Agosto vem aí

Carlos Chagas

O Senado, em Roma, decidiu dar nome aos doze meses em que o ano foi dividido. Para homenagear Julio César e Otávio Augusto, o sétimo e o oitavo mês são até hoje julho e agosto. O problema é que, naqueles idos, os bajuladores pareciam os mesmos de agora. Como o imperador era Tibério, ofereceram-lhe tornar-se patrono de um dos outros meses. Modesto, ele recusou maliciosamente: “O que fareis quando Roma chegar a ter treze imperadores?”

O episódio se conta às vésperas da chegada de agosto, para nós um mês azarado e pleno de surpresas. Getúlio Vargas suicidou-se, Jânio Quadros renunciou, Costa e Silva adoeceu. Dilma pretende recuperar-se, mas pode ser surpreendida por outra tragédia. No Congresso, cresce a tendência da rejeição de suas contas do ano passado, em especial se for essa a decisão do Tribunal de Contas da União. Nossa imperatriz estaria incursa em crime de responsabilidade e sujeita ao impeachment. Michel Temer assumiria, ainda que na dependência do Tribunal Superior Eleitoral, que se considerar ter havido dinheiro podre na campanha presidencial do PT, no ano passado, atingirá também o vice-presidente.

Como estamos na primeira metade do mandato, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, chefiaria provisoriamente o Executivo, dispondo de noventa dias para convocar eleições diretas. Isso caso o TSE e o Supremo Tribunal Federal não se inclinassem pela singular tese de convocar Aécio Neves, como segundo colocado nas eleições de 2014.

Em suma, abre-se a perspectiva de um agosto à altura dos anteriores referidos, em matéria de confusão.

SEM PERDER OUTRA OPORTUNIDADE

Fernando Henrique não perde oportunidade de aparecer. Entrado nos oitenta anos, em vez de recolher-se para redigir suas memórias, continua dando palpite em tudo. Acaba de repetir não querer conversa com Dilma e Lula. Logo que publicada a versão deles desejarem encontrar-se com o antecessor para exame da crise atual, o sociólogo declarou ter nome e número no catálogo telefônico, não precisando de intermediários para acertar uma reunião. Quer dizer, aceitaria conversar. Como sua disposição pegou mal no ninho tucano, avançou para dizer que nada tem a ver com o governo e prefere saltar de banda. Agora, enfatiza de novo a recusa. Deveria ter presente que em política nenhum risco acompanha o silêncio.

4 thoughts on “Agosto vem aí

  1. Agosto de 2014, morre Eduardo Campos, grande amigo da família Rollemberg.

    Marina sobe, mas depois desce com a mentirada. O malandro sequelado pelos entorpecentes foi para o segundo turno, mas não ganhou nem do poste sapatão esticadaço.

    Agostos nao se comparam a quaisquer gostos.

    Se houver viagem no tempo, concluimos que os exterminadores do futuro do Brasil foram mandados para 2009, ou 1964, ou 1889, ou 1500 DC.

  2. Carlos, você tem uma paixão mórbida por tragédias e golpes. Vives com a cabeça impregnada pela história que não interpretas, comparando-a com os fatos e acontecimentos presentes. Você sabe mas finge esquecer que a história só se repete como farsa.

  3. Reflitam comigo: 1. O Lula manda emissários ajustarem com assessores de Fernando Henrique Cardoso a ideia de um encontro público de ambos “pelo bem do país” (salvar o governo); 2. FHC manda recado anunciando que Lula tem seu telefone e está disposto a debater “agendas do país em discussão no Congresso”; 3. Ao ser designado articulador político Michel Temer se encontrou com o ex-presidente Lula, quando pediu que ele cooperasse com o governo “nas discussões sobre reforma política em pauta no Congresso”; 4. O Palácio do Planalto elogia a atitude de Lula e informa continua aberto ao diálogo tanto com FHC quanto com Lula, porém qualquer encontro de ambos no interesse do governo só poderá ser tratado com a presença da presidente Dilma Rousseff; 5. Ao contrário de enquadrar a presidente Dilma os efeitos dessa nova “agenda positiva de Lula” apontam que ele é quem deve se enquadrar à realidade…

  4. Agosto tem sido um mês que os brasileiros têm receio.
    Há uma espécie de magia negativa, e quando se aproxima no calendário muitas pessoas imaginam que virá carregado de surpresas nada agradáveis em termos de política.
    Mas, agosto, está no seu final.
    Dilma não sofrerá impedimento; a crise econômica continuará; Lula quer se mostrar o salvador da pátria, então se mete onde não deve, como a dizer que é o líder nacional; FHC quer também se aproveitar dessa crise de falta de autoridade moral da presidente Dilma e sua retirada efetiva do governo; Cunha tem agido em caráter pessoal; Temer está quieto, aguardando pelos resultados; a Operação Lava-Jato está sendo bombardeada pelos petistas; Uma advogada que defendia os delatores premiados com penas menores porque ajudavam nas investigações se viu obrigada a sair do país; o STF já chamou a atenção do Juiz Moro quanto aos cuidados que deve ter em mencionar nomes de parlamentares envolvidos no petrolão; Tóffoli foi transferido para a turma que julgará os políticos desonestos e ladrões que roubaram a Petrobrás; a inflação aumenta; as dificuldades financeiras dos brasileiros aumentam diariamente, a ponto de mais de três mil veículos por mês estão sendo devolvidos pelos seus financiados às instituições financeiras, sem qualquer litigância; o nível de desemprego aumenta; os juros aumentam.
    Agosto, de fato, é um mês de exceção porque nos dá uma visão realista do Brasil, que mais se parece com um filme de terror que uma comédia ou drama, apesar de conter ingredientes desses dois tipos no enredo nessa película horripilante que tem sido a administração petista!

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