Sandra Cureau, o procurador-geral da Repblica, Roberto Gurgel, exprimiu o sentimento de toda a categoria. No vacilou, mesmo sabendo estar metendo o brao num vespeiro, j que investiu contra o PT. Mas no podia calar.

Os resultados no vo tardar. Quase trs mil impugnaes de registro de candidaturas foram interpostas nos tribunais regionais eleitorais de todo o pas. Sero sustentadas com vigor adicional pelos procuradores. Assim como as denncias por propaganda eleitoral antecipada e por abuso de autoridade. Que se cuidem os companheiros.

Mais pesquisas

De hoje at o fim de semana mais uma rodada de pesquisas eleitorais estar sendo divulgada. Com pequenas alteraes nos percentuais, os resultados continuaro os mesmos: empate tcnico entre Dilma Rousseff e Jos Serra. Segundo turno, evidente, ainda que at outubro as tendncias possam mudar.

Uma pergunta, porm, os institutos precisariam fazer, a respeito do nvel das campanhas. Os consultados concordam com as baixarias? Poderiam deixar de votar em determinado candidato, se ele agride o adversrio com calnias e difamaes?

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