Agressiva e intolerante

Carlos Chagas

Ao se confirmar a nomeação de Ideli Salvatti para o ministério da Coordenação Política,  surgiu uma pergunta inteiramente inócua, antes das questões  fundamentais: quem irá para o ministério da Pesca? Tanto faz, já que a Pesca e o governo ainda não foram apresentados. E não é por culpa da ministra Ideli, senão pelo total desprezo que o Brasil vem dando à atividade pesqueira, faz  séculos. O peixe não precisa de pasto, nem de ser alimentado e vacinado,  muito menos necessita passar por estações de engorda, mas custa mais caro  do que o boi. Quem sabe, desta vez, a presidente Dilma viesse a nomear um pescador para gerir o ministério? Ou uma pescadora, de acordo com os ventos que sopram no Planalto. Mas preferiu o ministro rejeitado Luiz Sergio, que não conseguiu pescar apoio no Congresso.

Quanto à Coordenação Política, a ex-senadora vai montar num rabo de foguete. Sem apoio no PMDB e no PT, ficará difícil até mesmo anotar os pedidos da base parlamentar oficial. Acresce que deixou cicatrizes no Senado, onde durante oito anos demonstrou-se agressiva e intolerante.  Essas características  até que  fazem parte  da arte de governar nos tempos atuais, mas são  incompatíveis com o desempenho das relações institucionais. Não se coordenará com elas conjuntos  tão díspares e conflitantes quando os dois principais partidos que apóiam o governo,  ou deveriam apoiar. Basta ver as reações registradas nos últimos dois dias entre os companheiros e os peemedebistas.

De qualquer forma, a presidente Dilma terá tido motivos para escolher Ideli Salvatti.

A GUERRA CONTINUA 

O grupo paulista que domina o PT anda cuspindo parafuso. Não há José Dirceu que dê jeito, apesar de suas tentativas. Os companheiros reagem à designação de Gleisi Hoffmann para a Casa Civil  e,  agora, à nomeação de  Ideli Salvatti ocupar a Coordenação Política. Consideram-se desprestigiados. Gostariam de ter participado dos dois processos de escolha.  Vão dar o troco.

Quanto ao PMDB, igual ou pior. Continuam as reuniões na residência do vice-presidente Michel Temer, que já não funciona mais como bombeiro. Ainda não  se transformou em incendiário, mas não faz falta: mais da metade das bancadas do partido na Câmara e no Senado anda com caixa de fósforos  no bolso.

QUEM LHES DEU O DIREITO?

Passando  do interior para o exterior, vem a pergunta: quem deu o direito à França  e à Itália, reunidas agora aos Estados Unidos e à Inglaterra,  para bombardear a Líbia, em especial  Trípoli, onde não há rebelião alguma? São centenas de mortes, todos os dias,  em nome da decisão de afastar Muamar Kadaffi do governo. Trata-se de um ditador há quarenta anos no poder, mas se for por aí essa coalizão da falsidade deveria estar lançando mísseis na Arábia Saudita e na China, também ditaduras, e mais idosas,  onde cabe ao povo  concordar ou ser perseguido. No fundo, como aconteceu no Iraque de Saddam Hussein, está o petróleo, ou seja, o interesse econômico.

Seria  cômico, se não fosse trágico, assistir o histriônico  Sílvio Berlusconi levando o Brasil à Corte Internacional de Haia pelo fato de o Supremo Tribunal Federal, de acordo com a Constituição,  haver decidido não extraditar Cesare Battisti. Trata-se de um terrorista, é verdade, condenado pela execução de quatro cidadãos em seu país. Mas quantos líbios, por sinal inocentes,  não assassinos,  estão morrendo por conta das bombas italianas?

MÉDICO VIROU ENGENHEIRO

Denúncia do senador Cristóvam Buarque: “votei num médico e elegi um engenheiro…” A referência é para o governador de Brasília, Agnelo Queirós, médico de profissão e que, para o ex-governador, só pensa em fazer viadutos, asfaltar ruas e reformar o estádio de futebol para a Copa do Mundo, esquecendo-se das promessas de campanha. Agnelo chegou a anunciar que assumiria pessoalmente a Secretaria de Saúde,  coisa que não fez, estando o setor lamentavelmente deficiente.  A solução, para o senador, seria levar a saúde até o cidadão, jamais esperar que ele procure a  rede pública depois de doente.

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