Agora, tentam vender a ficção de que Lula teria se tornado um candidato “moderado”

TRIBUNA DA INTERNET

Charge do Jô Batista (Paralelo 29)

J.R. Guzzo
Estadão

Está disponível na praça, já à disposição do público em geral, a última lenda da campanha eleitoral deste ano: o ex-presidente Lula é, neste momento, um candidato moderado. Essa bobagem é apresentada em várias embalagens. Lula inclinou-se para “o centro”, diz uma delas. Lula “mudou o discurso”, diz outra. Lula está empenhado em atrair apoios entre as forças “conservadoras”, diz mais uma.

A prova disso, pelo que foi dito, é que no lançamento de sua chapa para a Presidência ele leu o discurso, em vez de falar o que lhe vem na cabeça – um monótono calhamaço sem cor, sem sabor e sem cheiro, e sem uma única palavra escrita por ele, Lula. Com isso, evitou cometer “deslizes” – que é como os gestores da sua campanha chamam as repetidas barbaridades que desandou a dizer nas últimas semanas.

UM ALCKMIN BARBUDO -A ficção que se quer vender, em suma, é que Lula está virando um Geraldo Alckmin – que o acusava ainda há pouco de querer voltar “ao local do crime” e agora estaria sendo uma espécie de grilo falante que mantém o chefe nos caminhos da virtude.

É uma piada, claro; é mais fácil o camelo da Bíblia passar pelo buraco de uma agulha do que Lula fazer alguma coisa que Alckmin lhe peça. Mas essa invenção está sendo apresentada a sério, como sinal de que o ex-presidente não é mais o mesmo.

Como fica, então? Lula vai passar o resto da campanha lendo discursos escritos por outros? Vai trocar de personalidade, de estilo e de vícios?

E TEM MAIS – Lula vai ficar fingindo que respeita ou que ouve Alckmin, na esperança de que o ex-governador lhe traga algum voto “da direita”? (Nas últimas eleições Alckmin teve 4% dos votos.) É uma equação difícil.

Os devotos da sua candidatura sonham com um Lula no papel do bom vovô, sorridente e amigo das crianças, afável com todo mundo, pronto a “negociar” tudo, defensor número 1 das soluções sensatas – em suma, o homem que condena os extremos e só pensa na paz de que “o Brasil tanto precisa”.

Mas para isso ele não pode mais ser o Lula da vida real – e esse, infelizmente para os crentes na “moderação”, é o único Lula que existe.

 

13 thoughts on “Agora, tentam vender a ficção de que Lula teria se tornado um candidato “moderado”

  1. Lula já é de longa data conhecido e reconhecido.
    Em 2002 esperavam que ele chutasse o pau da barraca e arrumasse rapidamente um congresso totalmente contra.
    O que realmente aconteceu? Soube compor um Ministério equilibrado. Soube propor um novo rumo para a economia. Soube implementar o Bolsa Família e outros benefícios sociais. Soube criar empregos.
    E tudo isso sem barracos, sem golpes, sem brigas.
    Por que agora seria diferente?

  2. É divertido acompanhar a fixação do GuzzoBozo pelo molusco, mas isso me deixa encasquetado. Será alguma paixão recôndita, será um ódio reprimido? Tem muito assunto para ser analisado na nossa politica atual, mas o ex serviçal dos Civitas não muda o disco.

  3. Jamais alie-se a alguém apenas pelo seu discurso. Nunca apoie um político por causa de suas palavras. Usar a linguagem, na forma e no conteúdo, para cooptar apoiadores é a arte da política e o instrumento preferido dos psicopatas.

    Isto me lembra alguém que a velha imprensa, o STF… querem no poder central a todo custo.
    Um psicopata consegue defender, tranquilamente, uma ideia hoje e outra contrária amanhã, com a mesma veemência e coerência. Quem o escuta, se não toma as devidas precauções, acaba persuadido. Afinal, exteriormente, suas falas possuem todos os elementos estéticos que confirmariam sua veracidade, sinceridade e honestidade.

  4. A imprensa narco-socialista já aplicou esse golpe da “moderação” do ladrão Lula da Silva. Durante anos, transformou as ligações clandestinas entre Lula e os narcotraficantes sul-americanos (FARCs, a máfia cubana, venezuelana, etc) num assunto proibido. Lula da Silva chegou a ameaçar o jornalista Boris Casoy quando indagado sobre o Foro de São Paulo. Com a explosão das redes sociais, toda essa podridão veio a público e, hoje, somente desinformados ou rematados idiotas deixam-se levar pela narrativa de jornalistas de aluguér.

  5. Radical, Lula nunca foi na prática e seus discursos eram mais para render apoios das categorias sindicalizadas em outros tempos.
    Fosse radical seu governo seria estatizante, desfaziria o que FHC promoveu e não seriam os bancos e investidores que levassem os maiores lucros.

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